sexta-feira, 19 de maio de 2017

A pátria, a humanidade e a esperança. José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei.



O homem nasce ligado à uma terra e à humanidade. Ele tem esses dois vínculos. O primeiro é uma circunstância espaciotemporal e o segundo uma comunhão espiritual. Não se deixa de ser cidadão do mundo porque se nasceu num terminado território, mas a vida nesse país somente ganha densidade quando se comunica, pelas criações do seu espírito, à comunidade humana. Em outras palavras, o alcance das questões e realizações universais passa pelo fortalecimento das criações nacionais. É com o desenvolvimento das nações que a humanidade se consolida, pois cada povo tem seu papel, maior ou menor, na construção dessa história comum. Parece que foi o que Georg Hegel escreveu em sua Introdução à História da Filosofia (4ª ed., São Paulo, Nova cultural, 1988, p. 121): “A forma particular de uma filosofia é sincrônica com uma constituição particular do povo, onde ela aparece, com as suas instituições, com as suas formas de governo, com a sua moralidade, com a sua vida social, com as atitudes, hábitos e preferências, com as suas tentativas e produtos científicos, com sua religião, com seus êxitos militares, com todas as circunstâncias externas, (...) nos quais surge e se desenvolve um espírito mais alto”. Esse espírito mais elevado era, para Hegel, uma razão universal, ou melhor a cultura humana em toda sua expressão.
Nesse sentido, um nacionalismo radical e isolacionista como o defendido pelos partidos de extrema-direita em diversas nações ocidentais é exemplo de caminho a ser evitado. A Frente Nacional, que concorreu recentemente às eleições francesas com Marie Le Pen é um pobre projeto nacional, porque pensa a nação isolada dos outros povos. Esse partido proclama um nacionalismo fechado, com fronteiras bloqueadas aos produtos estrangeiros e ao próprio estrangeiro. Nesse sentido, essa direita não é liberal como se pensa, ela é antiliberal, mas o pior é que não se enxerga parte de uma humanidade comum.
Em contrapartida, não penso que se possa, pelo menos no atual momento da civilização, deixar de lado o cuidado com as coisas nacionais, especialmente com a produção espiritual e o progresso nacional. Se, como Hegel disse, o espírito universal (1988, p. 88): “se vai enriquecendo com novas contribuições à maneira do rio que engrossa o caudal à medida que se afasta da nascente”, o equilibrado crescimento mundial depende do desenvolvimento das nações. Assim, é triste quando as minorias de um país como o nosso se descomprometem de seu destino. Boa parte da nossa elite econômica, para garantir miserável e ilegalmente o próprio enriquecimento subornou a elite política. Essa por sua vez, ocupada com seus privilégios e cômodos da vida, descomprometeu-se do destino nacional. E o problema não é de uma única empresa ou de um único partido, está generalizado nessa imoralidade de 40 partidos e um patrimonialismo que associa ilegalmente altos funcionários aos ricos empresários.
E parte dessa elite que espolia, sonega, furta, corrompe e é corrompida, nos momentos de dificuldade corre à busca de lugares para onde fugir, lugares que hoje avalia bons porque não permitem que se faça o que aqui eles praticaram. Os últimos fatos da política nacional mostram um conluio de empresários, marqueteiros e políticos para assegurar o enriquecimento próprio à custa da sociedade e do seu progresso, ameaçando a felicidade coletiva, o progresso e a sobrevivência do povo.
Por que a inserção no mundo somente se fará pela sociedade a que legitimamente se pertence, entendo que somente contribuiremos verdadeiramente para o futuro da humanidade e para o nosso pessoal, trabalhando honestamente pela nação a que pertencemos.

José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

FRANÇA SÉJOUR , INGLATERRA EXIT. Selvino Antonio Malfatti.
















