sexta-feira, 7 de agosto de 2015

DIA DOS PAIS. Selvino Antonio Malfatti




















Em várias partes do mundo há um dia consagrado aos pais. A data não é unânime em todo mundo. Portugal celebra em 19 de março (Dia de São José – pai adotivo de Jesus), nos Estados Unidos, Inglaterra e numerosos países a celebram em junho pois foi este mês que foi celebrado pela primeira vez nos Estados Unidos em homenagem a um pai na data de seu nascimento.
A data comemorativa tem dois suportes valorativos: um, lembra a figura paterna no seio da família de concepção religiosa -geralmente cristã - e outra presta uma homenagem aos antepassados (grandfather ). No caso de família com sentido religioso, atualmente não é mais totalmente confessional, mas cultural. Da mesma forma, a ideia de "homenagem aos antepassados" também é cultural. No caso brasileiro, a data de agosto foi uma homenagem a São Joaquim, sacerdote na religião judaica. Ele era pai de Maria e avô de Jesus, pela religião cristã, cuja festa é celebrada em agosto. Por isso, poder-se-ia dizer hipoteticamente que a data obedeceu a critérios bi-confessionais: judaísmo e cristianismo.
A fundamentação cultural judaico-cristã evoca a figura paterna do próprio Deus, considerado um Pai. Na verdade o que se quer é apresentar um modelo axiológico no qual todos os pais pudessem se espelhar, como próprio Deus–Pai seria.  Quais as qualidades destacadas:
1.       Presença. O significado não quer dizer apenas uma presença física (embora seja também), mas viver junto com a família. Lembra acompanhar, participar, compartilhar, transmitir confiança e segurança. Evidentemente que isto pode ser mais espiritual que físico. Embora seja difícil e até mesmo extenuante após um dia de duro trabalho é preciso conversar. Se o ambiente estiver pesado, comece com uma observação de humor. A partir da primeira resposta o diálogo fluirá naturalmente.
2.       Afeição. Um pai presente desperta na família uma afeto mútuo entre os membros. O respeito à dignidade de cada um irá refletir-se em cadeia entre si. O pedir licença, desculpar-se, ser exemplo, fará com que os demais membros, principalmente as crianças, façam o mesmo. A interação afetiva proporcionada pelo pai começa ser a regra geral dentro da família. Ser modelo de bom pai, homem íntegro, cidadão exemplar. Suas ações são mais poderosas que suas palavras.
3.       Autoridade. Não é a o mesmo que poder. A autoridade tem legitimidade, o poder a força. O pai exerce na família uma autoridade legítima, isto é, obtém o consentimento dos demais devido a concordância na justiça de suas exigências, pois ele  mesmo se submete a elas.
4.       Limitação. Com afeição e autoridade, estabelecer limites que se desdobram desde o físico, entrando pelo econômico, lazer, moral, sexo e mesmo espiritual. O mundo não é uma galáxia infinda dando a qualquer a ser desfrutá-lo ao seu bel prazer. Ao contrário, é um Éden a ser preservado.
5.       Promessa. A promessa aponta para uma meta, um ideal a ser alcançado. Acenar e prometer devem ficar também dentro de suas próprias limitações. Despertar expectativas e não realizá-las causam muitos prejuízos psicológicos mais do que se nunca tivessem sido vislumbradas. O prometer e o cumprir devem andar de mãos dadas. Só assim é pai pode se apresentar como promessa de que agindo assim alcançarás o prometido.
6.        Religião. Como na maior parte das vezes o conceito de pai está associado ao culturalismo judaico-cristão, mas não necessariamente, perguntamo-nos o que é ser um pai neste contexto?  Deixemos responder um pai cristão. Trata-se do professor e filósofo português  Eduardo Abranches do Soveral. Um pai cristão que assim publicamente se declara, conforme ele, deve ter sempre presente:
a)      A Dignidade da pessoa humana. Cada homem é uma pessoa e não um indivíduo. Possui uma dignidade conferida pelo próprio criador e uma natureza assumida pela própria divindade. 
b)      A fraternidade dos homens. Os homens são irmãos por serem filhos do mesmo Pai, que é Deus. Esta fraternidade é a origem de sua liberdade e igualdade relativamente de uns para com os outros.
c)       Caridade pessoal. A caridade é de coração para coração e não para com os homens em sentido universal. A caridade começa com os mais próximos – pais, irmãos, vizinhos, companheiros de trabalho etc. – e depois estende aos demais. Isso tem sentido como um Corpo Místico de Cristo. Sempre na situação concreta e não geral. Cada um seja um Cristo na situação concreta. “És professor? Sê Cristo como professor. És aluno? Sê Cristo como aluno. empregado? Sê Cristo como empregado”.
ÉS PAI? SÊ CRISTO COMO PAI.