sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A VIOLÊNCIA NO MUNDO. José Maurício de Carvalho.




Há poucos dias amanhecemos com a triste notícia de que 25 pessoas morreram na revolta popular, na Ucrânia, contra o governo do Presidente Viktor Yanukovich. Dos mortos 9 são policiais. Outras 241 pessoas foram hospitalizadas em estado grave, sendo 79 policiais e 5 jornalistas. Segundo agências internacionais, prefeituras de algumas cidades da Ucrânia foram tomadas no interior do país e, em Ternopil, até a delegacia de polícia foi ocupada pelos revoltosos. O pano de fundo do confronto é ressaca da Guerra Fria. De um lado, a população desejosa de aproximação com a Europa Ocidental, sonhando com uma vida melhor e aperfeiçoamento democrático das suas instituições, de outro a pressão do Governo Russo que teme perder o aliado histórico e apoio da maior e mais rica entre as antigas Repúblicas aliadas da Rússia no desfeito bloco Soviético. Entre os interesses conflitantes, tendo que administrar a pressão dos dois lados e sem saída simples, o governo do Presidente Yanukovich.
O nível do conflito mostra a perda de controle da situação, com clamores do Papa Francisco pelo fim da violência na Ucrânia, ameaça da ONU de tomar medidas contra o governo e ameaça da CE de também aplicar punições ao país. A maioria da população está em casa, assustada com o crescimento da violência: as escolas estão fechadas, a economia do país está parando. São muitas as cidades afetadas pelas revoltas.
Sem o mesmo clima de guerra, mas em situação de crescente tensão Venezuela e Tailândia enfrentam revoltas contra seus governos. Nos dois países não se sabe para onde pode rumar os acontecimentos, mas neste último há notícias da morte de cinco pessoas somente ontem dia 19 de fevereiro. As pessoas mortas estavam envolvidas nas revoltas contra o governo da primeira ministra da Tailândia Yngluck Shinawatra.
A referência a esses três países parece suficiente para ilustrar o que quero dizer, embora a violência não esteja restrita neles. Ela se alastra por todos os cantos do mundo, desde a Guerra no Mali até a situação de quase descontrole no Iraque, na aberta Guerra Civil da Síria e nos atentados terroristas no Paquistão. Todos esses episódios possuem em comum a revolta da população contra governos que não são liberais democracias, nem possuem tradição democrática. Por isto, a revolta popular se aproxima de verdadeira guerra civil, onde ainda não se tornou tal. Em todos os casos citados a população espera mudar governos, embora no Mali haja envolvimento do terrorismo religioso e disputas étnicas, deixando confuso o quadro político.
A imprensa inadvertidamente chama a esses atos de guerra civil ou de terrorismo explícito de manifestações, como se tratasse do mesmo fenômeno existente nas nações livres. Outro dia assisti um conhecido jornalista da Globo News dizer que cobrir manifestações está muito arriscado hoje em dia, sem se dar conta de que não está falando de manifestação, ou pelo menos, não daquela que defendemos como direito legítimo que a população tem, nos países de tradição liberal democrática, de manifestar sua opinião sobre os assuntos que envolvem o destino da sociedade.
Pior e mais confuso fica o quadro nacional quando altos representantes do governo brasileiro mencionam o direito legítimo às manifestações, para se referir aos atos de revolta e vandalismo, sustentados e organizados por radicais inimigos da democracia representativa, que se espalharam pelo país. Não importa a raiz ideológica: radicais de esquerda e direita são inimigos da democracia representativa e levarão o país ao caos para tomar, pela força, o governo. Nenhum destes grupos radicais serve à democracia conquistada com sangue e sacrifício pela geração que criou a Nova República. A Ditadura vencida iniciou, em 64, justamente quando o governo perdeu controle das chamadas manifestações sociais.
Na expectativa de não ver nosso país caminhar para os atos de violência que não fazem sentido num sistema democrático com liberdade de expressão e caminhos institucionais funcionando plenamente para a mudança dos governantes que não atendam a sociedade, faço distinção entre manifestações democráticas asseguradas em lei, dos atos de rebeldia e vandalismo, contrários à lei e a ordem que levaram recentemente a morte do jornalista da Rede Bandeirantes. Neles já está provada a participação de partidos políticos radicais de esquerda que aliciaram jovens pelas redes sociais e financiaram a baderna e o quebra-quebra, pois desejam destruir a estabilidade do país com a chamada pressão popular. Esses radicais, aproveitando-se do clima de insatisfação decorrente da redução do nível de desenvolvimento econômico e das fantasias criadas em volta da Copa do Mundo, querem instaurar o caos para se beneficiar dele.

Esperemos que as autoridades da República saibam não só defendê-la dos violentos como explicar as coisas à sociedade. O que são mesmo manifestações democráticas nos países livres?