Se há dois países que não se bicam é Inglaterra e França. Admiro os ingleses nas ciências práticas, os franceses nas teóricas. Detesto a monotonia dos filmes ingleses, vibro com o raciocínio dos franceses. Detesto que os ingleses acolhem somente a quem se adapta a eles, admiro a abertura dos franceses. Admiro o humor inglês e detesto a secura francesa. Prezo a lisura francesa e abomino o portunismo ingles.
Tudo isso pelo Brexit da Inglaterra e o sèjour proposto por Emmanuel Macron. A União europeia foi uma conquista difícil, a qual a Inglaterra nunca aderiu de corpo e alma. Sempre com o pé atrás, a começar pela moeda. Aliás, sempre foi assim. A Europa introduziu o sistema métrico, a Inglaterra continuou com suas milhas. A Europa adotou mudou o sistema de pesos, a Inglaterra continua com polegada, pé, jarda etc. A Europa adota a medida de velocidade em quilômetros por hora, a Inglaterra usa nós e milhas. Sem falar na religião que a Europa tem como capital religiosa Roma, a Inglaterra Londres sua própria capital. A Inglaterra sempre tergiversou em relação à comunidade europeia.
Com efeito, o embrião da integração europeia começa se pode afirmar, em 1951 com o Tratado de Paris quando foi instituída a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço - a CECA. Assinaram este tratado Bélgica, França, Alemanha Federal, Itália, Luxemburgo e Holanda. Para a Assembleia da CECA, em setembro de 1952, os representantes designados pelos parlamentos de seus respectivos Estados, se dividiram em três grupos políticos: democratas cristãos, socialistas e liberais. Em Roma, em 1957, são assinados por França, Itália, República Federal da Alemanha, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo os tratados que dão origem a Comunidade Econômica Europeia, a qual dará vida, em 1958, ao Mercado Comum Europeu – MEC e à Comunidade Europeia para a Energia Atômica- EURATOM. Também para o Parlamento Europeu compareceram os representantes do parlamento de seus países, mantiveram sua divisão em grupos políticos. Com as primeiras eleições para o Parlamento europeu, a primeira ocorrida em 1979 e com de cinco em cinco anos, vão se definindo os quesitos para formação de um grupo político, bem como sua definição dentro do Parlamento. A Inglaterra começou ausenta, evoluiu para meio presente e finalmente se retirou.
Com a vitória de Emmanuel Macron, na eleição presidencial de abril/maio de 2017, no segundo turno, não somente tranquilizou a Europa como as esperanças de uma Europa unida se reacenderam. 
O final do pleito foi polarizado entre os que eram contra a globalização, a União Europeia e a Abertura, posição esta assumida pela candidata de direita, Marine Le Pen e Emmanel Macron, centrista, que se opunha a estas posições.  Já o representante socialista, Benoît Hamon, havia sido derrotado no primeiro turno.
Macron age e promete um governo liberal ao assinar o livre comércio da União Europeia e o Canadá. Afasta o protecionismo e defende uma Europa que proteja a globalização. Consta também como promessa de governo à implementação dos direitos sociais europeus que garantam padrões mínimos, como formação, saúde, saúde desemprego e salário mínimo. Na verdade, Macron se propõe a aprofundar o que já existe fazendo com que a União europeia funcione melhor, na opinião da cientista política Amandine Crespy, do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Livre de Bruxelas.

Ao que indica, Macron aceitou o desafio de a França ser o Carro-chefe da União Europeia.

sábado, 6 de maio de 2017

Novo capítulo sobre a ausência da moralidade pública. José Mauricio de Carvalho Academia de Letras de São João del-Rei












