sábado, 29 de maio de 2010

A EUCARISTIA E A SALA DA SANTA CEIA


Cai a tarde nos arredores de Jerusalém, no ano 33 da era cristã. O calor do dia rapidamente dá lugar ao frio da noite. É o período de preparativos a festa dos Ázimos. Jerusalém está rodeada de peregrinos que acorrem para a festa. Próximo aos muros e dentro de grutas os visitantes acendem fogueiras para se aquecerem e prepararem-se para o acontecimento maior dos judeus: Pessach
Jesus com seus discípulos está chegando à cidade, próximo ao Monte Sião, fora dos muros, no extremo sul da Cidade Velha. Eles perguntam ao Mestre onde irão celebrar a Páscoa. Respondeu-lhes que havia uma sala cedida por um morador de Sião. Pedro e João devem ir lá e prepará-la. A sala fica no andar superior, certamente de propriedade de um abastado seguidor de Jesus, que lhe ofereceu o local para que ele e seus discípulos celebrassem a Páscoa.
Este local ficou na História como a Sala da Santa Ceia. Ao entrar nela sente-se uma leveza inefável. As colunas que dividem a sala ao meio são imponentes e graciosas, em curvas suaves até alcançarem o teto. É alta, espaçosa e iluminada, mas não demasiadamente clara para distrair-se. Um ambiente ideal para um grande acontecimento: a instituição da Eucaristia, a Ação de Graças.
Ali ocorre o último encontro de Jesus com os discípulos antes da morte. A autenticidade pode ser comprovada pelo desenho da época, embotado e meio apagado, de um pelicano, símbolo da eucaristia, no canto de saída da sala. Assim como o pelicano arranca suas próprias carnes para alimentar os filhotes, Jesus entrega sua própria carne para salvação dos homens. Os árabes, que nas invasões ali estiveram, e destruíam tudo que pudesse lembrar cristianismo, não deram importância ao desenho e o deixaram, pensando que se tratava da mitologia romana.
Provavelmente o significado do acontecido naquela Sala, os apóstolos tenham entendido somente mais tarde. Jesus e apóstolos estavam em dimensões opostas. Jesus falava numa perspectiva supra terrena e os discípulos entendiam tudo ao pé da letra, no plano físico. Ele queria fazer daquele momento o encontro supremo com seus discípulos. Até agora havia ensinado e dado o exemplo, agora queria doar-se. Aparenta serenidade, mas está angustiado. Os apóstolos não entendem. Fala que alguém irá traí-lo. Eles lhe perguntam quem é. Como todos estavam ceando, ninguém se deu ao trabalho de ver quem punha a colher no prato junto com ele e descobrir o traidor. Não deram a menor importância quando Judas se retira, com o próprio consentimento do mestre:
- O que tens de fazer, faça-o logo, disse-lhe.
Lava os pés dos apóstolos e eles reclamam. Institui a Eucaristia e ninguém se admira. Da parte dos apóstolos nada de anormal acontece; Jesus, porém, antevê-se no Getsêmani, logo ali, defronte às muralhas da cidade, de cujas portas sairá o piquete de soldados que irá prendê-lo...O que mais terá acontecido naquela noite na Sala da Ceia? Desconhecem-se os pormenores, mas o essencial Lucas e Marcos deixaram escritos.
A Festa que é celebrada no dia 3 junho, aconteceu pela primeira vez nesta Sala que se vê na foto. Não enleva?

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