quinta-feira, 9 de junho de 2022

RELAÇÕES ENTRE PESSOAS X OU ALGORITMOS. Selvino Antonio Malfatti

 



Quem já não teve a experiência de ligar para um número de telefone e obter como reposta: “não entendi sua pergunta”, “favor repetir sua pergunta”, “refaça sua questão” ou outras. É aí que você se dá conta de que não está falando com alguém, mas com uma máquina que só aceita perguntas, respostas e questões programadas. E neste caso ou você desiste do que quer, ou aceita o que máquina quer. O pior que estas situações vão se acumulando até provocarem implosão de desejos sufocados e não realizados.

Se perguntarmos em que se baseia a convivência social a própria população responde: liberdade individual, generosidade, honestidade dos governos, sensação de bem estar coletivo e iniciativa privada.

Em sociologia há uma figura social que reflete a situação de um desejo esperado e que resultou no seu contrário. Quando, por exemplo, há uma expectativa de que uma camada social se abra e o desfecho é o contrário. É o caso paradigmático da globalização e digitalização em relação aos jovens. Em vez da esperada abertura ocorreu o enclausuramento.

 

A que se atribui? Os sociólogos italianos, Chiara Giaccardi e Mauro Magatti em “Supersocietà” (Mulino) chamam a atenção para as consequências da dicotomia entre o mundo real e o mundo do algoritmo.  Nos jovens a consequência: ansiedade e competitividade. Como reação contrária extrema ocorre a renúncia à vida e a vivência de um mundo paralelo. Se a sociedade não garante um espaço individual então, como ato de desespero, atiram-se nos braços da totalidade perdendo a liberdade, mas garantindo a sobrevivência na obscuridade do anonimato. É o mundo do abulismo e ausência de ideal

Por sua vez, a consequência da globalização se faz sentir na esfera política através do depauperamento das instituições locais que garantiam a absorção destas camadas, mas que agora as afastam deixando-as soltas no espaço social. Como consequência o populismo e com ele a morte da democracia que absorvia as camadas intermediárias. Não só nas grandes questões políticas como a eleição dos governantes nacionais, mas a garantia da participação e envolvimento com a comunidade local, com as câmaras de vereadores, clubes, igrejas, sindicatos, cargos públicos. Além das já consagradas instituições a cada dia vão surgindo novas organizações as “noéticas” como objetivo de absorver cidadãos “soltos” no espaço social, garantindo um nome ao cidadão e inseri-lo no tecido social com sua liberdade individual.

A digitalização pode tornar anônimo o cidadão que se trocou por um número, letra ou senha. Estas cada vez mais numerosas e abrangentes. Há senhas para contas e para cada uma delas individualmente. Estendem-se aos bancos, associações, convênios, aparelhos eletrônicos, computadores, celulares (para cada função uma senha).  Em qualquer atividade que se exerce há uma senha no mínimo. Os indivíduos no emaranhado da digitalização são apenas símbolos que agem e querem através de símbolos mudos e frios.

Neste ambiente como poderão ser possíveis relações humanas em vez de relações de algoritmos?

O ser humano se sente decepcionado, frustrado, traído quando descobre que está se relacionando com uma máquina e não um humano. A máquina se comunica através de números e códigos e os humanos através de ideias e valores. Será possível estabelecer comunicação entre ambos? Até o momento não. Neste caso teremos que nos render aos números abandonando as ideias e valores?

Teremos que viver como zumbis, camuflados de humanos, mas com identidade de fantasmas? Haverá uma superposição de dois mundos? O virtual verdadeiro e o verdadeiro apenas virtual?


sexta-feira, 3 de junho de 2022

O IMPASSE ENTRE UCRÂNIA E RÚSSIA. Selvino Antonio Malfatti.

 



A guerra entre estes dois países entrou numa fase de impasse. A Rússia, com Vladimir Putin quer festejar vitória e Ucrânia, com Volodymyr Olexandrovytch Zelensky quer mostrar que não foi derrotada. Ao que transparece a Rússia perdeu o elã e Ucrânia se limita a se defender. O desfecho pode ser uma nova Guerra Fria.

A guerra entre Rússia e Ucrânia é um caso típico de um confronto entre nações democráticas e autocráticas. Para interpretar tal fenômeno buscamos inspiração no especialista em relações internacionais, o americano Michael W. Doyle, professor da universidade Columbia, à New York, em seu trabalho de “Liberal Peace”. Conforme ele países democráticas desenvolvem relações amigáveis, enquanto países de outros regimes mantêm relações hostis entre si. Para sustentar tal tese Doyle vale-se de Kant, na sua obra: “Paz Perpétua”.

