sexta-feira, 2 de maio de 2014

A sarneyrização do governo Dilma. Gustavo Müller, professor UFSM.




Pesquisa recente do Instituto DataFolha mostra um medo generalizado da volta da inflação. Os dados demonstrados pelo referido instituto dão conta de que para 69% dos que têm renda mensal acima de dez salários mínimos a inflação deve aumentar. Obviamente tal faixa de renda possui também o maior nível de escolaridade.  Não obstante, o dado mais significativo mostra que cerca de 90% dos que ganham até dois salários mínimos já perceberam o aumento da inflação. Como é sabido, os que se situam nessa faixa consomem grande parte de sua renda com os alimentos, e mesmo que estes sejam sujeitos a aumentos sazonais – causados por quebra de safra por exemplo –o que estamos assistindo é uma reindexação da economia provocada pela deterioração das expectativas dos agentes econômicos.
Pesquisas na área de comportamento eleitoral já demonstraram fartamente que o desempenho econômico dos governos é um fator determinante para a decisão do voto. Com a base eleitoral do governo (eleitores na faixa de dois salários mínimos) alarmada pela elevação dos preços é razoável supor que mesmo reeleita, os ajustes que terão que ser feitos em 2015 “minarão” a legitimidade conferida à Dilma pelas urnas. Não bastasse isso, é pouco provável que os “aliados” darão suporte para eventuais reformas que poderão ser tentadas em um rompante de lucidez pouco provável.

Há de se constatar que, por razões ideológicas, o governo seguiu o roteiro do desastre incentivando o consumo sem tomar medidas para o aumento da produtividade, o que fez com que a conta não feche. Medidas “heterodoxas” foram promovidas pelos governos militares e pelo governo Sarney,  e deram com os burros n’água. O triste é ver toda a arquitetura de desindexação levada a cabo na transição da URV para o Real se desmontada por quem não leu (ou esqueceu que viveu) a historia recente do país.