segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A NECESSIDADE DE UM CURRÍCULO NACIONAL DE ENSINO. Selvino Antonio Malfatti.



Os conteúdos de ensino a cargo das unidades da federação ficam nacionalmente diluídos em termos de nação. Os professores não sabem o que ensinar e os alunos não têm noção do que é essencial e o que é secundário. Diante disso, um currículo em nível nacional solucionaria o problema.

João Batista Araujo e Oliveira[1] publicou um artigo intitulado: “Currículo, a Constituição da Educação”.[2] Devido ao conteúdo e a repercussão, tentarei fazer uma resenha das principais idéias expostas.
Parafraseando a questão da saúde, cujo assunto foi dito que é sério demais para se deixar só para os médicos, o mesmo aconteceria com a educação que não pode ser deixada somente para educadores e especialistas, mormente quando se trata de um currículo nacional.  O que seria um currículo? – pergunta-se Araujo e Oliveira. Para ele é um documento que diz as incumbências que cabem ao professor e aluno. Ao professor, o que deve ensinar e ao aluno, o que aprender, quando e como. Tecnicamente seriam conteúdos, objetivos, estrutura e sequência. Neste sentido, o currículo, primeiramente, é um instrumento de cidadania, pois assegura uma base equitativa para todos. Em seguida, hierarquiza os conhecimentos atrelando-os à idade biológica dos alunos. Em decorrência disto, o currículo servirá para balizar o que se deve cobrar do aluno, a formação do corpo docente e o material didático a ser usado.
O autor justifica um currículo em nível nacional basicamente por dois motivos: por causa da experiência bem sucedida em países avançados e pelo o advento do PISA ( Programme for International Student Assesmen), programa este lançado pela Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômico. Este programa monitora o desempenho dos alunos dentro de um contexto internacionalmente aceito. O PISA tem como princípio a mensuração da capacidade de jovens de 15 anos em aplicar os conhecimentos à situações reais da vida e não apenas medir o domínio do conteúdo.
Já foram aplicados três testes desde que foi implantado: O de 2000 que avaliou a literacia em contexto de leitura, o de 2003 que avaliou a literacia da matemática, leitura científica e resolução de problemas e o de 2006 teve como foco a literacia científica.
Como saber se um currículo é bom? Evidentemente pelos seus frutos ou, como diria Descartes, se for claro.
Outra técnica para verificar se um currículo é bom é aplicar o método do benchmark, isto é, compará-lo com os de países avançados. Além disso, não pode ser uma proposta isolada, mas fazer parte de um contexto todo. Para se chegar a um bom currículo são necessários quatro suportes essenciais: foco, consistência, rigor e referentes externos. Para tanto, deve centrar-se no essencial, respeitar a estrutura de cada disciplina, ter uma evolução natural e referir-se à realidade de cada idade cronológica, visando o momento subseqüente. 




[1] Psicólogo, professor, político, pedagogo. Foi secretário executivo do Ministério da Educação. Pertenceu ao Partido dos Trabalhadores e agora é filiado ao Partido Socialismo e Liberdade, P-SOL. Atualmente preside o Instituto Alfa e Beto.

[2] Folha de São Paulo, 2 de janeiro de 2012