Com efeito, Kant evidenciou que numa paz completa, ambas as partes não devem esconder nada, isto é, elementos para com vistas a uma guerra futura. Nos regimes democráticos a transparência é necessária enquanto que os regimes autoritários pode haver subterfúgios. Na democracia todas as medidas públicas devem passar pela imprensa, poder legislativo e judiciário. Nos regimes autocráticos prevalece exclusivamente a vontade do governo. Por isso, o princípio da transparência deve transparecer em todo o acordo e no todo do acordo.

Com efeito, o liberalismo se destacou em criar um ambiente de paz e confiança entre os estados igualmente liberais. À medida que o princípio da transparência prevalece sobre demais alternativas, ao mesmo tempo confirma uma mútua confiança entre estados. E antes que emerja a beligerância são feitas as negociações e os acordos entre as partes.

Não é de todo afastada a possibilidade de uma nova Guerra Fria. A primeira se caracterizou por todo tipo de hostilidades. Mas a pergunta: como convencer Putin e Xi Jinping para sentar à mesa estabelecer uma paz vantajosa para todos: Ucrânia, Rússia, China? Parece que até o momento não se vislumbram perspectivas. Claro que isto está intimamente ligado ao regime: de um lado uma democracia, Ucrãnia e de outro uma autocracia, a Rússia.

A democracia é um regime aberto, no qual a sociedade tem instrumentos de controle do poder: o poder legislativo, judiciário, as instituições e a liberdade de imprensa.

O governo soviético apoiado a ideologia, com política consciente, fundamentada num programa definido e dogmático, propõe-se modificar a sociedade de acordo com seus objetivos. O Partido, por sua vez, é o encarregado da preservação da pureza ideológica. Para tanto perpassa toda sociedade e no caso russo a própria consciência individual. Evidentemente para chegar a tal grau um longo caminho de traição, massacres e terror foram percorridos. A diferença de natureza e não apenas de grau com outros totalitarismos está precisamente no domínio das consciências. Os indivíduos foram de tal sorte pulverizados que necessariamente se sentem atraídos para o todo, e querem cair-lhe nos braços, porque de si próprios já não resta mais nada. A vertigem do todo envolve a todos na crença de que somente nele pode haver salvação. A alternativa de estar contra o regime produz a sensação de estar contra o todo e a favor do nada, ja que de si não tem mais nada.

No confronto bélico a Ucrânia levba desvantagem estratégicva e decisória. Qualquer decisão deve passar pelos órgãos competentes como parlamentio, judiciário, opinião pública.. KIsto leva tempo e as decisões são públicas, Qnquan to na Rússia a Duma apenas referenda, da mesma forma que o judiciário. No fundo é o secretário do partido que tem todo poder, como é o caso de Putin. 

 

 


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Memória. José Mauricio de Carvalho

 


                             Memoria- Nascimernto do Brasil


 

A Constituição Federal no seu artigo 30 diz que: “compete aos municípios promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e ação fiscalizadora federal e estadual.” Compete também porque a União e os estados da federação igualmente precisam proteger os bens reconhecidos como de valor histórico-cultural. Por isso, a Constituição do Estado de Minas Gerais no seu artigo 166 determina que fará e que também cabe aos municípios: “estimular e difundir o ensino e a cultura e a proteger o patrimônio cultural e histórico e o meio ambiente e combater a poluição.”

Todo esse cuidado dos constituintes com a memória tem explicação. Ela é um marco fundamental da cultura, essencial na identidade de uma pessoa e de uma sociedade. Sem memória uma pessoa não tem identidade e um povo não se reconhece. Por isso, os povos cuidam de preservar suas memórias e isso é fundamental, mesmo que alguns não enxerguem isso.

Numa cultura, a memória é armazenada de múltiplas formas. Filósofos, historiadores e outros estudiosos consideram a recepção dos conhecimentos dos antepassados, como escreveu o filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser nas Ficções filosóficas (p. 130): o “lugar que liberta dos erros provocados pelas meras aparências.” A preservação da informação é fundamental para todos os povos, e desde que a escrita se desenvolveu tornou-se um meio nuclear de registro dos fatos. Mas esse registro é insuficiente. Os judeus cuidam com carinho da memória oral porque ela é lugar da imortalidade, quem permanece vivo nas histórias narradas torna-se imortal. Os psicólogos, por sua vez, referem-se à memória como base das intervenções libertadoras é necessário lembrar do que nos faz mal para nos livrar dos seus efeitos. Sem a memória, acrescentam, não sabemos quem somos. Na cibernética memória é o lugar de armazenar informações.

Os diferentes campos da cultura mostram que a rememoração dos fatos é fundamental para o homem, para mostrar quem ele é e para abrir os caminhos do futuro. Por isso, tornou-se essencial guardar e reproduzir informações. Sem o adequado armazenamento o registro se perde e isso é indesejável para todas as culturas. E, a experiência vai mostrando que o registro da memória se faz em códigos de escrita e em códigos cibernéticos, mas também por outras formas. Flusser na obra Bodenlos: uma autobiografia filosófica observou que quando se emigra até os alimentos que se tinha na terra natal ganham destaque na recordação e o vocábulo que melhor qualifica a lembrança daqueles cheiros e gostos é (p. 298): “a palavra portuguesa saudade.”

