sexta-feira, 5 de outubro de 2018

ELEIÇÃO: DOMINAÇÃO x VALORES. Selvino Antonio Malfatti





No dia 6 de outubro deste ano haverá eleição no Brasil para Presidente, senadores, deputados federais e estaduais. Será uma consulta popular a respeito da aprovação ou não do programa de governo dos partidos que o compõem. Haverá, portanto, tipicamente uma busca de opinião sobre a aprovação ou não da ideologia e programa de governo. A sociedade quer saber com certeza se aprova ou não o governo e sua política ou quer mudar. Portanto, a sociedade quer uma verdade e não simplesmente um aparência. Em cima da realidade que se apresenta fará uma escolha.

A ação humana é carregada de sentido. Inclusive, a escolha está assentada sobre o sentido. Qual o sentido que se deve dar à escolha? Até mesmo a política? O embazamento teórico podemos buscá-lo em Max weber. Conforme ele, a racionalidade reside na compreensão da ação humana. Diante disso, procura entender que o móvel da ação é o sentido que se lhe presta. Nisso estaria sua racionalidade. Esta pode ser racional com fins, racional com valores, tradicional ou sentimental. Evidentemente que o sentimental e o tradicional podem ter pouca racionalidade para quem faz, no entanto, para quem estuda encontrar estes princípios motores é racional. É o que explica Weber:


A teoria weberiana sobre o sentido da ação humana, conjugada com a teoria das formas de dominação, pode lançar luz sobre a questão. Conforme Weber, a ação humana pode ter quatro sentidos:
1. Ação racional, tendo presente uma verdade, avaliada sob a luz da razão como um fim em si e escolhida sem qualquer tipo de coação. Neste caso há uma perfeita sintonia entre o ser buscado e a razão.
2. Ação racional, tendo presente um valor, avaliado sob a luz da razão como um bem em si e escolhido sem qualquer tipo de coação.
3. Ação sentimental, tendo presente uma emoção, avaliada pelo sentimento como uma sacralidade e escolhida de conformidade com a satisfação.
4. Ação tradicional, tendo presente um costume, avaliado tradicionalmente como eficaz e escolhido sob a égide da repetição
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Quanto às formas de dominação ou de legitimação do domínio, Weber apresenta três formas puras:
1. A tradicional se refere aos costumes sagrados dos ancestrais. É o “ontem eterno” sacralizado na tradição. Este, na forma mais pura, o aparelho estatal, confunde-se com a vontade pessoal do governante. Não se estabelece uma distinção entre o governante e a pessoa física de quem o governa. É o patrimonialismo, pelo qual o bem público se confunde com o privado.
2. A carismática, baseada no dom pessoal, na unção, no dom da graça conferido a alguém.
3. A legal, baseada na força da lei. Há regras preestabelecidas e universalmente válidas. É o domínio exercido em virtude da lei
Carece, portanto de recionalidade afirmar que tudo é ideologia. Que a ção humana tem como fundamento a ideologia. Se, se seguisse esta vereda- tudo é ideologia - nada pode ser considerado verdadeiro, pois há sempre um interesse político por trás de qualquer esforço.  Nada é verdadeiro, o resultado não passa de uma distorção. O que chama atenção é que este modo de pensar só é válido para seu seguidor, isto é, o seu modo de pensar é verdadeiro e do outro não.
No Brasil, esta ideia de que tudo é ideologia – leia-se política – teve origem num pequeno grupo de intelectuais e artistas universitários. Houve protestos da parte de quem não concordavasse, ponderações, mas de nada valeu. Como qualquer ideologia, por ser fácil e com aparência de verdade, propagou-se facilmente da universidade para o ensino médio e deste para o primeiro grau. Jovens estreantes na pesquisa abraçaram a teoria, pois sem nenhum esforço, podiam chegar a "verdades"  que quisessem. 
As fontes desta teoria todos sabemos.Seus seguidores leram, mas não as estudaram, isto é, não aplicaram o método da crítica científica. Daí, todos os que não concordassem com suas "verdades", passaram a ser retrógados. E em política, pichados de fascistas. 
Neste sentido, a ciência foi desvirtuada de sua natureza passando a ser considerada apenas diletantismo e ou má fé, numa palavra: ideologia.
 Detenhamo-nos nas formas de dominação:
- abriga verdades gerais.
- baseia-se no método científico.
- os resultados podem ser reconstituídos.
- independe dos indivíduos.
- está ligada a uma teoria.
Então temos uma dominação legal

- conjunto de ideias, pensamentos e doutrina válidos particularmente. 
- visa ações sociais e não desobertas científicas.
- Manter o status quo, sem mudanças
Então temos uma dominação tradicional

Além disso, há senso comum.

- conhecimento espontâneo ou vulgar.
- resultado de experiências pessoais, sem senso crítico, como: "logo que ouvi o candidato identifiquei-me com ele, e concluí que era o melhor".
- conjunto de observações que auxiliam o modo de agir.
- Baseia-se na vontade do líder
Então temos uma dominação carismática.

Diante disso, se pode perguntar: o que pode ser considerado legal-racional numa eleição, o que é tracional e é do carismático?
Tomemos como exemplo aspectos de uma eleição concreta.
legal pode ser considerado os valores do conteúdo programático dos partidos, o sistema político, os poderes, a função de cada poder, as eleições,a filiação ideológica, a porcentagem do eleitorado obtido na eleição, as metas que se propõe.
carismático é a visão de mundo, ideal, tudo é perfeito . Para esta postura a oposição distorce a verdade. Seus seguidores idealizam a sociedade sobre a própria concepção.
tradicional é acreditar na vitória do partido ou do líder pelo desempenho do discurso ou estética dos candidatos, crer que a influência pecuniária é determinante, atribuir má fé nas pesquisas. 
As eleições estáo batendo à porta. Seu resultado evidenciará os valores da sociedade e evidenciará o estágio da forma de dominação. 
A prova disto: nos países de democracia consolidada, o candidato perdedor vai à imprensa e parabeniza o vencedor, desejando-lhe um bom governo. Estamso diante de uma forma de dominação legal.
 Em democracias não consolidadas, o perdedor deseja o pior ao vencedor, temios aqui uma dominação tradicional ou carismática.
O resultado da eleição com certeza evidenciará duas realidades: o tipo de ação humana predominante os valores - e a forma de dominação vigente - estágio de dominação.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A política e a triste afirmação da ignorância e egoísmo. José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei.


