terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Jesus. José Mauricio de Carvalho



Ele nasceu em Belém e foi criado em Nazaré, uma pequena cidade da Galiléia, há 2014 anos. Muito pouco se sabe, com certeza, de sua trajetória histórica, quase nada de seu nascimento e infância. Seus primeiros anos foram cercados do mistério representado pela enormidade de um Deus que se faz homem. Um acontecimento que desafia a inteligência. Durante sua gestação sua presença ficou restrita à confiança de sua mãe Maria na promessa de Deus. Ela no íntimo aguardou a realização da promessa feita pelo anjo (Lc. 1, 46-55) e depois do nascimento, sem alarde, criou o menino. O Pai carpinteiro lhe deu o nome e o educou na lei judaica. E Jesus, mais tarde, se valeu da imagem desse carpinteiro para ensinar o que toda inteligência procura, o que todo homem aspira conhecer: o princípio fundador de tudo, uma razão segura para viver pode ser chamado de Pai. Onde depositar a crença de que vale a pena viver? O conhecimento do arquétipo que tanto mexeu com os gregos Jesus anunciou de forma simples e fácil: qual é o princípio no qual nascemos e morremos? O princípio é o Pai, podemos chamá-lo assim, o entenderemos melhor assim.
Crescido Jesus deixou a lida diária do carpinteiro depois de ser batizado por João Batista. Trabalhara muitos anos fazendo cidades, mas precisava, depois de batizado, de um tempo para trabalhar o coração das pessoas. Ao aparecer adulto anunciando a boa notícia, uma forma nova de ler a lei judaica, causou desconfiança entre os seus. E havia razão para a desconfiança. Jesus, o filho de José, vinha da Galiléia, de uma cidade pequenina chamada Nazaré. Seu pai era um humilde carpinteiro. Não era nobre, nem sacerdote, nem sequer fora criado nos palácios.
É o nascimento desta criança, cercada do mistério que envolve a aparição humana de Deus, o episódio que celebramos em dezembro. É o natal deste menino simples e pacífico que a humanidade celebra. E por que ainda precisamos celebrar seu nascimento? Porque é para Ele que olhamos quando sentimos a necessidade de recriar e recomeçar. É Ele que veio para renovar para melhor todas as coisas, é Ele a esperança numa fé que livra o mundo da maldade. Esse mundo acordou hoje com mais notícia de corrupção, descobriu assustado a morte de mais de cem crianças por um grupo religioso que diz agir em nome de Deus. Sim, necessitamos celebrar o natal, pois é para esse menino que olha o homem quando sente que precisa de um mundo melhor.
Então que celebremos o Natal, revivamos esse episódio de mais de dois mil anos. Precisamos Vê-lo para enxergar além da rotina, para iluminar além daquilo que se manifesta na fenomenalidade da existência, para encher o coração da esperança de um dia vivermos em paz. Necessitamos Dele para fortalecer a esperança que a vida comum e imanente das coisas não fornece. Precisamos Dele para nos ensinar a ser melhores, para fortalecer nossa fraqueza, para mostrar a rota para um mundo mais gentil, mais justo e fraterno, o mundo que sonhamos em nosso íntimo e uma vez por ano ousamos apresentá-lo aos demais em forma de uma festa: natal.

Para enxergar o sentido desse natalício, para falar do menino que dá ao viver as melhores possibilidades, é necessário acreditar no que o homem pode realizar de melhor.





                 

RETRATO FALADO DE CRISTO PELO SENADOR ROMANO PÚBLIUS LENTULUS
EM CARTA DIRIGIDA A TIBÉRIO CÉSAR
“Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado JESUS, que pelo povo e inculcado o Profeta da verdade Seus discípulos dizem que e filho de Deus, Criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado Em verdade, o Cesar, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse JESUS: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra, é um homem de justa estatura e muito belo no seu aspecto. Há tantas majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, são distendidos ate as orelhas e das orelhas ate as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes
Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos Nazarenos.  O seu rosto e cheio, o aspecto e muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada, o nariz e a boca são irrepreensíveis.
A barba e espessa, semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio. Seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém, ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar, faz-se amar e alegre com gravidade
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos, na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima, verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. E o mais belo homem que sê possa imaginar, muito semelhante à sua Mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais visto, por estas partes, uma mulher tão bela’ Se a Majestade Tua, o Cesar, deseja ver este JESUS, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível
De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém, Ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porem, em sua presença, falando com Ele, tremem e O admiram
Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes.  Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de tão grande doutrina, como ensinam este JESUS. Muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que e contra a Lei de Tua Majestade.  Eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus
Diz-se que este JESUS nunca fez mal a quem quer que seja, mas ao contrário, aqueles que o conhecem e com Ele tem praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém a Tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido
Vale, da majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo
Publius Lentulus

Senador da Judéia Lindizione sétima, luma seconda — Documento dos Arquivos do Duque Cezarini . Acervo da Biblioteca de Roma da, Ordem dos Padres Lazaristas.
https://www.youtube.com/watch?v=KlTm-xG3pO0

Postagens mais vistas