sexta-feira, 1 de março de 2013

A INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA DE DROGADOS – A FAMÍLIA TAMBÉM É GENTE. Selvino Antonio Malfatti.





O governador do Estado de São Paulo, José Alkmin, e agora o do Rio de Janeiro, seguidos de outras autoridades decidiram internar compulsoriamente os viciados em crack. Evidentemente a decisão é polêmica, pois envolve aspectos jurídicos e éticos. Do outro lado da moeda, no entanto, existem outras realidades igualmente importantes, tais como a pessoal, familiar e social. Resumiria numa palavra: humana.
Para o cumprimento da lei exigir-se-ia uma solicitação médica de internação e a questão ética envolve o princípio da autonomia. Para atender o primeiro quesito faz-se necessário a criação de Centros de Atendimento Psicossocial – CAPS. Como nem união, nem estado e muito menos municípios possuem suficientes, por isso seria ilegal a internação.
A questão ética diz que é necessário o consentimento do paciente para que determinado procedimento seja feito ou de algum parente, como pais, filhos, esposa, netos etc. Quem são os atores envolvidos na questão das drogas químicas e mais especificamente o crack? Para mim é pessoa, a família e a comunidade. A sociedade indiretamente arca com o peso daquela pessoa viciada. Precisa dar-lhe alimento, vestuário, habitação, saúde. A sociedade só recebe a fatura e paga. Não tem nenhum retorno. Certamente concordaria com a internação compulsória. Acontece que a sociedade não é parente e, portanto, não pode dar o consentimento legal, embora apoie a internação compulsória dos viciados. A sociedade quer curar-se desta ferida que a está levando para a morte. Precisa urgentemente de socorro.


E o usuário de droga dará o consentimento? O viciado em crack não possui mais autonomia da vontade, pois é dependente, e por isso, abúlico. Tornou-se um simulacro de ser humano. É um corpo humano com alma, mas sem vontade e consequentemente sem liberdade. Está oco por dentro. Tem sentimentos, contudo a razão foi dominada pelo instinto. Quer ser recuperado? Até quer, mas não tem forças, vontade suficiente. Por isso está impedido de dar o consentimento.
Na impossibilidade de o sujeito manifestar-se é preciso consultar um familiar. Qual a situação da família com a presença de um viciado em crack? Por causa dele casais brigam, se ofendem, separam-se, odeiam-se. Os filhos se dispersam, os irmãos se desentendem, pais e filhos enfrentam-se. Quem não conhece casos de viciados em crack que roubam e assassinam os pais. Violentam as irmãs, batem nos irmãos, roubam-nos e os matam. São famílias inteiras pedindo socorro para que alguém faça alguma coisa. Pais amarram os filhos para evitar que se droguem. Mães trancam o filho para não deixá-los ir para rua. O desespero chega ao auge quando os filhos têm que dopar o próprio pai para levá-lo ao tratamento.E quando não aguentam mais e tiram-se a própria vida, suicidam-se.
Por isso, o objetivo maior da internação compulsória é a família e elas tem o apoio de todos. Elas também são gente. Os familiares merecem ter uma vida normal. A presença do drogado nelas as está desintegrando e jogando fora vidas inteiras. É muito sofrimento, um calvário que não termina mais e o grito desesperado dos familiares ouve-se de todos os lados: Meu Deus, por que tanto sofrimento?

13 comentários:

  1. É muita dor,concordo, a internação deve ser feita
    mesmo que não aceite.

    ResponderExcluir
  2. Para a família é muito sofrimento,dor,fica prisioneira,quase refém.

    ResponderExcluir
  3. A praga do crack nasceu e grassou entre os miseráveis, a tal ponto que "cracolândia" virou sinônimo de "local onde pobres consomem sua droga". É mais do que tempo de rever esse conceito. Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgada em 2009 constatou que o crack avança rapidamente entre os mais abastados: o crescimento entre pessoas com renda superior a vinte salários mínimos foi de 139,5%. Além dos números, os dramas pessoais confirmam que a química do crack corrói toda a sociedade. Nas clínicas particulares, que custam aos viciados que tentam se livrar da cruz alucinógena milhares de reais ao mês, multiplicam-se universitários, empresários, professores, militares. Todos estão reunidos pelo mesmo mal e almejam idêntico objetivo: tirar a pedra do meio do caminho de suas vidas.Veja 23/11/2011.

    ResponderExcluir
  4. Isto só tem um nome,destruição de sonhos.

    ResponderExcluir
  5. Pode ser uma luz,porém o caminho ainda é um calvário.

    ResponderExcluir
  6. Sim,a família sofre e muitas vezes não encontra informações.Hoje vivemos o programa Amor Exigente.

    ResponderExcluir
  7. Drogas e álcool estão destruindo as famílias,deixando tristezas,dor e sofrimento.

    ResponderExcluir
  8. O crack trás uma trágica realidade,somos o país numero um no consumo.A mais triste verdade.

    ResponderExcluir
  9. Maconha é porta de entrada
    Se é temerário afirmar que todo usuário de maconha se tornará dependente de crack, é quase certo que o usuário de crack experimentou maconha antes.Esta é uma realidade.Usuários de maconha tentam esconder esta verdade.

    ResponderExcluir
  10. Toda família que abriga um dependente químico torna-se co-dependente,isto é, doente necessitando de cuidados.Só que o remédio é entender a doença,livrar-se do preconceito,das culpas,da ansiedade de encontrar outras saídas que, não seja a reorganização da família para juntos tratarem as fragilidades. A dependência química está permeada de preconceitos porque,justamente quando surge um familiar alcoolista ou usuário de outras drogas a família se fecha procurando desculpas,sente-se envergonhada.E esta falta de informações torna a família refém de uma doença progressiva que,até o momento não tem cura,é fatal.Assim o dependente dentro da própria família vai conseguindo recursos para sustentar seu vício.Todos os dias nos chegam histórias de amigos,familiares,filhos,pais que fragilizados entregam-se as drogas, quase desistindo da vida.Para os familiares muitas vezes com dificuldades financeiras resta seguir o calvário de procurar ajuda na igreja,grupos de apoio,C.A.P.S.,e ao judiciário. Portanto a internação compulsória chega como o início de uma solução,pois um usuário não está em condições de decidir,ele precisa ser tratado,fazer desintoxicação e,se não houver outro caminho que seja forçado.Certos profissionais da área de saúde criticam tal decisão,mas não há outra forma de internação.O direito de decisão neste momento pertence a família,o usuário é um doente compulsivo,não tratado caminha para a morte.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conseguir a internação ainda é muito difícil,pelo SUS,uma verdadeira tortura nas grandes listas de espera.

      Excluir
  11. Bom artigo,claro a família se desestrutura.É triste.

    ResponderExcluir
  12. Muita dor,é triste o sofrimento da família.

    ResponderExcluir