sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os maus caminhos da política brasileira. José Mauricio de Carvalho - Academia de Letras de São João del-Rei



A atividade política é funda-mental para qualquer povo. Sem ela dificilmente um povo consegue desenhar um futuro, quer porque não formula metas e estratégias para alcançá-lo, quer porque não consegue resolver, com qualidade, os inevitáveis conflitos internos da vida diária. Um povo precisa, portanto, dessas duas ações: um desenho de futuro e solução para os inevitáveis conflitos internos de interesse. Quando a atividade política falha, perdem-se esses dois eixos estruturadores da vida nacional.
As delações da Odebrecht, parte de um processo de desmascaramento do jogo político em vigor, explicitam o desastre nacional. Um desastre não simplesmente porque mostrou a fraude do atual jogo político, onde o grande capital financia quem deseja colocar no poder para favorecer seus interesses imediatos. Um desastre não só porque todos os acusados sejam culpados sem direito a defesa, todos poderão se defender e provavelmente alguns se salvarão, mas o que está claro é que o jogo político inteiro está sendo continuamente fraudado pelo caixa dois e pela corrupção explícita.
As delações da Odebrecht escancararam o óbvio. Nenhum empresário financia campanha política a não ser com o duplo propósito de se colocar fora das regras de mercado e ganhar condição privilegiada nas negociatas com políticos guindados, imoral e ilegalmente, aos altos cargos do Estado. Esses políticos transformaram nossas Estatais em meios de arrecadação eleitoral. Sim, as empresas do Estado foram apropriadas pelos partidos políticos e se transformaram em instrumento de captação de recursos ilícitos, destinados a financiar campanhas caríssimas e a custear uma vida de luxo. E o preço para financiar essas coisas, marqueteiros pagos a preço de ouro e a compra da mídia é o dinheiro da sociedade. Essa trabalha cada vez mais e vê cada vez menos o resultado de seus esforços. Pagam-se duas estradas e se constrói uma, compram-se duas pontes e se tem uma, compram-se dois hospitais e se recebe um, financiam-se duas escolas e se recebe uma. Ficou claro, para quem a Lava Jato, que boa parte do péssimo serviço oferecido pelo Estado Brasileiro decorre desse esquema criminoso e bandido que sangra as finanças públicas e destrói o legítimo jogo do mercado.
As delações da Odebrecht são um desastre não apenas porque mostraram que o real motivo da existência de 40 partidos sem expressão ideológica, sem representação real é alimentar um jogo político corrupto, destinado a oferecer vantagens a líderes partidários, a afetar a disputa pelo poder e vender a governabilidade do Estado. Enfim, estamos assistindo um esquema que destrói a democracia liberal no que ela tem de fundamental, a liberdade política com regras claras e partidos políticos ideologicamente comprometidos e a liberdade de mercado controlada pelas leis do Estado.
De tudo isso a esperança de que essa geração de políticos seja afastada da vida pública, presa e devolva o dinheiro que desviou do Estado. Que os empresários envolvidos na roubalheira, seus sócios na expropriação do Estado e da Sociedade, capitalistas de mentirinha, mudem suas práticas. Eis a fórmula que criaram para destruir nosso país e a acabar com seu futuro: capitalismo sem regras e respeito ao mercado, Estado sem governança, parlamento incapaz de solucionar os legítimos conflitos da sociedade, partidos sem representatividade, judiciário perdido e povo perplexo, fechado no individualismo do salve-se quem puder e apavorado com a violência das ruas.
Talvez disso tudo surja um novo sistema de representação política, um novo quadro partidário, uma outra geração de políticos e um capitalismo diferente do que esse que sobrevive de discursos falsos de riscos inexistentes e da exploração do Estado. Se a sociedade conseguir se livrar dessas pragas talvez haja futuro. Sem educar as massas que hoje vivem com baixíssima escolaridade, sem reduzir a brutal diferença econômica das camadas sociais, sem romper a reprodução da miséria, sem um projeto de nação que nasça de todo o povo não conseguiremos ir longe. Vamos continuar a nos arrastar nessa parte meridional da América, em meio a ditaduras sanguinárias, estado patrimonial, idealismo jurídico, política sem representação, baixa escolarização e pouco respeito às normas morais.

sábado, 15 de abril de 2017

" RESSUSCITEI, COMO DISSE."





" 1. No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. 
2. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. 
3. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 
4. Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. 
5. Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? 
6. Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galiléia: 
7. O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia. 
8. Então elas se lembraram das palavras de Jesus. 
9. Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais. 
10. Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa. 
11. Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito. 
12. Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera. 
13. Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. 
14. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. 
15. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. 
16. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram. 
17. Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes? 
18. Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias? 
19. Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. 
20. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 
21. Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam. 
22. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; 
23. e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo. 
24. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram. 
25. Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! 
26. Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória? 
27. E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras. 
28. Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. 
29. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles. 
30. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. 

31. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu."
São Lucas, 24

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O CASTIGO DA CRUCIFIÇÃO ENTRE OS ANTIGOS. Selvino Antonio Malfatti.



O castigo da crucificação foi o mais cruel dos métodos usados para execução dos condenados, aplicada a criminosos condenados por atos atrozes como assassinatos, furto grave, traição e rebelião. Era aplicada a escravos e não a romanos. Veio do oriente para o ocidente. Foi usada pelos gregos, cartagineses e romanos.
Antes do suplício o condenado era torturado com pontapés, socos, cusparadas e golpes em todo corpo. Depois a vítima era pendurada com pregos em um lenho. Os pregos perfuravam as duas mãos e os pés. O peso abdominal forçava as pernas que não aguentavam o peso da parte superior provocando morte por asfixia. Para abreviar o suplício às vezes os executores quebravam as pernas, Vejamos como Mateus descreve a crucificação de Jesus.
"Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar. 
Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus. 
Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio.  
Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber. 
Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte (Sl 21,19). 
Sentaram-se e montaram guarda. 
Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus. 
Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 
Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: 
Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz! 
Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele: 
Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! 
Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus! 
E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam. 
Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas. 
Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? 
A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias. 
Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. 
Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo. 
Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma."

Sao-Mateus/27/

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A TRADIÇÃO DA CEIA PASCAL ENTRE OS HEBREUS E A INSTITIUIÇÃO DA EUCARISTIA. Selvino antonio Malfatti





A primeira celebração pascal foi celebrada pelos hebreus no Egito. Cada família imolou um cordeiro e aspergiu a porta de suas casas. E, ao sinal combinado todos pegariam seus pertences e sairiam do Egito, guiados por Moises.
Esta comemoração continuou depois – sem imolar cordeiros - e perpetuou-se através dos tempos. Ela significa o êxodo ou a saída do estado de escravidão a que o povo israelita estava submetido para a liberdade. Neste dia tudo para, fazem-se as pazes, e o regozijo é geral. Inclusive houve épocas em que  dívidas eram perdoadas. Atualmente costuma-se destinar um elevador de cada edifício para parar em todos os andares significando que não há distinção de classes, com elevadores diretos para alguns.

Jesus e seus apóstolos eram judeus e por isso também celebraram a ceia pascal em Jerusalém. Vejamos como o evangelista narra este acontecimento:

7.Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa.

8.Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa. 

9.Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos?

10.Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar,

11.e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?

12.Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos.

13.Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. 

14.Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos.

15.Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.

16.Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. 

17.Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. 

18.Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus.

19.Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.

20.Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós..."


São Lucas, 7-2 - Bíblia Católica Online

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Antônio Paim, 90 anos. José Mauricio de Carvalho Instituto de Filosofia Luso-Brasileira



