sexta-feira, 8 de junho de 2018

ASSÉDIO NA ACADEMIA DO NOBEL – O ATAQUE À IGUALDADE. Selvino Antonio Malfatti.






O Prêmio Nobel é concedido anualmente a pessoas que contribuíram com pesquisas significativas nos campos do conhecimento de física, química, fisiologia ou medicina, literatura, paz e ciências econômicas. É considerado o mais prestigioso prêmio atribuído a alguém. Leva este nome devido ao inventor sueco Alfred Nobel que os criou em 1895. Os prêmios são concedidos pela Academia sueca que está instalada no edifício da Bolsa de Estocolmo, juntamente com a Biblioteca Nobel e o Museu Nobel. É composta por 18 membros, metade deles escritores. 

Tudo corria de conformidade com o previsto para a entrega do prêmio de literatura no final do ano. No entanto, entre os meses de abril e maio irrompe a notícia de escândalos sexuais. Foi uma ducha de água fria na animação da distribuição dos prêmios.
O estopim aconteceu quando Jean-Claude Arnault, dramaturgo e fotógrafo, um dos homens com mais poder no cenário artístico, devido a suas ligações com a Academia da Suécia. Durante uma festa agrediu sexualmente a Gabriella Hakansson. Não foi somente com sua vítima que se envolveu Arnault. Antes e depois, durante uma década, atacava suas presas valendo-se do prestígio dentro da Academia, autodenominando-se de acadêmico “19”, como se fosse membro da Academia.

Arnault conseguiu balançar os alicerces da bicentenária instituição. Já em novembro, 18 mulheres o acusaram publicamente no diário Dagens Nyheter de assédio com agressões e violência. Os abusos ocorriam nas dependências da Academia. Valia-se de seu papel de líder artístico. Uma artista de nome Alli foi obrigada a manter relações com Amault. Embora tenha mandado uma carta ao Conselho Cultural de Estocolmo, jamais teve retorno.

Quando a crise explodiu o argumento que fundamentou a condenação do comportamento de Amault não foi moral, nem ético e muito menos teológico . A condenação fundamentou-se sobre um argumento político, qual seja, a IGUALDADE de gênero. Na Suécia, após longa luta, conseguiu-se a igualdade e disso as mulheres suecas não abrem mão.

No entanto, geneticamente,a igualdade política foi precedida pelas dimensões citadas anteriormente. Primeiramente a igualdade de origem, a divina. Ambos, homem e mulher, foram criados por Deus. A reflexão sobre isto levou à conclusão da igualdade de dignidade, pois moralmente ambos são portadores da racionalidade. O esforço para encontrar os fundamentos  da convivência social levou à igualdade política, pois esta era a situação em estado de natureza. O passo seguinte foi consagrar a igualdade jurídica dentro de um regime democrático. De posse destes princípios adveio a última igualdade até o momento: a igualdade universal.

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”


sexta-feira, 1 de junho de 2018

A Vida e seu sentido. José Mauricio de Carvalho – Academia de Letras de São João del-Rei




