sábado, 27 de novembro de 2010

NATAL.COM.ELE – Selvino Antonio Malfatti








1. As Virtudes natalinas.
O Natal de 2010 se aproxima. Proponho, conjuntamente com freqüentadores e opinantes, a refletirmos alguns aspectos importantes deste evento para nós cristãos. Agradeço a colaboração e disponho o espaço a quem quiser colaborar.
O Natal nasceu no seio da humildade.
Primeiramente, os pais de Jesus, descendentes de Davi - família real – não se revoltam contra o Edito de recenseamento do Imperador Cezar Augusto o qual os obrigam a ir de Nazaré a Belém. Além da distância, aproximadamente 150 Km, era dezembro, período de frio intenso naquela região e Maria grávida na eminência de parto. Para enfrentar tal sacrifício teriam consciência que era para ser cumprida a profecia de o Salvador nascer em Belém?
Em segundo, como não encontram vaga em hospedaria – em hotel nem falar pois estavam lotados por causa do recenseamento – o único local disponível foi uma gruta não muito distante da cidade de Belém. Nelas, os animais eram colocados à noite, para se abrigarem do frio e os pastores passavam com eles a noite, aproveitando a exalação de seu calor e a fogueira comum. A caverna onde José e Maria estiveram tem aproximadamente uns cem metros quadrados e uma altura suficiente para as pessoas se locomoverem de pé. José e Maria, com certeza, se acomodaram num canto mais retirado, porque necessitavam de privacidade, pois tinha chegado o momento de Maria dar a luz. Ainda hoje lá se encontra o “berço” onde colocaram Jesus, marcado com uma estrela dourada. É uma pedra chata sobre a qual espalharam palhas e estenderam panos. Aqui também não há reclamações contra a vontade divina. Certamente muitos de nós, nestes casos, diríamos: se Tu queres que sejamos os guardas de Teu filho, ao menos nos dê as condições!
Em Belém, no inverno, à noite, em poucas horas a temperatura atinge graus baixíssimos, inclusive pode nevar. Não foi diferente naquela noite de dezembro. O bebê recém-nascido precisou do bafo dos animais para se aquecer. Todos tiritavam de frio. Apenas algumas palavras eram balbuciadas ao ouvido. As pessoas encostavam-se umas às outras para se aquecerem esperando o dia chegar. Naquela noite um silêncio gelado pairava sobre a colina, possível de se ouvir anjos cantando “Gloria in excelsis Deo”.
Lá em baixo a cidade de Belém fervilha de gente vinda de toda parte. As praças encheram-se de música. Pessoas importantes desfilavam pelas ruas ou simplesmente passeavam. Soldados romanos, a cavalo, as patrulhavam. Nas sinagogas vendia-se e comprava-se de tudo. Era um verdadeiro centro comercial. Os sacerdotes não se importavam, alguns incentivavam, porque recebiam também sua porcentagem. Cada viajante queria tirar as despesas da viagem. Parentes distantes se encontravam, abraçavam-se e davam-se presentes. A cidade estava em festa: música, dinheiro, pessoas importantes, roupas finas e quentes, lucro, venda e consumo.
Naquela noite aconteciam dois “natais”. O do estábulo, humilde e devoto e o da cidade orgulhoso e arrogante. A festa da cidade era a comemoração de seu “natal”, o regozijo da soberba. No estábulo, o silêncio da oração, pastores humildemente cantavam com os anjos a chegada do Salvador. Era Natal dos humildes de coração.
Nas comemorações de nosso Natal, às vezes me pergunto: onde está Ele, o homenageado? Tem música, presentes, bebidas e comidas, mas Ele, onde está? Será que não estou no lugar errado? Cadê simplicidade, devoção, oração?