Antônio Paim é desses mestres que marcam seus alunos. Todo professor é importante, mas alguns tocam fundo a alma do estudante. Paim é professor que tatua a alma do aprendiz com generosidade e inteligência. Ele vai com facilidade ao mundo do aluno. O estudante sabe pouco, mas aprenderá se for bem orientado. Bem orientar é o que deve fazer quem ensina Filosofia e História das ideias já dizia Emile Bréhier, um dos mais notáveis de seus historiadores. Pois, para pensar filosoficamente, é preciso aprender a fazê-lo. Bréhier considerava que a Filosofia começa com a problematização espontânea da vida do homem e da realidade do mundo e é por aí que seu ensino deve começar. E Paim sabe como poucos problematizar o homem e o mundo.
A Filosofia, enquanto produto cultural, começou historicamente na antiga Grécia com a inquietação e perplexidade do homem grego. Ela nasce da admiração ante o que existe, mas só se consolida como reflexão estruturada de problemas. O homem tem uma dúvida intrigante e permanente sobre as realidades fundamentadoras da existência e essa dúvida o persegue. Por isso, Kant dizia que esse questionamento é exigência espontânea da razão. É essa disposição natural para pensar que precisa ser estimulada pelo mestre, mas ela se completa com a meditação filosófica. Uma das formas consagradas para aprender a pensar é estudar o legado dos grandes pensadores. E para orientar a caminhar entre ideias Antônio Paim está entre os melhores guias. Ele sabe delinear o essencial do caminho para o aluno não se perder.
Ao sistematizar a história do pensamento, Paim mostra que o primeiro plano e o mais radical que se encontra no estudo da Filosofia é o das perspectivas, às vezes confundido com os sistemas, mas que corresponde a uma espécie de ponto de vista irredutível. Ele sintetizou, como se segue, o legado de Kant. São duas as perspectivas filosóficas fundamentais, a platônica, segundo a qual algo subjaz ao que aparece e a transcendental, cuja categoria básica é o fenômeno. As perspectivas antecedem os sistemas e a eles sobrevivem. Enquanto os sistemas são transitórios, nas perspectivas reside o que há de permanente na Filosofia. Segundo Paim, as perspectivas são insuperáveis, isto é, não há como refutá-las teoricamente. A escolha de uma delas depende de muitos componentes, a exemplo do valor heurístico da perspectiva transcendental. Por sua vez, cada sistema filosófico é esforço de estruturar a totalidade do saber a partir da perspectiva que o sustenta, ele ensina numa de suas obras mais estimulantes: A problemática do culturalismo. Conhecendo as circunstâncias históricas onde foram concebidos os sistemas entendemos porque eles se sucedem como interpretação do mundo, deixando vivos os problemas que atormentaram os filósofos e animaram sua reflexão. Paim ensina assim, com leveza e profundidade, o que há de permanente e de passageiro na Filosofia.
Ao completar 90 anos, Antônio Paim nos presenteia com a produção acadêmica de historiador consagrado das ideias filosóficas no Brasil. Nesse campo produziu livros de enorme significado, quer pela extensão dos dados compilados, quer pela interpretação desses dados. Antônio Paim estudou a história das ideias no Brasil sem o complexo de inferioridade que por vezes nos visita, fantasma da mentalidade colonial que ainda hoje assombra nossas academias. Porém também não desconsiderou nem os clássicos da filosofia universal, nem as lições das grandes escolas. Inseriu adequadamente o esforço dos autores nacionais nessa tradição filosófica, mostrando suas contribuições mais significativas. Nesse sentido destaque-se a precisa avaliação do legado de Tobias Barreto de Menezes que, na terceira etapa de sua meditação, antecipou e iniciou o retorno a Kant, que somente se completou com o movimento neokantiano alemão que ocorreu depois da morte de Tobias. E também é interessante as observações que Paim fez dos ecléticos brasileiros como Eduardo Ferreira França e Domingos Gonçalves de Magalhães. Esses homens deixaram contribuições reconhecidas pelos fundadores franceses da escola. A tradição filosófica é um manancial que se enriquece com os olhares e diálogos. Pupilas diferentes ampliam o legado comum, um pouco mais ou um pouco menos todas são importantes, ensinou Georg Hegel, outro notável historiador das ideias. Paim soube mostrar como podemos navegar nesse esse rio caudaloso da cultura, ou da razão absoluta, a que se referiu Hegel.
Como operário do pensamento ou como historiador das ideias, como estudioso de política ou como professor, agora quando completa 90 anos, Antônio Paim é merecedor de nossa consideração e cumprimentos por vida tão dinâmica e frutuosa.


sábado, 8 de abril de 2017

Os Noventa Anos de Antonio Paim. Prof. Dr. Ricardo Véçlez Rodríguez.



No dia 7 de abril de 2017 foi comemorado, em São Paulo, o 90º aniversário de Antônio Paim. Não pude estar presente. Mas segui de perto as notícias sobre o almoço com que o meu amigo foi homenageado por amigos que vieram dos quatro cantos do país. Merecida homenagem para quem é, hoje, figura de prol da cultura brasileira e o mais importante pensador vivo do nosso país.

Paim tem dedicado a sua vida ao estudo do Brasil e das nossas possibilidades de virarmos uma grande Nação. Imperativo categórico de rigor kantiano acompanhou, sempre, esse seu compromisso inarredável. Nestas horas de desvios de conduta de autoridades, de agentes públicos, bem como de políticos, empresários e cidadãos comuns é fundamental lembrar um exemplo como o de Antônio Paim. Porque se falta ao brasileiro médio espírito público, esse não falta ao idealismo e total dedicação às coisas brasileiras da parte do meu amigo.

Ao longo das várias décadas do meu convívio com Paim, sempre me chamou a atenção a clarividência com que antecipava os horizontes pelos que enveredaria o nosso país. Daí o seu pessimismo soft, que sempre o deixou com um pé atrás em relação às conquistas que nos levariam ao primeiro mundo sem perder, no entanto, totalmente a fé em que isso seria possível num futuro promissor. Uma esperança escatológica vive no fundo do idoso coração do meu amigo. E é a ela que me agarro ao tecer estas considerações em sua homenagem.

Antônio Paim, como destacava o saudoso e bem-humorado amigo José Fernando Tostes Vilela Leandro (prematuramente desaparecido para tristeza dos que com ele convivemos em épocas luminosas, lá na Universidade Gama Filho de meados dos anos 80), "tem pavio curto para com os que não amam o Brasil". Concordo. Não hesita em entrar na mais acirrada briga quando o desafeto que atravessa o seu caminho fá-lo em nome de interesses carreiristas, deixando para trás o espírito público. Foi assim com os burocratas da CAPES. Foi assim com Lima Vaz e os esquerdistas escondidos que jamais deram as caras para encarar a abertura política de peito aberto dizendo qual era o seu programa. Foi assim com a plêiade de funcionários medíocres que para colher fáceis louvações em foros e palestras de moda conspiraram contra o estudo do pensamento brasileiro na PUC do Rio dos anos 70, na Gama Filho dos anos 80 e 90, na UFJF do mesmo período, etc. E sai de perto quando o assunto é briga com ele pelo estudo e valorização das coisas brasileiras!

Destaco uma qualidade pedagógica do meu mestre: o seu compromisso com aqueles que se chegaram à sua orientação, sem distinções de ideologia, idade, credo ou origem. Paim sempre tem sido o mestre que se doa para os seus orientandos e alunos. A nota característica do seu comportamento para com eles, digo-o por experiência própria, é a ilimitada generosidade intelectual e humana com que os acolhe. Generosidade que se alarga no decurso do tempo por um longo período, chegando até os dias de hoje. Ainda Paim mantém o diálogo construtivo com a nova geração de intelectuais liberal-conservadores que busca, nele, um norte para a sua reflexão e ação transformadora das instituições deste país. Um representante dessa nova geração é, por exemplo, Alex Catharino, que está sempre em contato com o Mestre.




O jovem pesquisador Alex Catharino e Antônio Paim em São Paulo, (Março de 2017. Foto: Alex Catharino).

Paim é um construtor de consensos ao redor da magna empresa de estudar e traçar caminhos para o Brasil. Tanto na iniciativa privada, em que ao longo dos anos trabalhou com particular eficiência, como no que tange à ação política e ao serviço público, Paim sempre nos lembrou que as instituições democráticas não caem do céu, mas que é preciso construí-las. Nutre convicção semelhante à que tinha o grande Tocqueville, quando afirmava que "é necessário construir o homem político", à sombra dos ensinamentos colhidos dos seus mestres, os liberais doutrinários.

Boa parcela da meditação realizada Paim dedicou-a, com afinco, a essa tarefa. Um exemplo: no Instituto de Humanidades, criado por ele, junto com o saudoso Leonardo Prota e comigo nos anos 80 em São Paulo, com a finalidade de abrir um espaço de formação humanística que tinha se perdido no nosso cartorial horizonte nacional, Paim insistiu em que um capítulo das nossas atividades deveria estar dedicado a incentivar, entre os professores de primeiro e segundo graus, a discussão acerca do conteúdo que deveria ter a disciplina "educação para a cidadania". Dessa sua preocupação surgiu a obra intitulada: Cidadania - O que todo cidadão precisa saber (Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1999).

Não pode haver país grande, pensa Paim, sem que primeiro seja equacionada essa grande questão da educação para a cidadania. Ora, ainda estamos a dever ao Brasil essa tarefa. Governos entram e saem, sem que consigam formular a contento a mencionada disciplina, que ensinaria às novas gerações quais são as exigências éticas mínimas, bem como os conhecimentos fundamentais para alguém ser cidadão deste país.

É deveras volumosa a produção acadêmica de Antônio Paim no seio do Instituto de Humanidades. No Portal do Instituto (organizado pelo mais novo membro, Franco Nero Dias Marçal) aparecem, em edição digital, as seguintes publicações da lavra do nosso autor: [cf. www.institutodehumanidades.com.br]: A Universidade do Distrito Federal e a ideia de universidade, 1981; O modelo de desenvolvimento tecnológico implantado na Aeronáutica, 1987; Problemática do culturalismo, 1995; A meditação ética portuguesa, 1996; A Escola do Recife, 1997; Etapas iniciais da filosofia brasileira, 1998; História do liberalismo brasileiro, 1998; A Escola Eclética, 1999; A querela do estatismo, 1999; O krausismo brasileiro, 1999; Os intérpretes da filosofia brasileira, 1999; Interpretações do Brasil, 2000; Momentos decisivos da história do Brasil, 2000; O relativo atraso brasileiro e a sua difícil superação, 2000; O socialismo brasileiro (1979-1999), 2000; Do socialismo à social-democracia, 2001; A Escola Cientificista brasileira, 2002; Para entender o PT, 2002; Tratado de ética, 2002; Balanço do marxismo e descendência, 2005; A filosofia brasileira contemporânea, 2007; A bem sucedida privatização brasileira, 2007; As filosofias nacionais, 2007; História das ideias filosóficas no Brasil, 2 volumes, 2007; O liberalismo contemporâneo, 2007; Leituras relacionadas à cultura geral, 2008; Dicionário das obras básicas da Cultura Ocidental, 2008; Nascimento da ética social moderna: antologia, 2009; A questão democrática, 2010; A opção totalitária, 2014.

