Dentre os principais líderes e
modelos podem ser mencionados:
1. Viktor Orbán, Ungria, seu teórico -prático da Europa.
2.
Vladimir Putin da Rússia. Destaca-se pela concentração dos poderes e
perseguição aos opositores.
3.
Recep Tayyip Erdoğan (Turquia). Famoso pela perseguição à imprensa.
4. Alguns partidos de direita como
o “Lei e Justiça” na Polônia. Sua característica é exacerbar o poder do
executivo em detrimento dos demais.
O Brasil tem uma Constituição
que consagra um genuíno regime político liberal. Estabelece as liberdades públicas
e privadas, divisão de poderes com seus limites, autonomia do judiciário,
liberdade de imprensa.
O problema se situa na prática,
quando a lógica da maioria ultrapassa os limites constitucionais. Governos
eleitos legítimos invocando a maioria avançam o limite subestimando o
judiciário e este invocando prerrogativas constitucionais confrontam-se com os
outros poderes. A imprensa, em nome da vontade do povo conferido ao governo, é
enfraquecida nos mecanismos de fiscalização. As redes sociais são submetidas à
fiscalização injustificada. Tudo isso atenta contra as garantias institucionais.
O pivô é o poder judiciário. Este se arvora juiz do equilíbrio político não se
dando conta da ingerência nos outros poderes. Este, o judiciário, defende-se
dizendo que impede a tirania dos poderes.
O filósofo francês Alexis de
Tocqueville foi o que chamou a atenção do perigo das maiorias. Mal conduzidas
levam à tirania e ao arbítrio. Por isso, a soberania popular deve ter um
consenso sobre um pacto superior. As maiorias são condições necessárias para
democracia, mas isto não basta. É preciso salvaguarda das liberdades
individuais, imprensa livre e garantias eleitorais.
Pelas afirmações acima pode o Brasil ser
considerado um país iliberal totalmente, em parte ou nenhuma? Quais os traços
iliberais que se pode constatar?
Examinemos por partes. Constata-se que o Supremo
Tribunal Federal expandiu suas fronteiras de atuação invadindo áreas de outros
poderes de tal sorte que vários classificam esta atitude como um ativismo
judicial. Por isso, pode ser uma barreira ao liberalismo como uma tensão ao
princípio democrático majoritário.
Em relação à liberdade de expressão há acusações de que o esforço do
governo em querer regular as redes sociais seja apenas uma desculpa para
controlar a livre expressão através de censura.
Acusação de
tirania de maioria se constatou em diversas tentativas e em diferentes
governos, não um especificamente, para deslegitimar instituições, via um discurso
contra a imprensa e órgãos de fiscalização.
Estas constatações nos sugerem que o Brasil não é um país genuinamente iliberal, mas parcialmente.
I. “O novo Estado que estamos construindo na Hungria não faz dessa ideologia (liberal) o elemento central da organização do Estado.”Um Estado iliberal não rejeita os princípios fundamentais do liberalismo, como a liberdade, mas não faz dessa ideologia o elemento central da organização do Estado.”(Viktor Orbán)
II. A eleição de 12 de abril 2026, impôs uma virada ideológica na Hungria, depois de 16 anos de iliberalismo. O candidato opositor de Orbán, Péter Magyar venceu as eleições presidenciais, com o seguinte resultado:
- Péter Magyar (Tisza): ~53% dos votos
- Viktor Orbán (Fidesz): ~37%–38% dos voto
Estabelecendo uma diferença cerca de 15 a 16 pontos percentuais.
Em que pese ideologia autoritária, Orbán teve a honradez de reconhecer publicamente a vitória de seu adversário.