sexta-feira, 8 de abril de 2011

MST- INÍCIO DO FIM? Selvino Antonio Malfatti




Está sendo veiculado no Brasil que o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra diminui tanto em acampamentos como em número de membros. No primeiro governo Lula havia 285 acampamentos e em 2009 caiu para 36. E continua encolhendo. Quanto aos participantes, caíram de quase meio milhão para menos de 100.000. Até mesmo os coordenadores estão com dificuldade de reunir pessoal para invadir, como aconteceu com Luciano de Lima que conseguiu somente 27 pessoas para invadir uma área da FERROBAN.

Várias causas são apontadas para este estado. Primeiramente, dentro do próprio movimento. A reforma agrária foi entregue ao um partido político. Ora, sabemos que não se pode misturar questões técnicas com questões ideológicas. Entregar o que é técnico – reforma agrária – ao ideológico – partido político, este vai necessariamente engolir o primeiro, isto é, não sairá reforma agrária apenas se fará política. E o agravante é que foi entregue à ala mais radical do partido, que invadiu o Congresso, depredou fazendas produtivas e destruiu campos experimentais de sementes e plantas. Neste caso, nem política se fez.

Em segundo, fora do MST. Houve crescimento da oferta de trabalho, principalmente na construção civil devido aos incentivos neste setor. Nesta atividade não é necessária mão de obra especializada e com isso os egressos do campo são absorvidos no emprego urbano. Antes estes emigrantes eram contingentes disponíveis dos coordenadores do MST, pois sonhavam em retornar à vida rural. Não tinham o que fazer mesmo, por isso iam para os acampamentos. Agora, com trabalho, carteira assinada, perspectiva de aposentadoria, bem como cobertura em caso de doença, apostam mais no novo emprego do que arriscar a ficarem anos em baixo de lonas.

O MST se define como um movimento social. Um dos grandes teóricos dos Movimentos Sociais é o francês Alain Touraine, inclusive esteve dando cursos e palestras no Brasil. Para ele em sociedades como as da América Latina não funcionam nem o modelo político da representação - liberal-democrático - nem o revolucionário, social-comunista. Conforme ele, o melhor modelo seria a própria população pressionar diretamente os governantes para que os problemas fossem resolvidos. Seriaum os movimentos sociais.

A proposta teórica é pacífica, no entanto, parece que inevitavelmente haverá choques e confrontações violentas como aconteceu com o MST no Brasil. Vejamos por que:

1º Movimentos paralegais. Os movimentos sociais atuam exatamente contra um “status quo” que lhes parece injusto no sentido de que a lei os discrimina e prejudica. Por isso, posicionam-se contra a lei estabelecida. Para tanto é preciso abolir a lei que não lhes dá oportunidade e lançar mão de outros meios.

2º Poder político paralelo. O encaminhamento das reivindicações deixa de seguir os canais e instâncias competentes e passa a agir independente das instituições políticas do estado de direito: parlamento ou justiça. A ação é direta sobre o executivo o qual pode se sentir ameaçado e ceder às pressões dos movimentos sociais ou, o que é pior, o próprio poder político constituído se alia aos líderes na esperança de obter apoio eleitoral. Sentindo-se fortes pelo lastro econômico e apoio de líderes políticos, os movimentos sociais podem voltar-se contra o estado de direito e promoverem saques, invasões, destruições praticando assassinatos, extorsões disseminando o terror no ambiente que atuam.

3º Corrupção política. Geralmente os movimentos sociais, por sua natureza, não possuem personalidade jurídica ou registro de associação. Mesmo assim, recebem do poder público, de forma indireta ou direta, vultosas somas, desviadas por políticos, através de organizações legais que posteriormente lhes repassam as verbas.

4º Refratário à lei. Os movimentos sociais, geralmente não possuindo personalidade jurídica, ao acolher seus membros e os despersonaliza fisicamente. Quando algum criminoso for procurado pela justiça, ele está sob o manto da organização que o protege. A organização, por sua vez, não existe legalmente e, portanto, não pode ser responsabilizada criminalmente. Caracteriza-se um ambiente de impunidade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

ADEUS, JOSÉ DE ALENCAR - Selvino Antonio Malfatti





Adeus, meu bom José. Adeus. Agora descanse. Descanse em paz, José de Alencar. Adeus Presidente vice, tu eras vice, mas para nós eras como se fosses o Presidente. Basta de macas, hospitais, exames, médicos, enfermeiras! Agora descanse.