Os primeiros grupos humanos guardavam suas informações em objetos, mas era pouco. Então construíram os monumentos, mas eles também não armazenavam o suficiente. Foi o que levou os povos a preservarem suas cidades emblemáticas e nas demais cidades o núcleo primitivo que deu início e identidade à povoação.

E estamos assim, apesar das dificuldades que isso implica, obrigados pelo significado a preservar aquilo que nos identifica como nação em nossas cidades, regiões ou estado nacional. Enfim, a preservar os bens materiais e imateriais que nos fornecem identidade e nos dizem quem somos para projetarmos o que seremos. Deles, o mais visível são os monumentos e conjunto arquitetônico que identificam uma povoação.

 

 

sexta-feira, 20 de maio de 2022

MARIA MONTESSORI- A CRIANÇA E O PROFESSOR e CECÍLIA MEIRELES- CRIANÇA E O ADULTO . Selvino Antonio Malfatti.

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Maria Montessori, uma das primeiras mulheres formada em medicina na Itália. Cecília Meireles pioneira na literatura, Brasil.

Pelos fortes traços de aproximação pode-se estabelecer um paralelo entre as duas educadoras: Maria Montessori e Cecília Meireles, uma brasileira, Cecília Meireles e outra italiana, Maria Montessori marcaram presença na educação na Década de Trinta, cada uma a seu modo.

Maria Montessori por ocasião dos setenta anos de sua morte  6 de maio, os educadores do mundo todo se voltam para o método educacional desenvolvido por ela.

Formada em medicina pela universidade de Roma foi uma mulher pioneira como médica na Itália. Consagrou-se como pedagoga científica pelo seu método o qual consiste relacionar o desenvolvimento biológico e mental através do treinamento dos movimentos musculares que são exigidos no cumprimento das tarefas. Isto ela chamou de desenvolvimento integral da criança.

Começou então sua projeção mundial como educadora.  Ela Ministrou cursos em diversos estados norte-americanos, Espanha, Índia, Holanda entre outros.

 

Montessori faleceu na Holanda em 6 de maio de 1952.

Cecília Meireles, por sua vez, (1901-1964) é uma educadora brasileira. Nasceu no estado do Rio de Janeiro. Em vida o torvelinho político envolveu Cecília. Em 1930, estoura a Revolução da Aliança Liberal cujo comando estava a cargo de Getúlio Vargas. Em 1932, deflagra a Revolução Paulista contra Vargas e o constitucionalismo. Nova Constituição de 1934 e o Golpe de Estado de 1937. No período ocorre o tenentismo, a intentona comunista, Ação Integralista e outros.

Cecília faleceu no Rio de Janeiro, em nove de novembro de 1964.

Ambas:

1.     Viveram em regimes ditatoriais: Cecília com Getúlio e Montessori com Mussolini

2. Tiveram grande presença educativa na década de Trinta.

 3. Ambas tiveram relação inicial amigável com os ditadores e depois romperam.

 4. Propuseram uma nova concepção na educação. Cecília uma escola nova e leiga e Montessori uma educação livre e novo método.

 5. Dedicaram-se de modo especial às crianças.

 6. Foram liberais.

 

MARIA MONTESSORI - educação das crianças:

Na essência a proposta de Montessori é de Rousseau. “...o filho ensina a mãe”.  Para ela, diferente da orientação tradicional, a criança deve ter uma orientação para se tornar autônoma e não submissa. Diferente de obediência irrestrita que acata ordens, a autonomia sabe acatar as ordens, mas sabe também ser autônomo. Por isso que a autora propõe que nunca se deve impedir uma criança de fazer o que quer só por ser pequena. Por ser pequena não deve impedi-la de tentar fazer o que tem em mente. No mundo as crianças estão viajando num meio de transporte e os adultos são seus guias.

CECÍLIA MEIRELES e a educação Infantil:

O que os livros de literatura infantil deveriam abrigar em seu bojo? Primeiramente deveriam ser livros agradáveis às crianças, o que elas demonstrassem prazer em ler. Por isso, não se deveria estabelecer a divisão de “literatura infantil”, para crianças, mas literatura das crianças, isto é, o que elas optaram para si. Desse modo, não seria uma literatura “a priori” feita por adultos, mas literatura infantil “a posteriori”, feita pelas crianças.

