quinta-feira, 28 de abril de 2016

Os humanistas renascentistas. Selvino Antonio Malfatti.


                                     
   O campanário de Giotto - Florença


Por ocasião do falecimento do Professor Leonardo Prota, em março deste, todos os que se pronunciaram fizeram questão de frisar como grande contribuição sua foi despertar o interesse pelas humanidades no Brasil. Manifestamo-nos também descrevendo sobre a necessidade de fazermos um segundo renascimento, retomando a valorização do ser humano atualmente vilipendiado na educação, política e economia.
Por sua vez, o Professor Ricardo Vélez Rodriguez escreve um artigo sobre os 400 anos da morte do renascentista espanhol Cervantes destacando sua contribuição como humanista. Neste ano também se celebra os 400 anos de falecimento de William Shakespeare, outro renascentista de primeira grandeza. Estamos, portanto, no âmbito dos 400 anos do Renascimento.
Com efeito, desenvolveu-se na Europa nos séculos XIV, XV e XVI um movimento cultural global incrementando o desenvolvimento artístico, literário, filosófico e científico em prol da valorização homem como ser natural, pois até então se idealizava um homem anjo: virtuoso, puro, santo. Era um homem que vivia para morrer e só depois iria poder ser feliz.
O renascimento, ao contrário, deu destaque ao homem como ser imperfeito, corrompido e pecador, mas que podia aperfeiçoar-se e ser feliz ainda aqui na terra.
O renascimento marcou a passagem do homem medieval - sem conotação negativa - para o homem moderno - também sem conotação positiva. Foi somente uma transição, mas com mudanças profundas. Seria mais feliz o homem que confiava em Deus ou o homem que dependia de sua razão? O balanço nunca foi feito e talvez jamais será.
No intuito de relembrar este movimento global em prol do homem, apresentamos abaixo os principais representantes com suas obras e países de origem:
Principais representantes do Renascimento e suas obras:
 1. Itália
- Giotto di Bondone (1266-1337) - Obras principais: O Beijo de Judas, A Lamentação e Julgamento Final.
- Fra Angelico (1395 - 1455) - Obras principais: A coração da virgem, A Anunciação e Adoração dos Magos.
- Michelangelo Buonarroti (1475-1564)- Obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina (Juízo Final é a mais conhecida).
- Rafael Sanzio (1483-1520) - pintou várias madonas 
- Leonardo da Vinci (1452-1519)- pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor. Obras principais: Mona Lisa, Última Ceia.
- Sandro Botticelli - (1445-1510)- Obras principais: O nascimento de Vênus e Primavera.
- Tintoretto - (1518-1594) -. Obras principais: Paraíso e Última Ceia.
- Veronese - (1528-1588) - Obras principais: A batalha de Lepanto e São Jerônimo no Deserto.
- Ticiano - (1488-1576) - Sua grande obra foi O imperador Carlos V em Muhlberg de 1548.
- Giogrio Vasari - (1511-1574) - Entre suas obras principais, podemos citar: Adoração dos magos e Perseu e Andrômeda.

 2. Holanda
- Erasmo de Roterdã. Humanista e fervoroso crítico social, sua principal obra foi Elogio da loucura. Já no campo das artes plásticas, podemos destacar o pintor holandês Jan Van Eyck, cuja obra principal e mais conhecida é O Casal Arnolfini.

 3. Espanha
- Espanha: O escritor Miguel de Cervantes, autor da obra Dom Quixote de la Mancha. Nas artes plásticas, destaca-se o pintor El Greco, autor de A Ascensão da Virgem, Adoração dos reis magos, El Expolio, entre outras.

 4. França
- O escritor e padre François Rabelais, autor da série de romances Gargântua e Pantagruel. O filósofo Montaigne, autor de Ensaios.

 5. Inglaterra
- William Shakespeare é autor de muitas obras famosas como, por exemplo, Romeu e Julieta, O Mercador de Veneza, O Rei Lear e Macbeth.