Te lembras, como começaste? Menino pobre, do interior, Muriaé de Minas Gerais. Desde pequeno sonhando em ajudar a família? Com 7 anos já trabalhando! Pediste um dinheirinho emprestado ao irmão e começaste teu negócio. Trabalhaste com afinco, persistência e honestidade.

Cresceste em todos os sentidos. Ficaste homem, te tornaste industrial. Foste um empreendedor. Chegaste à direção de sindicatos patronais e à Presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas e senador por Minas Gerais. E depois Vice-Presidente ou Presidente Vice?

Te lembras, quando disseste que não tinhas medo da morte, mas da desonra? E mesmo assim a turma dos Irmãos Metralha e dos Ali Babá continuaram no Palácio? Que feio, que baixaria! Não tinham pudor mesmo, não? Com certeza te desviavam nos corredores do palácio do Jaburu.

Te lembras, que acalmaste o mercado interno e externo? Tua figura bonachona e sorridente inspirava paz e confiança. Como cristão convicto, dissipaste a idéia de uma república sindicalista e atéia.

Te lembras, como transmitias confiança aos setores sociais que desconfiavam do partido que tinha em seu seio ex-guerrilheiros? E não era só do Brasil, não. Nós e nossos credores lá fora nem dormiam de apavorados?

Te lembras, que todos nós brasileiros, como tu, que trabalhamos duro e conseguidos alguma coisa, como emprego, casa, alguns bens, ficamos com medo de perder tudo. Mas se tu avalizavas, então estava tudo bem.

Te lembras, que juntastes duas ideologias praticamente opostas? Conseguiste que setores mais desconfiados se desarmassem e apoiassem um partido de esquerda? Aquela maioria localizada na direita e na esquerda do centro da linha ideológica se mantinha cética quanto às propostas de um partido que até pouco era de extrema esquerda, mas que, por tua causa, mudou de opinião. E este centro, de direita e de esquerda, mudou e deu a vitória à aliança por ti patrocinada? Era como se tu fosses o candidato o presidente.

E a dor, meu bom José? Disseste uma vez que se Deus quisesse te levar, não precisava te brindar com câncer. A hora que Ele escolhesse, estavas pronto. Que grandeza José!

Foram tumores e mais tumores. Internações e mais internações. Infarto de miocárdio, transfusão. Ao todo 17 cirurgias, quimioterapia, aplicações. Foi muita dor, José. Não te queixaste, sorrias. Meu bom José, como assim? Quem entende?

Adeus, meu bom José, adeus. Vai juntar-te aos teus dignos conterrâneos, Juscelino e Tancredo. Vai para perto de Quem acreditaste, amaste e foste fiel. Descanse em Paz, meu bom José.