As democracias liberais desenvolveram-se historicamente legitimando a disputa de interesses. E o que legitimava essa disputa? A compreensão popularizada pelos filósofos e moralistas britânicos de que a sociedade era formada por segmentos com visões diferentes da vida, da história, do trabalho, enfim de coisas sobre as quais era razoável discordar. E como era importante que esses grupos de interesse existissem, do contrário teríamos a imposição de uma parcela ou ditador, então eles podiam disputar a liderança da sociedade durante certo tempo. Um mecanismo de consulta eleitoral garantia que, de tempos em tempos, a alternância dos governantes. E as democracias liberais assim se desenvolveram e enfrentaram seus problemas. O mecanismo funcionou apesar das dificuldades. É mesmo assim, nada que é humano é perfeito, embora possa ser melhorado. Por outro lado, a democracia liberal, mesmo longe de ser perfeita era melhor que ditaduras ou, ainda pior, totalitarismos.
Assim sempre tivemos líderes melhores ou piores se sucedendo na disputa política. Essa forma de democracia se desenvolveu junto a monarquia britânica e precisou comprometê-la com regras, pois os reis historicamente tinham a vocação para o exercício do poder centralizador e absolutista que concentrava em si todo o poder e nele se perpetuava. A monarquia liberal foi criada assim e foi ajustada aos novos tempos nas repúblicas europeias que, em vários países, assumiu o liberalismo democrático, submetendo a disputa de interesses a regras firmes para evitar que no lugar dos antigos reis surgissem novos tiranos. No entanto, o jogo político no liberalismo democrático tinha um estofo ou enchimentos necessários. John Locke, ainda no século XVII, dizia ser a crença em Deus não mediada por príncipe estrangeiro, querendo assegurar um cristianismo sem a intervenção do papa e uma sociedade pautada pela moral. Esse filósofo inglês entrou para a história como o "pai do liberalismo", filiado à escola empirista e elaborou a ideia do contrato social para organização dos interesses. Com sua proposta religiosa, além de defender a liberdade escolheu trouxe a tolerância religiosa.
A liberal democracia seguiu seu caminho pela história, chegou a outros países e enfrentou a questão social, guerras e outras dificuldades. Tornou-se a melhor maneira das sociedades escolherem seu destino e os papas respeitaram as escolhas das sociedades. No entanto, seu sucesso depende daqueles pressupostos iniciais e de outras descobertas. O primeiro é o reconhecimento de que os interesses de toda a sociedade estão acima dos interesses dos grupos. Daí o valor social dos bens do país, respeitado o direito legítimo da propriedade e o respeito à pátria. O outro é o acolhimento de leis legitimamente construídas pelos parlamentos na concretização da justiça (estado de direito) e sua não retroatividade (para assegurar os direitos adquiridos). Tudo isso bem alicerçado no respeito humano e dignidade da pessoa, resumidos no documento conhecido como direitos humanos e nos direitos civis. Porém há ainda outros pontos fundamentais: o reconhecimento dos resultados das ciências modernas, do valor da educação e, ainda, da filosofia enquanto instrumento de defesa da razão, dos argumentos da inteligência e das boas orientações para as relações humanas através da ética e suas derivações (axiologia, éticas profissionais, moral social, moral religiosa quando derivada de uma crença).
Quando as disputas eleitorais perdem essas referências, legais de um lado, mas também de racionalidade e valores humanos e nacionais, ela se torna a imposição irracional do interesse egoísta de grupos sobre a sociedade. Estabelece-se a ignorância (confunde-se, por exemplo, humanismo com comunismo, fascismo com socialismo), e, em lugar de argumentos e debate de ideias, surgem ataques pessoais e opiniões injustiçadas e injustificáveis. O resultado é a mentira (falsas notícias), a distorção dos fatos, a opinião infundada, a ofensa pessoal, substituindo o debate legítimo de ideias.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O MUNDO DAS EMOÇÕES. Selvino Antonio Malfatti.




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Quando vemos uma torcida comemorando a vitória de seu time, levantando os braços, cantando, dançando numa alegria louca, podemos dizer que estamos assistindo uma explosão de emoção; Uma mãe debruçada no caixão, se esvaindo num chorinho de soluços, não precisa dizer que estamos num limite de emoção. 

A emoção externa entusiasmo, alegria, tristeza, desespero, conquista, derrota, esperança, fé, enfim todos os sentimentos que passam pela alma e externam-se através do corpo. O sustentáculo da emoção é o valor que um determinado ser percebe que pode lhe proporcionar. As emoções, embora possam manifestar-se coletivamente, cada um as sente a seu modo individualmente.
O Historiador das emoções, Jan Planger, afirma em História das Emoções, que há alguns conceitos chaves a serem estudados pelo pesquisador como: “comunidades emocionais” ou “regimes emocionais” e mesmo “práticas emocionais”.

Este modo de pensar no fundo pretende superar a teoria neuroanatomica determinista à qual se contrapõe uma concepção antropológica sócio-cultural.
Com efeito, a hipótese determinista universalista sustenta que as emoções possuem um substrato constante, trans-histórico e uma extensão válida universalmente. Por exemplo, o medo diante do desconhecido é sempre o mesmo e produz as mesmas reações corpóreas.

