EDGAR MORIN- O PENSADOR COMPLEXO. Selvino
Antonio Malfatti.
Edgar Morin, o pensador bissecular, destacou-se como pensador complexo,
significando com isto que nele que tudo é não só e o não só é de tudo. Se
disser, por exemplo, que é sociólogo, mas não totalmente, pois há filosofia,
que não é só, mas também antropologia, que não é somente, mas história e assim
por diante. Os conhecimentos da área não são exclusivos e os complementos de
outras áreas não são completos, mas todos e não somente são complementares. Morin
nunca é completo, mas se completa quase sempre através da dialética: ordem e desordem, indivíduo e sociedade, ciência e
humanidades, problemas contemporâneos e abordagens interdisciplinares.
A própria educação foi interdisciplinar. Abrangeu ciência, filosofia, história, biologia, sociologia
e cultura integram uma compreensão mais ampla da realidade. O pensamento de
Morin é sempre incompleto, carecendo de complementação. A própria
complementação precisa de complementação.
Nasceu com o nome Edgar Nahoum, de origem hebraica,
conhecido por Edgar Morin, com data de 8 de junho de 1921, em Paris e faleceu
também em Paris em 29 de maio de 2026.
A formação intelectual foi ampla. Inicia com
História, Geografia e Direito na universidade de Paris. No percorrer da vida
amplia a educação interdisciplinar pela atuação como filósofo, sociólogo,
antropólogo, epistemólogo e pesquisador da cultura. Em 1950 ingressa no Centre
National de la Recherche Scientifique na qual mais tarde se torna diretor. O resultado
intelectual foi uma obra de sessenta livros e outras produções.
Entre os intelectuais que soçobraram a Segunda
Guerra Mundial foi um dos últimos. A mais clara característica de seu pensamento
foi a complexidade, atribuída à educação, bioética, sociologia, ecologia,
política e aos estudos da cultura.
Morin pensa que a ciência reduz erroneamente os
conhecimentos a uma pequena parcela da realidade perdendo de vista a visão
geral. O risco consiste em ignorar as consequências humanas, sociais, ecológicas
e filosóficas do alcance de suas descobertas.
A filosofia deve evitar dois extremos: o dogmatismo
e o relativismo, pois os opostos podem coexistir, o cosmo abriga a ordem e
desordem, não supor que o todo é melhor que as partes inclusive mais que a soma
das partes, as partes não só dependem como influenciam no todo. O mesmo que
acontece com o ser humano que um complexo de biológico, psicológico, social,
cultural, histórico e reflexivo.
A história não deve ser vista apenas como avanço e
retrocesso, civilização e barbárie, racionalidade e irracionalidade.
A maior tipicidade da coexistência dos opostos é na
biologia que abriga a organização e desordem.
Na sociologia não se pode tomar o indivíduo como
padrão da sociedade, nem lançar mão do modelo de sociedade para explicar as
demais dimensões.
A cultura pode ser considerada sociologicamente
como foco central, pois dela decorrem e são resultado da linguagem,
afetividade, racionalidade e simbologia.
Em síntese o ser humano, a sociedade, a natureza e a
história formam uma rede de relações inseparáveis. Compreender qualquer
realidade exige considerar simultaneamente suas múltiplas dimensões.