sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PAI- Selvino Antonio Malfatti


Qual o pai que ainda não se emociona ao saber que iria ser pai? Abraça e beija a esposa, conta para os amigos, ri sozinho. Enxerga-se com o filho nos braços, de mãos dadas com ele, conversando, brincando...
Relembra quantas madrugadas acordado, altas horas de noite, indo à farmácia para comprar uma chupeta... procurando um médico para o filho, cochilando sentado ao lado do berço, de minuto em minuto pondo a mão na testa, para ver se a febre baixava...
Que alegria! Já estava na idade de ir para o colégio, notas baixas, chamadas, temas uniforme, livros, cadernos, iniciação religiosa. Que loucura! Passou. Fim da infância. Adolescência. Agitação, amigos, festas, brigas, perigo constante, chave do carro, onde guardar? Madrugadas adentro esperando chegar. Só depois, conseguia dormir. Jovem, faculdade, depois emprego, namoro...
Pelas pinceladas a cima se vislumbra a missão de um pai na condução do filho à maturidade da vida. Ele paulatinamente insere este novo ser humano nas diversas dimensões da vida: familiar, escolar, cultural, profissional, religiosa e assim por diante. Na família, com mãe e irmãos. Há toda uma adaptação de idades, gênios, preferências e mesmo de sexo. Não é o mesmo tratar com um irmão ou com uma irmã. Pai ou mãe, amigos ou amigas. Com irmão mais velho ou mais novo. Introvertido ou extrovertido. Cada um é único e como tal deve ser considerado.
O grupo de amigos, quem são? O que gostam e fazem? Onde se divertem e quais as preferências. Através dos amigos o filho vai se expandindo, se desprendendo do grupo familiar para inserir-se na sociedade. É questão vital acertar neste momento. Qualquer erro pode levar ao desastre todo o esforço noutros setores.
As diversas etapas da vida do filho: criança, adolescente, jovem e adulto. Como lidar com cada idade, quais os desafios, problemas, anseios?....E quando começa uma fase ou quando termina outra? Um desastre tratar um jovem como criança ou uma criança como jovem. Além disso, cada sexo tem progressões diferentes.
A inserção cultural é outro problema que todo pai enfrentará com dúvidas. Qual o melhor colégio? Público, privado? Por quê? Além disso, deverá levar em conta a preferência do filho. Um está mais à vontade num colégio público e por isso aproveita mais. Outro em privado e conseqüentemente seu rendimento será melhor.
A questão profissional é crucial. O que é melhor para o filho? O pior é que muitas vezes se pensa que algo é bom, mas não é do agrado do filho e o contrário acontece. Pensa-se que o filho não gosta de algo e é isto que quer.
E a dimensão religiosa? Como fazer? O que fazer? Ou não fazer? São dúvidas realmente existenciais que afetam o ser e o agir de cada pai.
E no aprendizado econômico? Fazer conciliar a honestidade pessoal com a habilidade econômica? É preciso ensinar que se deve agir corretamente, mas fazê-lo perceber as ciladas que o espreita e saber se livrar delas. É a lição bíblica: sede simples como as pombas, mas espertos como as serpentes. Ou em termos laicos, usar a força do leão e a esperteza da raposa.
Ser pai, penso que um pouco é isto. Sinto que a figura do pai está em baixa. Basta ver a propaganda comercial. Não chega nem aos pés de outros eventos afins...Por que? Não sei. Soube recentemente de uma escola que aboliu a Comemoração do Dia dos Pais...alegando que pai é um conceito autoritário, dominador e anacrônico. Será? Ou talvez justamente esteja faltando mais presença do pai, mesmo sem a palmadinha?!!!