Por outro lado, no viés antropológico as emoções não têm sempre e por toda parte o mesmo valor. Os modelos culturais podem neutralizar respostas emotivas tidas como inatas e automáticas.

De qualquer forma a definição de emoção é uma tarefa árdua. Ocupam-se disso a filosofia, psicologia, teologia, retórica, medicina, literatura, psicologia experimental e neurociência. Para avaliar a importância que o tema assumi u nos últimos tempos somente de 1872 a 1980 apareceram 92 duas definições diferentes. O autor assinala os principais momentos da história das emoções na filosofia ocidental. De Aristóteles a Kant, passando por Agostinho, Descartes, Espinoza, Hobbes e Locke. Porém, isto é não suficiente porque é difícil uma descrição pancultural das emoções. Para alguns é ridículo uma explosão de riso num funeral, ou demonstrar tristeza numa festa de núpcias, normal em alguns países. Pode causar surpresa o esforço entre os esquimós para controlar a raiva e a aprovação junto aos taitianos.

Contudo, a partir dos anos Novecentos cujas observações o construtivismo social extrai seus argumentos, deve contar com novos atores, cuja tendência novamente se direcionam para o “partido” universalístico das emoções. Entre elas podemos destacar Paul Ekman que defende a necessidade de superar a perspectiva linguística das emoções para fundamentar um estudo fundamentado sobre as expressões faciais. Para Erik existem reações invariáveis em todos os semblantes, os quais externam emoções básicas, quando submetidos a programas afetivos predefinidos submetidos a estímulos externos independentes de fatores culturais.

Para desempatar a disputa apareceu a ressonância magnética funcional, capaz de patentear ao vivo a ativação das áreas do cérebro sob a base na irrigação do sangue. O tsunzami de estudos e investimentos carreados pelo objeto não só validou seu interesse, mas também conduziu a simplificações bizarras. No entanto, a maioria se apercebeu que se estava raciocinando sobre reações anatômicas e sobre um método estatístico no mínimo incompleto para tal objeto.

Paira ainda no ar a pergunta: será que o approach sócio cultural com uma visão universalista e construtivista ainda não tem alguma validade, em que pese o convite para continuar a pesquisa através da neurociência?
Parece que atualmente se está dando mais ênfase às reações externas das emoções ao invés de se concentrar nelas mesmas. O anatômico não pertence à mesma dimensão do emocional. Procurar medir o emocional pelo fisiológico é o mesmo que comparar a medicação à oração ou amainar a dor da lama com analgésico. Cada uma tem sua própria dimensão.
As emoções são conhecidas através de diferentes tipos de experiências. Há experiência física, mas há também a experiência metafísica. E as emoções alocam-se nestas.
Um olhar pode devolver a alegria como pode aumentar a dor no coração.




terça-feira, 4 de setembro de 2018

Delegação Portuguesa


XIII Colóquio Antero de Quental
Dedicado à filosofia da educação luso-brasileira
3 a 7 de junho de 2019 de maio de 2019

3.Delegação Portuguesa

3.1. Prof. Dr. Antônio Braz Teixeira
Universidade Lusófona – Portugal
Presidente do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Rua Estevão Lopes, 21
2.795-018 – Linda-a-Velha – Oeiras – Portugal abraz.teixeira@gmail.com

Doutor Honoris Causa pela Universidade de Lisboa, tendo exercido funções docentes em diversas instituições de Ensino Superior, como a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, a Universidade de Évora, a Universidade Autónoma de Lisboa e a Universidade Lusófona. Membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. Membro correspondente da Academia Portuguesa de História, da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia (Rio de Janeiro). Autor de: A Filosofia Portuguesa Actual (1959); O Pensamento filosófico-jurídico Português (1983); Sentido e Valor do Direito. Introdução à Filosofia Jurídica (1990/ 2010); Caminhos e Figuras da Filosofia do Direito Luso-Brasileira (1991/ 2002); Deus, o Mal e a Saudade: estudos sobre o pensamento português e luso-brasileiro contemporâneo (1993); Filosofia Jurídica Portuguesa Contemporânea (1993); O Pensamento Filosófico de Gonçalves de Magalhães (1994); O Espelho da Razão: estudos sobre o pensamento filosófico brasileiro (1997); Ética, Filosofia e Religião: estudos sobre o pensamento português, galego e brasileiro (1997); Formas e Percursos da Razão Atlântica: estudos de filosofia luso-brasileira (2001); História da Filosofia do Direito Portuguesa (2005); Diálogos e perfis (2006); A Filosofia da Saudade (2006); O Essencial sobre a Filosofia Portuguesa (séculos XIX e XX) (2008); Conceito e formas de democracia em Portugal e outros estudos da história das ideias (2008); A Experiência Reflexiva: estudos sobre o pensamento luso-brasileiro (2009); A Filosofia da Escola Bracarense (2010); A filosofia jurídica brasileira do século XIX (2011); A teoria do mito na filosofia luso-brasileira contemporânea (2014). Homenageado por colegas, admiradores e discípulos, através de: AAVV, Convergências e Afinidades. Homenagem a António Braz Teixeira, CEFi / CFUL, Lisboa, 2008. É ainda o Presidente do Conselho de Direção da Nova Águia: Revista de Cultura para o Século XXI e Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono.

