terça-feira, 4 de setembro de 2018

Delegação Portuguesa


XIII Colóquio Antero de Quental
Dedicado à filosofia da educação luso-brasileira
3 a 7 de junho de 2019 de maio de 2019

3.Delegação Portuguesa

3.1. Prof. Dr. Antônio Braz Teixeira
Universidade Lusófona – Portugal
Presidente do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Rua Estevão Lopes, 21
2.795-018 – Linda-a-Velha – Oeiras – Portugal abraz.teixeira@gmail.com

Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa, tendo exercido funções docentes em diversas instituições de Ensino Superior, como a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, a Universidade de Évora, a Universidade Autónoma de Lisboa e a Universidade Lusófona. Membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. Membro correspondente da Academia Portuguesa de História, da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia (Rio de Janeiro). Autor de: A Filosofia Portuguesa Actual (1959); O Pensamento filosófico-jurídico Português (1983); Sentido e Valor do Direito. Introdução à Filosofia Jurídica (1990/ 2010); Caminhos e Figuras da Filosofia do Direito Luso-Brasileira (1991/ 2002); Deus, o Mal e a Saudade: estudos sobre o pensamento português e luso-brasileiro contemporâneo (1993); Filosofia Jurídica Portuguesa Contemporânea (1993); O Pensamento Filosófico de Gonçalves de Magalhães (1994); O Espelho da Razão: estudos sobre o pensamento filosófico brasileiro (1997); Ética, Filosofia e Religião: estudos sobre o pensamento português, galego e brasileiro (1997); Formas e Percursos da Razão Atlântica: estudos de filosofia luso-brasileira (2001); História da Filosofia do Direito Portuguesa (2005); Diálogos e perfis (2006); A Filosofia da Saudade (2006); O Essencial sobre a Filosofia Portuguesa (séculos XIX e XX) (2008); Conceito e formas de democracia em Portugal e outros estudos da história das ideias (2008); A Experiência Reflexiva: estudos sobre o pensamento luso-brasileiro (2009); A Filosofia da Escola Bracarense (2010); A filosofia jurídica brasileira do século XIX (2011); A teoria do mito na filosofia luso-brasileira contemporânea (2014). Homenageado por colegas, admiradores e discípulos, através de: AAVV, Convergências e Afinidades. Homenagem a António Braz Teixeira, CEFi / CFUL, Lisboa, 2008. É ainda o Presidente do Conselho de Direção da Nova Águia: Revista de Cultura para o Século XXI e Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono.

22. Prof. Dr. Renato Manuel Laia Epifânio
Universidade do Porto
Membro da Direção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Presidente do Movimento Internacional Lusófono iflbgeral@gmail.com
Renato Epifânio
Professor Universitário; Membro do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, da Direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Sociedade da Língua Portuguesa e da Associação Agostinho da Silva; investigador na área da “Filosofia em Portugal”, com dezenas de estudos publicados, desenvolveu um projecto de pós-doutoramento sobre o pensamento de Agostinho da Silva, com o apoio da FCT: Fundação para a Ciência e a Tecnologia, para além de ser responsável pelo Repertório da Bibliografia Filosófica
Portuguesa: www.bibliografiafilosofica.webnode.com; Licenciatura e Mestrado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; doutorou-se, na mesma Faculdade, no dia 14 de Dezembro de 2004, com a dissertação Fundamentos e Firmamentos do pensamento português contemporâneo: uma perspectiva a partir da visão de José Marinho; autor das obras Visões de Agostinho da Silva (2006), Repertório da Bibliografia Filosófica Portuguesa (2007), Perspectivas sobre Agostinho da Silva (2008), Via aberta: de Marinho a Pessoa, da Finisterra ao Oriente (2009), A Via Lusófona: um novo horizonte para Portugal (2010), Convergência Lusófona (2012/ 2014/ 2016), A Via Lusófona II (2015) e A Via Lusófona III (2017). Dirige a NOVA ÁGUIA: Revista de Cultura para o Século XXI e a Colecção de livros com o mesmo nome (Zéfiro). Preside ao MIL: Movimento Internacional Lusófono desde a sua formalização jurídica (2010).

