sexta-feira, 8 de julho de 2011

GRANDES ESTADISTAS BRASILEIROS, CHEFES DE ESTADO. Selvino Antonio Malfatti




Por ocasião das cerimônias fúnebres do ex-presidente Itamar Franco, (falecido em 2 e cremado em 4 de julho deste) a cujos atos fúnebres compareceram a presidente Dilma Rousseff e quatro ex-presidentes - Collor, Sarney, FHC e Lula - fui levado a refletir quais seriam os chefes de Estado brasileiros que mais se destacaram. De imediato deparei-me com a dificuldade de critérios para avaliá-los. Resolvi escolher três: respeito pelo sistema representativo, ações marcantes e legado significativo. Claro que são subjetivos, mas, como diria Max Weber, valores subjetivos podem resultar em conclusões objetivas. 
Evidentemente que as três características deverão ocorrer simultaneamente. Se um estadista fez coisas maravilhosas, no entanto não respeitou as regras do jogo democrático, estará descartado. Pode também ter seguido à risca a democracia, mas exerceu um governo opaco, também estará fora da lista. Dentre vários que preenchiam as condições, decidi escolher três como genuinamente enquadrados nos critérios acima apontados.
O primeiro, um chefe de Estado que governou o Brasil por quase 50 anos. Tomou posse pelo Parlamento brasileiro denominado Assembléia Geral Legislativa. Durante seu governo os dois maiores partidos políticos, liberal e conservador, se alternaram no poder praticamente a metade do tempo para cada um. Não houve nenhum golpe, os trâmites legislativos seguiam seu curso normal e espontâneo. O sistema parlamentarista - embora funcionasse com a nomeação a priori do Presidente do Conselho de ministros – funcionava representativamente e tinha legitimidade perante a sociedade.
As ações mais marcantes deste governo foram: a pacificação interna, superando-se as veleidades de independência regional. As fronteiras com os países vizinhos foram resolvidas, na maioria das vezes pacificamente. Paulatinamente as guerras foram banidas. O maior problema interno, a escravidão, estava sendo solucionado aos poucos (fim do tráfico, lei dos sexagenários, do ventre livre) e por fim foi abolida. Estas ações se tornaram duradouras, isto é, se perpetuaram e foram incorporadas ao patrimônio cultural da nação. Este estadista e chefe de Estado foi D. PEDRO II.

O segundo a marcar época foi eleito pelo voto direto. Recebeu a diplomação pelo Tribunal Superior Eleitoral e tomou posse no Congresso Nacional. Fez um governo alicerçado sobre a representação. Os partidos faziam o jogo político, a imprensa manifestava-se livremente e os cidadãos gozavam de todas as garantias constitucionais.
Sua ação mais significativa foi a industrialização do país e a construção de Brasília. Quanto à primeira despertou a confiança das empresas internacionais para investir no Brasil. Instalaram-se no país as montadoras Ford, Volkswagen, Willys e GM. Com isso deu o primeiro impulso para o Brasil sair da condição de economia rural para transformar-se em industrial e de serviços. A outra grande ação foi a mudança da capital, do Rio de Janeiro para Brasília. Através disso levou o povoamento ao interior e integração das regiões centro e Oeste. Este estadista foi JUSCELINO KUBITSCHEK.


O terceiro também foi eleito pelo voto direto por dois mandatos consecutivos e diplomado pela Justiça Eleitoral. A vida política foi marcada pela defesa do sistema representativo democrático. É um dos criadores de um dos maiores partidos brasileiros, juntou-se à campanha pelas "direta-já", foi senador, ministro das relações exteriores, ministro da fazenda e finalmente presidente.
Antes de sua posse como ministro o país encontrava-se numa situação econômica caótica devido ao problema inflacionário. Deparou-se com uma inflação de 1.100% por ano e já no ano seguinte passou a 2.500%.   Numerosas tentativas anteriormente haviam sido experimentadas para debelar a inflação:congelamento de preços, confisco de bens, prisões de empresários e outras. Tudo em vão. Como ministro da fazenda concebeu uma estratégia para enfrentar o problema. De imediato recebe o apoio do presidente Itamar Franco e implanta o Plano Real. A partir de então, a inflação cede e tem início o período de estabilidade econômica. Com certeza esta foi a maior ação enquanto ministro. Mais tarde, como Presidente, completou seu trabalho com as privatizações, tornando o Estado mais enxuto e funcional. Passaram para a iniciativa privada gigantes empresas estatais como Embraer, Telebras, Vale do Rio Doce. O estadista e chefe de Estado que levou adiante estas ações significativas e duradouras foi FERNANDO HENRIQUE CARDOSO.