Antônio Paim exerce atualmente a Presidência do Instituto de Humanidades, sendo que, após o falecimento de Leonardo Prota em 2016,  o Diretor Executivo passou a ser  Arsênio Eduardo Corrêa. Os demais membros do Conselho Acadêmico são: Franco Nero Dias Marçal, Maria Clutilde Pinto de Abreu, Maria Cristina de Oliveira Espínola, Anna Maria Moog Rodrigues e Ricardo Vélez Rodríguez.

Os membros do Conselho Acadêmico do Instituto temos sido constantemente estimulados por Paim para que ofereçamos à sociedade brasileira análises críticas do ângulo liberal, sobre os aspectos políticos, educacionais e culturais da nossa democracia. No Portal do Instituto aparecem os seguintes estudos desenvolvidos ao longo dos últimos anos: Arsênio Eduardo Corrêa, A ingerência militar na República e o Positivismo, 1998; A Frente Liberal e a Democracia (1984-1985), 2001; Primórdios da questão social no Brasil, 2016. Leonardo Prota, As filosofias nacionais e a questão da universalidade da filosofia, 2007; Refundar a educação, 2014; Ricardo Vélez Rodríguez, O liberalismo francês - A tradição doutrinária e a sua influência no Brasil, 2002; Violência, narcotráfico e terrorismo na América Latina, 2008; Colômbia: da guerra à pacificação, 2009; Tocqueville: libertad y democracia, 2012; O republicanismo brasileiro, 2015; Pensamento português dos séculos XIX e XX, 2015.

Destacarei nesta homenagem ao meu mestre os itens básicos que inseri na apresentação da sua obra, elaborada para o Projeto Ensaio Hispânico, que o professor doutor José Luis Gómez Martínez desenvolveu na Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos. As informações contidas nesse texto foram atualizadas.

I - Breve sinopse bio-bibliográfica.

Antônio Paim nasceu no Estado brasileiro da Bahia em 1927. Na década de 50, concluiu os cursos de filosofia da Universidade Lomonosov, em Moscou, e da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Iniciou, nos anos 60, carreira universitária nessa última   cidade, tendo sido sucessivamente professor auxiliar da Universidade Federal do Rio de Janeiro, adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, titular e livre-docente da Universidade Gama Filho, na mesma cidade, aposentando-se em 1989. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio organizou e coordenou o Curso de Mestrado em Pensamento Brasileiro. Na Universidade Gama Filho, juntamente com o professor português Eduardo Soveral, implantou o Curso de Doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro. Presentemente desenvolve atividades de pesquisa em Universidades, no Brasil e em Portugal. Preside o Conselho Acadêmico do Instituto de Humanidades.

Pertence às seguintes entidades: Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF), Academia Brasileira de Filosofia, Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio, Pen Clube do Brasil, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Academia de Ciências de Lisboa e Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, sediado em Lisboa. No Instituto Brasileiro de Filosofia, fundado e presidido pelo saudoso Miguel Reale, desenvolveu amplo trabalho de pesquisa e reedição de textos na área de filosofia brasileira.

Paralelamente e desde os anos 50, integra a consultoria brasileira onde teve a oportunidade de participar de importantes projetos relacionados ao setor de transportes, ao desenvolvimento regional, à economia agrícola e à educação e recursos humanos, além de prestar assessoria a diversos órgãos oficiais, entre estes BNDES, FINEP, Governo do Estado da Bahia, Ministério da Aeronáutica e Ministério da Agricultura.

O conteúdo da atividade de pesquisa, desenvolvida na área acadêmica, pode ser resumido como segue, ao redor de três tópicos:

1) Estudo da Filosofia Brasileira e formação de um grupo de pesquisadores e professores, a esse tema dedicados, atuando em diversas universidades do país, abrangendo aproximadamente o período de 1958 a 1989.

Nesse ciclo deu forma definitiva à História das idéias filosóficas no Brasil (1ª edição 1967; 5ª edição, 1997), com a qual Paim ganhou o Prêmio Jabuti de Ensaio em 1968. Ocupou-se igualmente das principais correntes da filosofia brasileira, trabalho que divulgou em livros e ensaios e na coletânea intitulada Estudos complementares à história das idéias filosóficas no Brasil (7 vols.). Elaborou também a Bibliografia Filosófica Brasileira, abrangendo desde o século dezenove até a contemporaneidade, e sistematizou as pesquisas dedicadas ao assunto no livro Estudo do Pensamento Filosófico Brasileiro (2a. edição 1986).

Para assegurar a continuidade destes estudos organizou, em Salvador, capital do Estado da Bahia, em 1982, o Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro, ao qual doou a sua biblioteca especializada.

O Centro funciona atualmente em recinto especialmente preparado na Universidade Católica de Salvador e conta com acervo de cerca de 13.000 livros, além de coleções de revistas. A atualização bibliográfica e os estudos correspondentes estiveram até 2016 sob a responsabilidade de Leonardo Prota, diretor executivo do Instituto de Humanidades. O professor Prota efetivou o balanceamento desses estudos nos Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira, que se desenvolveram, a cada dois anos, entre 1989 e 2003. Tais encontros foram realizados em Londrina, com apoio da Universidade Estadual local.

Atualmente a Presidência do Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro é desempenhada por Dinorah d´Araújo Berbert de Castro, sendo coordenadora Marta Suelí Dias Santos.

Atuam como Conselheiros do Centro Victor Gradin, Jackson da Silva Lima, Rosa Mendonça de Brito, Antônio Paim, Ricardo Vélez Rodríguez, Maria das Graças Guimarães, Francisco Martins de Souza, Maria de Jesus Medeiros Muniz e Silva e Celina Junqueira. No ano de 2016 faleceram dois Conselheiros: Leonardo Prota e Aquiles Côrtes Guimarães.

2) Estudo do Pensamento Político Brasileiro, aproximadamente desde a década de 60, em conjunto com Vicente Barretto e outros estudiosos.

Esta iniciativa do professor Paim permitiu organizar o Curso de Introdução ao Pensamento Político Brasileiro, editado pela Universidade de Brasília em 1982, em sete volumes. Versão resumida desse Curso apareceu na Editora Itatiaia de Belo Horizonte (1988).

Em forma de ensino à distância, o Curso de Introdução ao Pensamento Político Brasileiro foi oferecido pela Universidade Gama Filho, entre 1995 e 2002, com a decidida colaboração do então pró-reitor acadêmico, o saudoso Manuel José Gomes Tubino que criou, em colaboração com Antônio Paim e Ricardo Vélez Rodríguez, e com a ajuda técnica de Maria Clutilde Pinto de Abreu, do Instituto de Humanidades, o Núcleo de Ensino à Distância (NEAD) que, entre 1994 e 2002, ofereceu cursos de formação política de alcance nacional nas temáticas de Social-Democracia, Liberalismo e Socialismo, com a edição integral, pela editora da Universidade Gama Filho, dos livros introdutórios e do material instrucional. Exemplo desse tipo de iniciativa foi o curso à distância intitulado: Formação e perspectivas da social-democracia (1997, em 6 volumes, obra em colaboração com Carlos Henrique Cardim, coordenador do Curso e Ricardo Vélez Rodríguez, publicada em coedição pela Universidade Gama Filho e o Instituto Teotônio Vilela).

A ideia de Paim era que a Universidade oferecesse um espaço de análise crítica das várias doutrinas políticas, que favorecesse a formação de lideranças partidárias e de analistas a serviço de empresas e centros educacionais e de pesquisa.

O professor Paim promoveu, ainda, no contexto dessa ampla iniciativa educacional e cultural, a reedição de pensadores políticos brasileiros, notadamente no contexto das edições críticas efetivadas pelo Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro por ele criado em Salvador. Expressão desse tipo de obra é o Dicionário Biobibliográfico de Autores Brasileiros (por ele organizado e que abarca as áreas de Filosofia, Pensamento Político, Sociologia e Antropologia; a obra foi editada pelo Senado Federal em 1999, em parceria com o CDPB). Desenvolveu também pesquisa em que estudou a hipótese da aplicação ao Brasil da categoria de Estado Patrimonial (A querela do estatismo, 1ª edição, 1978; 2a. edição, 1994).

3) Estudo das idéias morais e educacionais no Brasil.

A este tema o professor Antônio Paim dedicou diversos ensaios: Tratado de Ética (Londrina: Instituto de Humanidades / Edições Humanidades, 2002). Outras obras sobre essa temática são: Modelos éticos (Curitiba: Champagnat,1992) e Fundamentos da Moral Moderna (Curitiba: Champagnat, 1994). A fim de estimular a pesquisa nessa área publicou o Roteiro para estudo e pesquisa da problemática moral da cultura brasileira (Londrina: UEL, 1996).

Ao longo de todos esses anos como professor de filosofia e estudioso da cultura brasileira, interessou-se vivamente pelo tema da educação no Brasil, tendo escrito a obra intitulada: A Universidade do Distrito Federal e a idéia de Universidade (1981), tendo chegado à conclusão de que sem mudar o modelo único vigente, puramente profissionalizante, não haveria renovação verdadeira do ensino superior.