sexta-feira, 25 de março de 2011

VISITA DE OBAMA AO BRASIL - Selvino Antonio Malfatti

Foto: Marcelo Casal Jr. / ABr




As relações Brasil e Estados Unidos, nos dois mandatos de Lula, andaram estremecidas e, pelo que parece, mais por iniciativa nossa do que deles. Agora parece que está se ensaiando uma reaproximação, mais por iniciativa deles do que nossa.
Barak Obama tem algumas características que outros presidentes norte-americanos anteriores não tiveram:
- Ele é o único que não é de origem anglo-saxônica. É africano.
- Ele é o único negro. Do Quênia
- Ele é o único que tem experiência muçulmana. Criou-se e viveu num ambiente muçulmano, apesar de nunca ter sido. Atualmente é cristão, da Igreja União da Trindade de Cristo.
Isto significa que ele tem uma forma de pensar, agir e sentir diferente do norte-americano? Não. Ele é um genuíno norte-americano, mas possui um potencial a mais, isto é, tem sensibilidade para com os diferentes. O norte-americano comum, como os presidentes anteriores, sabiam lidar pouco com as diferenças. Achavam que todos deviam ser como os norte-americanos ou submissos a eles. Obama, apesar de ser um protótipo norte-americano e saber que atrás de si está o todo poderoso Capitólio, sabe também ser não norte-americano. E isto é um fato novo. Na entrevista que deu à Revista Veja, deixou claro. Ele acolheu o que é caro aos brasileiros, mas não deixou de ser estadunidense.
À pergunta, se os Estados Unidos estariam em declínio, responde exatamente o que pensam seus compatriotas: os trabalhadores americanos são altamente produtivos, têm espírito inovador e empreendedor, as universidades são as melhores do mundo e a missão de segurança e estabilidade internacionais. As três primeiras refletem o espírito da ética protestante que deu origem ao capitalismo e a outra externa a “pax romana”: a paz mantida pela força militar.
Já a pergunta se o crescimento econômico do Brasil incomodava os Estados Unidos, responde pelo viés norte-americano e brasileiro, isto é, o que é caro aos estadunidenses, o crescimento econômico, viés capitalista, e o que é caro aos brasileiros, a justiça social, viés solidário.
Quanto ao deslocamento do eixo de importação do Brasil, passando a importar mais da China do que dos Estados Unidos, dá a entender nas entrelinhas que realmente quer reverter a situação. Diz que o Brasil importa – significa que precisa dos Estados Unidos - de bens de alta tecnologia, de indústria aeronáutica e química. O Brasil, por sua vez, tem a oferecer – Obama aponta para a possibilidade de os Estados Unidos importarem – energia. Para tanto, quer ouvir o empresariado brasileiro e também dizer-lhe o que pensa.
Na pergunta sobre o reequilíbrio internacional – devido à ascensão do Brasil – acena para os valores, que no dizer de Obama, são comuns a Brasil e Estados Unidos. As duas sociedades políticas estariam alicerçadas sobre os princípios da promoção dos direitos humanos, o desenvolvimento econômico, ecologia, a democracia e inclusão social.
Quanto aos últimos acontecimentos no mundo árabe, mostra-se um americano capaz de entender o curso da História, devido aos novos ingredientes. Diz que os Estados Unidos sempre foram a favor da autodeterminação dos povos e da defesa dos valores fundamentais, como liberdade de expressão, reunião e voto. Seu país, somente não pactua com a violência e a repressão. Diferentemente do Irã de 1979, os levantes atuais foram em nome de valores universais e não de religião ou facção religiosa. Por isso, na opinião dele, os movimentos serão bem vindos e seguirão o caminho da América Latina, Leste Europeu e Sudeste Asiático os quais se desvencilharam do autoritarismo para trilharem o caminho da democracia.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O ALERTA JAPONÊS E A CIÊNCIA E TECNOLOGIA - Selvino Antonio Malfatti









