segunda-feira, 26 de abril de 2010

TERRA SANTA - RELIGIÃO E INTOLERÂNCIA









É impossível dissociar Terra Santa de religião. O fenômeno religioso se constitui num dos aspectos mais significativos do homem.
Perseguimos a hipótese de que é muito provável que a religião tenha surgido para atender a fins sociais, isto é, para impor eficácia às normas de condutas coletivas. O Decálogo, com certeza, é um protótipo disso, da mesma forma que o Código de Hamurabi, as Tábuas de Conjurar assírio-babilônicas, o Livro dos Mortos, todos, esforços para organizar a vida social. Mas quem poderia dar legitimidade a estas leis e colocá-las num patamar inatingível pelas próprias autoridades políticas do hic e nunc, isto é, dos governantes do momento histórico? Por que a tentação dos governantes é abolir as leis que eles acham que os prejudicam ou os impem de realizar seus desejos, como culpar a burocracia, os poderes judiciário e legislativo, a imprensa e “cosi via”. Por isso, acertadamente, a estratégia foi atribuir às normas um caráter divino, uma natureza sobrenatural, qual seja, as leis seriam emanadas da vontade de um deus.
Na Terra Santa nos deparamos com duas etnias: judeus e muçulmanos, filhos do mesmo pai: os primeiros dizem-se descendentes de Isaac e os segundos de Ismael, ambos filhos de Abraão, mas de mães diferentes. Os primeiros darão origem ao judaísmo e os segundos ao islamismo. Ambas as religiões compõem atualmente, juntamente com o cristianismo, as três grandes religiões monoteístas. O judaísmo influenciou o cristianismo e ambos influenciaram o islamismo. Precisamente são estas religiões predominantes na Terra Santa.
Estas três religiões originam uma disfuncionalidade de comportamentos de alguns de seus membros, setores ou facções entre si e diante das demais. Como o bicho da seda, fecham-se sobre seu proprio casulo e passam a condenar tudo o que estiver fora de si. A doutrina, as normas ou crenças tornam-se exclusivistas anatematizando in limine nos outros tudo o que não for igual à sua crença. Disso nasce a intolerância e agressividade. Os cristãos organizam cruzadas para atacar os islamitas. Estes invadem a Europa para atacar os cristãos e judeus. Judeus atacam cristãos e islamitas e estes aqueles. A intolerância religiosa no período medieval e ainda atualmente em muitos lugares transforma a convivência religiosa num verdadeiro estado hobbesiano, de guerra de todos contra todos
O grau de agressividade e intolerância supera a todas as expectativas. E por conta disso, os turistas ou peregrinos sentem-se desprotegidos. Cada religião tem seu próprio território e impõe suas leis. Como exemplo, podemos citar a visitação ao Santo Sepulcro. Não se tem nenhuma regra, valendo a lei do mais forte, do empurrão, da xingação, do “furo” das filas, da gorjeta. É um caos e um perigo, como a comemoração da liturgia do fogo na semana santa. Todos os anos são eminentes tragédias de proporções imprevistas ameaçando os turistas e peregrinos. Nenhuma religião se preocupa, ou melhor, parece que cada uma torce para que aconteça algo trágico no território da outra religião.







Um comentário:

  1. Liane - Planalto21 de maio de 2010 17:10

    Selvino,
    Inacreditável a nossa presença nesta festa de Páscoa. Acredito que marcou em todos nós este especial momento de luz, fogo, calor. Abraço, Liane - Planalto Turismo

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