Organizou, como já foi frisado, o Instituto de Humanidades, com sede em São Paulo e posteriormente transladado a Londrina, com a finalidade de retomar a tradição humanista do ensino brasileiro e de contribuir para a recuperação da Escola Fundamental, concebida como grau terminal destinado à formação para a cidadania.

Ainda no âmbito das atividades culturais, desenvolveu trabalho intenso de reedição de livros de autores brasileiros, tendo participado da organização da "Estante do Pensamento Brasileiro", coleção dirigida por Miguel Reale; da "Biblioteca do Pensamento Brasileiro", dirigida por Adolpho Crippa; da "Coleção Pensamento Político Republicano", organizada por Carlos Henrique Cardim; e da direção da "Coleção Reconquista do Brasil", da Editora Itatiaia, presentemente com cerca de trezentos títulos, onde, entre outras, reeditou a obra de Francisco José de Oliveira Vianna (1883-1951), inclusive textos que permaneceram inéditos por mais de quarenta anos. Juntamente com Paulo Mercadante organizou novo plano da Obra Completa de Tobias Barreto (1839-1889), afinal levada a cabo e ampliada por Luiz Antônio Barreto (edição em dez volumes, publicados entre 1989 e 1990).

Na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade Gama Filho orientou, respectivamente, 18 dissertações de mestrado e 14 teses de doutorado, atividade que exerceu também na Universidade Mackenzie (São Paulo), onde orientou três dissertações de mestrado. Participou, também, em grande número de cursos de extensão, seminários, congressos e bancas de concurso.

Seu pensamento tem sido objeto de vários estudos. Em 1995, mereceu apreciação de professores e pesquisadores do pensamento brasileiro reunidos em Londrina, num encontro nacional. Os estudos foram compilados na obra intitulada: Anais do 4º. Encontro Nacional de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira (Londrina, 1996).

Ao completar 70 anos, a Revista Brasileira de Filosofia dedicou-lhe número especial (fascículo 186; abril-junho 1997), com artigos de João de Scantimburgo, Eduardo Soveral, Anna Maria Moog Rodrigues, Aquiles Côrtes Guimarães, Creusa Capalbo, Luiz Antônio Barreto, Leonardo Prota, Paulo Mercadante e Ricardo Vélez Rodríguez.

Com motivo dos seus 80 anos, os professores Leonardo Prota e Aquiles Côrtes Guimarães organizaram a obra intitulada: Filosofia e cultura - Escritos em homenagem a Antônio Paim (Londrina: Edições Humanidades, 2009), na qual foram publicados ensaios de António Braz Teixeira, Aquiles Côrtes Guimarães, Anna Maria Moog Rodrigues, Leonardo Prota, Creusa Capalbo, José Maurício de Carvalho, Luiz Oswaldo Leite, Selvino Antônio Malfatti, Regina Coeli Barbosa Pereira, Rosilene de Oliveira Pereira, Emmanuel Carneiro Leão, Tiago Tondinelli, Dinorah D´Araújo Berbert de Castro e Ricardo Vélez Rodríguez.

Sobre a sua trajetória existencial prestou depoimento a Beatriz Marinho, inserido no Suplemento Cultura de O Estado de São Paulo (edição de 25 de agosto de 1985). Publicou quarenta livros e opúsculos, aproximadamente cem ensaios (totalizando 1.400 páginas até dezembro de 1997) e 425 artigos (totalizando 930 páginas).

II. Antônio Paim, historiador das idéias.

Antônio Paim aparece entre os mais importantes historiadores das idéias no Brasil ao longo dos séculos XX e XXI, ao lado de figuras como Silvio Romero, Miguel Reale, Luiz Washington Vita, Djacir Menezes e outros. O seu mérito é duplo. Em primeiro lugar, ao ter formulado, de maneira clara e objetiva, a metodologia que deveria ser posta em marcha no terreno da história das idéias filosóficas. Em segundo lugar, ao ter estendido a sua análise histórico-crítica a quatro segmentos básicos da cultura brasileira: as idéias filosóficas, as idéias educacionais, as idéias políticas e a historiografia brasileira propriamente dita.

Sem pretender elaborar uma visão que esgote a significativa contribuição do nosso autor, resenharei, aqui, os seus principais aportes nos seguintes terrenos: história das ideias filosóficas; história das ideias educacionais; história das ideias políticas; historiografia brasileira; organização político-partidária; reflexão filosófica luso-brasileira.

1) Contribuição de Antônio Paim no terreno da história das idéias filosóficas.

Os três trabalhos mais representativos do nosso autor neste campo são a sua clássica obra: História das idéias filosóficas no Brasil [1967]; Problemática do culturalismo [1995] e O estudo do pensamento filosófico brasileiro [1979].

Destaquemos, em primeiro lugar, a fundamentação metodológica que Paim dá à tarefa do historiador das idéias no terreno da filosofia. A criação filosófica, de acordo com o nosso autor [cf. Paim, 1995: 97-120; 1986: 164-176; 1984: 3-18] desenvolve-se em três grandes patamares: o da formulação de perspectivas, o da construção de sistemas e o da discussão de problemas.

No primeiro patamar temos as duas perspectivas filosóficas: a transcendente (que parte do pressuposto de que a razão humana pode ir até à substância das coisas, ultrapassando os fenômenos) e a transcendental (que parte do pressuposto de que a razão não tem o condão de apreender a substância das coisas, mas apenas a sua manifestação fenomenal).

Formulador da primeira perspectiva foi Platão, sendo que Aristóteles teria dado importante contribuição, ao sistematizá-la na sua metafísica da substância. Paim considera que a segunda perspectiva, a transcendental, foi intuída por Hume e sistematizada por Immanuel Kant. Esta nova perspectiva estaria mais de acordo com a fundamentação epistemológica da nova física formulada por Galileu e Newton.

As perspectivas filosóficas são irrefutáveis, constituindo pontos de vista últimos para o conhecimento. A criação filosófica neste terreno não teve novos acréscimos após a formulação das perspectivas mencionadas, visto que elas esgotam as alternativas possíveis.

No segundo patamar, segundo o nosso autor, temos a construção de sistemas. Ora, esta forma de criação filosófica teria encontrado o seu apogeu ao longo do período moderno, notadamente entre os séculos XVII a XIX. Hoje a filosofia não tem como forma de elaboração a construção de sistemas, em decorrência, talvez, da complexidade crescente do saber científico e da velocidade em que evolui a problemática humana nas várias sociedades.

No terceiro patamar da criação filosófica, segundo Paim, temos a discussão de problemas. Esta variante, que teria sido formulada por Nicolai Hartmann, constitui hoje a forma básica da criação filosófica. A metodologia para o estudo das idéias filosóficas deve, portanto, ajustar-se a ela.

Partindo da contribuição culturalista de Miguel Reale, no que tange à originalidade da problemática filosófica brasileira, o nosso autor explicitou o método que deveria ser seguido nesse tipo de historiografia. Esse método constaria de três etapas: em primeiro lugar, indagar qual era o problema ou os problemas que preocupavam ao pensador objeto de estudo; em segundo lugar, observar a forma em que ele tentou responder a essa problemática; em terceiro lugar, traçar elos de relação e derivações entre o pensador estudado e outros pensadores, mas somente a partir da forma em que eles resolveram os problemas que tinham decidido equacionar.

Alicerçado nessa metodologia que Paim não duvida em basear na perspectiva transcendental, o nosso autor partiu, na sua obra de historiador das idéias filosóficas, para um estudo desapaixonado e objetivo dos vários períodos da nossa meditação. A sua História das idéias filosóficas no Brasil é testemunho insofismável da abertura a todos os autores e a todas as correntes, superando definitivamente o vício apologético, que classificava pensadores por simpatias de sistema ou de ideologia.

Como não podia deixar de ser, esse seu pluralismo e a objetividade com que analisa os pensadores brasileiros, tem constituído o motivo fundamental do ódio dos seus adversários, incapazes de aceitar o livre estudo e o debate aberto das idéias. Pode-se tributar essa circunstância à presença muito marcante, na nossa cultura, da tradição cientificista, aliada às propostas autoritárias e totalitárias no terreno da política.

Testemunho desse confronto entre espírito liberal e dogmatismo totalitário, deixou o nosso pensador na coletânea organizada por ele e intitulada Liberdade acadêmica e opção totalitária [1979], em que foram divulgados os principais artigos e comentários de imprensa, acerca dos episódios de patrulhamento ideológico de que foi objeto conhecido texto de Miguel Reale, na PUC do Rio de Janeiro.

A contribuição de Antônio Paim no terreno da historiografia das idéias filosóficas teve também duas manifestações institucionais: em primeiro lugar, na organização em 1982, por ele, a partir da sua biblioteca pessoal, do Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro, em Salvador, Bahia, que constitui hoje o mais importante acervo existente no Brasil para a pesquisa das idéias filosóficas, sociológicas e antropológicas.