O Japão está no centro das atenções e observações por parte de toda comunidade internacional. Este pequeno país, em tamanho físico, destaca-se pela sua economia, mas principalmente pelo desenvolvimento científico e tecnológico. Não há o que cai na mão dos cientistas japoneses que não se transforme numa ferramenta útil para a vida humana. Dominam, com saber e tecnologia de ponta, praticamente todas as áreas do conhecimento.
Pois foi exatamente este país que a natureza “escolheu” para emitir um alerta a toda a humanidade. Nas profundezas das águas, vinte e quatro quilômetros e meio, a placa do Pacífico chocou-se contra a placa Norte-Americana provocando um terremoto de 8,9 na escala Richter. As águas da superfície deslocaram-se numa velocidade de 800 quilômetros por hora. Ondas de 10 metros de altura, os tsunamis, invadem as cidades ribeirinhas varrendo tudo o que encontram pela frente. Mas o pior pode ainda estar por vir: o escapamento da radioatividade dos reatores nucleares.
Diante da iminência de uma tragédia radioativa no Japão e no mundo, de proporções superiores a de Chernobyl, a comunidade internacional está em estado de alerta máximo. E novamente vem à mente o título de um concurso lançado pela Academia de Dijon no século XVIII:
- A ciência e as artes tornam os homens mais felizes?
Este era um objetivo a que os iluministas, no século anterior, haviam se proposto: tornar os homens mais felizes pela ciência.
O pensador francês Jean-Jacques Rousseau, no “Discurso sobre as Artes”, contraria a tese dizendo que o homem primitivo, sozinho, errante, sem ciência, nem arte era feliz. Quando descobriu a ciência iniciou o calvário do sofrimento humano.
A análise e conclusão de Rousseau não estão erradas. É que apreciou sobre o aspecto moral, isto é, a ciência e a tecnologia, por si sós, realmente não tornam os homens mais solidários, mais leais, compreensivos, bondosos. Isto a ciência não faz, porque a felicidade está no âmbito do sentimento e da razão de cada um.
O que a ciência e a tecnologia fazem? Comparando com o período de Rousseau atualmente se vive mais, uma média de vida de 70 e poucos anos, contra os 35 de seu tempo. Havia doenças consideradas incuráveis e atualmente foram extirpadas. No tempo de Rousseau o homem tinha uma vida útil de 25 anos. Hoje o tempo se estende por quase toda vida. Casas, alimentos, deslocamento, comunicação, informação, tudo se tornou infinitamente mais fácil e melhor. Nos dias atuais, uma pessoa de Classe C, possui uma qualidade de vida que o Rei Sol da França nem imaginava que existisse.
Claro que persistem doenças, insegurança, e desastres ainda não evitáveis. Há ainda muitas mazelas sem um efetivo controle em casos de acidentes, como é no momento o caso do Japão. Mas o problema maior reside no descompasso entre o crescimento da ciência e tecnologia e a defasagem moral. A ciência e a tecnologia não acompanhadas de aperfeiçoamento moral – que não é o caso do Japão - levarão a humanidade a autodestruir-se. A radioatividade, uma das maiores descobertas científicas, possui dezenas de aplicações tecnológicas para a própria saúde humana. No entanto, como evitar que o saber seja usado para outros fins que não o bem estar do homem. E o pior, e aí Rousseau tem razão, utilizar a ciência e tecnologia para destruição, como aconteceu com Hiroshima e Nagasaki no Japão na segunda guerra mundial. Precisamente os países que ocupam a dianteira do conhecimento estão abarrotados de mísseis voltados para cá e para lá, bombas armazenas, reatores nucleares, usinas de beneficiamento de urânio etc.etc.etc. E outros se preparando para isto. . .
O que fazer para que a ciência e tecnologia tornem os homens mais felizes? Eis a questão.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O CEMITÉRIO DE PRAGA, de Umberto Eco - Selvino Antonio Malfatti



