sexta-feira, 9 de agosto de 2019

PLURALISMO E RELATIVISMO – A Verdade dos Outros. Selvino Antonio Malfatti



Não restam mais dúvidas. O Brasil está infestado pelo joio da intolerância. É prática comum nas redes sociais, principalmente, nas conversas, nas trocas de ideias, na avaliação acadêmica. O diálogo sereno, a avaliação imparcial, o respeito critico, foi banido. Nos outros não há verdade. Predominam os odiadores, os aborrecedores, os “haters”, os “trolls”.
Enclausurados em nossas salas acústicas, onde ouvimos pelas redes sociais os ecos de nossos próprios sons, isto é, opiniões dos que pensam como nós, na verdade voltamos ao estágio primitivo. No centro da aldeia finca-se uma estaca e a partir dela enxerga-se o mundo. Os antropólogos, como William Graham Sumner, denominaram isto de etnocentrismo. É a atitude de quem considera o grupo, o “nós”, a ”tribo” superior ao grupo externo, o “seu”, o “outros”.  A terapia para tal doença é o “pluralismo”, que consiste em sair das câmaras de eco e ouvir a verdade dos outros.
Há, porém, um cuidado com outra armadilha: o relativismo. A diferença entre ambos – pluralismo e relativismo – consiste em que o primeiro possui um número limitado de valores humanos. Não pretende alcançar a todos, mas os reconhece  plausíveis e não se nega à crítica dos mesmos. O segundo, o relativismo, acha que tudo é possível, isto é, todos os valores de cada um são válidos. Um pluralista se apavora com o apedrejamento de mulheres adúlteras como pregam os talibãs, um relativista considera válido. (Giancarlo Bosetti «A verdade dos outros. A descoberta do pluralismo em dez histórias "(Bollati Boringhieri, páginas 198).
A questão do pluralismo e relativismo esteve subjacente ao pensamento filosófico. Ora mais visível ora velado. Pode-se exemplificar com Maquiavel, considerado o fundador do pluralismo. Ao contrastar os valores pagãos – força, justiça e coragem - e cristãos – caridade, misericórdia e sacrifício - deixou clara uma contradição aparente e fez brilhar o paradoxo. Eles são somente aparentemente contraditórios. Existem princípios válidos, ainda que em conflito entre eles, como liberdade e igualdade, clemência e justiça, amor e imparcialidade. Tudo o que decorre de uma única construção monista é sempre duvidosos.  Outro exemplo é o mito da Torre de Babel; Deus desgostou-se não da altura da torre, mas da monotonia da linguagem. Falar muitas línguas foi um presente e não um castigo.
Uma das lições mais convincentes do pluralismo nos foi deixada pelo filósofo Orígenes. Aos trinta e três anos encontrou-se em Antioquia com Giulia Namea, esposa de imperador Septínio Severo, que havia decapitado seu pai. Giulia Namea pediu conselhos a Orígenes sobre a educação de seu filho, conforme os textos sagrados. Orígenes disse-lhe que os textos sagrados não devem ser tomados literalmente e que a salvação é extensiva a todos e não somente para os cristãos.
Falamos no início deste texto sobre a problemática da intolerância que grassa em nossa sociedade. Todos concordam que é preciso estancar o ódio. Para tanto, devemos fazer como os renascentistas. Perguntar-se onde e quando começamos errar. E eles identificaram corretamente: quando entronizamos a intolerância e admitimos o monismo gnosiológico. A partir daí, em vez do pluralismo, nos guiamos pelo relativismo.  Então, corajosamente, voltaram atrás até onde haviam abandonado a tolerância e o pluralismo. Esta atitude salvou a ciência, filosofia, arte, convívio religioso. Foi o Renascimento.
Nós também temos que fazer um feedback, uma autocrítica, e retomarmos o nossa marcha na direção correta. A pergunta: o que nos desviou?   O abandono da hierarquia, o esquecimento do respeito, difusão da mentira. Por isso, é preciso voltar e retomar:
1.    A hierarquia – Com ela se consegue garantir o pluralismo e afastar o relativismo, considerar os demais como inimigos, difundir o erro.
2.    Exigir respeito – É o princípio do sistema democrático. Com isso cada um pode ter garantia da verdade.
3.    Usar as redes sociais para externar a verdade e não para haters.
4.    Antes de falar, pensar se é verdadeiro, se conveniente e se ajuda alguma coisa.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

VELHICE E APOSENTADORIA. Selvino Antonio Malfatti - IFLBR




O Brasil está prestes a superar o modelo previdenciário antigo para o novo. Não que o antigo não tenha valor ou seja pior. É apenas a passagem de um modelo para outro, da mesma forma que escrita datilografica e eltrônica. Se não superar a fase, permanecerá defasado com todas as consequências.