A segunda contribuição institucional de Antônio Paim, no campo da historiografia das idéias filosóficas, foi constituída pela organização dos cursos de pós-graduação em pensamento brasileiro, primeiro na PUC do Rio de Janeiro, com a colaboração de Celina Junqueira (no período compreendido entre 1972 e 1978) e logo na Universidade Gama Filho (no período compreendido entre 1979 e 1984), onde o nosso autor colaborou com Tarcísio Padilha e Eduardo Abranches de Soveral na criação do doutorado em pensamento luso-brasileiro.

A essas iniciativas devem juntar-se mais duas: a criação do mestrado em filosofia brasileira, na Universidade Federal de Juiz de Fora, curso que vingou entre 1984 e 1994 e a realização bianual, com a colaboração de Leonardo Prota no Centro de Estudos Filosóficos de Londrina, entre 1989 e 2003 e com o apoio da Universidade Estadual de Londrina, dos Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira.

Um resultado salta à vista dessa contribuição institucional de Antônio Paim: a formação, ao longo dos últimos vinte anos, de toda uma geração de estudiosos e pesquisadores da filosofia brasileira, disciplina que, no início deste milênio, era ensinada em mais de 25 Universidades ao longo do país, em que pese os preconceitos ainda remanescentes em setores da burocracia do MEC.

Não poderia deixar de ser ressaltada, outrossim, a contribuição de Antônio Paim, no campo da divulgação do pensamento brasileiro em empreendimentos editoriais. Essa realização já tinha sido iniciada, nos anos sessenta, com a sua dedicada colaboração no Instituto Brasileiro de Filosofia, instituição que, sob a presidência de Miguel Reale, criou a Estante do Pensamento Brasileiro.

A essa iniciativa pioneira, nas décadas seguintes têm dado continuidade outras: as monografias e bibliografias de períodos e de pensadores, publicadas pelo nosso autor no Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro em Salvador Bahia; a coleção Textos Didáticos do Pensamento Brasileiro, publicada na PUC do Rio de Janeiro, ao longo dos anos setenta, com a colaboração de Celina Junqueira; a Enciclopédia luso-brasileira de filosofia [1989-1992], publicada em Lisboa pela Universidade Católica Portuguesa e em cuja elaboração o nosso autor teve papel de destaque; a Biblioteca do Pensamento Brasileiro organizada pela Editora Convívio em São Paulo, ao longo da década de oitenta, sob a orientação de Adolpho Crippa, Miguel Reale e Antônio Paim; as múltiplas edições de textos de pensadores brasileiros e dos Anais dos Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira, realizados, sob a sua inspiração, pelo Centro de Estudos Filosóficos de Londrina; a publicação das Obras completas de Tobias Barreto [1990] pelo Instituto Nacional do Livro e com a colaboração de Luiz Antônio Barreto, etc.

2) Contribuição de Antônio Paim no terreno da história das idéias educacionais.

Para os que temos tido o privilégio de trabalhar com Paim, não há dúvida de que ele é um autêntico educador, ou seja, aquele que consegue, mediante o diálogo intelectual e o exemplo, incutir nos seus alunos e orientandos hábitos de amor à verdade, de coragem na sua defesa, de rigor científico na pesquisa, de tolerância perante as outras opiniões ou doutrinas, de modéstia epistemológica diante das próprias descobertas e de persistência e de colaboração nos empreendimentos culturais.

Alicerçado nessa vivência de educador, Antônio Paim tem desenvolvido interessante trabalho de crítica histórica e culturológica aos descaminhos da educação brasileira. Para Paim [cf. 1981; 1982; 1983b], ela entrou em crise, ao longo das últimas décadas, pelo fato de ter se esquecido da formação da pessoa humana, embalada, a partir das reformas dos anos sessenta, pelos sonhos do saber puramente aplicado, retomando o praticismo que já tinha sido   criticado, nos anos trinta, por Anísio Teixeira e que, aliado ao corporativismo, fez submergir a Universidade brasileira na crise de imediatismo e de mediocridade que hoje a assoberba.

Essa tradição de imediatismo é polarizada por Paim ao redor de três variáveis: massificação, profissionalização e super-especialização. O nosso autor considera que é tanto mais difícil superar esse estado de coisas, quanto que ele se enraíza em velha tradição, de origem despótico-ilustrada (Pombal), reforçada pela concepção positivista, que inspirou as reformas educacionais ocorridas no período republicano.

A educação brasileira somente poderá ser renovada se superar, de forma radical, o vezo profissionalizante, mediante a volta ao estudo das humanidades. O nosso autor elaborou completa proposta de formação humanística, no seu ensaio intitulado As humanidades e a universidade brasileira [1983a] e no Curso de Humanidades [1988] elaborado com a colaboração de Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez. (A fim de veicular as idéias deste curso e discutir de forma sistemática os problemas da educação humanística, foi criado em São Paulo, como já foi indicado, o Instituto de Humanidades).

A pressuposição deste curso é a seguinte: somente se pode combater uma tradição com outra. A tradição cientificista da cultura luso-brasileira, somente poderá ser combatida com a retomada de outra tradição que já esteve presente nas nossas origens culturais, mas que foi esquecida: trata-se da tradição humanística.

Paim centra essa retomada ao redor do estudo da história da cultura, que não é outra coisa senão a identificação histórica dos valores que fizeram emergir e consolidar a cultura ocidental. Com a finalidade de situar o estudo da moral nesse contexto, o nosso autor publicou duas obras: Modelos éticos: introdução ao estudo da moral [1992] e Fundamentos da moral moderna [1994b]. Essa abordagem foi completada no Curso de humanidades 3- Moral [1997a], de autoria de Paim, Prota e Vélez Rodríguez.

Mas se a educação humanística permite aos nossos jovens se converterem em cidadãos do mundo, é necessário também, no sentir de Paim, equacionar a questão urgentíssima da educação para a cidadania. Sem ela não poderá vingar no Brasil a prática da democracia liberal, a única que verdadeiramente consolida a modernidade. Para atingir essa meta, é urgente, considera o nosso autor, que se quebre o modelo encadeado, atualmente vigente, de ensino primário / ensino secundário / ensino universitário, para um modelo que faça de cada uma dessas séries etapa independente.

O ensino primário, assim, seria terminal e teria como finalidade primordial formar a consciência cidadã e dotar as crianças dos conhecimentos mínimos necessários para a sua inserção na sociedade. Esse processo de educação para a cidadania, segundo o nosso autor, deveria se concentrar nas quatro primeiras séries do primeiro grau. A sua proposta pedagógica, alicerçada na fixação dos valores que historicamente deram coesão à nossa sociedade, foi exposta na obra intitulada Educação para a cidadania - Compêndio [1996b], escrita em colaboração com Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez.

3) Contribuição de Antônio Paim no terreno da história das idéias políticas.

Dois empreendimentos, um no terreno da pesquisa, outro no campo pedagógico, constituem as mais importantes contribuições de Antônio Paim, no que tange à história das idéias políticas.

No terreno da pesquisa, sobressaem, entre muitos ensaios, as suas obras intituladas A querela do estatismo [1994b] e O liberalismo contemporâneo [1995]. Já no relativo à divulgação da nossa história do pensamento político, destaca-se Pensamento político brasileiro [1994c], em treze volumes, obra coordenada pelo nosso autor e que constitui a base didática para o curso à distância oferecido pela Universidade Gama Filho. Foi publicado também o Curso de Introdução histórica ao liberalismo [1996a], oferecido à distância conjuntamente pela Universidade Gama Filho e pelo Instituto de Humanidades, sob a coordenação de Antônio Paim.

Analisemos a posição historiográfica e crítica de Antônio Paim, no que tange às ideias políticas. O nosso autor [cf. Paim, 1994a] considera que a formação política brasileira se insere na tipologia do Estado patrimonial weberiano, cujas duas caraterísticas marcantes seriam a realidade de um Estado centrípeto mais forte do que a sociedade e a fragilidade do tecido social ou insolidarismo privatista, que leva os grupos e estamentos a tentarem se apropriar do poder político em seu exclusivo benefício e em prejuízo da maioria.

Esse modelo deu ensejo à organização e posterior tentativa de modernização do Estado português sob Pombal (o nosso autor propõe a tipologia de patrimonialismo modernizador ou neo patrimonialismo,   para caracterizar esse momento) e passou à elite que fez a independência e organizou os nossos primeiros institutos de educação superior. Ao longo do século dezenove, no entanto, a realidade do Estado patrimonial teria sido relativizada no Brasil graças à prática do parlamentarismo, de inspiração liberal. Mas, com a queda do Império e a ascensão do modelo republicano castilhista, de inspiração positivista, teria se reforçado o patrimonialismo brasileiro, embora embalado em projeto modernizador autoritário no momento getuliano [cf. Paim, 1994a: 129 segs.].

O nosso autor encontra uma única solução para o Brasil sair do patrimonialismo e enveredar rumo à plena modernidade: a abertura ao capitalismo, abandonando a antiquada política monopolística e mercantilista presidida pelo Estado empresário [cf. Paim, 1994a: 175-200] e empreendendo o progressivo desmonte do cartorialismo estatal mediante a construção de instituições políticas a serviço da liberdade cidadã. Nessa empreitada é imprescindível desenvolver, no interior da cultura brasileira, o interesse pelas idéias liberais, hoje abandonadas pela grande maioria dos políticos e intelectuais. Para isso, o nosso autor propõe-se a divulgar as principais teses do liberalismo contemporâneo [cf. Paim, 1995; 1996a].