3.3. Prof. Dr. Samuel Fernando Rodrigues Dimas
Universidade Católica Portuguesa - UCP
Membro da Direção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Rua Bartolomeu de Gusmão, 4-4
2725- 480 - Men Martins – Lisboa samueldimas@meo.pt

Samuel Dimas é Professor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, membro do Centro de Estudos de Filosofia desta Faculdade e da Direção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Licenciado em Teologia com a tese «A intuição de Deus em Fernando Pessoa», licenciado em Filosofia com profissionalização na via de ensino, mestre em Filosofia da Ação e em Filosofia Ibérica Contemporânea, obteve o grau de doutor em Filosofia no ano de 2011 com uma tese intitulada «A Teoria metafísica da Experiência em Leonardo Coimbra: Estudo sobre a razão mistérica e a redenção integral». Tem orientado os seus interesses para a Filosofia Contemporânea, a Filosofia da Religião, a Teologia Filosófica, a Filosofia da Cultura, a Antropologia Filosófica e a Filosofia da Arte, participando, nestas áreas, em múltiplos projetos de unidades de I&D, organizando congressos, colóquios e seminários nacionais e internacionais. Atualmente é coordenador dos projetos «Redenção e Escatologia no Pensamento Português» e «A Estética no Pensamento Português» pertencentes à linha de investigação «Cultura e Religião» integrada no Grupo de Investigação «Os Fundamentos Ontológicos da Experiência Humana». Dedicado à investigação e promoção do Pensamento Lusófono e do Pensamento Iberoamericano, destacam-se, da sua obra, as seguintes publicações: A Intuição de Deus em Fernando Pessoa - 25 poemas inéditos (1998); Deus, o Homem e a Simbólica do Real: estudos sobre Metafísica Contemporânea (2009); A Metafísica da Experiência em Leonardo Coimbra: estudo sobre a dialéctica criacionista da razão mistérica (2012); A metafísica da Saudade em Leonardo Coimbra: Estudo sobre a Presença do Mistério e a redenção integral (2013); Regresso ao Paraíso: Estudos sobre a redenção do Mundo (2014); O Progresso do Conhecimento: Ensaios de Ética e Filosofia da Cultura (2015); (coordenação), Redenção e Escatologia: Estudos de Filosofia, Religião, Literatura e Arte na Cultura Portuguesa - Época Medieval, Tomo 1 e 2, (2015); Deus e o Mundo: Filosofias da Criação e da Consumação, vol I. (2016).

3.4. Prof. Dr. José Esteves Pereira
Universidade Nova de Lisboa - UNL
Av. de Berna, 26 C
1.069-061 – Lisboa – Portugal jep@fcsh.unl.pt

Professor Catedrático Jubilado (Filosofia) da Universidade NOVA de Lisboa. Foi Vice – Reitor da Universidade NOVA de Lisboa de 1994-2000 e 2010-2014, em quatro mandatos. Licenciado (1970) e Doutorado (1980), em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Presidente da Assembleia Geral do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, Presidente da Assembleia Geral do Centro de Humanidades/CHAM da Universidade Nova de Lisboa; Vice-Presidente da Assembleia- Geral da Associação Portuguesa de Ciência Política; Vice-Presidente do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação; Membro do Conselho Consultivo da Fundação António Quadros ;Académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (Secção de Filosofia),da Academia Internacional de Cultura Portuguesa, da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Sergipana de Letras e da Academia Amazonense de Letras. Interesses científicos: a) Realização de estudos no âmbito do pensamento hispânico com especial incidência na reflexão do pensamento português e brasileiro. b) Estudos sobre história das ideias, especialmente nas vertentes filosófica, política, económica e social (século XVII- meados do século XIX). Algumas publicações de incidência luso-brasileira. Silvestre Pinheiro Ferreira, O seu pensamento político, Coimbra, 1974;Significação e Sentido da História em Gonçalves de Magalhães, “O pensamento de Domingos Gonçalves de Magalhães-Actas do II Colóquio Tobias Barreto", Lisboa, Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, 1994;Coordenadas Epistemológicas de Gilberto Freyre, "Anais do Seminário Internacional Novo Mundo nos Trópicos" Recife, Fundação Gilberto Freyre, 2000;Teorização absolutista e centralização, “Teoria do Estado Contemporâneo” (organizado por Paulo Ferreira da Cunha), Lisboa, 2003;Percursos de História das Ideias, Lisboa,2004; O Essencial sobre Silvestre Pinheiro Ferreira, Lisboa, 2008; 1808 e a Modernização da Filosofia no Brasil: Silvestre Pinheiro Ferreira,” II Conferência Farias Brito”, Textos do Programa de Pós-graduação em Filosofia, do Centro de Filosofia Brasileira, Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, 2008.Miguel Reale e a Ideia de Estado, “O pensamento de Miguel Reale”, “Actas do IX Colóquio Tobias Barreto”, Lisboa, 2011.Positivismo e República em Portugal e no Brasil, “Pensar a República”, Coimbra, 2014. Presença de Ortega y Gasset no pensamento luso-brasileiro, in “Iberian Interconnections-Conference Proceedings”, Porto, Universidade Católica Portuguesa, Col. eBoooks (2016).

