sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A UNIVERSIDADE E SEU PORQUÊ. Selvino Antonio Malfatti

 



A universidade como ente abstrato mantém o elo de união do ente concreto, seu povo. Ela é o espírito da nação. Nela todas as energias espirituais encontram um corpo para viver. Nela se encontram todas as forças que se entrelaçam e aprofundam o pensamento. A universidade é a alma de coesão de um povo formado pelo corpo de suas partes nela conjugadas (Donatela Sciuto- reitora do Politécnico de Milão).

Qual o vinculo da universidade brasileira com a sociedade? Constata o filósofo e professor  do PUC-SP, Luiz Felipe Pondé, o cenário político partiu o Brasil em dois continentes separados por águas ideológicas inconciliáveis. O que acontece com a política na sociedade em geral, repete-se também na universidade brasileira: uma esquerda autoritária e uma direita impotente.

A primeira busca seu próprio bem travestido de uma moral filantrópica. É o Ogro filantrópico de Meira Penna.  Esta mesma ideologia embota o pensamento. A realidade que se dane, deve submeter-se à ideologia. É o heliocêntrico submetido ao geocêntrico. Não importam as experiências de Galileu, mas a doutrina da Igreja. É o lulismo.

Por sua vez o bolsonarismo vazio de ideias, está tentando comover os eleitores mostrando a saga de uma pessoa esfaqueada, sempre doente, perseguida pela justiça e encarcerado injustamente. Numa palavra, uma teimosia e uma incapacidade de superar uma ideologia de direita personalista.

Sabemos por Bauman que vivemos um tempo liquido, no qual, como nuvens, a realidade se faz e desfaz. Neste cenário de incerteza e falta lideranças autênticas e preparadas espera-se da universidade que assuma a direção dos fatos e que seja um farol a guiar a sociedade. Porém, o pior acontece: ela mesma se atrela ao torvelinho da voragem ideológica que engole tudo e a todos.

A delinquência cobre o território nacional, a corrupção assusta qualquer cidadão. Os noticiários mostram 99% de assassinatos, assaltos e corrupção. E o restante 1%, futebol.

Os poderes da República. De harmonia não existe mais nada, é só divisão.  Cada um quer emplacar mais cargos para seu partido: preenchimento de vagas para o Supremo, procuradoria geral da república, diretorias, presidências e assim segue. Tudo nutrido com o suplemento alimentar das emendas parlamentares.

E o país? Desprezado pelo Estado. O povo conta moedas para pagar transporte, não existe para os poderes. Enquanto o povo  junta moedas, a elite política careia milhões ou bilhões para seus bolsos. Como diz Pondé: “o Estado opera contra o cidadão”.  

E pensar que toda essa patifaria conta com a anuência da maior parte da imprensa que lambe as botas do Lula, descaradamente. Fosse um presidente que não pertencesse a gangue, a imprensa teria descascado essa coisa ridícula que foi essa balada em Belém, com direito a incêndio, falta de água nas privadas e bate boca com o chancelar alemão que nada disse além da verdade nua e crua sobre o evento e sua organização. O Brasil nunca foi um país sério.

Neste cenário político, qual o papel da universidade?

A primeira missão da universidade é afastar-se do jogo político do aqui e agora e pautar-se pela racionalidade. Se o Estado age contra o cidadão a universidade deve ir ao seu encontro.

Para tanto instituir-se como espaço crítico, acima do jogo político de slogans produzindo um conhecimento científico por excelência. Apresentar-se como uma instituição educativa e civilizadora. Num meio de descrença nas instituições apresentar-se como tábua de salvação, dando exemplo de premiar pela competência e mérito. No momento que lá fora da universidade a ferocidade devoradora engole adversários a universidade seja um espaço racional de lugar comum de ideologias, raças, credos e gêneros. Enquanto lá fora se vive o dia a dia, a universidade projeta futuros, faz cenários de reformas, apresenta diagnóstico e sugestões. Aponta saídas para soluções para violência, modica estruturas arcaicas e opções para corrupção sistêmica. 




11 comentários:

  1. Uma realidade muito triste.
    Mas o Brasil é maior que tudo isto.

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    1. Talvez seja necessário passar por tudo o que esta acontecendo, para o povo conhecer em quem vota, apreender a escolher, olhar a história de seu candidato.
      Não podemos ser individualistas, precisamos pensar na sociedade.

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  2. Verdade, a pobreza aumenta, os políticos estão fartos de banquetes, estamos carentes de união, por um mundo melhor.

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  3. Esquerda autoritária, que mantinha o povo ignorante.
    Assim tinha eleitores, maior inimiga não é a direita,
    é a internet que mostra a realidade.

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  4. Sim é isto que a Universidade deveria ser, educativa, um espaço de harmonia..
    E não defensora de ideologias.

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    1. Tudo que está acontecendo, trará amadurecimento e mudanças, é preciso.

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  5. Caríssimo, hoje o tempo mostra, homens tem preço, a imprensa esqueceu a ética, não formam jornalistas e comunicadores, temos fantoches, lambendo botas.
    Alguns jornalistas antigos e éticos saíram do Brasil, porque falam a VERDADE.

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  6. Que povo ignorante, o chanceler falou a verdade e criticaram, o errado virou certo, que vergonha.
    O general Figueiredo estava certo, sentiriamos saudades.

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  7. Nada pode ser mais triste, para uma geração que aprendeu a amar sua pátria do que ver a destruição de valores, o inegociável se tornar moeda sem valor.

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  8. A Universidade deveria ser um espaço democrático, mas sabemos que infelizmente, em parte, perdeu sua função.
    Quem está lá sabe o sofrimento pelas mordaças.
    Muitos corajosos estão deixando sonhos e ilusões, procurando outros espaços para exercer sua profissão.

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  9. Que as universidades voltem a cumprir a missão, orientar e formar bons profissionais e pesquisadores..

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