sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Papa Francisco e o humanismo cristão. José Maurício de Carvalho




A visita do Papa Francisco ao Brasil movimentou os céus na semana que passou. Lá as pessoas são serenas, mas São Pedro acordou excepcionalmente apavorado dia 22 de julho. O Filho não estava casa, vagava pelo mundo. Inquieto e ansioso Pedro foi entrando na sala de audiência celestial sem pedir licença. E foi logo contando ao Pai que o Papa Francisco vinha ao Brasil encontrar-se com jovens do mundo inteiro. Pedro é um santo sereno, só fica preocupado quando o assunto envolve seus sucessores. Ele acreditara que a segurança do Papa seria feita pelo FBI ou a CIA. Fora informado daquela história da escuta por satélites, mas amanheceu na segunda-feira, 22 de julho, com o Papa voando em direção à cidade de São Sebastião e com a informação de que quem o protegeria seria a Polícia Federal, com o apoio dos serviços de segurança do Estado do Rio de Janeiro. São Sebastião batera de braços quando encontrou Pedro apavorado indo em direção ao escritório celestial onde o Pai atendia as audiências da semana. Disse logo São Sebastião: para a incompetência do Estado brasileiro só Deus. Não adianta nem pedir ajuda, é muito para mim. É que os santos se entendem mesmo sem se falar pois, aprenderam a ouvir o coração.
São Pedro ansioso diante do Pai era um espetáculo comovente. O Pai o ouviu paciente que é. O Pai nunca se altera nem se preocupa, pois nada acontece sem que saiba. E Ele já fora informado pelo serviço de segurança celestial da situação. Serviço secreto que funciona, diga-se de passagem. Aliás, no céu tudo funciona ao contrário do Estado Brasileiro, onde pouca coisa funciona. Na altura já havia uma legião pronta e São Miguel Arcanjo em Pessoa na liderança dos anjos. Afinal, o general das hordas celestiais preocupara-se em vir pessoalmente desde que soube que Satanás, em férias no Brasil, andava estimulando a violência. Francisco I no Rio, o coisa ruim poderia aprontar alguma coisa, avaliara o Arcanjo. O Papa sob proteção das forças de segurança brasileira, nem seria preciso um Satanás ardiloso para criar confusão, avaliou o Arcanjo.
E veio São Miguel com sua legião de anjos. Encontrou o Papa cercado de carinho e proteção num estacionamento de ônibus na Presidente Vargas. Para lá o conduzira, em enorme trapalhada, as forças de segurança. Estava cercado por outros anjos. De anjos que ainda estão aqui. O Filho estava com eles. Disfarçados na multidão, envolvidos por bandeiras de diversas nações, violões e mochilas nas costas, eles cercavam o Papa Francisco com carinho e amizade. E Satanás nem pensou em se aproximar, por que como dizem os que conhecem o assunto: Satanás sabe onde aparece. E ali a coisa não era para ele.
Já em terras brasileiras, o Papa pode dizer a que veio. Anunciar o amor de Jesus Cristo como o bem mais precioso. Isso significa, explicou, respeitar e acolher as pessoas, principalmente os que sofrem ou estão frágeis, perdoar os que erram e não querem continuar no erro. Ajudá-los a ser melhor, não transigir com a indignidade e a dúvida, encontrar sentido para o sofrimento e para o que não se compreende. Por que nós vivemos nessa terra a experiência do fenomênico, mas é no limite do fenomênico que o que está além se anuncia. E é o amor aos homens e ao Pai, o essencial do que Jesus ensinou como exigência absoluta. Essa é a preocupação central da Igreja de Cristo, levar a Sua mensagem a todas as nações. Sem sair do mundo, não perder as referências de amor ao próximo, seguir tranquilo pela vida sem ceder ao ódio, aos impulsos, à fraqueza, ao desespero e à falta de sentido.

Respeitar os homens e sua liberdade como fim e nunca tratá-los como meio, é o modo maravilhosamente simples que a razão humana, pela boca de Kant, sintetizou o essencial da mensagem evangélica.  O céu é em toda parte, basta entrar nele pela elevação espiritual ou moral. E no céu vamos encontrar Deus, atrás de cada rosto que respeitamos, acolhemos e amamos.