22. Prof. Dr. Renato Manuel Laia Epifânio
Universidade do Porto
Membro da Direção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Presidente do Movimento Internacional Lusófono iflbgeral@gmail.com
Renato Epifânio
Professor Universitário; Membro do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, da Direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Sociedade da Língua Portuguesa e da Associação Agostinho da Silva; investigador na área da “Filosofia em Portugal”, com dezenas de estudos publicados, desenvolveu um projecto de pós-doutoramento sobre o pensamento de Agostinho da Silva, com o apoio da FCT: Fundação para a Ciência e a Tecnologia, para além de ser responsável pelo Repertório da Bibliografia Filosófica
Portuguesa: www.bibliografiafilosofica.webnode.com; Licenciatura e Mestrado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; doutorou-se, na mesma Faculdade, no dia 14 de Dezembro de 2004, com a dissertação Fundamentos e Firmamentos do pensamento português contemporâneo: uma perspectiva a partir da visão de José Marinho; autor das obras Visões de Agostinho da Silva (2006), Repertório da Bibliografia Filosófica Portuguesa (2007), Perspectivas sobre Agostinho da Silva (2008), Via aberta: de Marinho a Pessoa, da Finisterra ao Oriente (2009), A Via Lusófona: um novo horizonte para Portugal (2010), Convergência Lusófona (2012/ 2014/ 2016), A Via Lusófona II (2015) e A Via Lusófona III (2017). Dirige a NOVA ÁGUIA: Revista de Cultura para o Século XXI e a Colecção de livros com o mesmo nome (Zéfiro). Preside ao MIL: Movimento Internacional Lusófono desde a sua formalização jurídica (2010).

3.3. Prof. Dr. Samuel Fernando Rodrigues Dimas
Universidade Católica Portuguesa - UCP
Membro da Direção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Rua Bartolomeu de Gusmão, 4-4
2725- 480 - Men Martins – Lisboa samueldimas@meo.pt

Samuel Dimas é Professor da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, membro do Centro de Estudos de Filosofia desta Faculdade e da Direção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Licenciado em Teologia com a tese «A intuição de Deus em Fernando Pessoa», licenciado em Filosofia com profissionalização na via de ensino, mestre em Filosofia da Ação e em Filosofia Ibérica Contemporânea, obteve o grau de doutor em Filosofia no ano de 2011 com uma tese intitulada «A Teoria metafísica da Experiência em Leonardo Coimbra: Estudo sobre a razão mistérica e a redenção integral». Tem orientado os seus interesses para a Filosofia Contemporânea, a Filosofia da Religião, a Teologia Filosófica, a Filosofia da Cultura, a Antropologia Filosófica e a Filosofia da Arte, participando, nestas áreas, em múltiplos projetos de unidades de I&D, organizando congressos, colóquios e seminários nacionais e internacionais. Atualmente é coordenador dos projetos «Redenção e Escatologia no Pensamento Português» e «A Estética no Pensamento Português» pertencentes à linha de investigação «Cultura e Religião» integrada no Grupo de Investigação «Os Fundamentos Ontológicos da Experiência Humana». Dedicado à investigação e promoção do Pensamento Lusófono e do Pensamento Iberoamericano, destacam-se, da sua obra, as seguintes publicações: A Intuição de Deus em Fernando Pessoa - 25 poemas inéditos (1998); Deus, o Homem e a Simbólica do Real: estudos sobre Metafísica Contemporânea (2009); A Metafísica da Experiência em Leonardo Coimbra: estudo sobre a dialéctica criacionista da razão mistérica (2012); A metafísica da Saudade em Leonardo Coimbra: Estudo sobre a Presença do Mistério e a redenção integral (2013); Regresso ao Paraíso: Estudos sobre a redenção do Mundo (2014); O Progresso do Conhecimento: Ensaios de Ética e Filosofia da Cultura (2015); (coordenação), Redenção e Escatologia: Estudos de Filosofia, Religião, Literatura e Arte na Cultura Portuguesa - Época Medieval, Tomo 1 e 2, (2015); Deus e o Mundo: Filosofias da Criação e da Consumação, vol I. (2016).

3.4. Prof. Dr. José Esteves Pereira
Universidade Nova de Lisboa - UNL
Av. de Berna, 26 C
1.069-061 – Lisboa – Portugal jep@fcsh.unl.pt

Professor Catedrático Jubilado (Filosofia) da Universidade NOVA de Lisboa. Foi Vice – Reitor da Universidade NOVA de Lisboa de 1994-2000 e 2010-2014, em quatro mandatos. Licenciado (1970) e Doutorado (1980), em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Presidente da Assembleia Geral do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, Presidente da Assembleia Geral do Centro de Humanidades/CHAM da Universidade Nova de Lisboa; Vice-Presidente da Assembleia- Geral da Associação Portuguesa de Ciência Política; Vice-Presidente do Instituto Luso-Árabe para a Cooperação; Membro do Conselho Consultivo da Fundação António Quadros ;Académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (Secção de Filosofia),da Academia Internacional de Cultura Portuguesa, da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Sergipana de Letras e da Academia Amazonense de Letras. Interesses científicos: a) Realização de estudos no âmbito do pensamento hispânico com especial incidência na reflexão do pensamento português e brasileiro. b) Estudos sobre história das ideias, especialmente nas vertentes filosófica, política, económica e social (século XVII- meados do século XIX). Algumas publicações de incidência luso-brasileira. Silvestre Pinheiro Ferreira, O seu pensamento político, Coimbra, 1974;Significação e Sentido da História em Gonçalves de Magalhães, “O pensamento de Domingos Gonçalves de Magalhães-Actas do II Colóquio Tobias Barreto", Lisboa, Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, 1994;Coordenadas Epistemológicas de Gilberto Freyre, "Anais do Seminário Internacional Novo Mundo nos Trópicos" Recife, Fundação Gilberto Freyre, 2000;Teorização absolutista e centralização, “Teoria do Estado Contemporâneo” (organizado por Paulo Ferreira da Cunha), Lisboa, 2003;Percursos de História das Ideias, Lisboa,2004; O Essencial sobre Silvestre Pinheiro Ferreira, Lisboa, 2008; 1808 e a Modernização da Filosofia no Brasil: Silvestre Pinheiro Ferreira,” II Conferência Farias Brito”, Textos do Programa de Pós-graduação em Filosofia, do Centro de Filosofia Brasileira, Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, 2008.Miguel Reale e a Ideia de Estado, “O pensamento de Miguel Reale”, “Actas do IX Colóquio Tobias Barreto”, Lisboa, 2011.Positivismo e República em Portugal e no Brasil, “Pensar a República”, Coimbra, 2014. Presença de Ortega y Gasset no pensamento luso-brasileiro, in “Iberian Interconnections-Conference Proceedings”, Porto, Universidade Católica Portuguesa, Col. eBoooks (2016).