Em praticamente todos os países há uma correlação entre velhice e aposentadoria. Quando se fala em velhice, imediatamente vem à mente aposentadoria. É uma conquista social dos tempos atuais.  Cada língua tem uma designação, muitas vezes relacionando uma a outra. No Brasil, por exemplo, quem é idoso passa a maior parte do tempo nos aposentos e portanto, ele está aposentado. Vejamos algumas línguas atuais e sua designação para velhice e aposentadoria.

Aposentadoria                                            Velhice
Português – 
- Brasil: aposentadoria                               
                   
-Portugal: reforma                                     
Velhice
Italiano: pensione
vechiaia
Alemão: Ruhestand
Alter
Inglês:retirement                                                           
old age
Francês: retraitre                                                                   
la vieillesse
Espanhol:   jubilación                                                         
vejez
Russo:    выбытие                                                              
starost'
Chines:       Tuìxiū                                                                 
Wǎnnián

As pessoas projetam a vida na seguinte prospectiva: na infância somos imantadas pelos brinquedos; na juventude, o estímulo é a preparação para o trabalho com vistas ao emprego; na vida adulta o fascínio do dinheiro do trabalho; na velhice, a almejada aposentadoria. Então, a velhice é a fase ápice da vida com a pílula dourada da aposentadoria.

Como é apresentada a velhice pela sociedade? Após o período de trabalho abre-se um tempo para dispor para o que se quiser, mormente como desfrute, lazer. Mas, na realidade, este “para o que quiser”, o que é? Um “dolce far niente”? Ou, um “amaro far niente!”? 

Pessoalmente, para a maioria não é “um nauseante fazer nada”?  Um tempo que não passa, um tempo inútil? E a velhice, como estrato social, como é vista pelos governantes? Um peso para a sociedade? Um gasto inútil, um investimento sem retorno.

Neste quadro concebeu-se a aposentadoria como solução para a velhice. Mas isto basta? É suficiente colocar nas mãos um troco? Não haveria algo mais digno, isto é, que acenasse para a vida em vez de acenar para a morte?
Poderia ser diferente? Evidentemente. Basta ver o histórico da expectativa de vida. Na antiguidade, a perspectiva de vida era em torno de trinta anos, depois, a morte. Claro que havia, excepcionalmente, pessoas que chegavam aos sessenta ou mesmo setenta. Na idade média a situação não se modificava muito. A situação começou a modificar-se a partir da idade contemporânea, devido em grande parte ao avanço da ciência, máxime da medicina, aliado aos novos hábitos principalmente de higiene.

Na história sempre se projetou o progresso para um patamar superior. Isto aconteceu com a expectativa de vida. Hoje já projetamos para os oitenta anos e mesmo noventa.
Inexplicavelmente, não se projeta mais nada, além da aposentadoria para a velhice. Envelhecer e vegetar.

Diante disso há que se pensar que esta população idosa não pode permanecer ociosa, e nem ela mesma o quer. Não é a renda que está em jogo, mas o grau de satisfação pessoal. Quantas inteligências não aproveitadas! Quantas habilidades, jogadas fora. Quanta energia desperdiçada. Por que não se organiza uma economia paralela para os idosos? Pode-se aproveitá-los nas pesquisas, no governo, nas artes, em confecções, em manufaturas?

A velhice não pode ser o fim, mas outra etapa, talvez a mais gratiticante.



sexta-feira, 26 de julho de 2019

TIENANMEN – TRINTA ANOS DEPOIS. Selvino Antonio Malfatti.




