sexta-feira, 10 de março de 2023

FIM DOS TEMPOS DA DEMOCRACIA. Selvino Antonio Malfatti


 


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Todos se apercebem quando um livro é simplesmente repetição do que outros escreveram e, ao contrário, há algo novo. No primeiro caso as teorias já consagradas são simplesmente repetidas. No segundo caso as próprias teorias tradicionalmente aceitas são postas em discussão e uma a uma são desmanteladas, tais como informática e internet comparável à máquina a vapor e eletricidade, as revoluções sociais e tecnológicas serem base da economia moderna? Ou, a sociedade da informação, com sua inteligência artificial, o último estágio do progresso?

Atualmente é lugar comum justificar qualquer coisa contrapondo à democracia, como se esta fosse o parâmetro da justiça, quando justamente a democracia está submetida à justiça. A justiça é a condição da democracia.

É o que o livro de Franco Bernabè e Massimo Gaggi, quer nos alertar. (“Profetas, Oligarcas e Espiões”)  O desenvolvimento digital não é simples progresso dos tempos atuais, mas uma alteração nas relações entre sociedade, economia e Estado. Em detrimento dos sistemas parlamentares e classe média.

Sobre os autores. Bernabé foi líder de grandes indústrias exercendo a presidência da CEO da ENI e da Telecom Itália, Energia e Comunicações. Gaggi foi vice-editor do jornal Corriere e há vinte anos vem decodificando a sociedade americana como colunista da Nova York.

Ambos passaram por grandes crises desde o pós-guerra. O 11 de setembro com o Atentado das Irmãs Gêmeas que deram origem ao Patriot Act, lei da vigilância em massa. A multidão de turbulentos que invadiu Capitol Hill, o Congresso Americano.

No início da Internet, como numa Lua de Mel, tudo era atraente e ilusoriamente gratuito. Este mundo novo que se vislumbrava e deslumbrava era propriedade da Big Tech.  No entanto, não será o domínio da tecnologia da web que frouxa os freios e contrapesos, alicerces da democracia, mas é a forma como essas concentrações de poder será submetida. Na verdade por trás delas está o poder econômico. Por isso, o primeiro a ser dominado será o poder econômico.   Neste, três variantes precisam ser colocadas nos limites: identificar os riscos do descontrole da tecnologia, chegar a um consenso de regras aplicáveis e introduzir um travão para domesticar os monopólios. O tabuleiro de jogo de forças pode ser definido: 1º A Europa tem vontade política, mas não tem força. 2º Os Estado Unidos tem a força, mas não consegue força política. 3º A China se aproveitando para monopolizar o poder político e econômico. Por isso, não basta deixar à mão invisível guiar a política, o algoritmo, mas manter o controle pelo debate democrático submetendo-o à justiça,

O que provocou o nascimento, crescimento e a consolidação de uma oligarquia venenosa para o funcionamento da democracia foi o processo de desregulamentação dos anos Noventa que permitiu à indústria da internet criasse raízes tão profundas que os impérios financeiros, dela originários, ocultassem os do passado. A vontade de Reagan era não matar no berço o recém-nascido. Quando se deu conta, contudo, já não tinha volta. Já não é tarde imaginar  como era antes de “curtir”?

Neste momento pululam os “arrependidos”. Como paradigma pode-se citar Evan Williams, conhecido como pai do Twitter, declarou publicamente: “Achei que dar às pessoas mais liberdade para trocar ideias e informações online era suficiente em si mesmo para criar um mundo melhor. Eu estava errado, a internet está quebrada”. Muitos agora lembram quantos denunciaram o mais tóxico do Vale do Silício: o Facebook. Tal como o ópio, o facebook criou em boa parte da juventude uma sensação generalizada de ansiedade, insegurança e irresponsabilidade. O setor editorial com certeza está em crise. O pensamento crítico foi sufocado. Em vez de bibliotecas surgiram “salas” que alimentam as ofensas, acusações, ódios, os piores instintos. Não há raciocínio, apenas exaltação da pornografia e crimes contra vida, homicídio, infanticídio e aborto.  

Qual a origem?

- A Seção 230, nos Estados Unidos, que protege as empresas. Ela praticamente as isenta da responsabilidade pelos conteúdos publicados por terceiros. Á chamada a Lei de Decência nas Comunicações (Communications Decency Act).

 

 

 

 

 

 

 

 


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