 A eles,  nosso  obrigado!

12 comentários:

  1. Agradou-me este artigo,pois nós, os brasileiros temos memoria curta,está aí o resgate da vida de homens que foram exemplos de politícos comprometidos com a nação.

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  2. Devemos dizer obrigado pois,partindo das decisões destes homens, hoje o país apesar das desigualdades sociais,está com uma economia equilibrada perante a outras economias mundiais.Penso que poderia ter incluído o presidente Itamar...afinal Fernando Henrique foi seu ministro e aí iniciou sua caminhada para a presidência.

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  3. Há poucos dias, o Brasil perdeu um dos políticos mais ilustres, sérios, éticos e nacionalistas de carteirinha que sempre colocou os interesses do país, acima das ambições pessoais e partidárias:o ex-presidente Itamar Franco. Depois da falência do regime militar, convivemos com um bacharel imortal (José Sarney) e um prestidigitador (Fernando Collor de Mello), mas ambos falharam no controle da inflação, então o principal mal da economia brasileira. Só não falhou o engenheiro Itamar (Mar de pedras...?).
    jornal 247.........08/07/2011.

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  4. Reviver partes da história é muito importante,foram tempos que valia a palavra,como Juscelino que tanto lutou e, apesar da crítica na construção de Brasília,colocou o País na era do desenvolvimento.

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  5. Claro,Fernando Henrique como presidente foi leal aos direitos democráticos,mas a venda da vale.........era o nosso grande patrimônio.

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  6. Também acho que a venda da vale foi doida,afinal estava dando lucro,agora dá muito mais para os acionistas estrangeiros.Foi-se a galinha dos ovos de ouroooooooo.

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  7. É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).Sim,pelo exposto acima podemos dizer que Fernando Henrique como presidente preocupou-se com o social além do econômico.(Dados folha de São Paulo)

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  8. Pelos comentários alguns "sentiram" a venda da Vale do Rio Doce. No entanto, parece, pelos estudos realizados, que foi melhor para o Brasil - agora produz lucros através de impostos - e para a empresa, pois teve um desempenho melhor. Só a titulo de sugestão, indico o artigo:

    ANÁLISE DO DESEMPENHO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE ANTES E DEPOIS
    DA PRIVATIZAÇÃO
    Cláudia Rodrigues de Faria, Ciências Contábeis, Fecilcam,
    claudia@campomourao.pr.gov.br
    Sílvia Mara Homiaki, Ciências Contábeis, Fecilcam, sil_mh@hotmail.com
    Me. Jorge Leandro Delconte Ferreira, OR, Ciências Contábeis, Fecilcam,
    jorge.leandro.professor@gmail.com
    site: http://www.fecilcam.br/nupem/anais_iv_epct/PDF/ciencias_sociais/02_FARIA_HOMIAK_FERREIRA.pdf

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  9. Cada um tem seu ponto de vista e,respeitamos mas também temos o entendimento que o que é publico acaba sendo muitas vezes usado como propriedade privada onde uma minoria se beneficia...Agora a vale e tantas outras empresas que antes eram deficitárias estão no topo das mais rentáveis.Então, sejamos honestos para reconhecer que o Estado deve ser enxuto.As empresas eram moeda de troca entre os políticos e,ainda continuam ,basta ver as notícias sobre o ministério dos transportes...

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  10. Hahaha! Deixou Getúlio de fora da lista mas incluiu o FHC! Piada mesmo!! Mas respeito o humor dos outros.

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  11. Se um dos critérios é o respeito pela representatividade, é claro que o populista Getúlio, quem mandou no país de 1930 a 1945 a partir de um golpe, não pode ser citado.

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  12. FHC? Privatizou gigantes para dar lucros à estrangeiros que cobram caro pelos serviços, e quem paga é a própria nação. Brilhante estadista, quero dizer, palhaço.

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