Já são passados  trinta anos  do Golpe da Praça Vermelha em Pequim. A situação da China em 1989 poderia ser comparada a uma República capitalista, só que ao inverso. Num ambiente tal, capitalista, haveria uma classe incrustada no poder. Seria uma elite política atuando com repressão e corrupção, obrigando o povo ou algum segmento, a rebelar-se. Isto normalmente aconteceria num regime capitalista ditatorial.

Na China aconteceu a mesma coisa, só que o regime era socialista, o segmente incrustado no poder era uma nomenclatura do partido que excluía as classes menos privilegiadas, agiam patrimonialmente em relação à economia, misturavam o bem público com o privado, sufocando de tal maneira as liberdades das minorias que obrigou o levante popular através dos estudantes e intelectuais, oriundos de diversos grupos. Os intelectuais entendiam que o Partido Comunista era demasiado repressivo e corrupto, os trabalhadores urbanos, operários, cansaram de esperar pelas reformas e estavam angustiados pelo alto índice de desemprego. O estopim da revolta iniciou com o falecimento de  Hu Yaobang, líder da República Popular da China. Era considerado protetor dos intelectuais e dos defensores de uma abertura do regime comunista chinês. Propunha também uma distensão econômica. Acenava para um culto racional, e não cego, ao líder da República Popular, Mao Zedong. Naquele início de junho, de três para quatro, a capital chinesa virou um inferno. É que o Partido Comunista decidiu transformar em ação as ameaças que vinha fazendo há algumas semanas numa mesma intensidade em que aumentavam os protestos de estudantes e cidadãos. Foi literalmente um massacre covarde de uma população pacífica e indefesa. Foram horas de horror dantesco na Praça de Tiananmen, fazendo jus ao nome de Praça Vermelha.

Os protestos atingiam no centro de Pequim, o coração da China, desde a Cidade Proibida ao Norte, o Grande Salão do Povo ao oeste, o mausoléu de Mao, tudo foi tomado pelos estudantes universitários. Bandeiras, barracas, estandartes, transformou-se num mar de sangue pelo exército do governo. Foi uma longa noite, pior que a de São Bartolomeu. Foram centenas de milhares de cadáveres espedaçados, pendurados, esvaindo-se em sangue. Quantos morreram? Ninguém sabe. O cérebro do governo perdeu a memória, uma amnésia repentina e geral, depois que os tanques limparam a praça da Paz Celestial.

Ainda hoje, o 4 de junho, é proibido de ser mencionado. As jovens gerações não sabem o porquê. Se alguém tentar, a censura digital bloqueia tudo. E à medida que os mais velhos dos Delegados da Assembleia do Povo são substituídos pelos mais jovens, a memória se torna sempre mais embaçada e chegará ao olvido para sempre. 

Este acontecimento traz à mente as palavras de Yosef Hayim Yerushalmi referindo-se aos campos de extermíno: 

"...os assassinos da memória, os que misturam tudo o que aconteceu em nosso tempo, falam de um indistinto "século da barbárie" e acabam colocando no mesmo plano as vítimas e os verdugos ou negam a existência dos perseguidos e seus algozes..."




sexta-feira, 19 de julho de 2019

Reforma da previdência: erros de perspectiva. José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei




