sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CONGRESSO INTERNACIONAL DE AHILA, CADIZ – ESPANHA. Selvino Antonio Malfatti.



Estou participando do Congresso Internacional de AHILA, na Espanha, em Cadiz, que está acontecendo de 6 a 9 de setembro. Discute-se, através de propostas, o nascimento da liberdade na península ibérica e latinoamericana: origens, evolução e debates. De minha parte apresentei uma proposta: Os Partidos Cristãos na Europa, nos séculos, XIX e XX. Análise, nascimento e o que significado para as sociedades da Europa e latinoamericana.
Com efeito, na Europa, no século XIX, antes 1960, devido ao avanço da ideologia liberal, a profissão de fé cristã na Europa reduzia-se às práticas privadas e a possibilidade de influir politicamente através de partidos confessionais resultou em fracasso. Isto por que a maior parte dos católicos era identificada com o conservadorismo e, por tabela, com a monarquia do tipo absolutista além defender os direitos e os privilégios da Igreja. A Igreja, por sua vez, preteria os políticos cristãos leigos e tratava as suas questões diretamente com os chefes de Estado, através de sua hierarquia e desautorizava qualquer pessoa a falar como seu representante.
A situação começa modificar-se na década de Sessenta, quando os governos liberais iniciam uma série de ataques contra os privilégios da Igreja, como aconteceu na Bélgica, Holanda, Áustria, Alemanha, Itália e França. Este é um período caracterizado pelo anti-clericalismo. Os ataques liberais centravam-se principalmente na educação e na família. O que acontecia era um confronto ideológico entre o conservadorismo da Igreja e o liberalismo das elites dirigentes. O ataque dos liberais à família e à educação objetivava a mesma coisa, isto é, o controle ideológico. A Igreja, pelo controle que exercia sobre a família e educação, através da religião e escolas, possuía grande influência ideológica sobre seus fiéis, os quais eram maioria na sociedade. Esta população tornava-se objeto de conquista dos liberais, pois precisavam do consentimento para se legitimar. Como estratégia os liberais utilizavam a desmoralização da instituição Igreja. Esta, acuada pelos liberais, procurava evidentemente defender-se. Como sua voz era cada vez menos influente perante as elites políticas, toma a decisão de isolar-se do mundo político e fechar-se sobre si mesma. Passa, então a levar uma vida paralela, tornou-se um Estado dentro de outro Estado. Esta estratégia não se mostrou nem eficiente, nem eficaz. Os ataques sempre se tornavam mais intensos e o descrédito político aumentava na mesma proporção.
A Igreja muda então de estratégia. Volta-se para suas associações, presentes nas paróquias, clubes recreativos, confrarias e outras formas de organização comunitária. Centraliza estas associações não com objetivo político, mas para uma vida exclusivamente religiosa.  Esta estratégia também foi ineficiente para evitar os ataques liberais. Os membros das associações mostravam-se descontentes por não poderem influir politicamente.
O primeiro passo da Igreja para influir na política dá-se no sentido de apoiar grupos conservadores e estes passaram a visar resultados eleitorais e contrapor-se aos ataques dos liberais. A Igreja, porém, não queria partido político e dar-se-ia por satisfeita se cessassem os ataques. Os grupos, por sua vez, pensavam em termos de influência passageira e não partido permanente.
O que aconteceu foi que o sucesso eleitoral não estava previsto nem pelos liberais, nem pelos socialistas e muito menos pelo conservadorismo da Igreja. No entanto, o movimento político cristão, a partir, de então adquire “motu proprio”. Disso nasce uma identidade política dos leigos enquanto católicos na sua maioria, e cristãos de um modo geral. O eleitorado posicionou-se contra a orientação e pensamento da Igreja. Legitimou a participação política dos católicos e emancipou-se da hierarquia e, portanto, fugiu do controle da Igreja fazendo nascer os partidos confessionais. A partir de então, os católicos leigos promovem sua própria agenda, com conteúdos da doutrina da Igreja, mas com estratégias políticas liberais. Os ativistas católicos perceberam que para a sociedade não somente o chamamento material dos socialistas e o desfrute da liberdade dos liberais eram politicamente um bom negócio, mas também a oferta religiosa. O homem não somente sentia fome de pão ou necessidade de liberdade, mas também de respostas existenciais.