quarta-feira, 27 de maio de 2026

MAGNIFICA HUMANITAS. Selvino Antonio Malfatti.

 


Inteligência humana e inteligência artificial, como se distinguem uma da outra? A humana é criativa e a artificial é generativa. Como criativa a inteligência humana é capaz de gerar, isto é, dar à luz a um novo ser a partir de algo, mas essencialmente outro. A inteligência artificial deduz a partir de algo anterior. Não é novo, mas diferente.

Na biologia, por exemplo, o criado na inteligência humana é um ser novo. No sistema computacional o resultado é a geração de dados decorrentes de programas postos pela inteligência humana e equacionados pela inteligência artificial. A inteligência humana é capaz de resolver problemas como auxílio da inteligência artificial. O mesmo se dá na biologia: o natural é o substrato gerado pelo auxílio do meio artificial, como sistemas e máquinas.

Com efeito, na biologia temos uma novidade de fato. Acontece a autogeração, metabolismo, crescimento de dentro, reprodução vital. Filosoficamente há um novo orgânico e teleológico. Já a inteligência artificial o conhecimento corresponde a processamento de dados e resultados a partir de modelos pré-construídos. Por isso, na biologia o organismo natural desenvolve-se no meio e na inteligência artificial compreende resultados pelos comandos pré-inseridos.

Os conteúdos diferenciais sinteticamente podem ser definidos como:

INTELIGÊNCIA HUMANA               INTELIGENCIA ARTIFICIAL


  • compreende sentido;
  • interpreta;
  • possui consciência de si;
  • cria finalidades;
  • age moralmente;
  • pode transcender o próprio programa biológico. A IA:
  • calcula;
  • correlaciona;
  • prediz;
  • reorganiza dados;
  • mas não “sabe” que sabe.


A inteligência humana tem consciência, moralidade e abertura ao transcendente. A Inteligência artificial permanece uma inteligência derivada e instrumental.

O novo papa, Leão XIV, inova na doutrina ao publicar a primeira encíclica “Magnifica Humanitas”, 25 de maio de 2026, na qual discorre sobre a Inteligência Artificial. A interpretação é atribuída a diversos pensadores da Igreja. Cada um deles emitirá um parecer, dentro de sua especialidade e abrangendo os diversos campos: teologia, ética social católica, diplomacia vaticana e pesquisa tecnológica. A seguir, uma síntese provável e coerente do pensamento de cada um deles sobre IA, a partir de suas obras, posições públicas e áreas de atuação.

1.      Christopher Olah

Estuda a “interpretabilidade” das redes neurais, isto é, pela tentativa de compreender como os sistemas de IA “pensam” internamente.

2.      Léocadie Lushombo

Trabalha com ética teológica, justiça social, colonialidade, pobreza e pensamento social católico. Sua leitura da IA tende a ser profundamente humanista e social.

3.      Cardeal Víctor Manuel Fernandez

Possui a responsabilidade pela ortodoxia doutrinal da Igreja, provavelmente abordará a IA sobretudo em perspectiva antropológica e espiritual.

4.      Cardeal Michael Czerny

Atuação ligada: migrantes, pobreza, justiça social, ecologia integral e exclusão econômica.

5.      Anna Rowlands

Conhecida por articular teologia política, democracia, participação social e ética comunitária.

6.      Cardeal Pietro Parolin

Diplomata principal do Vaticano, provavelmente fará uma síntese geopolítica e ética.

O que defenderão em comum?

Com certeza um núcleo comum os juntará. Este terá como componentes: a inteligência artificial - subordinada à dignidade da pessoa humana - consciência moral, liberdade e a responsabilidade ética do ser humano. Conforme sua formação e função, cada um acentuará aspectos distintos. Todos defenderão a ideia do controle da Inteligência Artificial pelos condutores que se submeterão à ética da dignidade, liberdade e autonomia da pessoa humana. Em síntese a Inteligência Humana manterá o controle da Inteligência Artificial.

 

5 comentários:

  1. Muito interessante, obrigado, socializar conhecimento.

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  2. Obrigado, ótima Reflexão.

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  3. Inteligência humana, sempre terá consciência, do real, tempo e espaço.
    Inteligência artificial, com o pouco conhecimento neste assunto, acredito que depende do humano pensante.

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  4. As máquinas sempre dependerão da inteligência humana, é o que acreditamos.

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  5. Sou curioso deste assunto, inteligência artificial, mas ainda pouco conhecimento.
    O avanço da tecnologia é importante, desde que haja controle.

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