sexta-feira, 15 de março de 2013

FRANCISCO I – AS VICISSITUDES NA ELEIÇÃO DE UM PAPA. Selvino Antonio Malfatti



















Desde a renúncia do papa Bento XVI os católicos do mundo inteiro, aproximadamente 1bilhão e 200 milhões, aguardavam a eleição do novo papa que aconteceu no dia 13 de março de 2013, na pessoa do cardeal Jorge Mário Bergoglio com o nome de Francisco I, 266º papa.
Teoricamente qualquer cristão católico, solteiro e em comunhão com a Igreja, pode ser eleito papa. Por isso, quando a cátedra de Pedro torna-se vaga, potencialmente existem milhões de candidatos. Na prática, porém, há 625 anos que o último pontífice foi escolhido fora da lista do Colégio Cardinalício. Foi Urbano VI em 1378, arcebispo de Bari, Itália.
Até o Cristianismo tornar-se Religião Oficial do Império Romano, com Constantino, no século IV, a escolha do Papa era um ato privado e até mesmo sigiloso, pois os cristãos viviam perseguidos pelas autoridades romanas e a maior parte dos papas era martirizada.
Com o advento da União entre Igreja e Estado começam a surgir os problemas, isto por que um interferia no outro inevitavelmente. Os imperadores queriam escolher os bispos e estes queriam escolher os chefes políticos.
No mesmo período, um bispo da Igreja, Santo Agostinho desenvolve a teoria da supremacia do poder religioso sobre o poder civil. Nas relações entre Igreja e Estado, Agostinho entende que ambas são sociedades perfeitas e soberanas, cabendo à Igreja o espiritual e ao Estado o temporal. O Estado, porém, está subordinado à Igreja, porque a vida terrena é um meio para se atingir o verdadeiro fim que é a salvação. O Estado e seus membros devem ser subordinados à Igreja. Com Agostinho, estava firmada a doutrina da supremacia do espiritual sobre o temporal cujo debate ocupará a intelectualidade durante toda a Idade Média e até mesmo no século XIX encontrará defensores, principalmente no Sillabus do Papa Pio IX. Esta doutrina da Supremacia do poder espiritual sobre o temporal, como foi concebida, é essencialmente moral, no entanto, na prática provocara as mais sangrentas guerras de Papas contra príncipes, vice-versa e de príncipes entre si.
Esta doutrina, porém, não era pacífica nem mesmo na Idade Média e no período de Santo Agostinho. Como exemplo pode-se citar Marcílio de Pádua, entre outros. Este pensador não só defende a separação do poder temporal e espiritual, como a subordinação deste àquele. Diz ele que a Igreja é formada por todos os cristãos que têm por objetivo a felicidade eterna. Todos os cargos eclesiásticos são iguais e não deve haver limites territoriais para o exercício das funções religiosas. Para ele, São Pedro era igual aos demais não tendo primado algum sobre os outros, inclusive, é duvidoso que tenha estado em Roma. Conforme ele o poder do Papa foi usurpado dos Bispos e fiéis, com condescendência dos imperadores. O poder supremo da Igreja não está no Papa, mas no Concílio Ecumênico, cujos representantes seriam eleitos pelos fiéis. Quem deve convocá-lo é o executivo do povo romano, isto é, o imperador. O poder dos papas não pode ir além do conferido pelo povo cristão através de seus representantes e o imperador. Igualmente, caberia ao povo, aos fiéis, elegerem e depor o Papa, com a sanção do Imperador. O mesmo se daria com os Bispos e presbíteros. A Igreja não tem poder coativo sobre os fiéis, cabendo este poder ao civil. Para haver paz e tranqüilidade, pensa Marsílio, a Igreja deveria estar subordinada ao Estado.
É no século XI que começa o aprimoramento do processo de escolha de papas. Em 1050, o papa Leão IX inicia o processo convocando pessoas ilustradas para auxiliá-lo. Desde estudo nasce a decisão de que o papa sairá das fileiras dos cardeais. Um século depois nasce o Sacro Colégio e já no século XX é incorporado ao Direito Canônico.
O conclave teve origem na sucessão de Clemente IV cuja votação durou três anos. Numa disputa entre italianos e franceses os cardeais encontraram-se num verdadeiro beco sem saída. Até que os cidadãos de Viterbo, local onde os cardeais estavam reunidos, resolveram enclausurar os cardeais, destelhar o local da reunião deixando-os expostos ao relento, dando-lhes para alimentação somente pão e água. Em três dias vieram-lhes a inspiração e foi eleito o papa Teobaldo Visconti, com o nome de Gregório X, um monge, mas não sacerdote. Daí em diante a introdução do conclave – chaveados – forçou a decisão rápida na escolha do sucessor.
Já que o novo papa escolheu como patrono Francisco é bom ouvir o que este dizia na "Preghiera Semplice" (Oração de São Francisco):
http://www.youtube.com/watch?v=nKB8FCmMUh4