4.5. Prof. Dr. Manuel Cândido Pimentel
Universidade Católica Portuguesa - UCP
Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Rua Bartolomeu de Gusmão, 4-4
2725- 480 - Men Martins - Lisboa cpimentel@fch.lisboa.ucp.pt

Licenciatura em Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1986. Mestrado em Filosofia, especialização em «Filosofia e Cultura em Portugal», na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1991. Doutoramento em Filosofia, especialização em «Filosofia Moderna e Contemporânea», na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, em 2001. Especialista nas áreas de Filosofia em Portugal, Filosofia Moderna, Filosofia Contemporânea, Filosofia do Conhecimento e Ética. Assistente Estagiário do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, de 1986 a 1991, e Assistente do mesmo Departamento, em 1991. Assistente da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade
Católica Portuguesa, na Área Científica de Filosofia, de 1991-2003. Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, na Área Científica de Filosofia, desde 2003. Diretor do Centro de Literatura e Cultura Portuguesa e Brasileira da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, desde 2002. Coordenador da Área Científica de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, desde 2004. Membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, desde 2004. Sócio Fundador e membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira desde 1992.

domingo, 2 de setembro de 2018

José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei

O homem e sua referência ética
O reconhecimento de que o homem é sujeito de valores decorre da nossa necessidade de escolher. Viver é optar entre alternativas, o que já permitiu descrever a vida como um que fazer. Essa capacidade de escolher nos coloca como sujeitos livres, ainda que limitados e condicionados, pois uma escolha é sempre feita numa situação determinada. A isso se soma a consequência do escolhido, responsabilidade conosco e com as pessoas que estão a nossa volta, pois se as escolhas nos afetam, também atingem aqueles que são objetos de nossa ação.
Essa realidade humana foi apontada por diversos pensadores como um diferencial do homem em relação aos demais entes, pois quando se escolhe o sujeito pode, com todas as limitações que daí decorram, alterar o futuro, modificá-lo de forma consciente. Nisso uma marca sua, pois muitas vezes um animal também faz coisas que mudam o futuro, mas não se pode dizer que o faça com a consciência de que possa escolher melhor. De fato, as escolhas humanas se articulam numa bipolaridade entre o melhor e o pior, entre o belo e o menos belo, o útil e o não útil, o justo e o não justo. Em contrapartida, as mudanças que ocorrem na natureza não revelam essa intencionalidade, mas regras mais ou menos identificáveis que o homem busca conhecer. Sua capacidade de conhecer as leis que regem a natureza somada a possibilidade de escolher entre o melhor e o pior são características humanas, reconheceu o filósofo alemão Immanuel Kant na conclusão da Crítica da razão prática (Oeuvres Philosophiques, Paris: Gallimard, 1985, v. II, p. 801/2): “duas coisas enchem o espírito de uma admiração e de uma veneração sempre novas e sempre crescentes, na medida da frequência e da perseverança com a qual a reflexão a elas se apega: o céu estrelado cima de mim e a lei moral dentro de mim”.
Uma das mais impressionantes lições dessa realidade moral do homem foi descrita pelo médico psiquiatra Viktor Frankl num de seus livros relatou suas experiências nos campos de concentração nazista durante a Segunda Grande Guerra. Ali Frankl constatou que entre as maiores privações e torturas, depois de tudo ter sido tirado do homem, havia aqueles que não se deixavam animalizar, partilhando o último pedaço de pão, oferecendo uma palavra de amizade e apoio quando nada mais havia a partilhar, arriscando-se para minimizar o sofrimento do companheiro. Ao constatar esse comportamento em muitas centenas de pessoas convenceu-se de que é possível ser melhor ou pior nas mais difíceis condições imagináveis. E entre as escolhas feitas nenhuma parece revelar melhor essa realidade humana do que a justiça.
Ele descreveu um episódio paradigmático sobre esse assunto. Numa das vezes em que teve que formar pelotão, estando num terreno muito acidentado, não tinha noção do que se passava atrás dele e então um guarda chegou próximo e lhe desferiu dois violentos golpes na cabeça porque ele ficou um pouco fora do alinhamento. Sobre isso ele confessou (Em busca de sentido. Petrópolis, Vozes, 2017. p. 39): “a dor física causada por golpes não é tão importante (...) a dor psicológica, a revolta pela injustiça ante a falta de qualquer razão é o que mais dói numa hora dessas”. E ele relata como, mesmo homens brutais, que haviam perdido a sensibilidade para com a dor do outro e assistiam sem reação ao castigo de um prisioneiro, acabavam por se tocar diante de gritante injustiça. Foi o que ocorreu quando o chefe do serviço o tirou de uma atividade e o colocou sobre outro comando, quando percebeu que o líder imediato da atividade lhe havia agredido de forma injusta. Frankl relatou esse episódio relativamente sem importância para dizer que (id., p. 43): “homens que haviam perdido a sensibilidade emocional ainda chegam a ser tomado de revolta, não por brutalidade ou qualquer dor física, mas pelo escárnio”.
Os relatos de Frankl demonstram que quando já pouca humanidade resta no indivíduo, ainda assim ele reage a uma situação de injustiça flagrante, revelando algo de si mesmo nessa escolha.

