sexta-feira, 25 de março de 2011

VISITA DE OBAMA AO BRASIL - Selvino Antonio Malfatti

Foto: Marcelo Casal Jr. / ABr




As relações Brasil e Estados Unidos, nos dois mandatos de Lula, andaram estremecidas e, pelo que parece, mais por iniciativa nossa do que deles. Agora parece que está se ensaiando uma reaproximação, mais por iniciativa deles do que nossa.
Barak Obama tem algumas características que outros presidentes norte-americanos anteriores não tiveram:
- Ele é o único que não é de origem anglo-saxônica. É africano.
- Ele é o único negro. Do Quênia
- Ele é o único que tem experiência muçulmana. Criou-se e viveu num ambiente muçulmano, apesar de nunca ter sido. Atualmente é cristão, da Igreja União da Trindade de Cristo.
Isto significa que ele tem uma forma de pensar, agir e sentir diferente do norte-americano? Não. Ele é um genuíno norte-americano, mas possui um potencial a mais, isto é, tem sensibilidade para com os diferentes. O norte-americano comum, como os presidentes anteriores, sabiam lidar pouco com as diferenças. Achavam que todos deviam ser como os norte-americanos ou submissos a eles. Obama, apesar de ser um protótipo norte-americano e saber que atrás de si está o todo poderoso Capitólio, sabe também ser não norte-americano. E isto é um fato novo. Na entrevista que deu à Revista Veja, deixou claro. Ele acolheu o que é caro aos brasileiros, mas não deixou de ser estadunidense.
À pergunta, se os Estados Unidos estariam em declínio, responde exatamente o que pensam seus compatriotas: os trabalhadores americanos são altamente produtivos, têm espírito inovador e empreendedor, as universidades são as melhores do mundo e a missão de segurança e estabilidade internacionais. As três primeiras refletem o espírito da ética protestante que deu origem ao capitalismo e a outra externa a “pax romana”: a paz mantida pela força militar.
Já a pergunta se o crescimento econômico do Brasil incomodava os Estados Unidos, responde pelo viés norte-americano e brasileiro, isto é, o que é caro aos estadunidenses, o crescimento econômico, viés capitalista, e o que é caro aos brasileiros, a justiça social, viés solidário.
Quanto ao deslocamento do eixo de importação do Brasil, passando a importar mais da China do que dos Estados Unidos, dá a entender nas entrelinhas que realmente quer reverter a situação. Diz que o Brasil importa – significa que precisa dos Estados Unidos - de bens de alta tecnologia, de indústria aeronáutica e química. O Brasil, por sua vez, tem a oferecer – Obama aponta para a possibilidade de os Estados Unidos importarem – energia. Para tanto, quer ouvir o empresariado brasileiro e também dizer-lhe o que pensa.
Na pergunta sobre o reequilíbrio internacional – devido à ascensão do Brasil – acena para os valores, que no dizer de Obama, são comuns a Brasil e Estados Unidos. As duas sociedades políticas estariam alicerçadas sobre os princípios da promoção dos direitos humanos, o desenvolvimento econômico, ecologia, a democracia e inclusão social.
Quanto aos últimos acontecimentos no mundo árabe, mostra-se um americano capaz de entender o curso da História, devido aos novos ingredientes. Diz que os Estados Unidos sempre foram a favor da autodeterminação dos povos e da defesa dos valores fundamentais, como liberdade de expressão, reunião e voto. Seu país, somente não pactua com a violência e a repressão. Diferentemente do Irã de 1979, os levantes atuais foram em nome de valores universais e não de religião ou facção religiosa. Por isso, na opinião dele, os movimentos serão bem vindos e seguirão o caminho da América Latina, Leste Europeu e Sudeste Asiático os quais se desvencilharam do autoritarismo para trilharem o caminho da democracia.

