sexta-feira, 13 de maio de 2016

PORTA SANTA. Selvino Antonio Malfatti













No dia 8 de maio deste ano em várias dioceses do Brasil foram abertas as Portas Santas. Em Santa Maria, o evento religioso foi comemorado no Santuário estadual da Medianeira e Santuario de Schoenstatt. Este acontecimento religioso católico está inserido no contexto do Ano Jubilar da Misericórdia, determinado pelo Papa Francisco. O período durará de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016, considerado Ano Santo da Misericórdia. Os católicos que cumprirem com as exigências poderão receber o perdão completo dos pecados até mesmo dos sujeitos à excomunhão como aborto e crimes de sangue.
Nas dioceses escolhidas pelo papa, os bispos indicarão os templos que terão a Porta Santa. Consiste numa porta de entrada de igreja, devidamente assinalada com as cores do Vaticano, que será aberta pelo bispo no dia indicado. Quem, com intenção de arrependimento, entrar por aquela Porta receberá o perdão dos pecados. Para tanto, os católicos deverão:
– Passar pela Porta Santa
– Confessar-se
– Comungar e refletir sobre a misericórdia
– Rezar nas intenções do Papa (a Profissão de Fe ou Credo).
A origem da prática da Porta Santa é pré-cristã. Os fundamentos estão no Jubileu hebraico que consistia em cada 50 anos propiciar o repouso da Terra. Evidentemente era uma medida com o objetivo de tornar a terra mais produtiva para os anos seguintes. Neste ano eram devolvidas as terras confiscadas para pagamentos de dívidas e a libertação de uma boa parte dos escravos. A origem da palavra jubileu está no corno de carneiro, jobel, que soava marcando o início da data.
Da parte dos cristãos a instituição do Jubileu surgiu com a prática da peregrinação a Roma a qual iniciou mais ou menos espontaneamente. Desde os primeiros séculos da era cristã periodicamente multidões de peregrinos costumavam a se dirigir a Roma. No século sétimo a cidade de Roma foi substituída por Jerusalém. No entanto, as peregrinações de fim de ano continuavam a afluir a Roma. Foi então que Bonifácio VIII, no ano de 1300, lançou o primeiro Ano Santo. Determinava que quem visitasse durante o período de 30 dias, para os romanos, e 15 para os peregrinos, as basílicas de São Pedro e São Paulo receberia o completo perdão dos pecados.
Já no século XV as peregrinações continuavam a se sucederem e passaram a ser fonte de rendimentos para hospedeiros, banqueiros e comerciantes. Evidente que enormes somas iam parar nos cofres da Igreja. O papa Nicolau V, no século XV, inovou ao determinar que quem não pudesse ir a Roma poderia receber a indulgência pagando uma determinada quantia de dinheiro.
Embora a ganância pelo dinheiro aumentasse sempre mais e as touradas passaram a ser o grande evento dos peregrinos, a celebração mantinha-se dentro dos padrões. A venda das indulgências, contudo, extrapolou os limites. Tornou-se um mercado. Quem não tinha algum pecado escondido no fundo do baú louco para se livrar? Agora se tornou fácil. Bastava pagar, e pronto! Estava livre. Propagou-se de tal maneira que levou ao cisma do cristianismo ocidental europeu após a reforma de Lutero e o esfacelamento religioso cristão.
Foi no pontificado de Alexandre VI que se fizeram algumas modificações na instituição da Porta Santa. Foi com ele que se introduziu a prática da Abertura da Porta Santa nas quatro basílicas jubilares. Mais tarde a instituição foi estendida às dioceses sob a responsabilidade do Bispo.
No entanto, continuavam a se sucederem os anos jubilares com as aberturas das Portas Santas em meio à corrupção e devassidão, vícios, jogos, procissões com alegorias carnavalescas, problemas de higiene e saúde pública, com epidemias como a bubônica. Inclusive, no jubileu do ano de 1600, houve o julgamento e cremação do filósofo Giordano Bruno, pelo Tribunal da Inquisição.
A situação tornou-se tão insuportável que em 1725 o Papa Bendito XIII estabeleceu algumas proibições. Foi o caso da proibição das loterias, de cheirar tabaco no interior da Basílica de São Pedro e suspensão das touradas no Coliseu. Mas foram apenas reformas periféricas, sem atingirem o essencial.
O jubileu de 1875 em Roma ocorreu em meio a problemas entre o Vaticano e o poder civil romano, pois aquele havia sido anexado ao Reino da Itália. O Papa Pio IX trancou-se no Vaticano declarando-se prisioneiro dos “usurpadores piemonteses”.
O ano de 1950 foi marcado por novos tempos. Dois milhões e meio de fiéis participaram. Os peregrinos puderam viajar de avião. Foi canonizada Maria Goretti e proclamado o dogma da Assunção da Virgem Maria.
Já em 2000, João Paulo II estendeu a indulgência a quem acompanhasse as cerimônias por rádio ou televisão e as Portas das quatro basílicas foram abertas. As Portas Santas se espalharam pelo mundo, inclusive atualmente até há até portáteis, como as das Ilhas de Salomão.
 (Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/208511/O-Ano-Santo-da-Miseric%C3%B3rdia-Anistia-geral-a-todos-os-cat%C3%B3licos-arrependidos.htm)
             Porta Santa móvel em peregrinação pelas Ilhas Salomão