Nos últimos anos Paim desenvolveu alentada pesquisa acerca da forma em que o Brasil poderia sair do Patrimonialismo, na obra intitulada: O Patrimonialismo brasileiro em foco (Campinas: Vide Editorial, 2015, com a colaboração de: Antonio Roberto Batista, Paulo Kramer e Ricardo Vélez Rodríguez). O nosso autor destaca que a evolução política do Brasil ao longo dos últimos anos demonstra cansaço da sociedade com as consequências do Patrimonialismo, como a corrupção sistêmica que a todos empobrece. É o momento, frisa Paim, de recolocar a questão de como superarmos essa realidade de séculos.

A respeito, o nosso autor frisa: "(...) Sobressaía mesmo era a tolerância com aquilo que tipifica o patrimonialismo: o encastelamento em determinados núcleos do aparelho burocrático estatal de indivíduos que se valiam da circunstância para se locupletarem e, porque não dizê-lo, cuidar do próprio enriquecimento. O quadro presente é totalmente diverso. Do país parece ter-se apossado o sentimento de repúdio aos escândalos de corrupção. É provável que a mudança se deva ao processo judicial que passou á história com o nome de mensalão, quando o crime de apropriação indébita de recursos públicos veio a ser punido, estabelecendo uma fratura na tradição de impunidade. Agora a imprensa associa diretamente a corrupção ao patrimonialismo e diz-se até que é preciso pôr fim a esse estado de coisas, se de fato queremos retomar a trilha do desenvolvimento sustentado" (ob. cit., pg. 8).

O nosso autor recolhe a luva da luta contra o Patrimonialismo nestes termos: "Urge portanto disciplinar a discussão do problema, sem o que não lograremos maiores êxitos nessa batalha. Defrontamo-nos com uma longa e arraigada tradição que não será ultrapassada de modo fácil e ligeiro" (ob. cit., pgs. 8-9). Na obra em apreço, Paim retoma o estudo dos conceitos básicos da sociologia weberiana para compreender o patrimonialismo, coloca a questão da estatização brasileira e como superá-la, analisa os ensinamentos da privatização russa, faz um balanço das lições que podemos aprender com os projetos de privatização ensejados pelas políticas adotadas na Comunidade Européia e parte para a discussão de dois pontos que se projetam sobre a realidade brasileira: a discussão do novo pacto federativo e os efeitos da ascensão das igrejas evangélicas no desmonte do patrimonialismo. A obra é uma prova insofismável da energia espiritual que anima a Antônio Paim no momento em que completa os seus noventa anos.

4) Contribuição de Antônio Paim no terreno da historiografia brasileira.

Na obra intitulada: Momentos Decisivos da História do Brasil (1ª edição, São Paulo: Martins Fontes, 1998; 2ª edição, Campinas: Vide Editorial, 2014) Paim expõe a sua concepção historiográfica. Nela, o autor parte de um imperativo moral: há momentos em que é necessário travar, com coragem e espírito de desprendimento pessoal, lutas decisivas em prol do futuro da nação. O nosso autor reproduz, como epígrafe, as seguintes palavras de um Hino de James Russel Lowell, da Igreja Presbiteriana:

"Há momentos decisivos
Para a Pátria, para o lar
Quando a escolha é necessária
E há verdade a sustentar.
Grandes causas e conflitos
Pedem nobres campeões
E a batalha hoje vencida
Valerá por gerações".

Estamos vivendo, considera Paim, um desses momentos decisivos.

Eis a forma em que o nosso autor identifica esse momento: "Momentos decisivos de nossa história são aqueles nos quais o país poderia ter seguido rumo diverso do escolhido. Vejo três desses momentos, com perdão de Tobias Barreto para quem, por sua conotação cabalística, o número três nunca deveria ser invocado nas análises que aspirassem à consistência. O primeiro configura-se nos séculos iniciais, quando escolhemos a pobreza e nos deixamos ultrapassar pelos Estados Unidos, depois de termos sido mais ricos. O segundo no século XIX, quando optamos pela unidade nacional, mas nos revelamos incapazes de consolidar o sistema representativo. Finalmente o terceiro, no século XX, quando estruturamos em definitivo o Estado Patrimonial, recusando terminantemente o caminho da democracia representativa. Neste fim de milênio pode estar sendo decidido um quarto momento que, entretanto, somente se apresenta como interrogação: seremos capazes de enterrar o patrimonialismo?" [Paim, 1997b: 4].

Na conclusão da obra em apreço ("Como sair do Patrimonialismo"), o nosso autor escreve: "Os liberais estão mais ou menos de acordo em que o Brasil não pode ser denominado de país capitalista. As divergências aparecem quando se trata de caracterizá-lo. Prefiro a designação de patrimonialismo, desde que se trata de uma categoria muito estudada que não está obrigatoriamente identificada com determinado ciclo histórico (como se dá, por exemplo, com o mercantilismo). Tampouco temos clareza quanto às formas de sair do patrimonialismo. Levando em conta o fato de que repousa em sólidas tradições culturais, formadas a partir da Contra-Reforma, o florescimento das religiões protestantes poderia levar ao capitalismo (a hipótese foi fundamentada por um estudioso inglês - David Martin - à luz do atual desenvolvimento das Igrejas Evangélicas). A outra alternativa corresponderia à educação. Louvando-se da abundante literatura hoje disponível acerca do milagre dos Tigres Asiáticos (onde o desenvolvimento é também referido tanto à base moral, que seria facultada pelo confucionismo, como à educação), Roberto Campos entende que o problema reside na adequada formulação de políticas. Nesse particular, a privatização representaria significativa contribuição, tema que merece ser considerado se quisermos compreender as dificuldades que se interpõem à eliminação do Estado Patrimonial" [Paim, 1997b: 196].

5) Contribuição de Antônio Paim no terreno da organização político-partidária.

O nosso autor é, no sentido estrito do termo, um doutrinário, ou seja, um pensador liberal que não fica apenas na teoria, mas que leva as suas ideias políticas à prática da opção partidária.

Paim e Roberto Campos (1917-2001), aliás, deram testemunho dessa variante prática do liberalismo que os animou: ambos entraram na luta político-partidária, Campos no PDS (agremiação através da qual se elegeu senador por Mato Grosso) e no PPR (partido no qual se elegeu deputado federal pelo Rio de Janeiro). Desde o começo da abertura política em 85, Antônio Paim filiou-se ao antigo PFL, depois convertido no DEM.

Já nos primórdios da preparação da Constituição de 1988, Antônio Paim elaborou projetos na área da reformulação político-partidária e da representação, discutindo por exemplo, na respectiva comissão parlamentar, a questão do voto distrital, opção que o senador peemedebista José Richa defendeu na Constituinte. Acompanhei o meu amigo nessa empreitada, que terminou sendo malsucedida por força da reação de figuras do nascente PSDB, como Mário Covas, que achavam que o voto distrital atrapalharia os seus projetos eleitorais.

No Partido da Frente Liberal, a ação de Antônio Paim foi definitiva em termos de esclarecer os quadros partidários no que tange ao aperfeiçoamento da representação, às privatizações, à formulação das políticas em ciência e tecnologia, à reforma partidária para garantir uma mais verdadeira representação de interesses do eleitorado, ao papel das Forças Armadas, etc.

Paim foi o assessor mais importante do presidente do PFL, o senador Jorge Bornhausen. Já foi ilustrada a forma em que na Universidade Gama Filho o nosso autor complementou este trabalho com os cursos de aperfeiçoamento de quadros oferecidos por essa instituição através do Núcleo de Ensino à Distância, com abertura para o estudo das opções programáticas das várias organizações político-partidárias.

Não há dúvida de que, nas próximas décadas, as novas gerações de intelectuais e ativistas liberal-conservadores encontrarão, nos escritos de Antônio Paim relativos a conjuntura política e à elaboração de programas político-partidários, valiosíssimo material que poderá inspirar a sua ação, no que tange a revitalizar a representação política. De outro lado, serão de igual valia os alertas feitos pelo nosso autor em face do risco das opções totalitárias, por ele analisadas com rigor crítico e grande integridade intelectual.

No esforço em prol de melhor entender os desafios hodiernos da prática da representação, Antônio Paim tem acompanhado de perto o processo histórico seguido pelos partidos políticos europeus, notadamente na França, cujas características sócio históricas se aproximam das etapas percorridas pelo Brasil na evolução política do ciclo republicano. A revista Carta Mensal, da Confederação Nacional do Comércio (a cujo Conselho Técnico Paim pertence desde os anos 80) recolheu essas contribuições, que foram publicadas ao longo das décadas de 80 e 90 do século passado e no primeiro decênio deste milênio. De forma semelhante, o conjunto dos seus artigos de jornal publicados regularmente, no período apontado, no Estado de S. Paulo e no Jornal da Tarde, bem como no Jornal do Brasil, são documentos de grande valor nesse contexto.

Na tentativa em prol de ajudar a elaborar uma agenda estratégica de inspiração liberal para as Forças Armadas, é digna de menção a participação de Antônio Paim como assessor do Ministério da Aeronáutica sob o comando do brigadeiro Moreira Lima (ao longo do governo Sarney: 1985-1990), de que surgiu a sua obra intitulada: O modelo de desenvolvimento tecnológico implantado pela Aeronáutica (Rio de Janeiro: Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica, 1987).