A previdência pública passa por revisão em muitos países do mundo e isso é fácil de entender. Experimentamos dois fenômenos demográficos importantes que mudaram o perfil da população: o alongamento da vida ou aumento da velhice e a redução da natalidade. Em resumo, temos sociedades com um número crescente de idosos e um número menor de jovens, portanto com mais velhos e menos crianças. E se as pessoas vivem mais, as sociedades precisarão que elas trabalhem mais tempo e se aposentem mais tarde. Disso não há como escapar.
Em países como o Brasil essa mudança demográfica foi muito significativa porque foi rápida. A população brasileira não apenas se urbanizou velozmente como aumentou muito a expectativa de vida que era de 45 anos e cinco meses em 1940 e passou a 76 anos e dois meses ano passado, segundo dados do IBGE, observando-se que os homens vivem, em média, menos seis anos que as mulheres. Assim, aposentar-se por volta dos cinquenta anos com uma média de vida de 45 e uma população jovem era realidade muito diversa da atual. Por isso ninguém discute a necessidade de atualizar as regras de aposentadoria.
No entanto, se a necessidade de se aposentar mais tarde é um fato inquestionável. A forma de a realizar é um problema de difícil solução. Apesar da complexidade do assunto existem problemas graves na atual proposta do governo em votação no Congresso.
O primeiro é a mistura do sistema de aposentadoria com o de apoio social. Por exemplo, uma criança doente e incapaz de trabalhar deve receber um salário? Um trabalhador que pouco contribuiu para o sistema porque era pobre e vivia no limite da sobrevivência deve receber um salário mínimo numa determinada idade? E outros casos parecidos de pessoas que não podem trabalhar? Creio que é justo ajudar essas pessoas. Temos, por pano de fundo desse reconhecimento, o conceito de previdência social desenvolvido na Inglaterra por ocasião da discussão sobre a pobreza. Naqueles dias se diferenciou o pobre daquele outro que não tinha condição de trabalhar. Porém esse direito, uma vez estabelecido, precisa ter fonte própria de financiamento e ser diferente do sistema que sustenta a aposentadoria dos trabalhadores.
Outro problema é o teto da previdência pública que vem caindo assustadoramente tendo sido vinte salários até pouco tempo e hoje anda entorno a seis. Isso somado a uma política que dificulta ao contribuinte alcançar esse teto. Isso fez com que a classe média passasse a contribuir com valores muito abaixo do que deveria, porque não tem expectativa de receber um salário que mantenha seu padrão de vida e os ricos, por sua vez, a não se preocuparem com aposentadoria de três ou quatro mil reais. Ambos os grupos estão transformando a previdência privada, que devia ser complementar ao sistema público, na escolha principal. Ambos os grupos deixando de contribuir ou contribuindo menos do que podem prejudicam o sistema.
Outro problema é não diferenciar funcionários públicos da população em geral. Não se trata de estabelecer privilégios, acúmulos de aposentadorias, etc. Isso não deve ser permitido. Funcionários públicos, boa parte deles, para realizar bem sua função, precisam se dedicar, de forma específica ou exclusiva, durante toda a vida, a atividades que os impedem de realizar outras funções ou buscar ganhos complementares.
Enfim, embora critérios econômicos sejam importantes quando se pensa o sistema previdenciário porque ele precisa ser sustentável, quando eles são o propósito e o objetivo das reformas, sem outras variáveis, o resultado é injusto e desfavorável ao trabalhador que passa a vida contribuindo para um sistema na expectativa de receber uma aposentadoria capaz manter seu nível de vida.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

O MODO DE SER EUROPEU ATRAVÉS DA PALAVRA-CHAVE. Selvino Antonio Malfatti


                                  Corriere della Sera -15 maggio 2019

Já que pelo Acordo entre o Mercosul e União Europeia nós brasileiros somos um pouco também europeus, vou apresentar uma pesquisa interessante, levada adiante pela Itália, através de seu jornal Corriere della Sera, sobre cidades e países europeus. 
Viajando pela Europa, pode-se surpreender a característica de cada cidade, e por tabela do país, através da incidência de uma palavra-chave. Ela se manifesta nas conversas, na comida, bebida, diversões, música, enfim é uma palavra recorrente do dia a dia da cidade.

Comecemos com a cidade de Berlim ou Estrasburgo na Alemanha. A palavra chave é “Abertura”. Pode-se identificá-la na arte, comida, música. Esta está subjacente em todas as aspirações populares. Tanto da parte da antiga oriental, como na ocidental. A abertura de Berlim é para unificar-se a outra parte e a abertura de Bonn é para acolher a parte separada e integrarem-se novamente.

Viajemos para a capital da Letônia, cidade Riga. A palavra mais ouvida é “independência”.  Isso se pode constatar no quotidiano como no ciclismo, golfe, peças teatrais, filmes, exposições, concertos, passeios e no ambiente familiar. Depois de terem se livrado dos russos, o que mais os letões querem é independência para serem eles mesmos, isto é, usufruírem do seu país, agora deles mesmos.

Deste país passemos para a Espanha. Tomemos como modelo a cidade de Sevilha. A esta cidade chegam imigrantes de toda a Europa, mormente italianos. A palavra chave é “limite”. O que mais se ouve é que: “eu quero, mas não posso”. Há limites de idade, pecuniários, familiares, políticos entre outros.