Com certeza todos se lembram do belíssimo filme “O Nome da Rosa“ baseado no romance de Humberto Eco, filósofo e literato italiano. Nesse filme, Guilherme de Baskerville, franciscano, discípulo de Roger Bacon- e seu aprendiz - Adso de Melk, Frei e amigo de Guilherme de Occam - chegam a um convento nos Alpes. Como pano de fundo o enredo gira em torno da explicação das mortes que ocorriam naquele convento. No entanto, o verdadeiro objetivo era discutir os métodos científicos da indução e dedução.
Agora Humberto Eco nos brinda com outro romance, “O Cemitério de Praga”. Pelo que me consta, ainda não foi traduzido para o português. Este romance, em forma de diário, é narrado através de um personagem com dupla personalidade. Nele, cada personalidade escreve alternadamente, narrando os acontecimentos de que foi protagonista como se fossem duas pessoas distintas.
O romance prende o leitor desde o início até o fim. O período que se desenrola é o final do século XIX e o ambiente se passa em Turim e Palermo, na Itália, e Paris, na França. No início é bastante cômico, devido às definições dadas aos padres, povos e organizações. Os jesuítas são chamados de maçons vestidos de mulher, os judeus devoradores de crianças cristãs, os maçons continuadores dos templários decididos a acabarem com hebreus, cristãos e a monarquia. Os comunistas são identificados como conspiradores e sabotadores.
Após esta parte hilariante o romance toma um rumo amedrontador, cheio de atentados e assassinatos. A parte final é tenebrosa. Há uma trama generalizada. Um abade morre duas vezes, cadáveres são enterrados nos pátios das casas ou bóiam sobre o rio Sena, Missa Negra, navios explodem em pleno mar mandando para os ares todos os tripulantes. Os jesuítas conspiram contra os maçons, estes estrangulam os padres com as próprias tripas. Personagens conspiram uns contra os outros. A versão da Comuna de Paris é descrita como um fiasco. A trama de serviços secretos envolve italianos, franceses, prussianos, russos, numa ação de espionagem e contra espionagem.
O centro da trama se refere a um documento falso, um “borderau”, sobre uma reunião de sábios judeus no antigo Cemitério de Praga. Consta que Hitler teria tido conhecimento deste documento e o teria usado para exterminar os judeus nos campos de concentração. Foi um documento forjado a várias mãos, mas com o retoque final do personagem principal do livro, o tabelião falsário, capitão Simonini. O documento fala de uma reunião, naquele cemitério, dos chefes dos rabinos de várias partes da Europa, os quais firmam os Protocolos dos Sábios Anciãos de Sião. Nesses Protocolos estariam traçados os planos dos judeus para conquistarem o mundo e a aniquilarem o cristianismo. Conforme o documento, á meia-noite, no Cemitério de Praga, chegaram doze indivíduos envoltos em mantos escuros, e uma voz, saindo do fundo de uma tumba os saudou como os doze Rosche-Bathe-Abboth, chefes das doze tribos de Israel, e cada um deles respondeu. “Saudamos-te, filho do condenado.” Daí prosseguia a voz. “Passaram-se cem anos desde o nosso último encontro. Donde vindes e a quem representais?” E cada um se apresentou dizendo-se representante de Amsterdam, Toledo, Worms, Peste, Cracóvia, Roma, Lisboa, Paris, Constantinopla, Londres, Berlim e Praga. Após isso, cada uma das vozes proclamou as riquezas de sua localidade. Calculadas as riquezas, passa-se a descrever o plano para aniquilar os cristãos e apoderarem-se do mundo. Para tanto seriam tomados os bancos, os meios de comunicação, a educação, as ciências, as artes. Enfim, o Plano do Cemitério de Praga seria um projeto para os judeus tornarem-se senhores de tudo o que houvesse sobre a terra.
( IL CIMITERO DI PRAGA, Umberto Eco. Milano, Bompiani, 2010)

sexta-feira, 4 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER – UM ARCO-ÍRIS DE FLORES - Selvino Antonio Malfatti




UMA HOMENAGEM ÀS MULHERES

Hoje vamos deixar de lado as profundezas da filosofia, os maquiavelismos da política e as estatísticas da sociologia. Vamos dar uma espiada na intimidade da poética.
Dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher!
- Mulher, abre os olhos! Hoje é teu dia.
Alegra-te! Receberás aquelas flores que sempre sonhastes, mas que ainda não haviam te dado. Dar-te-ão flores de jardins, que são belas e as mereces, mas principalmente as flores da devoção, aquelas que tanto querias mas que ninguém adivinhava que sonhavas com elas.
- Abre os olhos, hoje é teu dia, mulher.
És bebê no berço que todos querem pegar, roçar nas faces e beijar.
És menina encantadora que saltita, dando alegria e orgulho a quem está ao lado.
És moça que faz tremer de paixão os namorados.
És mãe, mãe que se dá no seio ao recém-nascido para que ele tenha vida.
És mulher, só e toda mulher.
- Sonha!Esta festa vai durar para sempre!
MULHER, TU ÉS UM ARCO-ÍRIS DE FLORES!
Cândida como um lírio
Alegre como um girassol
Insinuante como uma helicônia
Humilde como uma onze-horas
Elegante como uma orquídia
Sensual como uma rosa
Tímida como uma margarida
Dsicreta como uma tulipa
Misteriosa como uma violeta
Majestosa como uma ortência
Tenra como uma primavera
Cobiçada como um suspiro
Materna como uma dália
- Mulher, parabéns, 8 de março, hoje é TEU DIA!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

