Na vasta produção intelectual de um dos mais
destacados pensadores do século XX, Jürgen
Habermas, destacaremos alguns aspectos. Apenas como notícia ou informação sem pretensão
alguma de uma análise mais aprofundada.
Algumas vezes os vencedores na política das arnas foram
vencidos pelapoítica da cultura. Aconteceu com os romanos e gregos na antiguidade bem
como com os aliados e alemães na 2ª Guerra Mundial. Nesta, os aliados
derrotaram um totalitarismo, mas assimilaram boa parte do seu pensamento
filosófico e sociológico deste país. Na verdade, a Alemanha foi um verdadeiro celeiro
pensadores na segunda metade do século XX. A maioria se esforçou em entender
porque sociedades desenvolvidas e racionalmente avançadas reincidiram na
barbárie e na irracionalidade da guerra. E a culpa recaiu no período anterior,
no Iluminismo, Um dos mais destacados foi Jürgen Habermas, que em parte aceitou, mas com as devidas ponderações.
Jürgen Habermas (1929-2026, 96 anos), num
primeiro momento de sua trajetória intelectual filia-se a Escola de Frankfurt,
crítica do iluminismo. As teses centrais desta escola foram: 1. Alienação,
através da padronização da arte, a indústria cultural. 2. Dominação, pela
racionalidade instrumental, resultado pela eficiência. 3. Reificação, a
transformação dos sujeitos em mercadorias, coisas. 4. Crítica, análise de
regimes políticos, fascismo e autoritarismo.
Com efeito, o professor emérito da PUC/RS,
Carlos Alberto Molinaro, entende que a referida escola com seus líderes Theodor Adorno e Max Horkheimer constataram que o
iluminismo causou a hecatombe da civilização atual. Concluiram que a
racionalidade levou a considerar a natureza e a sociedade objetos que se
deveriam submeter o que levou à escravidão. O intuito de querer libertar
através da força teve um efeito contrário, o totalitarismo fascista e nazista,
causa de toda opressão.
Habermas herdeiro, mas crítico da Escola de Frankfurt, aplicou-lhe a crítica, não a marxista, mas a transcendental, e percebe o ingrediente da racionalidade no iluminismo opondo-se ao pensamento
de seus antecessores de viés de dominação e barbárie considerando isto não o
normal, mas uma patologia. Na sua reflexão filosófica desenvolveu a teoria da
ação comunicativa propondo que a racionalidade emerge da livre discussão até
chegar ao consenso. Em seus debates trouxe à luz ética e direito, mas
particularmente o conceito de esfera pública, fundamental para a democracia
representativa.
Conforme
ele em “Mudança Estrutural da Esfera Pública” a
esfera pública forma-se quando os cidadãos através de jornais, associações,
parlamento discutem racional e livremente questões de interesses de todos. Esta passa a influenciar nas decisões políticas
dos órgãos de governo. A participação livre dos cidadãos garante a democracia.[i]
Por isso, é pela intervenção dos cidadãos livres e não pela força que advirá a liberdade. Mas quê liberdade? A kantiana em parte quando institui o imperativo categórico da ação individual poder tornar-se regra universal. Habermas vê o outro, diferente do mesmo que é o indivíduo. E por isso é dialogando com ele que se institui a liberdade através do consenso da ideia concordada se não por todos, ao menos pela maioria, a opinião pública.[ii
Da vasta produção intelectual a crítica seliciona as seguintes obras:
Mudança Estrutural da Esfera Pública" (1962), "Conhecimento e Interesse" (1968), "Técnica e Ciência como 'Ideologia'" (1968), "Teoria da Ação Comunicativa" (1981) — sua magnum opus —, "O Discurso Filosófico da Modernidade" (1985), "Direito e Democracia: Entre Facticidade e Validade" (1992) e "A Inclusão do Outro" (1996).(Estadão)
[i] "Só à luz da esfera pública é que aquilo que é consegue aparecer; tudo se torna visível a todos. Na conversação dos cidadãos entre si é que as coisas se verbalizam e se configuram.” (J. Habermas).
[ii] “A validade de uma norma depende de poder encontrar o assentimento de
todos os participantes de um discurso prático, enquanto participantes de um
discurso racional.”
(Jürgen Habermas, Facticidade e Validade (Faktizität und Geltung)
Uma boa síntese desse autor importante para entender nosso tempo.
ResponderExcluirParticipação livre dos cidadãos garante a democracia .
ResponderExcluirPerfeito.
O filósofo da linguagem e ação comunicativa.
ResponderExcluirPensador da democracia.