9 comentários:

  1. Um político que pensa o que fala...tem equílibrio.

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  2. Parabéns, uma análise profunda da trajetória de um político que tem o diferencial de saber conviver e entender outras culturas,lidar com as minorias sem a arrogância de muitos chefes de estado.Segundo Obama na sua visita a Berlim"Devemos construir mais pontes e menos muros"uma simples frase carregada de significados,muros separam,afastam...mas pontes não,pontes nos dão acesso,são caminhos que podem nos levar ou nos fazer voltar.O estremecimento da política econômica do Brasil com os Estados Unidos,sem aprofundamento e conhecimento de um economista,apenas curioso,parece-me que vivemos um tempo onde ninguém quer perder,lá desenvolveram altas tecnologias em todas as áreas,para eles houve custo,porque iriam transferir a outros países sem custo.O Brasil e os Estados unidos,ambos coloniais... histórias diferentes.Estados Unidos com uma taxa de 99% da população alfabetizada.Lá tem problemas raciais e muitos outros...Mas também podem nos ensinar muito.A visita do presidente,a recepção,a ausência do ex presidente...o convite da presidente para que Fernando Henrique estivesse junto a ela...quem sabe se estamos talvez deixando de pensar em tirar vantagens para agir dentro das normas da boa diplomacia escutar,entender para argumentar.

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  3. Diplomacia é o que temos tido por muitos anos agora é a nossa hora.Afinal chegou a hora do reconhecimento........

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  4. É importante que a politica internacional tenha duas vias.......começa por escutar,depois esperar para saber como será .

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  5. Olá, Selvino.

    Achei seu blog através de uma procura por imagens da Jordânia, encontrei uma muito linda e peço que você me autorize a utilizá-la, para decorar o meu blog:

    Israel e Jordania 050.jpg

    Aprendi a gostar desse país, não só porque estou apaixonada por um jordaniano (de origem palestina), mas porque é rico culturalmente, tem um histórico e povo guerreiro!

    O teu blog é muito bom, inclusive. Você acaba de ganhar uma seguidora.

    Tenho uma opinião contrária à tua descrição sobre o Obama.

    O bordão tão repetido na campanha dele: CHAAAANGES não está condiz com o governo dele. Ele está sendo muito superestimado, por ter sido o primeiro presidente negro da História estadunidense. Ora, mas não é a cor da pele que define o caráter e a competência de um presidente. Aliás, na campanha dele, pregavam a ideia de que elegê-lo era a vitória contra o racismo!

    Só o vejo dar continuidade à política típica estadunidense: apoiar Israel e fazer vista grossa aos abusos cometidos, atacar os inimigos que não forem convenientes aos interesses estadunidenses (Irã, Líbia, Venezuela).

    Por mais que ele não possa fazer tudo o que dá na telha, acho-o muito subservente aos interesses do Congresso.
    Se ele foi eleito, foi para a fazer a diferença! Não dar continuidade a uma política tão paradoxal...


    Bom, fico por aqui!

    Virei mais vezes conferir teus textos :)

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  6. Talvez Obama até não seja o que demonstra,mas o interesse em visitas a América e reatar os interesses comerciais é o começo,claro que não somos ingênuos de acreditar no bonzinho, que ele não vá defender interesse do seu país...O mundo é capitalista.

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  7. Sim, é natural defender os interesses do seu país. Mas na verdade, ele é igual aos outros, só muda a aparência...

    Pode ter até essa postura receptiva, mediadora, mas não sai muito disso.

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  8. A postura é receptiva,mas claro que o que importa são interesses,afinal o Brasil está numa fase competitiva,com juros atrativos.....para eles.

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  9. Obrigado comentaristas. Obrigado mesmo. Isto tudo enriquece nossa cultura e nos faz crescer. Mando-vos um abraço. Se quiserem se identificar, como fez a Kiara, nenhum problema, ao contrário, é uma honra.
    A questão do Obama é sui generis. Ele é um estadunidente e age como tal, embora tenha possibilidade de perceber as diferenças. Se fizer, é outra questão.

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