sexta-feira, 27 de junho de 2014

QUEM É MELHOR: FELIPÃO OU SCHUCK? Selvino Antonio Malfatti.














Dois eventos ocorreram no Brasil concomitantes atualmente. O primeiro é o campeonato mundial de futebol realizado no Brasil e o segundo o lançamento de um satélite pelo Brasil na Rússia. Cada um deles tem um responsável. O Primeiro, Luiz Felipe Scolari, comanda uma equipe de jogadores de futebol que vai enfrentando um a um os adversários para conseguir chegar ao topo e tornar-se campeão. O segundo, Nelson Jorge Schuch, gerencia uma equipe de pesquisadores do INPE e da UFSM e já chegou ao objetivo: colocar em órbita terrestre um satélite.
O primeiro foi contemplado com bilhões de verbas nacionais e internacionais, bem como construções de faraônicos estádios nas principais capitais da federação, com funcionários regiamente remunerados. O segundo possui um modesto laboratório do INPE, na região central do Rio Grande do sul, Santa Maria, com funcionários e bolsistas pagos em salários. Na estréia do jogo do Brasil, no dia de 12 de junho, na Arena Corinthians, Scolari recebia atenção de milhões de pessoas tanto do Brasil como do exterior. No lançamento do satélite, na base espacial Yasny, na Rússia, estavam presentes duas dezenas de pesquisadores, geralmente coordenadores de projetos para lançamento de satélites.
Estabelecer um paralelo entre os feitos de Felipão e Schuch parece coisa de maluco, de samba de crioulo doido, pois são acontecimentos de natureza totalmente diversa. O primeiro é lúdico e o segundo científico. No entanto, como são contemporâneos é possível verificar a receptividade e repercussões no seio social de um e de outro, bem como projetar as conseqüências de um e de outro. 
Quanto à liderança, Felipão é essencialmente um futebolista que se transformou em treinador da equipe brasileira para o mundial de 2014.  Antes treinou o Palmeiras, em cujo time aprendeu as manhas e artimanhas do futebol e seus campeonatos. Principalmente as artimanhas, as entrelinhas e o jeitinho. Claro, tem um curriculum futebolístico invejável: foi campeão da seleção brasileira em 2002, da Copa do Mundo, Coreia do Sul, Libertadores da América. Em 2013 foi campeão da Copa das Confederações. Tudo isso, evidentemente, o qualifica.
Por sua vez, Schuch vive uma monótona vida acadêmica. É pesquisador do CNPq e professor da UFSM, desenvolve dezenas de linhas de pesquisa e trabalha com várias instituições. Sua maior conquista foi ter construído, junto com alunos da UFSM e do pesquisador Otávio Santos Cupertino, do Inpe de São José dos Campos, um satélite, já lançado ao espaço em 19 de junho deste. Também está qualificado devidamente para levar adiante projetos de pesquisa.
O que têm em comum?  Ambos são gaúchos, mas isto é irrelevante.
Schuch já alcançou seu objetivo, o satélite já está em órbita. Digamos que Socari também o faça, isto é, que o Brasil arremate a taça. Quais as conseqüências? Scolari proporcionará uma alegria imensa a milhões de brasileiros e admiração, senão inveja, dos demais países. E os estádios, como esfinges, continuarão a ostentar a grandiosidade do futebol brasileiro. Scolari será recebido em toda parte como herói, ovacionado e, por tabela, muito bem pago.  
Schuch, constará em atas e relatórios científicos como o primeiro brasileiro a conseguir tal feito. E continuará recebendo remuneração de professor. O satélite, porém, poderá prever tempestades, enchentes, secas prolongadas ou queimadas. Localizar cidades, ruas e pontos distantes e desconhecidos. A área da comunicação receberá mais impulsos, será mais rápida, segura e precisa. O Gps, cujo gerenciamento está nos Estados Unidos, poderá vir para o Brasil, inclusive fornecer para outros países, passando a ser fonte de divisas. Melhorará a vida de milhões de brasileiros.
O satélite não é grande, por isso mesmo chamado de NanoSatC-BR1, mas sua importância é inestimável para o conhecimento do espaço e inserir o Brasil no patamar espacial e outras vantagens. 
Quem é melhor? Scolari ou Schuch?
A propósito, lembro-me da Carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito sobre a conclusão de Coliseu:

“Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro.”

7 comentários:

  1. Uma boa pergunta? Curioso estou pelas respostas.

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  2. Qual teve e está tendo maior espaço na mídia?

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  3. A importância do satélite, o tempo que cientistas, alunos e toda uma equipe se dedicou a um projeto grandioso como este passou despercebido, tal qual o desrespeito da FIFA frente a apresentação de um jovem paraplégico que conseguiu movimento nas pernas graças a pesquisa dos cientistas brasileiros.
    A copa vai passar, os donos vão embora, deixando para os brasileiros estádios gigantes , vilas que hospedaram equipes e muitas dividas.
    O satélite é nacional, estará gerando ganhos para os brasileiros, estará ajudando a melhorar a vida de pessoas que talvez nem saibam de sua existência.

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  4. Muito educativo. GOSTEI.

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  5. O que está acontecendo? Até verba para as pesquisas estão em conta gotas.

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  6. Por tudo que representa com certeza é o pesquisador SCHUCH, mas o futebol é o circo do povo.

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