6) Contribuição de Antônio Paim no terreno da reflexão filosófica luso-brasileira.

O diálogo filosófico com Portugal tem sido um dos campos em que mais se destacou a reflexão de Antônio Paim. Essa preocupação tinha sido levantada quando da criação do programa de pós-graduação em Filosofia Luso-Brasileira na Universidade Gama Filho, no final dos anos 70, após o fechamento do mestrado em Pensamento Brasileiro na PUC, por pressão do padre Lima Vaz.

A reflexão sobre a diversidade dos processos intelectuais ocorridos em Portugal e no Brasil foi identificada como uma das linhas de pesquisa marcantes do programa. A contribuição de Eduardo Abranches de Soveral foi definitiva para que se consolidasse essa linha de reflexão. Ulteriormente, Antônio Paim estimulou o professor Leonardo Prota para que, nos Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira (realizados a cada dois anos em Londrina entre 1989 e 2002), fosse focalizado o diálogo entre as filosofias nacionais, notadamente no contexto da cultura luso-brasileira.

Dessa vertente de reflexão-ação surgiram importantes realizações. Em primeiro lugar, a criação do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, ao ensejo do Congresso de Filosofia Portuguesa e Brasileira reunido em Braga em 1981. O Instituto contribuiu para o incremento da pesquisa das relações entre os processos filosóficos em Portugal e no Brasil. Entre 1982 e 2014 foram realizados vários colóquios, no Brasil (com o nome de Antero de Quental, nos anos ímpares) e em Portugal (com o de Tobias Barreto, nos anos pares).

Grande foi a plêiade de pensadores portugueses e brasileiros que participaram desses eventos que, no Brasil, a partir da primeira década deste século, passaram a ter a coordenação eficaz do jovem professor José Maurício de Carvalho, formado na Pós-graduação em Pensamento Brasileiro da Universidade Federal de Juiz de Fora e no doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro na Gama Filho).

Nesse campo da reflexão luso-brasileira, Paim contou com a colaboração, do lado português, dos professores Eduardo Abranches de Soveral, António Braz Teixeira, José Esteves Pereira e Francisco da Gama Caeiro, sobressaindo também a participação de outros pesquisadores portugueses como Pedro Calafate e Manuel Cândido Pimentel. Do lado brasileiro, as figuras que mais estreitamente colaboraram com Paim foram Anna Maria Moog Rodrigues, Aquiles Côrtes Guimarães, José Maurício de Carvalho, o saudoso Ítalo da Costa Joia, Constança Marcondes César, Francisco Martins de Souza, Rosa Mendonça de Brito, o saudoso Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez. Algumas instituições universitárias somaram-se a essas iniciativas, como a Universidade Católica Portuguesa, tanto da sede de Lisboa quanto da do Porto, esta sob a orientação do reitor desse claustro, monsenhor Arnaldo de Pinho.

A mais significativa realização foi a publicação, entre 1989 e 1992, dos cinco volumes de Lógos - Enciclopédia Luso Brasileira de Filosofia Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo), edição realizada sob o patrocínio da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, com a direção  de Roque Cabral, Francisco da Gama Caeiro, Manuel da Costa Freitas, Alexandre Fradique Morujão, José do Patrocínio Bacelar de Oliveira e Antônio Paim, tendo-se encarregado da Secretaria Geral do empreendimento João Bigotte Chorão.

Também participou dos projetos desenvolvidos com a colaboração do Paim a Universidade Nova de Lisboa, cujo vice-reitor é o professor Esteves Pereira. Destaque-se, aqui, o apoio recebido pelo nosso autor para a conclusão da sua magna obra intitulada: Marxismo e descendência (Campinas: Vide Editorial, 2009).

Não poderia deixar de registrar, aqui, a colaboração que o Professor Paim prestou, no período compreendido entre 2002 e 2013, à reflexão política no contexto luso-brasileiro e mundial, nos seminários e colóquios programados pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa, dirigido por João Carlos Espada. O Professor Paim forma parte do conselho editorial da Revista Nova Cidadania publicada pelo IEP.

Por outra parte, os Anais dos Colóquios luso-brasileiros de Filosofia têm sido publicados regularmente em Portugal (sob os cuidados de Braz Teixeira e Esteves Pereira) e no Brasil (com a coordenação de José Maurício de Carvalho na Universidade Federal de São João de Rei).


BIBLIOGRAFIA
de
Antônio Paim

Livros
[1966] A filosofia da Escola do Recife. 1a. edição. Rio de Janeiro: Editora Saga. 2a. edição. São Paulo: Convívio, 1981.
[1967] História das idéias filosóficas no Brasil. 1a. edição. São Paulo: Grijalbo/Edusp, (Prêmio Instituto Nacional do Livro de Estudos Brasileiros - 1968). 2a. edição, São Paulo: Grijalbo/Edusp 1974. 3a. edição, São Paulo: Convivio/Instituto Nacional do Livro, 1984 (prêmio Jabuti-85 de ciências humanas, concedido pela Câmara Brasileira do Livro). 4a. edição, São Paulo: Convivio, 1987. 5a. edição, Londrina: Editora da Universidade Estadual de Londrina, 1997.
[1968] Cairu e o liberalismo econômico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
[1972] Tobias Barreto na cultura brasileira: uma reavaliação. São Paulo: Grijalbo/Edusp (em colaboração com Paulo Mercadante).
[1977] A ciência na Universidade do Rio de Janeiro (1931-1945). Rio de Janeiro: Iuperj. Reedição revista: A UDF e a idéia de Universidade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1981.
[1977] Evolução histórica do Liberalismo. Belo Horizonte: Itatiaia (em colaboração com Francisco Martins de Souza, Ricardo Vélez Rodríguez e Ubiratan Borges de Macedo).
[1978] A querela do estatismo. 1a. edição, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 2a. edição, revista: A querela estatismo. A natureza dos sistemas econômicos: o caso brasileiro. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994. 3a. edição, de acordo com o texto da primeira edição, Brasília: Senado Federal, 1998.
[1979] Bibliografia filosófica brasileira - Período contemporâneo (1931-1977). 1a. edição. São Paulo: Edições GDR/Instituto Nacional do Livro. 2a. edição ampliada: Bibliografia filosófica brasileira - Período contemporâneo (1931-1980). Salvador: Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro, 1988.
[1979] Liberdade acadêmica e opção totalitária. (Obra organizada por Antônio Paim). Rio de Janeiro: Artenova.
[1981] A questão do socialismo, hoje. São Paulo: Convivio.
[1981] Os novos caminhos da Universidade. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará.
[1982] Curso de Introdução ao pensamento político brasileiro. 1a. edição. Brasília: Editora da Universidade de Brasília. Coordenação juntamente com Vicente Barretto e autoria das seguintes unidades: A discussão do poder moderador no Segundo Império; Liberalismo, autoritarismo e conservadorismo na República Velha (em colaboração com Vicente Barretto); O socialismo; A opção totalitária; Correntes e temas políticos contemporâneos (em colaboração com Reynaldo Barros); Estudo de caso - Partidos políticos e eleições após a Revolução de 30. 2a. edição. Rio de          Janeiro: Universidade Gama Filho, 1995.
[1982] Pombal na cultura brasileira. (Obra organizada por Antônio Paim). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro - Fundação Cultural Brasil/Portugal.
[1983] Bibliografia filosófica brasileira - 1808/1930. Salvador: Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro.
[1983b] Para onde vai a Universidade brasileira? Fortaleza: Edições da Universidade Federal do Ceará.
[1984] História das idéias filosóficas no Brasil. 3ª edição revista e ampliada. São Paulo: Convívio; Brasília: Instituto Nacional do Livro / Fundação Pró-Memória.
[1986] O estudo do pensamento filosófico brasileiro. 2ª edição. São Paulo: Convivio.
[1987] O modelo de desenvolvimento tecnológico implantado pela Aeronáutica. Rio de Janeiro: Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica.
[1987] Problemática do culturalismo. (Apresentação de Celina Junqueira). Rio de Janeiro: Graficon. 2a. edição, Porto Alegre: Edipucrs, 1995.
[1988] Curso de Humanidades - 1: História da Cultura. (Obra em colaboração com Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez). São Paulo: Instituto de          Humanidades, 5 fascículos.
[1989] Curso de Humanidades - 2: Política. (Obra em colaboração com Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez). São Paulo: Instituto de Humanidades, 5 fascículos.
[1989] Evolução do pensamento político brasileiro. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp (Obra em colaboração com Vicente Barretto, Ricardo Vélez Rodríguez e Francisco Martins de Souza).
[1989] Oliveira Vianna de corpo inteiro. Londrina: Cefil.
[1991] A filosofia brasileira. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.
[1992] Modelos éticos: introdução ao estudo da moral. Curitiba: Champagnat; São Paulo: Ibrasa.
[1994] Fundamentos da moral moderna. Curitiba: Champagnat.
[1994] Pensamento político brasileiro. (Obra organizada por Antônio Paim). Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho, 13 volumes.
[1995] O liberalismo contemporâneo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
[1996] Curso de introdução histórica ao liberalismo. (Obra organizada por Antônio Paim). Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho; Londrina:          Instituto de Humanidades, 5 volumes (em colaboração com Francisco Martins de Souza, Ricardo Vélez Rodríguez e Ubiratan Borges de Macedo).
[1996] Educação para a cidadania - Compêndio. (Obra em colaboração com Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez). Londrina: Universidade Estadual de Londrina / Instituto de Humanidades.
[1996] Roteiro para estudo e pesquisa da problemática moral na cultura brasileira. Londrina: Editora da Universidade Estadual de Londrina.
[1997] A agenda teórica dos liberais brasileiros. São Paulo: Massao Ohno/Instituto Tancredo Neves.
[1997] As filosofias nacionais. Londrina: Editora da Universidade Estadual de Lonsdrina.
[1997] Curso de Humanidades - 3: Moral. (Obra em colaboração com Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez). Londrina: Universidade Estadual de Londrina / Instituto de Humanidades.
[1997] Curso de Humanidades - 4: Religião. (Obra em colaboração com Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez). Londrina: Universidade Estadual de Londrina / Instituto de Humanidades.
[1997] Momentos decisivos de história do Brasil. São Paulo: (no prelo).
[1998] Etapas iniciais da Filosofia Brasileira. Londrina: Editora da Universidade Estadual de Londrina.
[1998] História do Liberalismo brasileiro. São Paulo: Mandarim.
[1998] O Liberalismo social: uma visão histórica. São Paulo: Massao Ohno/ Instituto Tancredo Neves. (Obra em colaboração com José Guilherme Merquior e Gilberto de Mello Kujawski).
[1998] Formação e perspectivas da social-democracia. (Obra em 6 volumes, em colaboração com Carlos Henrique Cardim e Ricardo Vélez Rodríguez). Brasília: Instituto Teotônio Vilela.
[1999] Curso de Humanidades - 5: Filosofia. (Obra em colaboração com Leonardo Prota e Ricardo Vélez Rodríguez). Londrina: Universidade Estadual de Londrina / Instituto de Humanidades.
[2009]