6. Portugal
- Luis Vaz de Camões, com a obra os Lusíadas.

7. Renascimento Científico.
 - Nicolau Copérnico. Defendeu a revolucionária ideia do heliocentrismo e. Copérnico também estudou os movimentos das estrelas.
- Galileu Galilei: Desenvolveu instrumentos ópticos, além de construir telescópios para aprimorar o estudo celeste. Este cientista também defendeu a ideia de que a Terra girava em torno do Sol. Galileu teve que desmentir suas ideias para fugir da fogueira.
 - Gutenberg.  A invenção da prensa em 1439, revolucionou o sistema de produção de livros no século XV.
(Fonte: História geral da arte - Renascimento e Barroco. Autor: Janson,H.V. http://www.suapesquisa.com/renascimento. Acessado em 28/04/2016)

Algumas frases ficaram famosas dos renascentistas:

1.    Dante – O aviso na porta do Inferno:” Deixai toda a esperança vós que aqui entrais”.
2.    Shakespeare – “Eis a questão: ser ou não ser
3.    Miguel Angelo para a escultura de Moisés: “fala!”
4.    Galileu , no experimento da rotação da terra: “no entanto, ela se move”.
5.    Camões, à heroína feminina, Inês de Castro: “Alma minha gentil que te partiste, tão cedo desta vida descontente...”

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O caso Marcela Temer. José Mauricio de Carvalho




Certo periódico colocou em evidência a jovem esposa do Vice-Presidente da República. Desde então as redes sociais não perdoaram a míope perspectiva da reportagem e as críticas se multiplicaram. E já saiu de tudo, de cachorrinha vestida de madame  a madame vestida de prostituta, de estudante na balada à celebração nos bares, todas as imagens e vídeos ostentando a maravilhosa epígrafe da reportagem: bela, recatada e do lar.
É evidente que as referências da reportagem à Marcela Temer são de extremo mau gosto, pois expõem aspectos da sua intimidade que ela, recatada, não gostaria e nem precisariam vir a público, mesmo sendo os personagens, ela e o Vice-Presidente Michel Temer, figuras públicas. Além do mais, ela pode escolher como deseja viver e espero que seja feliz com sua escolha.
Um dos aspectos mais fascinantes da existência humana é que vivê-la é a realização de um sentido, de um caminho existencial singular, que cada um escolhe na circunstância em que se encontra. Na principal obra da primeira fase de sua reflexão filosófica intitulada La Meditación del Quijote, o filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) considera a questão do sentido como identificadora da vida humana. Conforme se lê em Ortega, a vida como realidade metafísica, texto publicado na Revista Trans/form/ação, Marília, 38 (1), 167-186, jan./abr. 2015: "Daí a caracterização da vida como o grande problema a ser desvendado. (...) Viver é realizar um programa, um destino, desenvolver um projeto vital num mundo que se encontra aí. (...) Assim, a característica principal da ontologia raciovitalista é conceber a vida como tarefa de vencer a circunstância no quanto ela impede a realização do projeto vital. A ação guarda uma fidelidade ao núcleo interior do sujeito que o filósofo formula como obrigação ética (p. 171).
Ao expor a esposa do Vice-Presidente a uma situação que ela certamente não desejaria e apresentá-la como ideal de mulher, o periódico revelou não só miopia de perspectiva, mas a mais completa imbecilidade.
Infelizmente não há outra palavra para qualificar a reportagem. Primeiro porque esse modelo de mulher, nada contra ele, não é mais a realidade da maioria absoluta das mulheres de nosso século. Essa realidade de todo o mundo não é diferente no Brasil. Hoje em dia a mulher trabalha fora, estuda, faz mil atividades e muitas brasileiras, dizem as pesquisas do IBGE, são chefes de família. São mulheres que ganham a vida trabalhando, além de atender às tarefas domésticas. Segundo, porque revela desconhecer o processo histórico pelo qual passou a sociedade no século passado, quando a brutal crise de cultura, as dificuldades econômicas, o desemprego em massa, as Guerras Mundiais e a vida convertida em tragédia exigiram novas considerações sobre a vida humana que não só superou escolas filosóficas e crenças em vigor, como mudou completamente a vida das pessoas e o papel da mulher na sociedade. Terceiro porque o tipo de vida da jovem esposa do Vice-Presidente somente pode ser desfrutado por uma minoria ínfima de mulheres de uma classe social privilegiada.
Se se tratou de estratégia jornalística para vender revista na verdade expôs o despreparo profissional e a falta de inteligência desses representantes da direita que, desde que apontaram Paulo Renato de Souza como notável educador, não se cansam de demonstrar incompetência e burrice. Cada dia o periódico se supera na incapacidade de defender, com elegância e inteligência, as teses do conservadorismo que representa. A lamentar o fato: para um debate político qualificado é preciso expor com qualidade as teses e posições políticas, o que não é o caso da reportagem em questão.


