sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O SENTIDO DA FELICIDADE. Selvino Antonio Malfatti.







Se dermos uma repassada sobre a trajetória do pensamento, podemos constatar que não há filósofo, antigo ou moderno, que não fale em felicidade. Mas, se nos perguntarmos: o que é felicidade, o que quer dizer ser feliz? É possível um estado de felicidade permanente ou sempre a felicidade momentânea, fica ou depois vai embora e se deve esperá-la voltar? Perguntou-se a Allen Woody e ele disse que não se pode ser feliz por mais de seis horas. Theodor Adorno nos alerta que não temos consciência quando somos felizes e só depois nos damos conta. Em contrapartida, Michel de Montaigne nos fala que ninguém é infeliz por muito tempo a não ser por própria culpa. Como consequência, para ele a felicidade se pode aprendê-la, é uma arte.
Poderíamos continuar desfilando pensadores como Platão que acha que a felicidade está assentada na sabedoria e virtude; Epicuro aponta para uma vida sábia, bela e justa; Aristóteles a realização da natureza específica. Na atualidade Woody Allen destaca o pensamento positivo, pois dizer a alguém “seja feliz” é o método mais seguro de afastá-lo da infelicidade. Há quem diga, que a procura obsessiva na busca da felicidade é o atalho mais seguro para se conseguir o contrário.
Sempre dispomos mais de informações e sempre menos de meios para nos conhecermos. Nesta esteira está também a felicidade. Todos dizem que a provaram, mas ninguém consegue defini-la e muito menos como consegui-la. A tendência atual é o retorno ao pensamento grego originário que pensava que a felicidade é uma escolha de vida, mas esta exige que quem fizer a escolha seja feliz. Chegamos, portanto, a um círculo vicioso: tenho que ser feliz para fazer uma escolha feliz.
Voltemos ao questionamento. Sabemos que não sabemos por que somos felizes e por que não somos. Alguns podem dizer que felicidade são férias nos Trópicos que dura pouco. Para os kantianos a consciência do dever cumprido pelo dever. Podemos ser felizes sozinhos ou somos com o outro? A felicidade é o fim último ou há outro? É melhor ser um Sócrates infeliz ou um imbecil contente, como se perguntava John Stuart Mill? E a conclusão é de que haveria mais felicidade num Sócrates infeliz do que num imbecil satisfeito.
José Ortega y Gasset escreve que o homem vive a partir e de uma filosofia. Esta pode ser sofisticada ou simples, própria ou adotada, antiga ou atual, genial ou rudimentar. Mas, de qualquer forma, nosso ser penetra suas raízes numa filosofia. Por conseguinte é a qualidade da filosofia nas quais estão nossas raízes que determina a qualidade de vida. E como consequência provavelmente a qualidade de nossa felicidade. Isto por que a filosofia tem em si a força de modificar o modo como percebemos as coisas aumentando os limites e penetrando a profundidade. Ler e estudar filosofia proporciona o estar bem no mundo. É certo que a felicidade não depende unicamente de nós, mas cada um de nós é responsável pelas próprias escolhas. Em vista disso somos nós que decidimos qual a filosofia que escolhemos para receber as alegrias e fazer frente aos infortúnios.
Não é suficiente sentir prazer, em que pese que o prazer seja um componente da felicidade. Almejamos ser felizes, mas o somos daquilo que somos. É senso comum que uma vida recheada de consciência, de buscas pessoais, de respostas que demandam novas perguntas, gera muitas probabilidades que nos façam pessoas felizes, seja uma felicidade duradoura ou passageira.

Com o título: “Os filósofos Falam de Felicidade” (I Filosofi Parlano di Felicità) a editora italiana Enaudi lança a releitura dos textos de filosofia da autoria de Fulvia de Luise e Giuseppe Farinetti.

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