Já na Holanda, desponta a palavra “talento”. Exemplo disso é a cidade de Dublin. O talento constitui-se na rampa de propulsão, pela qual os jovens se projetam para o futuro, através do conhecimento digital.

Na Dinamarca encontramos a palavra “felicidade” cujo protótipo é a cidade de Copenhague. Nesta, parece que tudo funciona conforme os desejos pessoais: segurança no trânsito, rede social, liberdade pessoal, equilíbrio entre a vida privada e o trabalho.

Os gregos, vistos através de Atenas, externam o desejo de “mudança”, pois ainda está atravessada na garganta a vertigem do quase colapso, e a humilhação política. A mudança almeja é a vingança por tudo o que teve que suportar num passado recente.

Na República Checa, o termo que se sobressai é “contando”, haja vista a cidade de Praga. Apesar de exibir a mais baixa taxa de desemprego da União Europeia, é tudo virtual: empregos, rendimentos e perspectivas. Por isso, a palavra identificadora é contando que...
Na Polônia, Varsóvia, surpreende-se o termo compartilhar, mais como desejo que realidade. A dicotomia entre as políticas liberais e os desejos autárquicos e esforços em prol da Europa.

Em Estocolmo, Suécia, a confiança dos jovens é atribuída a “tech”, pois todos querem criar algo novo.

A ideia central dos jovens europeus com menos de trinta e cinco anos é: o futuro é a Europa.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Pelo Estado e suas estradas. José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Re


Uma das dificuldades atuais da sociedade brasileira está na crise do Estado. Isso pouco tem a ver com ideologias de direita ou esquerda, com esse ou aquele governo, mas com a importância do Estado e do seu papel. Também não é resultado da atual crise econômica, atribuída à Previdência Social. Não, a desidratação do Estado é antiga. Há décadas não vemos uma ação efetiva do Estado em qualquer área ou observamos bom resultado de sua atuação.
Parte dessa crise está no seu afastamento da sociedade. Isso não é só produto da mentalidade neoliberal dos últimos anos. Desde algumas décadas o Estado está sendo desidratado, ele não presta bons serviços em saúde, ele não faz segurança efetiva, ele não promove educação de qualidade. Ao ficar nesses três aspectos elenquei aqueles que foram, até recentemente, a pauta dos liberais, mais ou menos conservadores. Em outras palavras, fazer um pouco mais ou menos, mas atuar de forma efetiva pelo menos nesses três segmentos.
Hoje temos crescente falta de resultado nesses campos e vemos a proposta de armar a sociedade. Já temos quadrilhas de bandidos explodindo bancos, em breve teremos cidadãos com revolver na cintura, duelos ao pôr do sol, num verdadeiro retorno aos tempos do bang-bang americano. Fantasias da infância prestes a virar pesadelo.
Um capítulo desastroso dessa desidratação do Estado é a privatização das rodovias. Pelo menos das mineiras. Mantendo traçado antigo de, pelo menos seis décadas, pouco ou quase nada foi feito em mais de meio século para mudar a rede viária de Minas. Enquanto isso o padrão dos automóveis mudou e o desenvolvimento tecnológico avançou muitíssimo. Um dos mais tristes exemplos dessa realidade foi a privatização da Rodovia 040 (JF-Brasília).
A privatização da estrada exigia que fosse feito um importante investimento antes de se cobrar pedágio. Menos de 10 por cento do valor previsto foi investido e a empresa começou a cobrar pedágio. Pior, nada de realmente importante foi realizado na via, pouco mais que tampar buracos, construir uma ponte e colocar uma ambulância aqui e outra acolá. Quase nada de importante foi feito. Por que a empresa que assumiu esse empreendimento fez tão pouco? Por que os órgãos de controle não revisaram a concessão? Enquanto tudo continua como está, vidas são quotidianamente ceifadas, acidentes se multiplicam, enquanto a providência é multiplicar o número de radares para reduzir a velocidade de carros feitos para andar a duzentos por hora, obrigando-os a trafegar a 40 ou 60 km por hora.
Agora quando se começa a discutir a privatização da BR 265 esperemos que o absurdo da via 040 não se repita. Essa outra rodovia federal precisa passar por rápida duplicação e receber outras melhorias. Para a sociedade nada adiantará privatizar essa outra rodovia federal se ela continuar a ser o que é, uma rodovia pequena, subdimensionada, com traçado inadequado, de pista simples, um corredor de acidentes e um canteiro de mortes. Se o Estado privatiza rodovias deve cuidar que o dinheiro arrecadado seja empregado na efetiva melhoria da via.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

OS OVOS DA BESTA - REGIMES DESPÓTICOS E DITATORIAIS. Selvino Antonio Malfatti.