VOLTA ÀS AULAS E A EDUCAÇÃO BRASILEIRA - Selvino Antonio Malfatti


Milhares de estudantes de todo Brasil estão voltado às aulas. Refrescaram a cabeça e agora prontos para o recomeço. Foram emocionantes as cenas divulgadas pela televisão mostrando o reencontro dos estudantes. Abraçavam-se, apertavam-se, beijavam-se e –acreditem – alguns até choravam de alegria!
Eles serão nós no futuro, por isso merecem toda a atenção. Aproveito este momento para lançar um desafio: discutir o modelo educacional brasileiro? Fazer um feedback? Sabemos que as coisas não andam bem para a educação no Brasil.
O Brasil ficou 88º lugar no ranking de 128 países sobre educação, elaborado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Dos critérios utilizados, quais sejam o percentual de crianças entre 6 e 15 anos matriculadas na escola, o índice de analfabetismo, a igualdade de acesso entre meninos e meninas e a QUALIDADE. Este último foi o pior de todos obtendo, numa escala de 0 a 1, valor 0,756 nota característica de países de baixo desenvolvimento. O Brasil ficou atrás de países como Paraguai, Colômbia e Bolívia. Alguns quiseram apresentar justificativas, como o alto índice no crescimento das matrículas, infra-estrutura, baixo preparo dos professores entre outros. Isto explica, mas não justifica...
Por sua vez, as universidades também não estão em situação confortável. A considerada melhor universidade do Brasil, a USP, desceu da 53ª posição para 122ª na ranking “Webometrics Ranking of World Universities”, isto é, a disponibilidade ao público dos conhecimentos produzidos na universidade. Com isso, neste item a USP deixou de ser a melhor universidade da América Latina.
Já no critério de IDH – Índice de Desenvolvimento Humano- o Brasil obteve 0,797 numa escala de 0 a 1. Ficou entre os países de desenvolvimento médio e próximo dos países de alto desenvolvimento. O índice colocou o Brasil ao lado dos países do leste europeu. Os critérios para se medir o IDH são: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente.
Mas o problema maior não está neste índice geral, que até foi bom, mas nos regionais. Enquanto sul (o mais alto índice), sudeste e centro oeste praticamente estão enquadrados entre os países de alto desenvolvimento, norte (médio) e nordeste entre os de baixo desenvolvimento. Este último puxou a média nacional para muito baixo.
Na questão dos talentos também decrescemos. É a capacidade de o país de formar, atrair e manter jovens talentos. Em 2007 ocupávamos a 23ª posição entre 30 países e o índice cairá para 25 para o ano 2012. O país investe em talentos, estes se capacitam e vão embora, atraídos por salários, incentivos e valorização melhor que aqui.
Este é um pequeno quadro da educação brasileira. Onde está o problema. Proponho reduzir ao máximo a análise para facilitar. Vamos ver escolas concretas. E para não melindrar ninguém, vamos ficar com uma de resultados positivos. É o caso dos Colégios Militares. No caso do Colégio militar de Porto Alegre. A porcentagem de aprovação dos vestibulandos foi: dos 144 alunos que concluíram o 3º Ano em 2010, 131 prestaram o vestibular. Destes, 81 foram aprovados. Foi também o maior percentual de aprovação na URGS, 61,83%, superior ao recorde anterior, obtido no vestibular de 2008, quando, após a 3ª chamada, atingiu o nível de 61,11%. Isto acontece com as demais escolas militares.
O que têm estas escolas de características em comum e o que as diferencia das demais? Uma constatação que salta à vista é a exigência para que o aluno efetivamente aprenda e não apenas passe. Concordo que se deva facilitar ao máximo para que aprendizagem ocorra, mas nunca abrir mão da aprendizagem. O que se nota é que há confusão entre facilitar a aprendizagem e o exigir de que efetivamente o aluno aprendeu. E se não aprendeu, repete e não dar “mais uma chance”, um trabalhinho (copiado da internet) até que consiga a nota para “passar”.

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