sexta-feira, 6 de março de 2026

ANTONINO ZICHICHI- PENSADOR DA RAZÃO E FÉ. Selvino Antonio Malfatti.

  



Compatibilidade entre fé e ciência é possível? Pode um cientista crer em Deus? Alguém que se dedica à ciência pode ter fé num ente superior? Estas questões fizeram parte da vida de Antonino Zichichi.

A vida científica de Zichichi teve como maior contribuição para a ciência a descoberta da antimatéria.

Viveu entre 1929 a 2026. Nasceu em Trapani, Sicília, Itália. Graduou-se pela Universidade de Palermo em Física. Como pesquisador iniciou em FERMILAB (Chicago) e no CERN (Genebra).

Contribuições para a ciência: Antimatéria, Física de Partículas, Invenção de Multigap Resistive Plate Chambers (MRPCs)- medição do tempo de voo.

Quanto à fé Zichichi causou polêmica por defender a compatibilidade entre ciência e fé. O tema não é novo, ao contrário acompanha o debate ao longo dos 2 mil anos da era cristã. O ponto alto ocorreu no século XVII com Galileu Galilei que só não foi executado pela Inquisição por retratar-se sutilmente abrandando os termos em carta enviada à Inquisição como, por exemplo, em vez de “falsos”, empregou “não conforme a verdade”.

O debate sobre ciência e fé polarizou-se entre os que defendem que ciência e fé são opostas e, por isso, inconciliáveis. No entanto, há uma tradição fortemente alicerçada de que pode haver não só compatibilidade entre ambas, como uma possível colaboração vantajosa entre a investigação científica e a reflexão religiosa. Entre os últimos destaca-se Antonino Zichichi que tinha na ciência uma via lógica para defender o criacionismo. As leis da natureza não são aleatórias, mas obedecem à lógica e, portanto, são racionais. O universo desde as partículas não é caótico, e sim estruturado matematicamente apontando para uma ordem. Isso leva a uma reflexão filosófica. Onde a ciência pára, a filosofia continua.

Na mesma trilha podemos citar o geneticista Francis Collins, cristão professo, estudioso do genoma humano. Pensa que a investigação científica e a reflexão religiosa, respondem a questões distintas, mas ao mesmo tempo complementares. Ciência busca explicar o mundo natural, a fé procura entender o sentido, o valor e a finalidade deste mesmo mundo natural. Uma tem metodologia científica e outra abordagem.

No domínio da física destaca-se o cosmólogo George Lemaître, sacerdote, que propõe a teoria do átomo inicial, precursor do Big Band. Não se atrelou à cosmologia, mas na distinção entre o domínio científico e teológico. Para ele a autonomia seria a condição para o diálogo.

Outro físico é John Polkinghorne, estudioso das partículas, torna-se teólogo anglicano. Sustenta que tanto a ciência como a teologia buscam a verdade, mas com métodos diferentes. A racionalidade do cosmos e a capacidade humana para compreendê-la são dados que requerem interpretação filosófica mais ampla.

O que se constata em comum nesses pensadores não é a quem cabe a primazia, mas a clareza das metodologias. A ciência busca a verdade através da investigação e a fé través da reflexão. Todos rejeitam tanto o fundamentalismo filosófico-teológico e o cientificismo da mensuração. A fé se vale da ciência e esta da reflexão filosófica.

2 comentários:

  1. Ciência e fé não são opostos.
    Se completam.

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  2. Ciência, teologia e filosofia são inseparáveis, maravilhosamente se completam.

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