sexta-feira, 15 de abril de 2016

A História e seus movimentos. José Mauricio de Carvalho - IPTAN



Giambattista Vico - Corsi i ricorsi

Temos vivido tempos difíceis, a economia mundial caminha lentamente desde 2008 e o Brasil embarcou de vez na crise econômica. Tivemos ano passado uma retração de quase quatro por cento na Economia, o que é um desastre para um país pobre e com tantos problemas. Além disso, assistimos um novo processo de impedimento de Presidente da República, o segundo depois da Nova República do Doutor Tancredo Neves. E o motivo é o mesmo, o envolvimento de altos funcionários do governo com a corrupção. Portanto, tempos de crise política. E há também a contaminação, o SUS está moribundo e elas estão aí: dengue, zika, chikungunya e H1N1. Vive-se, para completar esse quadro uma espécie de esvaziamento da criatividade e morte do talento do qual é exemplo a indignação de Ariano Vilar Suassuna, nosso talentoso romancista e ensaísta, contra a banda Calypso. Indignou-se o velho escritor, morto recentemente em 2014, com uma reportagem que anunciava a banda Calypso como retrato da alma brasileira e se referia a Chimbinha como músico genial.  A palestra com a indignação do poeta Suassuna correu as redes sociais Brasil afora. A banda Calypso representa a alma do valoroso povo brasileiro? E ainda se perguntava o escritor, como trabalhador que foi da língua portuguesa, se usamos o adjetivo genial para qualificar Chimbinha como músico, como vamos nos referir a Ludwig Beethoven ou a Amadeus Mozart? Nem era preciso tanto podia ter perguntado por Tom Jobim e Heitor Villa Lobos. Já era suficiente.
Meio atordoado nesse tempo de dificuldades assisti recentemente um episódio que teria feito nosso paraibano, autor de Auto da Compadecida, o Romance da Pedra do Reino e O príncipe do sangue do vai e volta, viver outro momento de justa indignação. Chegava em Belo Horizonte mês passado quando uma emissora local, exibia uma propaganda de quase um minuto. Em meio a um enorme foguetório parecido com a queima de fogos da passagem do ano em Copacabana, um locutor dizia as seguintes frases intercaladas: Ele vem aí (...), Ele está chegando (...), Ele vai mexer com você (...), prepare-se pois Ele vai abalar Belo Horizonte (...), Ele vai fazer o chão tremer (...). E seguiam-se outras frases semelhantes. Durante aquele minuto em que o locutor continuava com suas frases enigmáticas fiquei imaginando do se tratava. Minha imaginação cogitou inclusive a volta do Senhor Jesus. Com a insistência do locutor convenci-me de que era o fim do mundo. Com tanta desgraça acontecendo Cristo, para não assustar ainda mais as pessoas, havia dado àquela emissora de televisão a tarefa de anunciar seu retorno. Tratava-se de uma atitude generosa do Senhor para não apavorar as pessoas e dar tempo para os últimos arrependimentos. Daí as frases: Ele vem aí, Ele está chegando, Ele vai mexer com você, etc. Era mesmo o Senhor, pensei. No final da propaganda diz o locutor: Wesley Safadão.
Entrei em choque. O que ele queria dizer: Wesley Safadão está chegando, ele vai abalar Belo Horizonte, ele vai mexer com os mineiros? Não pode ser. Volta Suassuna, você precisa permanecer vivo, é preciso ainda indagar: a minha querida capital não, se Wesley Safadão vai abalar a cidade como vamos noticiar a visita da Filarmônica de Berlim ou da Orquestra Sinfônica de Nova York?
Em tempos assim o coração pede que filósofos como Saint Simon e Ortega y Gasset tenham razão. Eles diziam que na história, aos momentos de crise seguem-se tempos de calmaria, quando as coisas se assentam. Fica-se em paz até que surja um novo Safadão cantando a Dama e o Vagabundo. Aí é a certeza de uma nova crise. Eu só penso e sonho um novo tempo de calmaria, que leve embora Safadão e essa crise.