domingo, 19 de agosto de 2018


XIII Colóquio Antero de Quental
Dedicado à filosofia da educação luso-brasileira
3 a 7 de junho de 2019 de maio de 2019






https://www.youtube.com/watch?v=YEdYBjL872c
  
Promotores:
Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) - Brasil.
Universidade Federal de Juiz de Fora - Brasil
Instituto de Filosofia Luso-Brasileira – Portugal
Universidade Nova de Lisboa
Faculdade Arquidiocesana de Mariana
Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves


Antero de Quental
Dedicado à filosofia da educação luso-brasileira
3 a 7 de junho de 2019 de 2019



Juiz de Fora
13 e 17 de Maio de 2019


 –I PARTE –  Introduçao

XIII Colóquio Antero de Quental


Dedicado à filosofia da educação luso-brasileira
13 – 17 de maio de 2019

O Professor José Maurício de Carvalho encontra três momentos importantes na confluência cultural entre: a Enciclopédia Logos de filosofia luso-brasileira, os Colóquios Tobias Barreto, realizados em Portugal e Antero de Quental, realizados no Brasil. Contudo, há duas contribuições importantes que praticamente apontaram o caminho para: a 1ªuma bibliografia da etapa inicial deste diálogo luso brasileiro, inventariada por José Maurício de Carvalho em Contribuição contemporânea à história da filosofia brasileira, 3ª edição publicada em Londrina, em 2001. 2ª são os registros históricos dos eventos do o conjunto de Atas dos eventos publicadas no Brasil e em Portugal, alternadamente. No caso brasileiro chegamos ao XIII Colóquio Antero de Quental contra outros doze denominados.
Devido à importância desde evento este meio pretende publicar o evento completo dividido em três partes:1ª –
–I PARTE – Introdução - autoria de José Maurício de Carvalho
- II PARTE - Delegação Brasileira
- 3ª PARTE - Delegação Portuguesa
4 ª- Homenagens Especiais
Selvino Antonio Malfatti






I. Introdução
           
O estudo do pensamento filosófico pelo grupo luso-brasileiro realizou-se nos últimos quarenta anos e se consolidou como pesquisa sistemática nesse tempo. Ele possibilitou pesquisa planejada das relações entre a tradição filosófica e outros elementos da cultura luso-brasileira. Tal estudo concluiu pela existência de nexos espirituais que aproximam o que se fez aqui e do outro lado do Atlântico, sem desconsiderar as diferenças existentes no Brasil e Portugal. Destes encontros nasceram iniciativas de reconhecido mérito acadêmico como a Enciclopédia Logos de filosofia luso-brasileira, os Colóquios Tobias Barreto, realizados em Portugal e Antero de Quental, realizados no Brasil. Uma bibliografia da etapa inicial deste diálogo luso brasileiro foi inventariada por José Maurício de Carvalho em Contribuição contemporânea à história da filosofia brasileira, 3ª edição publicada em Londrina, em 2001. No entanto, o melhor registro histórico dos eventos é o conjunto de Atas dos eventos publicadas no Brasil e em Portugal, alternadamente. No caso brasileiro chegamos ao XIII Colóquio Antero de Quental contra outros doze denominados Tobias Barreto realizados em Portugal. Tanto os Colóquios Tobias Barreto realizados em Portugal como os chamados Antero de Quental, realizados no Brasil, tiveram suas Atas publicadas.
            Cabe recordar que o esforço de aproximação entre as filosofias brasileira e portuguesa data dos anos sessenta, então desenvolvido, do lado brasileiro, pelo Professor Miguel Reale e, do lado português, pelo Professor Antônio Braz Teixeira. Dois grandes nomes do momento inicial do diálogo foram o professor da USP Luís Washington Vita e o português Antônio Quadros, ambos desaparecidos há alguns anos. Seguiu-se a presença no Brasil dos saudosos professores portugueses: Eduardo Soveral, Francisco da Gama Caeiro e Afonso Botelho, todos igualmente falecidos. Essa presença permitiu, com vistas à continuidade dos trabalhos, a criação do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, sediado em Lisboa, atualmente presidido pelo Professor Antônio Braz Teixeira, que reúne pesquisadores de diferentes universidades brasileiras e portuguesas. Estes contatos propiciaram também a aproximação entre a Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, e a Universidade Federal de São João del-Rei, que, como parceiras, além do projeto dos Colóquios passaram a cooperar em outros assuntos. O convênio celebrado entre as duas universidades tem permitido crescente intercâmbio acadêmico, projetos comuns de pesquisa e diferentes iniciativas que beneficiam as duas instituições. A esse projeto juntam-se, nesse evento como organizadores, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves (UNIPTAN), a Faculdade Dom Luciano Mendes de Mariana e ....