Não é difícil entender porque numa sociedade onde a moralidade não é bem debatida se desorganiza. Os costumes não são simplesmente ensinados, as pessoas precisam conhecer os motivos pelos quais existem. Sem isso pouco importa dizer que elas precisam agir moralmente, elas pensarão em seus benefícios imediatos. Não entenderão que seu benefício momentâneo significará prejuízo para todos, inclusive ela mesma no futuro. Sem se dar conta dos males, provavelmente continuará praticando os atalhos e arranjos do benefício espúrio. Além disso, mudam a vida e os costumes, os valores precisam se adaptar à nova realidade social. Isso é a atualização dos valores a que Miguel Reale denominava de invariantes axiológicos e não será admitida sem entendimento das razões.
Daí as críticas que fiz à reforma de ensino porque, entre outras simplificações, ao retirar a disciplina Filosofia do currículo obrigatório, tirou dos jovens a oportunidade de discutir, de forma qualificada, os costumes e seus fundamentos. A questão, porém, não se resume a isso, não parece possível ensinar ciência dissociada da tradição humanística do ocidente sob pena de nos afastarmos dos valores da cultura, do mesmo modo que não se pode ensinar humanidades separadas da ciência moderna. E essa terá esse problema, apesar da propaganda simplória e cara na qual o governo gasta mal o dinheiro da sociedade. Essas coisas pioram quando se leva para o Ministério da Educação alguém que não é professor e não conhece a atividade pedagógica. Já tivemos outros exemplos de políticos ou economistas na pasta da educação, como o famigerado Paulo Renato de Souza, que mesmo mistificado pela mídia paga, não deixou um único trabalho sobre o ato e o significado de ensinar e, depois de sua morte, ocorrida há alguns anos, não houve um único estudo sério sobre suas ideias pedagógicas, concordássemos ou não com elas. É um desastre para um povo quando suas elites, no caso a política, se comporta desse modo. E não parece que a nossa elite econômica seja melhor que ela.
Porém, nossa atenção está voltada para a Previdência, que ocupará o noticiário nacional nas próximas semanas. Não há dúvida que ela é necessária porque a população brasileira está envelhecendo e esse é um problema comum de vários países. Todos os países mais desenvolvidos, cuja pirâmide etária tem as características que a nossa pirâmide terá em poucos anos, têm aposentadoria prevista para depois dos sessenta anos. Porém, esse é um assunto duro, difícil, sua condução precisa ser feita por um governo capaz de olhar os olhos da sociedade e dizer, assim precisa ser feito por tais motivos. E a sociedade acredita por que seus políticos são austeros (econômicos), não desviam dinheiro do Estado, não se envolvem em corrupção (são honestos), não se enriquecem ilicitamente. A sociedade acredita porque sua elite econômica não deve nada aos institutos de Previdência (ela não vive no luxo às custas do sacrifício dos mais pobres) e, portanto, o modelo previdenciário precisa mudar porque não se sustenta. O povo acredita nesses líderes porque sente que eles pensam no povo, pensa seu futuro, pensa sua posição no mundo e lhe diz a verdade (veracidade). Se a mudança, que precisa ser feita, vem de um grupo sem os valores necessários para cobrar sacrifícios, receberá do povo o repúdio e a recusa. Se esse povo precisa pagar dois estádios de futebol para ter um, duas estradas para ter uma, duas hidroelétricas para ter uma, a falta de legitimidade moral desse governo que sobrevive nesse estado de coisas, se torna o obstáculo para organizar o Estado, as contas públicas e definir o futuro desse povo. Política é futuro, política é administrar interesses, política é gerir com eficiência. Nada virá sem respeito a princípios morais que hoje em dia temos como essenciais para o funcionamento da vida pública.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

VULNERÁVEL – QUEM? Selvino Antonio Malfatti.


