sexta-feira, 30 de julho de 2010

ÉTICA x CORRUPÇÃO- Selvino Antonio Malfatti


O caso brasileiro é um modelo de persistência teimosa de corrupção e ao mesmo tempo esperança na ética:
1º Só para exemplificarmos nos dias atuais, a partir da década de oitenta e subseqüentes, quando foi substituído o segmento militar pela sociedade civil: após quase três décadas de poder militar, a sociedade consegue substituir a classe política militar, acompanhada de várias denúncias de infrações éticas, por outra classe, a civil, que se dizia comprometida com a ética.
2º Tendo como pano de fundo a ética, foi feita uma reforma Constitucional, a qual pensava-se, garantiria um comportamento ético da classe política. Na primeira eleição o eleitorado consagra alguém que se dizia comprometido com os princípios liberais e pureza ética, mas logo em seguida se envolve com corrupção, comércio de votos, caixa-dois e outros desvios e acaba perdendo o mandato.
3º Na eleição subseqüente a sociedade busca alguém identificado com a ética e com as aspirações populares, oriundo não das fileiras liberais, mas da ideologia socialista. Novamente a classe política eleita se delineará como o mais típico divórcio entre a ética da sociedade e a ética do agir político.
Quem avalizou foi um partido nascido no seio da Teologia da Libertação e que deu seus primeiros passos pela mão da Igreja Católica. Propunha uma revolução ética quando chegasse ao poder nacional: agiria estritamente dentro da ética prometida e aprovada pela sociedade. Ao que chamava de governos corruptos contrapunha um governo de honestidade, contra o capital explorador uma justiça do trabalho, contra a presença maléfica estrangeira uma soberania nacional. Contra a democracia burguesa, a democracia participativa, contra o descaso com o funcionalismo, uma justa remuneração, contra o mercado, um Estado regulador, contra as multinacionais, só empresas nacionais. Um governo de honestidade e de justiça promoveria a felicidade dos menos favorecidos com emprego, educação, saúde e habitação. Tal programa, impregnado de conteúdos ético-morais, paulatinamente foi recebendo o “sim” da sociedade brasileira: municípios, estados e finalmente a federação. Originariamente, para manter sua pureza ética, não aceitava coligar-se com nenhum outro, considerando-se o legítimo guardião da ética.
Originariamente, para manter sua pureza ética, não aceitava coligar-se com nenhum partido, considerando-se o legítimo guardião da ética. No entanto, pouco a pouco se aproxima de outros partidos afins e finalmente, para dissipar todos os temores coliga-se com um partido de ideologia liberal, o qual indica o vice-presidente. A sociedade confiou e deu seu consentimento elegendo o candidato. Ao assumir o poder, porém, necessitando da maioria parlamentar, dispensa a proximidade ideológica e coliga-se com qualquer partido que lhe dê apoio. A maioria foi formada de partidos de esquerda moderada e radical, bem como de direita e de centro-direita. Para se conseguir maioria ou apoio parlamentar cada congressista passou a ter um valor pecuniário: uns mais, outros menos e uma significativa parcela inegociável.