sexta-feira, 4 de abril de 2014

E a música é …? José Maurício de Carvalho.


    http://www.youtube.com/watch?v=Z-2AngS_Z5k

O crescimento econômico do Brasil nas últimas décadas, somado à consolidação da democracia no mesmo período, deu ao nosso país destaque e visibilidade que ele não tinha. O mundo voltou os olhos para o Brasil, como passou a observar com maior atenção outros grandes países que cresceram economicamente: Rússia, Índia e China. É claro que apesar do desenvolvimento econômico continuamos com muitos problemas sociais e de infra-estrutura, o que não é estranho já que mudanças profundas são para mais de uma geração. Ainda assim o modo de ser brasileiro tornou-se uma curiosidade universal até porque o país se propôs a realizar dois grandes eventos da atualidade: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A visibilidade aumentará mais ainda nos próximos anos.
Esta redescoberta contemporânea do Brasil pelo mundo não deixa de ser curiosa e ajuda a olhar para nós mesmos com outros olhos, isto é, com os que de fora nos enxergam. A satisfação e espírito patriótico cresceram aqui dentro e o mundo começa a enxergar as coisas boas que estamos realizando. No entanto, esta onda brasílica que percorre os cinco continentes possui um lado meio cômico, meio histérico que antes de divertir me incomodou bastante: Luan Santana e sua música nomeada de brega sertaneja. A tal música está longe de ser sertaneja, pelo menos não tem nada a ver com a chamada música de raiz, mas hoje é tocada nas grandes cidades e no interior. Quanto a ser prega isto pode ser, eu não saberia classificar.
E depois de Ai se eu te pego, o país de músicos do quilate de um Pe. José Mauricio, Carlos Gomes, Ari Barroso, Francisco Braga, Henrique Oswaldo, Leopoldo Miguez, Lorenzo Fernandez, Radamés Gnattali, Cláudio Santoro, e outros tantos populares como Pixinguinha, Lamartine Babo, Francisco Alves, Cartola, de ritmos tão diversos como bossa nova, jovem guarda e tropicalismo, de folclore tão rico e variado com: baião, batuque, bossa nova, choro, lundu, maracatu, maxixe, samba, modinha, virou o país de Michel Teló: ... Delícia, Delícia, assim você me mata (...). Nos últimos meses é um tal de jogador de futebol, jogador de tênis, jogador de basquete imitar a pornodancinha de Luan Santana para celebrar seus triunfos atléticos que a cena ficou cômica. E a moda ganhou mundo, pois não apenas os atletas e artistas, mas o público imitando seus ídolos procura também repetir a já conhecida dancinha. Como português é língua pouco conhecida o povo pelo mundo afora não tem a menor ideia do que se canta e viaja na fantasia dos gestos mesmos. O aborrecimento inicial que tive hoje é pura diversão, povos que imaginavam que nossa capital era Buenos Aires ou que aqui se chamava Bolívia estão sob nossa influência cultural e de que nível! Estou adorando e a vingança será completa quando os americanos, protestantes de raiz, aderirem a dancinha pornoerótica, se chegarem a tanto. O que não farão quando descobrirem a música de Vila Lobos? Terão orgasmos múltiplos na Quinta avenida. Até os frios japoneses se curvarão ante produção tão magnífica, não? Se eles gostam de Michel Teló como responderão a Carlos Gomes? Acredito que em êxtase completo.
Enquanto o mundo gira e o país real encontra-se afogado pelas águas de verão na sua habitual imprevidência e falta de planejamento, o mundo dança ao som de ai se eu te pego, ai se eu te pego. Como classificar mesmo a música: brega sertaneja? Não, é lixo mesmo. E a ela a história dará o mesmo destino do último sucesso do nível: minha equinha pocotó. O que se espera é que nenhum movimento popular de protesto resolva levar também o jovem cantor brega sertanejo e seu rebolado ao Parlamento, como levou o cantor de minha equinha pocotó. Aí já não me divertiria tanto.



8 comentários:

  1. Mas as musicas dos anos 70/80 são inesquecíveis.

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  2. Estamos carentes de musicas que toquem verdadeiramente o coração e passem uma mensagem,algo bom.

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  3. Mas até podem gostar de algumas musicas, mas o que está acontecendo no momento atual e econômico é bom para eles, cantores e bandas que nunca quiseram se apresentar no Brasil agora amam vir para cá e levam milhões de reais dos brasileiros deslumbrados.

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  4. A musica se é que se pode ainda chamar assim, virou algo sem nenhum atrativo.

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  5. Felizes fomos nós que tivemos os bons tempos de sonhar embalados com as musicas de Pixinguinha,Lamartine e tantos outros.

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  6. Se pode chamar de musica todo lixo que está aí?

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  7. E a musica? Ficamos com o que sempre permanece,estas são eternas.

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  8. A musica de antigamente e,não é saudosismo, trazia uma mensagem,algo de tocar o coração,estas permanecerão são eternas.

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