Outro aspecto a respeito do conteúdo da literatura infantil refere-se ao conteúdo espiritual dos livros. Para Cecília o ponto de partida sempre deve ser a criança para a criança e não o adulto para a criança. Os conteúdos científicos, literários e morais devem merecer o atrativo das crianças, antes dos educadores. Evidentemente o adulto colocaria ao alcance das crianças um universo de obras-primas e as crianças escolheriam o que lhes agradasse. Certamente não se deveria deixar totalmente ao critério das crianças, isto é, leva-las a uma biblioteca e escolhessem o que bem quisessem. O educador escolheria as melhores obras e destas a criança escolheria.

 

 

 

sexta-feira, 13 de maio de 2022

O racismo, mexendo no alicerce. José Mauricio de Carvalho

 




Karl Jaspers foi genial, desses gênios que conseguem se tornar referência mundial em dois campos diferentes do conhecimento. Ele o foi como médico psiquiatra e como filósofo. E viveu em dias extremamente duros, tempo da emergência da extrema direita na Alemanha, na década de 30 do século passado e da redução do pensamento científico ao materialismo positivista, herdado do século XIX. Isso o levou a enfrentar tanto o cientificismo redutor quanto o pensamento político torpe. E interpreto como torpe toda forma de radicalismo político inimigo da liberdade, do estado de direito e da democracia. Creio que não é preciso muita inteligência para entender isso. Vilém Flusser, o filósofo tcheco que viveu no Brasil mais de três décadas, enxergou na teatralidade nacionalista-racista, que ele assistiu no nazi-fascismo, o êxtase orgiástico das grandes manifestações e a inautenticidade dos sentimentos expressões semelhantes à histeria. Quanto a sua dimensão filosófica, esse nacionalismo-racista dos nazi fascistas, como é o pensamento político da extrema direita, ele escreveu em Ser judeu (2014, p. 222): “é subumanamente cretino. Como articulação existencial, é covarde e nojento.”

Voltando a Jaspers, o filósofo elaborou, na última etapa de sua vida uma filosofia da existência pautada na liberdade responsável. Ali a compreensão de liberdade vinha amparada e limitada, no âmbito político pelas leis do país. No que se referia ao positivismo materialista, a liberdade se sustentava no reconhecimento do espírito e nas suas exigências na construção de uma crítica da ciência. Uma síntese desse programa de vida ele propôs em sua Introdução ao pensamento filosófico (1993, p. 92): “Em 1931, no meu livro Situação espiritual de nosso tempo deixei dito que o marxismo, a psicanálise e o racismo (nazismo), (portanto em termos mais gerais, a sociologia, a psicologia e a antropologia biológica) são – desde o momento em que perdem o caráter científico para se tornarem concepções do mundo – os três grandes adversários espirituais do homem de nossa época. Contra eles só podemos defender-nos recorrendo à filosofia, atividade a que todo homem se entrega mas que se esclarece pelo trabalho dos filósofos, que a explicitam e sistematizam.”

Jaspers não falou sozinho da sociedade que via. Outros pensadores, filósofos e cientistas descreveram a sociedade de então. Em síntese, pode-se dizer: Ortega y Gasset tratou de uma sociedade que funciona como massas, Sartre de uma sociedade desocupada da liberdade existencial, Martin Buber e de uma sociedade que perdeu suas crenças, valores e religiosidade, Flusser de uma sociedade em crise de cultura, Bauman de uma sociedade líquida onde não há solidez nas relações pessoais e institucionais, e tantos outros que descreveram o que viam se passar. O resumo de tudo é o surgimento de uma sociedade de massas, uma sociedade pouco reflexiva, que deixou de admirar os pensadores, perdeu vergonha da ignorância, desgostou-se da democracia e queria um líder carismático que dirigisse a vida: um füher, um duce, um condutor, um mito.

O crescimento das manifestações racistas, homofóbicas, excludentes, antidemocráticas, fundamentalista, etc. não são fenômenos isolados ou fruto de algo estrutural na sociedade brasileiro que agora, do nada, emergiu. É fenômeno amplo e complexo fruto de um movimento amplo do ocidente. O nacionalismo-racista reapareceu no mundo em diferentes países depois que a Guerra Fria acabou e deu origem a conflitos setoriais, favorecendo o reaparecimento dos movimentos radicais da extrema direita. Trata-se de fenômeno contaminante, que vai se espalhando.

Para esses dias também contribuiu a destruição do humanismo, a desvalorização da razão ou a antirracionalidade, que esse tempo acirrou. Isso porque todos os filósofos que examinaram a cultura e sua crise no século passado já descreviam quase tudo que estamos vendo acontecer nesses nossos dias. O enfrentamento do racismo e todas as formas de antihumanismo deverá ocorrer com ações na justiça, mas somente se tornará efetivo se conseguirmos retomar a tradição judaico-cristã e do humanismo republicano de que todos os homens são irmãos diante de Deus e/ou membros de uma humanidade comum, ainda que singulares em sua história e sentido existencial.

 

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