4.5. Prof. Dr. Manuel Cândido Pimentel
Universidade Católica Portuguesa - UCP
Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Rua Bartolomeu de Gusmão, 4-4
2725- 480 - Men Martins - Lisboa cpimentel@fch.lisboa.ucp.pt

Licenciatura em Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1986. Mestrado em Filosofia, especialização em «Filosofia e Cultura em Portugal», na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1991. Doutoramento em Filosofia, especialização em «Filosofia Moderna e Contemporânea», na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, em 2001. Especialista nas áreas de Filosofia em Portugal, Filosofia Moderna, Filosofia Contemporânea, Filosofia do Conhecimento e Ética. Assistente Estagiário do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, de 1986 a 1991, e Assistente do mesmo Departamento, em 1991. Assistente da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade
Católica Portuguesa, na Área Científica de Filosofia, de 1991-2003. Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, na Área Científica de Filosofia, desde 2003. Diretor do Centro de Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, desde 2002. Coordenador da Área Científica de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, desde 2004. Membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, desde 2004. Sócio Fundador e membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira desde 1992.

domingo, 2 de setembro de 2018

José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei

O homem e sua referência ética
O reconhecimento de que o homem é sujeito de valores decorre da nossa necessidade de escolher. Viver é optar entre alternativas, o que já permitiu descrever a vida como um que fazer. Essa capacidade de escolher nos coloca como sujeitos livres, ainda que limitados e condicionados, pois uma escolha é sempre feita numa situação determinada. A isso se soma a consequência do escolhido, responsabilidade conosco e com as pessoas que estão a nossa volta, pois se as escolhas nos afetam, também atingem aqueles que são objetos de nossa ação.
Essa realidade humana foi apontada por diversos pensadores como um diferencial do homem em relação aos demais entes, pois quando se escolhe o sujeito pode, com todas as limitações que daí decorram, alterar o futuro, modificá-lo de forma consciente. Nisso uma marca sua, pois muitas vezes um animal também faz coisas que mudam o futuro, mas não se pode dizer que o faça com a consciência de que possa escolher melhor. De fato, as escolhas humanas se articulam numa bipolaridade entre o melhor e o pior, entre o belo e o menos belo, o útil e o não útil, o justo e o não justo. Em contrapartida, as mudanças que ocorrem na natureza não revelam essa intencionalidade, mas regras mais ou menos identificáveis que o homem busca conhecer. Sua capacidade de conhecer as leis que regem a natureza somada a possibilidade de escolher entre o melhor e o pior são características humanas, reconheceu o filósofo alemão Immanuel Kant na conclusão da Crítica da razão prática (Oeuvres Philosophiques, Paris: Gallimard, 1985, v. II, p. 801/2): “duas coisas enchem o espírito de uma admiração e de uma veneração sempre novas e sempre crescentes, na medida da frequência e da perseverança com a qual a reflexão a elas se apega: o céu estrelado cima de mim e a lei moral dentro de mim”.
Uma das mais impressionantes lições dessa realidade moral do homem foi descrita pelo médico psiquiatra Viktor Frankl num de seus livros relatou suas experiências nos campos de concentração nazista durante a Segunda Grande Guerra. Ali Frankl constatou que entre as maiores privações e torturas, depois de tudo ter sido tirado do homem, havia aqueles que não se deixavam animalizar, partilhando o último pedaço de pão, oferecendo uma palavra de amizade e apoio quando nada mais havia a partilhar, arriscando-se para minimizar o sofrimento do companheiro. Ao constatar esse comportamento em muitas centenas de pessoas convenceu-se de que é possível ser melhor ou pior nas mais difíceis condições imagináveis. E entre as escolhas feitas nenhuma parece revelar melhor essa realidade humana do que a justiça.
Ele descreveu um episódio paradigmático sobre esse assunto. Numa das vezes em que teve que formar pelotão, estando num terreno muito acidentado, não tinha noção do que se passava atrás dele e então um guarda chegou próximo e lhe desferiu dois violentos golpes na cabeça porque ele ficou um pouco fora do alinhamento. Sobre isso ele confessou (Em busca de sentido. Petrópolis, Vozes, 2017. p. 39): “a dor física causada por golpes não é tão importante (...) a dor psicológica, a revolta pela injustiça ante a falta de qualquer razão é o que mais dói numa hora dessas”. E ele relata como, mesmo homens brutais, que haviam perdido a sensibilidade para com a dor do outro e assistiam sem reação ao castigo de um prisioneiro, acabavam por se tocar diante de gritante injustiça. Foi o que ocorreu quando o chefe do serviço o tirou de uma atividade e o colocou sobre outro comando, quando percebeu que o líder imediato da atividade lhe havia agredido de forma injusta. Frankl relatou esse episódio relativamente sem importância para dizer que (id., p. 43): “homens que haviam perdido a sensibilidade emocional ainda chegam a ser tomado de revolta, não por brutalidade ou qualquer dor física, mas pelo escárnio”.
Os relatos de Frankl demonstram que quando já pouca humanidade resta no indivíduo, ainda assim ele reage a uma situação de injustiça flagrante, revelando algo de si mesmo nessa escolha.

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