Etimologicamente vulnerável provém de “vulnus”, ferida. Seu antônimo é “habilitas”, habilidade. O vulnerável é todo o que pode ser ferido, ofendido, atacado e que não tenha capacidade de defender-se. Já o seu antônimo, a habilidade, significa a capacidade de fazer algo e também saber se defender. Como a vulnerabilidade é um conceito amplo que  pode ser atribuído a diversas situações.
Transferindo para o social a vulnerabilidade pode atingir pessoas individuais (físicas ou jurídicas) ou grupos sociais, neste caso somente como grupos. Diante de um perigo o vulnerável não tem a habilidade de prevenir, resistir ou livrar-se das agressões.
Vulnerável pode ser uma classe, um grupo dentro da mesma classe, uma etnia. Basicamente são pessoas prestes ou facilmente atingíveis por algum risco. Vejamos alguns exemplos: no momento em que começou a discriminação contra os judeus na Alemanha, estes se tornaram vulneráveis. Uma determinada classe que conseguiu seu status graças à exploração de determinado bem, como a mineração, e este bem começa a escassear, esta se torna vulnerável. Ou um grupo dentro de uma classe que subiu, mas não tem estabilidade, como plantadores de fumo, também são vulneráveis.
A vulnerabilidade não somente ocorre com a situação econômica, embora seja mais comum. Ela pode dar-se na política, como ideologias, economia, como estratos, demografia, como a velhice, confessional, como religião, cultural, como língua e assim por diante. Por isso, a vulnerabilidade não é unívoca, mas análogo.
Toda vez que um grupo se encontrar prestes a ser excluído entra na condição de vulnerabilidade. Em economia as principais características que cercam os vulneráveis são as condições precárias de moradia, os meios de subsistência como empregos, precária situação familiar. Na política quando sistematicamente determinado grupo é excluído de participar ou perseguido ou mesmo exterminado, ou mesmo reserva de acesso a bens exclusivamente para seus membros. Em religião quando uma se torna hegemônica e vai excluído as demais. Nos empregos públicos, na participação cultural, no acesso aos bens entre outras sempre que uns marginalizam outros há vulnerabilidade. Por isso toda vez que indivíduos forem privados de determinados direitos e exigidos somente deveres em favor de outros, caem em situação de vulnerabilidade. Vulnerabilidade e fragilidade estão intimamente associadas. Alguém se tornou vulnerável por que está fraco: físico, psicológico, cultural, político e econômico.
A vulnerabilidade está vinculada à desigualdade social. Se alguém é frágil é por que, em comparação com outros, está numa condição inferior e, portanto, é um desigual dentro da sociedade, na condição de mais fraco.
Vulnerabilidade social não significa pobreza, mas sim uma condição que remete à fragilidade da situação socioeconômica de determinado grupo ou indivíduo. Alguém pode ser pobre, mas se respeitado, não é um vulnerável. Alguém ou grupo embora rico pode cair na vulnerabilidade. Os judeus da Alemanha nazista eram ricos, mas tornaram-se vulneráveis.
Pergunta-se atualmente qual o grupo social mais vulnerável? Evidentemente que pouca probabilidade há de serem os abastados, pois eles têm seus poderes e habilidades para se defenderem. Os pobres? Estes são frágeis e por isso já vulnerados. Os de classe média? Alguns deles, somente. Os que possuem estabilidade econômica, profissionais liberais já estáveis no mercado, funcionários públicos em cargos superiores, profissionais da livre iniciativa com mercado garantido, estes não são atingíveis a não ser excecionalmente. Os vulneráveis atualmente estão na classe média dos emergentes, recém-chegados ao status, os quais, havendo qualquer variação no mercado, cairão novamente no status de pobreza.
O critério para sair da linha de pobreza é o consumo das pessoas e o acesso aos bens básicos e essenciais. Os grupos vulneráveis são os que, por qualquer variação estão prestes a perder estes bens.
Uma hipótese atual de parâmetro é estabelecida pelo Banco Mundial, para o qual a classe média da América Latina está em situação de vulnerabilidade. Nos últimos anos a distribuição de renda melhorou e se beneficiou dos bons preços das matérias primas e de uma série de políticas sociais. Na América Latina o percentual de pobres caiu pela metade e a classe média cresceu cinquenta por cento. Como a nova classe média pode se tornar vulnerável? Basta extinguir-se o que os levou até lá.
Com efeito, assiste-se a uma desaceleração na economia – caiu 0,7% em 2015 e somente subiu 0,1% em 2916. Com isso, paira o perigo sobre a nova classe média da América Latina. Estes são economicamente os vulneráveis da atualidade.




sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os maus caminhos da política brasileira. José Mauricio de Carvalho - Academia de Letras de São João del-Rei



