Compatibilidade entre fé e ciência é possível? Pode um
cientista crer em Deus? Alguém que se dedica à ciência pode ter fé num ente
superior? Estas questões fizeram parte da vida de Antonino Zichichi.
A vida científica de Zichichi teve como maior contribuição
para a ciência a descoberta da antimatéria.
Viveu entre 1929 a 2026. Nasceu em Trapani, Sicília,
Itália. Graduou-se pela Universidade de Palermo em Física. Como pesquisador
iniciou em FERMILAB (Chicago) e no CERN (Genebra).
Contribuições para a ciência: Antimatéria, Física de
Partículas, Invenção de Multigap Resistive Plate Chambers (MRPCs)- medição do
tempo de voo.
Quanto à fé Zichichi causou polêmica por defender a
compatibilidade entre ciência e fé. O tema não é novo, ao contrário acompanha o
debate ao longo dos 2 mil anos da era cristã. O ponto alto ocorreu no século
XVII com Galileu Galilei que só não foi executado pela Inquisição por
retratar-se sutilmente abrandando os termos em carta enviada à Inquisição como,
por exemplo, em vez de “falsos”, empregou “não conforme a verdade”.
O debate sobre ciência e fé polarizou-se entre os que
defendem que ciência e fé são opostas e, por isso, inconciliáveis. No entanto,
há uma tradição fortemente alicerçada de que pode haver não só compatibilidade
entre ambas, como uma possível colaboração vantajosa entre a investigação
científica e a reflexão religiosa. Entre os últimos destaca-se Antonino
Zichichi que tinha na ciência uma via lógica para defender o criacionismo. As
leis da natureza não são aleatórias, mas obedecem à lógica e, portanto, são racionais.
O universo desde as partículas não é caótico, e sim estruturado matematicamente
apontando para uma ordem. Isso leva a uma reflexão filosófica. Onde a ciência
pára, a filosofia continua.
Na mesma trilha podemos citar o geneticista Francis
Collins, cristão professo, estudioso do genoma humano. Pensa que a investigação
científica e a reflexão religiosa, respondem a questões distintas, mas ao mesmo
tempo complementares. Ciência busca explicar o mundo natural, a fé procura
entender o sentido, o valor e a finalidade deste mesmo mundo natural. Uma tem
metodologia científica e outra abordagem.
No domínio da física destaca-se o cosmólogo George
Lemaître, sacerdote, que propõe a teoria do átomo inicial, precursor do Big
Band. Não se atrelou à cosmologia, mas na distinção entre o domínio científico
e teológico. Para ele a autonomia seria a condição para o diálogo.
Outro físico é John Polkinghorne, estudioso das partículas,
torna-se teólogo anglicano. Sustenta que tanto a ciência como a teologia buscam
a verdade, mas com métodos diferentes. A racionalidade do cosmos e a capacidade
humana para compreendê-la são dados que requerem interpretação filosófica mais
ampla.
Ciência e fé não são opostos.
ResponderExcluirSe completam.
Ciência, teologia e filosofia são inseparáveis, maravilhosamente se completam.
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