domingo, 3 de abril de 2016

O OCIDENTE PRECISA DE UMA SEGUNDA RENASCENÇA. Selvino Antonio Malfatti.





















Na Renascença do século XIII e XIV  tem lugar na Europa - e por extensão no ocidente - um movimento intelectual denominado de Humanismo. Ele significa a valorização do homem, elevado quase à categoria divina na idade média, senhor de si e do universo. 
Este modelo foi posto ao crivo da razão. Voltou-se, então, às fontes originais. Foi, na verdade, a volta às fontes primeiras na concepção de homem. No entanto, o que encontraram nunca mais poderia ser adotado da mesma natureza que a concepção pagã. Quinze séculos de cristianismo não poderia, de uma hora para outra, serem sepultados. O Cristianismo já havia assimilado tanto o paganismo como o judaísmo e fundidos numa só cultura, embora as duas vertentes anteriores continuassem. Significa que nem judaísmo, e em maior escala o paganismo, haviam sido eliminados. De modo que, os Renascentistas ao se proporem a volta às fontes pagãs não pretendiam sepultar os mil e quinhentos anos de cristianismo. O Cristianismo era uma realidade que havia impregnado toda cultura europeia.
O renascimento,  ao voltar à antiguidade clássica e encontrar  naquelas culturas o que fosse genuinamente seu, não teve intenção de depurar a interferência do cristianismo. Por isso não foi uma negação do cristianismo, mas apenas uma distinção e assimilação. As artes, principalmente demonstram isso. Os “davis”, os “moisés”, os “santos”, as santas”, os “cristos” receberam formas greco-latinas, mas continuaram cristãos. Ao cristianismo enxertou-se o humanismo. E, com o advento da Reforma, cada religião assimilou a seu modo o humanismo cristão, algumas até o condenando.
Após a renascença continuou o aperfeiçoamento ético-moral. 
A igualdade talvez tenha sido a que mais progrediu na Europa e por extensão no ocidente: igualdade de gênero tornou-se plena. Homens e mulheres convivem livremente em clima de respeito. As etnias, embora não tenham chegado ao ideal, têm uma convivência pacífica. Ricos e pobres se fundiram socialmente
A liberdade estendeu a participação política a todos. Há liberdade religioso, cultural, ideológica. 
Agora, no século Vinte e Um, faz-se necessária outra renascença. 
Buscar o quê? O essencial do primeiro renascimento foi o humanismo cristão. Atualmente a sociedade ocidental é cristã sem ser necessariamente religiosa. Ela laicizou-se em que pese mover-se com os valores cristãos. Isto não significa que se deva banir a religião. Cada um individualmente pode seguir sua religião, mas a vivência social é laica, com valores cristãos. Qual o principal valor desta sociedade? O que devemos resgatar da primeira renascença? A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Esta atualmente sofre arranhões, desrespeitos, recaídas, extermínio ao nível da barbárie. Todos têm conhecimento de Auschwitz-Birkenau, Gulag, Praça Vermelha, Holocausto e dezenas de outros para quem a pessoa humana é nada.  
A dignidade do ser humano é nossa meta para a segunda renascença. A pessoa está acima de qualquer preço, não é negociável. É um valor em si, independente de credo, é humana