II. Histórico dos Colóquios Antero de Quental
            O trabalho sistemático de investigação realizado pelos pesquisadores nos Colóquios Antero de Quental, conforme indicado no item anterior desenvolve-se há quase trinta anos havendo os seus resultados sido registrados em Atas publicadas por diferentes Universidades e Entidades de Pesquisa.
            O I evento foi realizado com módulos em Aracaju e Salvador no ano de 1991 e as Atas do Colóquio Antero de Quental editadas pela Fundação Augusto Franco, de Aracaju, em 1993 (348 p.). O primeiro Colóquio foi dedicado ao estudo de Antero de Quental e deu nome aos encontros seguintes. O II Colóquio foi dedicado ao estudo da obra de Sampaio Bruno e se realizou em 1993 com módulos em Aracaju e na UFRJ. As Atas do evento foram publicadas pela Secretaria de Estado da Cultura do Sergipe em 1995 (429 p.).  O III Colóquio promovido pela UFSE, Fundações Joaquim Nabuco, Gilberto Freire e outras instituições parceiras foi realizado com módulos em Fortaleza e São Paulo, em 1995, e se dedicou ao estudo de Cunha Seixas e Farias Brito. Suas Atas foram editadas com recursos do Ministério da Cultura e Secretaria do Estado do Sergipe pelas Fundações organizadoras (218 p.). O IV Colóquio foi realizado em São Paulo e Brasília em 1997 e dedicado ao estudo do pensamento de António Vieira e Leonardo Coimbra, Atas publicadas pela Fundação Augusto Franco de Sergipe (232 p). O V Colóquio se realizou em 1998 na USP e suas Atas foram publicadas, em anexo, aos Anais do V Congresso Brasileiro de Filosofia, promovido pelo IBF e USP em 1995, cujas Atas somente saíram em 1998. O VI Colóquio dedicado ao estudo de Delfim Santos e António Sérgio realizou-se, em 1999, em São Paulo, na USP e na UFSJ e suas Atas foram publicadas, em anexo, aos Anais do VI Congresso Brasileiro de Filosofia, editado pelo Instituto Brasileiro de Filosofia, em 2003.
            A partir do VII Colóquio os eventos tiveram a temática ampliada para sínteses temáticas e os módulos foram todos realizados no campus Santo Antônio da UFSJ. Foram realizados desde então cinco eventos todos com Atas publicadas como os anteriores. O VII (dedicado ao século XIX) e VIII (século XX) trataram do confronto entre o pensamento político brasileiro e português. O IX e X foram dedicados ao confronto na área de ética (séculos XVI-XIX, o nono) e Século XX, o décimo. As atas do VII Colóquio Antero de Quental, foram publicadas em dois volumes pela UFSJ em 2007 (ISBN 978-85-88414-28-0) e em 2009 (ISBN 978-85-88414-47-1). As atas do VIII, IX, X XI Colóquios foram publicadas, respectivamente, nos números 3, 7, 11 e 14 da Revista Estudos Filosóficos, do Departamento de Filosofia e Métodos da UFSJ, ISSN 1982-9124 (versão impressa) e 2177-2967 (versão eletrônica). A revista em versão eletrônica pode ser acessada no endereço: http://www.ufsj.edu.br/revistaestudosfilosóficos.
As atas do XII Colóquio Antero de Quental foram publicadas na Revista Saberes Interdisciplinares do UNIPTAN, n. 21 e 22, relativas ao primeiro e segundo semestre de 2018 e podem ser encontradas na Internet no seguinte endereço eletrônico: https://uniptan.wixsite.com/educacaoesaude/edicao-atual
Todas as Atas dos colóquios realizados no Brasil, foram publicadas bem como a dos eventos em Portugal.

III. Metodologia dos Colóquios
            Os Colóquios trabalham com um método que, resumidamente, consiste em não pressupor o conhecimento dos autores e temas em seus respectivos momentos; inventariá-los e identificar os ciclos em que aparecem correntes efetivamente afeiçoadas, em ambos os lados do Atlântico. Estruturada de modo consistente essa etapa prévia, estamos realizando o confronto do que seria especificamente luso-brasileiro, ou mais precisamente, como os elementos comuns reagiram durante a história dos dois países ao diálogo com a cultura ocidental.
            Este trabalho de síntese foi aprofundado nos VII e VIII Colóquios Antero de Quental dedicados ao confronto entre o pensamento político nos dois países e no IX e X Colóquios Antero de Quental que fizeram um confronto no âmbito moral. O XI Colóquio foi dedicado à filosofia do direito em razão da grande importância que os jusfilósofos possuem na construção do pensamento filosófico brasileiro e o XII Colóquio ocupou-se da historiografia filosófica luso-brasileira. O XIII seguirá essa mesma orientação e se voltará para a filosofia da educação.

IV. Objetivo do XIII Colóquio Antero de Quental e Público alvo   
O objetivo desse colóquio é estudar a filosofia da educação presente na cultura luso-brasileira contemporânea como parte do exame dos temas e autores importantes no Brasil e em Portugal. Nesse sentido, tomar-se-á como referência autores fundamentais na construção da historiografia da filosofia luso-brasileira no século passado com o propósito de orientar os trabalhos de pesquisa voltados para a filosofia da educação. Nesse sentido, o XIII colóquio complementa o estudo sobre a cultura luso-brasileira efetivados nos colóquios anteriores.

