O filósofo italiano, Vittorio Messori, levantou a questão da
prioridade da Igreja: o social ou o teológico? Com efeito, atualmente há amplos
setores do clero eclesiástico que dá ênfase na missão social da Igreja. Isso
ocorreu após o Concílio Vaticano II. O Concílio não negou, nem colocou em
segundo plano a dimensão teológica, mas propôs que a Igreja se fizesse presente
no mundo. Para tanto era preciso que atendesse a justiça social, dignidade
humana, a paz e se preocupasse com a pobreza. O convite foi recebido com entusiasmo
frenético entre setores do clero. Afinal era muito mais receptivo falar da
promessa terrena do que a celestial. A partir de então surgiram até teorizações
sendo a mais conhecida a Teologia da Libertação, surgida nas décadas de
Sessenta e Setenta. A vivência cristã passou a ser pautada pelo olhar da
pobreza e opressão. A proximidade com as teses marxistas levou grande parte dos
seguidores ao marxismo, inclusive ao comunismo. A fé foi deixada para um
segundo plano e o social assume a prioridade, pregando e atuando mirando na
perspectiva de um reino dos céus na terra em detrimento da escatologia divina,
o céu.
Vittorio Messori em “Hipóteses sobre Jesus” (Ipotesi
su Gesù ), considera um grave erro da parte do clero enfatizar prioritariamente problemas
sociais e políticos desconsiderando questões teológicas dos dogmas e a vida eterna. Isso porque as grandes
questões teológicas como o mal, a morte, a salvação foram deixadis de lado da pregação.[i]
Para Messori o fim principal de mensagem cristã não reside na mudança
das estruturas sócio-econômicas, mas no destino do ser humano. O núcleo da
escatologia é a reflexão sobre a morte, o juízo final e a vida eterna. É nisso
que se diferencia a fé cristã de outras formas de pensamento humanista ou ditos
humanistas principalmente o marxista. Se a Igreja se abstiver destes temas
perderá sua identidade se tornará mais uma instituição apenas social.
Parte do clero foi engolido pelo processo de secularização que oculta a morte e vida do além. Este clero doura a pílula e faz crer que ao se solucionar os problemas terrenos automaticamente se solucionam os espirituais como se a alma acompanhasse a salvação do corpo. Concorda-se que estes temas não são populares e confortáveis, mas são da essência da vida cristã, mormente o mistério da redenção. Sem eles as pessoas ficam privadas da opção radical da fé cristã. O dizer seu “sim”.
O problema discutido por Messori não é a questão social, mas o desiquilíbrio
entre as questões sociais e as teológicas. As socias passaram a ser
prioritárias, enquanto as teológicas praticamente esquecidas ou vistas somente
na perspectiva social. Para a Igreja as questões socias estão inseridas nas
teológicas, isto é, na caridade. O verdadeiro equilíbrio consiste no anúncio
das verdades da fé – dogmas e vida eterna – e depois o compromisso com a
justiça e solidariedade. O problema está na
“mundanização” da Igreja. As pautas sociais se sobrepõem às transcendentes. A
solução está na recentralização da escatologia complementada pela justiça
social.
[i] “A cultura contemporânea tende a remover a morte, a escondê-la, a silenciá-la. Mas o cristianismo nasce precisamente como resposta à morte. Se se elimina essa questão, tudo o mais perde sentido: também a moral, também o compromisso social. Sem a perspectiva do além, o cristianismo se reduz a uma ética entre outras.” Vittorio Messori, Scommessa sulla morte (A aposta na morte).
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