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Valores cívicos. José Mauricio de Carvalho - Professor do IPTAN





Os eventos de corrupção envolvendo altos funcionários da República e grandes empreiteiros, versão atualizada do patrimonialismo nacional, os primeiros enriquecendo ilicitamente e os segundos brincando de capitalismo, fazendo o discurso da livre iniciativa, mas ganhando dinheiro, sem risco, subornando as autoridades do Estado, que ocupa, há várias semanas, as manchetes do país. É um assunto já bastante comentado e, nessa altura, todos os corruptos e corruptores já deviam estar presos e o dinheiro devolvido ao Tesouro Nacional. Contudo, algumas postagens nas redes sociais, hora queixando-se de que as medidas se direcionam contra um único partido, outras apoiando a intervenção militar e outras ainda defendendo ações não amparadas em lei pelo juiz que conduz o caso, me estimularam a voltar ao tema.
Não quero, contudo, tratar o óbvio, todos os ladrões, de qualquer partido, que tenham se beneficiado dos esquemas de corrupção, que empobrecem o Estado e a Sociedade, devem ser punidos. Não pode haver exceção para aqueles que enriquecem e vivem uma vida de luxo ilicitamente obtida, às custas da maioria dos brasileiros que luta com extrema dificuldade para viver. A investigação precisa atingir e punir todos os corruptos. Porém, isso deve ser feito dentro da lei, tanto a condução da investigação, quanto o respeito ao direito de defesa. Quanto às Forças Armadas, que continuem a cumprir seus deveres constitucionais. Se em nossa história interferiram no processo político, hoje devem se manter no estrito cumprimento das leis, pois é organização fundamental para a segurança do país e das Instituições Republicanas.
São os valores cívicos, ou sua ausência que nos chama atenção. Se a população está entendendo, com grande sofrimento, que não se pode ter um país razoável quando  dirigentes roubam o patrimônio público, isto mostra que o roubo, em qualquer de suas formas e níveis prejudica toda a sociedade. Se os maus empresários escrevem péssima história no capitalismo, que os livres empreendedores cuidem de ser bons empresários, paguem os impostos devidos e assumam o risco das atividades, para as quais são recompensados. Enfim, é no cumprimento dos deveres e na prática dos valores cívicos que se fortalece a nação e se cultiva a esperança.
Muitos séculos antes de Cristo, o filósofo grego Aristóteles, em outro contexto e de outro modo, postulou não valores, que são objetivos e moldados culturalmente, mas virtudes cívicas, que são os hábitos de natureza moral que o cidadão desenvolve e lhe permite cumprir suas obrigações com o Estado. Independente do anacronismo dessa forma de entender virtude, como potência própria do homem de natureza moral, ela considera um fenômeno fundamental: a relação de amor e dedicação do cidadão para com seu Estado. A areté ethiqué de Aristóteles, que tem um sentido distinto do que hoje entendemos por virtude, reflete, contudo, a excelência no cumprimento de suas obrigações, que o tornava bom e fazia de sua Cidade-Estado (Pólis) um lugar ainda melhor. Cidade da qual ele se orgulhava de pertencer e morar. No caso de Atenas, seus habitantes a ela se referiam orgulhosamente como a linda localidade, iluminada pelo sol mais claro do Mediterrâneo, lugar onde a deusa da sabedoria escolheu para habitar.
É um pouco desse amor e carinho pelo Estado que sobrava nos antigos gregos que precisamos cultivar. Não naquela completa identificação do cidadão com a cidade, mas assegurando a liberdade pessoal. Nesse novo contexto, comprometer-se contudo, como os antigos gregos, com os destinos dessa nação, pela qual tantos deram e dão o melhor da vida ou a própria vida.


sábado, 26 de março de 2016

Resurrexit sicut dixit, 

ALELUIA.