Ultimamente nas redes sociais, mídia e outros órgãos de divulgação, ocuparam-se em debater regimes totalitários como fascismo, nazismo e comunismo. São regimes políticos extremamente fortes, os quais não só esmagam os indivíduos, como sufocam a consciência. Há, no entanto, outros regimes, fortes, mas que não chegam a ter a intensidade dos supracitados. São os regimes ditatoriais e os despóticos. São também ovos da besta Leviatã, que oram germinam aqui, ora acolá.

São conhecidos na atualidade vários ditadores e déspotas. Um dos exemplos mais típicos foi o Coronel Gaddafi. Com certeza nunca procurou ser exemplo de democracia, ao contrário, esmerou-se em patentear sua estratégia terrorista para conseguir seus objetivos. A mentalidade difusa, como externa seu filho Saif al-Islam (Espada do Islã) é de que transplantar a democracia para tais lugares, como a Líbia, com centenas de clãs, e não menos grupos armados, é impensável. Disso decorre que somente um homem como Gaddafi, poderia garantir certa estabilidade. As várias “Primaveras Árabes”, que só despertaram desejos sem os realizar, como do herdeiro do trono Saudita, Mohammed Bin Salman, culpado de crimes hediondos, mas protegido pelo autodenominado Protetor da Democracia, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Os Sauditas compram armas por bilhões de dólares e tem a proteção do democrata.  Sabe-se que, “pecunia non olet”: dinheiro não tem cheiro.

Dirigindo-se ao oriente, antes da Queda do Muro de Berlim, encontramos a figura do romeno Nicolae Ceausescu, com fama de reformador, mas também de tirano. Vendia judeus para o estado de Israel ao preço de 3.000 dólares, aumentando conforme se casado ou com filhos.
Continuando o desfile, encontramos a figura do presidente ditador Todor Zhivkov. Em seguida pode ser citado Ruhollah Musav Khomeini, mandou executar todos os que tivessem abandonado o Islã. O número de vítimas chegou a 30.000 conforme estimativas.

Na América do Sul, mormente Argentina, sabe-se que abrigou incontáveis fugitivos nazistas, como aconteceu com Erich Priebke, executor do Fosse Ardeatine. Mais recentemente, Chile e Argentina se caracterizaram por ditaduras vergonhosas, como exemplo a ferocidade de Pinochet não conhecia limites e Videla jogava vivos no oceano seus adversários. No mesmo período, com menos truculência, mas com muitos senões, o regime militar brasileiro torturou e mesmo matou adversários ao governos.
O adágio atribuído a Júlio Cesar dizendo que se queres paz prepara-te para a guerra (si vis pax para bellum) vale também para a democracia. Sob as cinzas, a chama das ditaduras e totalitarismos continua a arder. O maior perigo é a indiferença e a não preocupação dos sinais de avanço dos inimigos da democracia. É o que chama a atenção Thomas Jefferson: O preço da liberdade é a eterna vigilância (Eternal vigilance is the price of liberty).
Listamos a seguir os principais líderes totalitários e ditatoriais de nosso século e anterior:

1.    Muammar Kadafi – o feroz, da Líbia.
2.    Adolf Hitler – o genocida, da Alemanha.
3.    Josef Stalin – o homem de ferro.
4.    François Duvalier – de “papa doc” para “touton macoute”.
5.    Pol Pot – exterminador de seu próprio povo.
6.    Augusto Pinochet – Chile, sanguinário ditador.
7.    Kim Jong-II – os campos de concentração de trabalhos forçados para crianças.
8.    Omar al-Bashir – perseguição étnica e religiosa.
9.    Robert Mugabe – expoente de corrupção e perseguição.
10. Bashar al-Assad - Síria, mais de dois mil opositores mortos.

Como se vê, os ovos da Besta ainda existem e estão em gestaçao. Por isso:

ALERTA!

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