A atividade política é funda-mental para qualquer povo. Sem ela dificilmente um povo consegue desenhar um futuro, quer porque não formula metas e estratégias para alcançá-lo, quer porque não consegue resolver, com qualidade, os inevitáveis conflitos internos da vida diária. Um povo precisa, portanto, dessas duas ações: um desenho de futuro e solução para os inevitáveis conflitos internos de interesse. Quando a atividade política falha, perdem-se esses dois eixos estruturadores da vida nacional.
As delações da Odebrecht, parte de um processo de desmascaramento do jogo político em vigor, explicitam o desastre nacional. Um desastre não simplesmente porque mostrou a fraude do atual jogo político, onde o grande capital financia quem deseja colocar no poder para favorecer seus interesses imediatos. Um desastre não só porque todos os acusados sejam culpados sem direito a defesa, todos poderão se defender e provavelmente alguns se salvarão, mas o que está claro é que o jogo político inteiro está sendo continuamente fraudado pelo caixa dois e pela corrupção explícita.
As delações da Odebrecht escancararam o óbvio. Nenhum empresário financia campanha política a não ser com o duplo propósito de se colocar fora das regras de mercado e ganhar condição privilegiada nas negociatas com políticos guindados, imoral e ilegalmente, aos altos cargos do Estado. Esses políticos transformaram nossas Estatais em meios de arrecadação eleitoral. Sim, as empresas do Estado foram apropriadas pelos partidos políticos e se transformaram em instrumento de captação de recursos ilícitos, destinados a financiar campanhas caríssimas e a custear uma vida de luxo. E o preço para financiar essas coisas, marqueteiros pagos a preço de ouro e a compra da mídia é o dinheiro da sociedade. Essa trabalha cada vez mais e vê cada vez menos o resultado de seus esforços. Pagam-se duas estradas e se constrói uma, compram-se duas pontes e se tem uma, compram-se dois hospitais e se recebe um, financiam-se duas escolas e se recebe uma. Ficou claro, para quem a Lava Jato, que boa parte do péssimo serviço oferecido pelo Estado Brasileiro decorre desse esquema criminoso e bandido que sangra as finanças públicas e destrói o legítimo jogo do mercado.
As delações da Odebrecht são um desastre não apenas porque mostraram que o real motivo da existência de 40 partidos sem expressão ideológica, sem representação real é alimentar um jogo político corrupto, destinado a oferecer vantagens a líderes partidários, a afetar a disputa pelo poder e vender a governabilidade do Estado. Enfim, estamos assistindo um esquema que destrói a democracia liberal no que ela tem de fundamental, a liberdade política com regras claras e partidos políticos ideologicamente comprometidos e a liberdade de mercado controlada pelas leis do Estado.
De tudo isso a esperança de que essa geração de políticos seja afastada da vida pública, presa e devolva o dinheiro que desviou do Estado. Que os empresários envolvidos na roubalheira, seus sócios na expropriação do Estado e da Sociedade, capitalistas de mentirinha, mudem suas práticas. Eis a fórmula que criaram para destruir nosso país e a acabar com seu futuro: capitalismo sem regras e respeito ao mercado, Estado sem governança, parlamento incapaz de solucionar os legítimos conflitos da sociedade, partidos sem representatividade, judiciário perdido e povo perplexo, fechado no individualismo do salve-se quem puder e apavorado com a violência das ruas.
Talvez disso tudo surja um novo sistema de representação política, um novo quadro partidário, uma outra geração de políticos e um capitalismo diferente do que esse que sobrevive de discursos falsos de riscos inexistentes e da exploração do Estado. Se a sociedade conseguir se livrar dessas pragas talvez haja futuro. Sem educar as massas que hoje vivem com baixíssima escolaridade, sem reduzir a brutal diferença econômica das camadas sociais, sem romper a reprodução da miséria, sem um projeto de nação que nasça de todo o povo não conseguiremos ir longe. Vamos continuar a nos arrastar nessa parte meridional da América, em meio a ditaduras sanguinárias, estado patrimonial, idealismo jurídico, política sem representação, baixa escolarização e pouco respeito às normas morais.

sábado, 15 de abril de 2017

" RESSUSCITEI, COMO DISSE."





" 1. No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. 
2. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. 
3. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 
4. Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. 
5. Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? 
6. Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galiléia: 
7. O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia. 
8. Então elas se lembraram das palavras de Jesus. 
9. Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais. 
10. Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa. 
11. Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito. 
12. Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera. 
13. Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. 
14. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. 
15. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. 
16. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram. 
17. Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes? 
18. Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias? 
19. Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. 
20. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 
21. Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam. 
22. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; 
23. e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo. 
24. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram. 
25. Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! 
26. Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória? 
27. E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras. 
28. Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. 
29. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles. 
30. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. 

31. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu."
São Lucas, 24

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O CASTIGO DA CRUCIFIÇÃO ENTRE OS ANTIGOS. Selvino Antonio Malfatti.



O castigo da crucificação foi o mais cruel dos métodos usados para execução dos condenados, aplicada a criminosos condenados por atos atrozes como assassinatos, furto grave, traição e rebelião. Era aplicada a escravos e não a romanos. Veio do oriente para o ocidente. Foi usada pelos gregos, cartagineses e romanos.
Antes do suplício o condenado era torturado com pontapés, socos, cusparadas e golpes em todo corpo. Depois a vítima era pendurada com pregos em um lenho. Os pregos perfuravam as duas mãos e os pés. O peso abdominal forçava as pernas que não aguentavam o peso da parte superior provocando morte por asfixia. Para abreviar o suplício às vezes os executores quebravam as pernas, Vejamos como Mateus descreve a crucificação de Jesus.
"Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar. 
Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus. 
Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio.  
Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber. 
Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte (Sl 21,19). 
Sentaram-se e montaram guarda. 
Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus. 
Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. 
Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: 
Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz! 
Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele: 
Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! 
Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus! 
E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam. 
Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas. 
Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? 
A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias. 
Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. 
Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo. 
Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma."

Sao-Mateus/27/