sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

MÁRIO SOARES - UM GUARDIÃO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA. Selvino Antonio Malfatti.



 No dia 7 de janeiro de 2017 Portugal amanheceu de luto: falecera um grande estadista que marcou a segunda metade do século Vinte, Mário Soares. Nasceu em 1924 e 1917, o falecimento.
Foi cofundador do Partido Socialista (PS), após abandonar o Partido Comunista. Como membro deste partido exerceu por três vezes o mandato de primeiro-ministro, duas vezes Presidente da República Portuguesa e ministro nos quatro governos provisórios do Portugal redemocratizado e eurodeputado. Destacou-se também como escritor político como em “Portugal Amordaçado”.
Com ele Portugal inicia o caminho de adesão à comunidade europeia e subscreveu o Tratado de Adesão.
Sua vida política não foi só rosas. Teve seu período de amargor com a Revolução salazarista, instituindo o Estado Novo. Resistiu à ditadura do Estado Novo de Salazar e por isso foi diversas vezes preso. Experimentou o exílio na França e deportação para a África.
Com certeza o exílio em França, 1970, foi o momento marcante para sua vida política. Teve uma breve vivência como professor quando foi “charge de cours” nas universidades de Vincennes e Sorbonne e professor convidado da universidade da Alta Bretanha, recebendo o grau de Doutor Honoris Causa.
Ainda em França vai pedir apoio a sua luta política à Loja Maçônica “Le Grande Loge de France” e ingressa na maçonaria, mas mais tarde não se torna mais ativo permanecendo “adormecido”..
Com a queda da ditadura salazarista, após a Revolução de Abril, 1974, regressa a Portugal, no “Comboio da Liberdade”. Tornar-se-ia o grande líder da oposição democrática e presença marcante de atuação política.
Deposto o antigo regime os partidos políticos que atuavam na clandestinidade, foram legalizados, inclusive o partido comunista. Ao tornar-se ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares aproveita para fazer uma blindagem à democracia portuguesa estabelecendo alianças com outras democracias como França, Alemanha, Suécia, Áustria e outros. Neste contexto aproxima-se do representante dos Estados Unidos em Portugal.
No entanto o chefe do governo, General Spíndola, não conseguiu controlar a agitação da esquerda e renuncia, em 1974. O governo passa a ser controlado pelo Movimento das Forças Armadas, sob a inspiração do Partido Comunista. Iniciou-se um período de estatização de indústrias, bancos e ocupações de terras e de exilados políticos, inclusive para o Brasil. Com a vitória do partido de Mário Soares para a Assembleia Constituinte, em abril de 1975, ocorre a tentativa de golpe dos oficiais, mas fracassa o movimento. Era a Revolução dos Cravos.
Com isso finda também o período revolucionário e Portugal ingressa no rol dos países democráticos, graças em grande parte aos esforços e capacidade de Mário Soares ocupante de vários cargos políticos.
Foi primeiro-ministro de Portugal nos seguintes períodos:

I Governo Constitucional entre 1976 e 1977;
II Governo Constitucional em 1978;
IX Governo Constitucional entre 1983 e 1985.

Presidente da República 1986 a 1996 e de 1991 a 1996, num segundo mandato.

Não somente atuava na política interna de Portugal, como lançou na política internacional, mormente a europeia e África.