V. Referências gerais utilizadas no XIII Colóquio
            Os Colóquios Antero de Quental (Brasil) e Tobias Barreto (Portugal) partem da constatação de que, provindo de base unitária, constituída ao longo de três séculos (XV; XVII e XVIII), a cultura portuguesa enfrentou, em relação ao Brasil, nos dois séculos seguintes, momentos de ruptura e períodos de aproximação.
            No que se refere ao pensamento filosófico, os estudos já realizados mostraram que a filosofia brasileira distanciou-se da portuguesa no enfrentamento das questões suscitadas pela Filosofia Moderna e Contemporânea. O cerne da questão residiria em que, enquanto os brasileiros buscaram tirar as devidas consequências do surgimento da perspectiva transcendental, a filosofia portuguesa adotou como prevalente a preservação da perspectiva transcendente.
            Nesse colóquio espera-se estudar como as referências gerais já identificadas sobre os principais momentos, correntes e problemas filosóficos estão presentes nas ideias sobre a educação. Será igualmente importante aprofundar reformas educacionais que afetaram não somente os rumos do pensamento filosófico como da cultura em geral. Exemplo disso foi a mudança de mentalidade decorrente dos estudos da Escola Náutica de Sagres e das Navegações que alteram o modo de ver a Geografia da terra. Outro exemplo marcante foram as ideias educacionais de Luis Antônio Verney que suscitaram prolongado debate que culminou na reforma da Universidade de Coimbra pelo Marquês de Pombal que significou um encontro definitivo da cultura portuguesa com a ciência experimental, apesar dos limites que revelou na incorporação de outros aspectos da mentalidade moderna. Disso resultaram as críticas à filosofia aristotélica, muito forte no período inicial da chamada Contra-Reforma. Mais tarde no Brasil temos a criação do colégio Pedro II e as reformas dos cursos de engenharia civil, militar e naval. A forma como se entendeu a ciência naquele período veio da mentalidade proposta pelo bacharelado em Ciências. No final do século XX, os rumos da Escola de Direito do Recife influenciaram não somente na forma como se estruturam as letras jurídicas nas décadas seguintes, mas na constituição da escola culturalista brasileira. A presença da filosofia da educação continuou afetando os rumos da cultura brasileira no século XX, quer pela presença inicial da escola nova como da preocupação social decorrente das ideias de Paulo Freire, bem como no esforço contemporâneo de Vitor da Fonseca para fundamentar a educação inclusiva.

VI. Justificativa do XII Colóquio Antero de Quental
            Considerando a importância das ideias educacionais na história da cultura luso-brasileira explicada no item anterior, estamos diante da necessidade de examinar os autores que pensaram a filosofia da educação na nossa tradição. Espera-se alcançar o mesmo nível de sistematização que já se alcançou em outros aspectos da cultura como em relação à filosofia política, jurídica e moral.
A filosofia da educação é outro ramo fundamental da filosofia, mas até aqui não foi estudada de forma sistemática como os temas anteriores. Dos doze colóquios anteriores foram construídas atas que registram a compreensão crescente desses assuntos. Esses estudos ajudarão os historiadores das ideias luso-brasileira terem a sua disposição um material para compor trabalhos cada vez mais completos e esclarecedores de nossa tradição filosófica. É esse trabalho de organização que será agora estudado mais de perto.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Nação e esperança. José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei



Agora que se inicia novo processo eleitoral e que nosso quase infinito número de partidos se preparam para disputar o poder nos três níveis (municipal, estadual e federal) parece momento de lembrar que somos um povo, com um grande território, com grande população e inúmeras possibilidades de progresso se do nosso futuro não destruírem a esperança. O lema de nossa bandeira, assim como a ideia de nação geralmente ficam esquecidos de nossos líderes políticos até a época das eleições. Agora é chegado o momento em que os vemos se dirigir ao povo como se ele fosse tratado como nação e a falar que as legítimas disputas de interesse de grupos não podem prevalecer sobre os interesses maiores da sociedade e lembrar da vocação desse povo ao progresso.
É essa mesma classe política que estabeleceu para si privilégios que não se estendem nem aos demais funcionários do Estado e nem ao povo em geral que agora proclama que todos são iguais e igualmente importantes. É essa mesma classe política que legitimou o caixa dois como forma de atualizar a relação promiscua entre as elites econômicas e políticas que agora fala de trabalhar pelos mais pobres. É essa mesma classe política que inviabiliza qualquer governo que queira buscar os interesses nacionais, colocando antes deles seus mesquinhos interesses partidários ou individuais, que trouxe do céu para o inferno a máxima franciscana do é dando que se recebe. É essa mesma classe política que estabeleceu os mais tristes tempos de corrupção que agora se apresenta como diante do povo como gestores eficientes e probos. Creio que a sociedade saberá dizer a eles que basta, queremos outras pessoas como queremos outras práticas. Não haverá progresso se tivermos que pagar por duas pontes e receber uma, se tivermos que conviver com políticos roubando merenda e funcionários desviando remédios. Não se forma nação sem sentido moral. Não se vota em candidatos denunciados e envolvidos com práticas ilícitas.
O desafio de escolher novos governantes é difícil porque não basta trocar ladrões ou colocar no poder novos capachos do capital internacional e nacional, cujo interesse é apenas de aperfeiçoar a ordem econômica exclusora, onde a distância entre os mais ricos e os mais pobres não pare de aumentar. Sempre repito que se pensar como povo, construir uma sociedade menos injusta, não tem nada radical, venezuelano ou de cubano, pois assim entendem os tendenciosos da direita contemporânea e os ignorantes que os bajulam. Embora considere que isso não será alcançado com governos radicais de esquerda.
O maior desafio da República quando precisa escolher novos líderes que a dirija é o de encontrar homens que sejam capazes de pensar os grandes interesses nacionais e liderar a sociedade na sua busca. É esse o grande desafio e para onde deve se voltar nossa atenção nesse momento de escolhe-los. Escolher homens que sejam capazes de mobilizar a sociedade e ajudá-la a se pensar como comunidade, isto é, um grupo de pessoas que tem interesses comuns no fundo dos legítimos interesses particulares, que tenha noção de moral social e de compromisso coletivo.   
Considero que, para nossa realidade atual, isso signifique encontrar dirigentes que estejam a meio caminho entre a esquerda e a direita radical, que tenham um passado isento de processos e acusações, que demonstre conhecimento profundo da realidade nacional e dos seus problemas, que tenha propostas efetivas e claras sobre o que fazer para enfrentar nossas dificuldades (nada como sou pela educação, pela saúde, vou trabalhar pelo povo, etc.). Cobre dos candidatos COMO ele vai fazer isso, COMO operacionalizará seus ideais e COM que recursos. Somente assim poderemos aproximar a esperança da nacionalidade já que andamos distante delas duas.


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