Através de uma reflexão sobre si
mesmo o ser humano se depara com uma tensão essencial: é possível um ser
limitado, finito, situado num cosmos não delimitável abranger de modo
inteligível uma realidade paradoxalmente oposta a si, de modo absoluto,
infinito e transcendente? O finito pode entender o infinito? Pode um fragmento
do universo pensar o universo todo e além disso se perguntar pelo seu
fundamento?
Uma pergunta: a justificativa é busca de Deus? Faz parte do ser humano a busca de algo além de si que seja superior? Examinemos o complexo de quem se preocupa. Verifica-se que é um humano, uma pessoa. É UM humano, dentre 8 bilhões só atuais, sem falar de todos os humanos até agora existidos em todos os tempos e lugares desde a emergência. Este humano habita um satélite, orbitando uma estrela de tamanho médio, coabitando entre galáxias, cada uma com incontáveis estrelas em distâncias calculadas em anos-luz. Tentemos localizar este humano neste habitat. O que é? Nada mais que um pó. Este existente pode ter noção de Deus, pensa? Pode pensar? O que pode pensar de Deus? O que pode pensar? No máximo é que Deus é maior que o universo. Infinitamente maior.
A grandeza física não é nada
comparada à potência espiritual. Nenhuma estrela e nem mesmo toda galáxia sabe
algo.
E nem faz nada por si, a não ser
exclusivamente o que for determinado pelas leis inerentes a ela. Nem mesmo sabe
que existe, se conhece. É algo determinado, sem poder se autodeterminar.
Dentro do planeta existem seres
hierarquizados no seu próprio ser. Um vegetal distancia-se hierarquicamente de
um animal. Serve-o na própria alimentação para sua subsistência. Por usa vez o
vegetal distancia-se dos seres inanimados. Serve-lhe de subsistência.
O ser humano quando examinado em
si é um zero a esquerda. O que resta dele após sua morte? Um monte de podridão
que pouco a pouco se decompõe até se tornar pó, nada.
Ainda assim, a eles, aos vegetais,
animais e inanimados e ao próprio universo alça-se, e a ambos o servem de subsistência. Não bastam
estas hierarquias. Comparadas ao que são ao homem são nulas. O homem as
conhece, sabe o que são, de onde vieram e qual será seu fim. E mais que isso o
próprio homem conhece-se, sabe de onde veio, mas não sabe qual o seu destino.
Diante do caos do fim procura nas estrelas, nos seres terrenos e em si mesmo qual seu fim. Ao examinar a si mesmo encontra uma resposta irrefutável. Algo diferente dos astros, dos seres vivos e do próprio homem: Deus. Como um ser pó consegue conceber a existência de Deus? Este Ser no entanto, existe. Conhecem-no primeiramente os que se valem do senso comum. Estes abrangem a todos. Mas há os que não se valem do senso comum, mas da ciência e da reflexão. Estes últimos, vale a pena examiná-los. Quais as descobertas e o que concluíram?
A primeira conclusão é que o ser
humano é um paradoxo: parece mentira, mas não é. Parece verdade, mas só parte.
O ponto de partida a tal conjetura é de que este ser não e igual a ninguém, só
a si mesmo: racional. Ao longo da História ocidental a plêiade é infindável. Da
mesma forma se pode concluir do oriente. Os que tomaram como ponto de partida a
racionalidade humana são conhecidos como filósofos. E os que utilizaram a
racionalidade e se dedicaram experimentação são os cientistas.
Examinaremos no próximo artigo.