sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CARNAVAL, ADEUS À CARNE – PARA QUEM? Selvino Antonio Malfatti






Vamos esquecer que os trabalhadores do mínimo ganharam menos de 10% - 10 reais sem mordomias - e os deputados mais de 73% - 12 mil recheados de mordomias?
É o que vai acontecer. Dentro de poucos dias o Brasil vai esquecer as mágoas e atirar-se aos braços do Momo. Já estamos em ritmo de Carnaval: a mídia, o comércio, as músicas, as ruas, as pessoas. Mas, afinal, o que é o Carnaval? Qual o sentido? Qual sua origem?
Para se entender basta observar calendário. Logo após o Carnaval inicia um período religioso chamado de Quaresma o qual antecede a Semana Santa. No período anterior à Semana Santa, os medievais davam vazão aos sentidos entregando-se aos prazeres: comida, bebida, diversões e sexo. Nos três últimos dias – Carnaval - aumentava de intensidade porque era estava findando. Era o Carnaval, período de despedida: de comemorações, de prazeres, de festas. A própria palavra já o diz: carum e vale (do latim: carne e adeus), daí, então: adeus à carne, isto é, aos prazeres carnais ou mundanos. Depois viria a Quaresma, período subseqüente ao Carnaval, dedicado ao e jejum e abstinência em preparação à Semana Santa e Páscoa.
Evidentemente não tem mais sentido religioso o Carnaval atual. É um fenômeno puramente cultural, simplesmente um período de diversão popular, no qual, se exibe o resultado do trabalho artístico de um verdadeiro exército de empregados ou dedicados a essa indústria nas Escolas de Samba. É uma empresa como as outras só não há empregadores e empregados, mas artistas e “patronos”, estes podem ser gente de bem ou gente do mal, inclusive traficantes.
O Carnaval no Brasil acontece nas ruas, nos clubes ou nos bailões. Difundido em todo Brasil desde a capital federal, as capitais estaduais, e em praticamente em todos os municípios. Em toda parte, o ponto alto do Carnaval é o desfile das Escolas de Samba. As escolas desfilam em carros alegóricos. Nestes devem constar uma Bandeira Oficial, carregada por uma Porta Bandeira e protegida por um Mestre Sala, figurantes com suas fantasias e adereços, um enredo fantasioso, ou abstrato, ou da história ou dos costumes populares, musicalmente ilustrados por um Samba de Enredo, de letra e música inéditas e complementadas por Alegorias, Passistas, Fantasias de Destaque, Ala de Baianas, tudo evoluindo em desfile ao ritmo de uma Bateria.
Se observarmos minimamente os diversos elementos constitutivos dos desfiles das Escolas de Samba, salta aos olhos a monotonia. As baterias e melodias são praticamente iguais em todos. Os enredos são pobres de conteúdo. Os movimentos da Porta Bandeira, das baianas e passistas são semelhantes em quase todas as escolas e desfiles. Mas o que faz, então, ser tão atraente o desfile? Com certeza são as fantasias, as alegorias e a arte dos carros alegóricos. Nesses enxergamos sim a arte popular e erudita se fundirem para proporcionarem ao desfile um espetáculo inaudito e o Carnaval se transformar num ato grandioso, atraindo expectadores de todas as partes. Para o Rio de Janeiro, mas para outras capitais também, acorrem turistas do mundo inteiro para assistir ao desfile das Escolas de Samba.
É tempo de Carnaval, um ADEUS À CARNE. Com certeza são os do salário mínimo que se despedem da carne, porque os da elite política, estão dando as BOAS VINDAS À CARNE. E que filés e picanhas!