Ensaios de Antônio Paim

[Foram selecionados os Ensaios mais representativos,
no terreno da história das idéias filosóficas e políticas.]
[1959] "A obra filosófica e a evolução de Tobias Barreto". Separata da Revista do Livro, no. 14, junho.
[1966] "O ecletismo de Antônio Pedro de Figueiredo". Separata da Revista Brasileira de Filosofia. São Paulo, no. 61, janeiro/março.
[1966] "Introdução à filosofia contemporânea no Brasil: a mentalidade positivista". Separata da Revista Brasileira de Filosofia, no. 64, outubro/dezembro.
[1968] "Graça Aranha e os problemas legados à posteridade pela Escola do Recife". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 72, outubro/dezembro.
[1968] "Silvestre Pinheiro Ferreira e a evolução do pensamento brasileiro no século XIX (no segundo centenário do seu nascimento)". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 76, outubro/dezembro.
[1970] "O pensamento social e político no Brasil". Revista Interamericana de Bibliografia. Washington, vol. XX, no. 1, janeiro/março.
[1971] "Culturalismo e consciência transcendental". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 81, janeiro/março.
[1971] "O culturalismo de Djacir Menezes". Revista Brasileira de Filosofia. São Paulo, no. 82, abril/junho.
[1971] "A perspectiva transcendental e suas implicações". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 83, julho/setembro.
[1971] "A vertente psicológica do ecletismo na obra de Eduardo Ferreira França". Universitas, Salvador-Bahia, nos. 8/9, janeiro/agosto.
[1975] "Salustiano José Pedroza e a formação da corrente eclética na Bahia". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 99, julho/setembro.
[1975] "Arthur Orlando e a Escola do Recife". Estudos Universitários, Recife, vol. 15, nos. 3-4.
[1976]. "A superação do empirismo mitigado na obra de Silvestre Pinheiro Ferreira". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 102, abril/junho.
[1976] "Momentos destacados del pensamiento filosófico brasileño". Revista Universidad de Medellín. Medellín -Colômbia, no. 22, julho/setembro.
[1977] "Reale e o ponto de vista da consciência transcendental". Estudos em homenagem a Miguel Reale. São Paulo: Revista dos Tribunais.
[1977] "A questão da originalidade do pensamento filosófico brasileiro". Revista Brasileira de Filosofia. São Paulo, no. 107, julho/setembro.
[1977] "Uma corrente da atualidade filosófica brasileira: o culturalismo". Revista Interamericana de Bibliografía, Washington, vol. XXVII, no. 4, outubro/dezembro.
[1978] "Fundamentos morais da cultura brasileira". Ciências Humanas, Rio de Janeiro, vol. II, no. 5, abril/junho.
[1979] "Situação do pensamento filosófico brasileiro nos últimos tempos". In: Guillermo Francovich, Filósofos brasileiros. Rio de Janeiro: Presença, pgs. 101-123.
[1979] "Correntes atuais do pensamento brasileiro". Presença Filosófica, Rio de Janeiro, vol. 5, no. 3, julho/setembro.
[1979] "A filosofia e a cultura brasileira". In: A filosofia e o ensino da filosofia. São Paulo: Convivio, pgs. 228-233.
[1979] "Trajetória da filosofia no Brasil". In: Mário Guimarães Ferri e Shozo Motoyama (organizadores), História das ciências no Brasil. São Paulo: Epu/Edusp, pgs. 9-34.
[1979] "O pensamento político positivista na República". In: Adolpho Crippa (organizador). Idéias políticas no Brasil. São Paulo:          Convivio, vol. II, pgs. 35-74.
[1981] "O liberalismo na República Velha nas propostas de Assis Brasil e João Arruda". Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, no. 65-66, abril/setembro.
[1981] "O processo de formação do tradicionalismo político no Brasil". In: Ciências Humanas, Rio de Janeiro, nos. 18-19, julho/dezembro.
[1981] "Miguel Reale e a filosofia brasileira". In: Miguel Reale na Universidade de Brasília. Brasília: Editora da UnB, pg. 91-100.
[1983] "A filosofia do direito no pensamento brasileiro". In: Revista da Universidade Católica de Petrópolis. no. 5, julho.
[1983] "As Humanidades e a Universidade brasileira: proposta para obtenção de novo consenso", in: Humanidades, Brasília, vol. 1 no. 2: pgs. 99-108.
[1984] "O projeto cultural reformador da Escola do Recife". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 133, janeiro/março.
[1985] "35 anos de estudos da Filosofia Brasileira". In: Los Ensayistas, Athens, University of Georgia, nos. 18-19.
[1987] "Estudos recentes do pensamento político, da filosofia do direito e da filosofia da educação". In: Convivium, São Paulo, no. 2, janeiro/fevereiro.
[1988] "A discussão do voto distrital na Constituinte". Convivium, São Paulo, no. 2, março/abril.
[1989] "El krausismo brasileño". In: El krausismo y su influencia en América Latina. Madri: Fundação Friedrich Ebert / Instituto Fe y Secularidad, pg. 83-98.
[1989] "Um painel das idéias nos cem anos da República". Revista do Pensamento Brasileiro. Salvador-Bahia, ano I, no. 1, dezembro.
[1989] "A cultura brasileira no momento da criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro". Rio de Janeiro: Instituto Histórico e Geográfico, pg. 59-72.
[1992] "A filosofia da cultura de Eduardo Soveral". Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, no. 165, janeiro/março.
[1994] "Os grandes ciclos da Escola Eclética". Actas do II Colóquio Tobias Barreto. Lisboa: Instituto de Filosofia Luso-Brasileira.
[1994] "Notas sobre o conceito de filosofia luso-brasileira". Revista Brasileira de Filosofia., no. 175, julho/setembro.
[1994] "La filosofia contemporanea in Brasile". Paradigmi. Revista di Critica Filosofica. Bari, vol. XII, no. 35, maio/agosto.
[1995] "A contribuição de Celso Lafer ao liberalismo brasileiro contemporâneo". Revista Brasileira de Filosofia. no. 180, outubro/dezembro.
[1996] "O movimento fenomenológico no Brasil". Revista Brasileira. Rio de Janeiro, vol. III, no. 9, outubro/dezembro.
[1996] "O significado da noção de interesse para os liberais brasileiros". Carta Mensal, Rio de Janeiro, no. 490, janeiro.
[1996] "Pronunciamento de Antônio Paim no encerramento da reunião". In: Leonardo Prota (organizador). Anais do 4o. Encontro Nacional de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira. Londrina: Editora da UEL / CEFIL, pgs. 193-197.
[1997] "Avaliação crítica da moral contra-reformista". Ciências Humanas, Rio de Janeiro, vol. 20, no. 1, junho, pgs. 47-72.
[1998] "Proposta de uma primeira aproximação à filosofia brasileira". In: Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, vol. 44, no. 190 (abril/junho): pgs. 169-180.

© José Luis Gómez-Martínez

Nota: Esta versión electrónica se provee únicamente con fines educativos. Cualquier reproducción destinada a otros fines, deberá obtener los permisos que en cada caso correspondan.

[Nota: A parte II desta apresentação, intitulada: "Antônio Paim, historiador das idéias", fui publicada na Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, vol. 44, no. 186 (abril/junho 1997): 203-212].