1. No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado.
2. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro.
3. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus.
4. Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes.
5. Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?
6. Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galiléia:
7. O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia.
8. Então elas se lembraram das palavras de Jesus.
9. Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais.
10. Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa.
11. Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito.
12. Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera.

https://www.youtube.com/watch?v=IUZEtVbJT5c

quarta-feira, 23 de março de 2016

LEONARDO PROTA: O EDUCADOR DAS HUMANIDADES. Selvino Antonio Malfatti





Coincidentemente no dia de São José, padroeiro do trabalhador, faleceu neste 19 de março de 2016, Leonardo Prota, um exemplo de trabalhador.
Nasceu na Itália em 1930, teve uma permanência no México, fez mestrado nos Estados Unidos, veio para o Brasil e naturalizou-se. Sua atuação sempre esteve ligada à área da educação, quer como docente, como dirigente de institutos de educação e como escritor. Seu maior destaque foi o estudo do Pensamento Brasileiro, as Humanidades e a constatação da existência das filosofias nacionais. Para o primeiro destacam-se os Colóquios Antero de Quintal e Tobias Barreto realizados alternadamente na Universidade de Londrina e Universidade Nova de Lisboa, reunindo professores e pesquisadores de filosofia. Para o segundo, Leonardo Prota, juntamente com Antonio Paim e Ricardo Vélez Rodrigues, é fundador do Instituto de Humanidades. Nele destacou-se na atividade editorial de divulgação de estudos humanísticos. E para o terceiro sua produção acadêmica.
Quando Prota inicia seu trabalho pedagógico, percebe que a educação brasileira se estribava nos princípios da educação americana, qual seja, era só pragmática e objetiva, nos moldes de John Dewey, visando apenas o mercado de trabalho. De humanidades estava completamente vazia. É então que se propõe inserir nela um cunho humanista. Nesta tarefa juntam-se a Antonio Paim e Ricardo Vélez e organizam um curso que contemplava plenamente o patrimônio das humanidades, desviando-se da rota americana e direciona-se para a europeia.
Esta preocupação de Prota com as humanidades deve-se a dois fatos na sua vida. O primeiro que sua formação básica calcou-se sobre a pedagogia da escola de Dom Bosco e em segundo sua tese de mestrado: “Um Modelo de Universidade”. A publicação de seus estados fez com que as teses de uma educação puramente pragmática, de modelo anglo-saxônico, fossem mitigadas recebendo ingredientes humanistas.

Outra contribuição de Prota para a educação foi a necessidade de ênfase nas filosofias nacionais. Havia uma crença generalizada que existia uma filosofia universal e quando não se enquadrasse nesses parâmetros não era considerado saber filosófico. Para Prota a noção de filosofia universal estava atrelada a uma filosofia puramente racional, a adoção do latim como língua oficial da filosofia e a não percepção da filosofia como problema, caminho este desbravado por Hartmann e Mondolfo. A partir do momento que a experiência foi convidada a falar, contrapondo-se ao puramente racional, o latim foi sendo abandonado fazendo-se filosofia com as línguas nacionais e a percepção de que cada país mirava um problema específico, surge a valorização das filosofias nacionais. A experiência foi consagrada no universo científico com os filósofos, Galileu, Newton e Suárez, Scot e Ockham. O abandono do latim foi concomitante ao surgimento das línguas vernáculas, nova forma de comunicação do saber. A questão do problema levou ao pressuposto do elemento subjacente em cada sociedade: a cultura. Como exemplo, Prota menciona a filosofia inglesa dando ênfase à ciência, os franceses preocuparam-se com o racionalismo, a Espanha debruçou-se sobre o raciovitalismo, os italianos preocuparam-se com a realidade espiritual, os alemães com o sistema, Portugal com Deus e o Brasil com a cultura. Disso decorre que o que se acreditava que fosse filosofia universal, na verdade não passava de um problema nacional e, portanto, uma filosofia nacional. O estudo do pensamento brasileiro, o despertar das humanidades e a visualização das filosofias nacionais foram as três grandes contribuições de Prota. 

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