Falar do sentido da vida é dialogar com Viktor Emil Frankl, médico psiquiatra e filósofo. Ele construiu um diálogo entre a Psicologia e a Filosofia, que podemos observar na sua proposta psicoterápica. Acompanhando sua trajetória mergulhamos nas grandes questões da Filosofia e da Psicologia na segunda parte do século XX. Ele desenvolveu uma escola de psicoterapia que ficou conhecida como logoterapia ou análise existencial. Inserindo-se com essa criação na tradição fenomenológica ou humanista, seguiu trajetória semelhante ao médico e filósofo Karl Jaspers, embora não tenha se destacado como ele na Filosofia. Jaspers e Heidegger foram os dois mais importantes filósofos da Alemanha do século passado.
Na juventude, Frankl foi influenciado por Freud e Adler antes de desenvolver sua escola psicoterapêutica. Os três tornaram-se conhecidos como os criadores das três escolas de Viena. Frankl não negou a importância do que aprendeu com os psicanalistas, mas deles se afastou porque não entendeu que se pudesse reduzir as grandes realizações humanas à sublimação da libido. E também porque não considerou a energia sexual ou a luta pelo poder os mais importantes moventes humanos, afirmando ser esse o sentido.
E ao retomar a questão proposta pelos filósofos para explicar a condição e situação humanas, Frankl deu a ela o peso da ciência. Para ele, afirmar que o homem precisa de um sentido para viver melhor, mesmo que não desapareçam os problemas ou a dor da proximidade da morte, não é apenas uma orientação filosófica, mas uma verdade cientifica. Assim, se como diziam os filósofos, a vida não é fato, mas uma escolha ou valor, essa questão tem sentido filosófico, mas também psicológico ou científico. Assim é porque as realizações espirituais do homem, dizia Frankl, representam algo tipicamente humano. E por que a questão do sentido se tornou tão importante? Porque se vive num tempo de crise.
Muitos filósofos falaram dessa crise. Dela é importante destacar a volatividade. Se recordamos de Zymunt Bauman e a teoria que elaborou em 1999 na obra a Modernidade líquida, temos uma referência precisa de para onde a crise se encaminhou. Se tornou-se difícil viver com as crenças das antigas gerações porque a vida se encarregou de colocá-las em suspeição, como observou Ortega y Gasset; se os valores da civilização foram rearticulados como disseram os culturalistas adquirindo um novo perfil, se a percepção de que a vida parece absurda porque quando começa não é possível descobrir uma razão para sua contingência como disse Martin Heidegger; foi porque a vida passou por transformações intensas. E onde nos levaram essas transformações na segunda metade do século passado foi o que resumiu Bauman: ao fortalecimento da competição em detrimento da solidariedade, ao enfraquecimento dos sistemas de proteção social com aumento das incertezas da vida, ao deslocamento dos fracassos para o plano individual, à redução dos planejamentos de longo prazo e ao afastamento do poder da política. Então nesse novo mundo o que se tornou necessário foi descobrir um sentido para a vida se quisermos empregar as palavras de Frankl.



sábado, 26 de maio de 2018

A NORMA, OS FATOS A JUSTIÇA E AS INSTITUIÇÕES. Ricardo Vélez-Rodríguez., Universidade Positivo, Londrina.






No seu belo poema Perí tes fyseos (Acerca da Natureza), o filósofo Parmênides de Eléia narra, em bela ficção poética, a marcha do carro do conhecimento, guiado pelas Helíades (Filhas do Sol), em direção ao Infinito, em busca da Verdade. O homem (que somos todos nós, passageiros desse carro da aventura epistêmica rumo à Luz imorredoura) parte das "moradas da noite" que se identificam com a nossa cotidianidade (a defesa dos interesses materiais), a fim de, no alto Céu, encontrarmos duas deusas: Diké (a Norma) e Themis (a deusa amorosa do sentimento de Justiça).

Ora, no convívio com as duas deidades iluminamos com a Luz da Verdade as nossas "moradas da noite", a cotidianidade que nos assoberba com os seus finitos e passageiros requerimentos. Mas o filósofo alerta que o convívio com as deusas não pode nos separar dessas "moradas da noite" que devem ser iluminadas, sempre, com a luz olímpica da Justiça e da Lei.

Distribui entre os meu alunos do Curso de Direito da Universidade Positivo em Londrina, nas aulas da disciplina "Teorias da Justiça", o belo texto de Parmênides, na maravilhosa tradução do saudoso Gerardo Mello Mourão (Parmênides. O Poema sobre a Natureza. Edição bilíngue, tradução de Gerardo M. Mourão, São Paulo: Edições Gumercindo Rocha Dorea - GRD, 1987, 28 pg.). Os meus alunos, pertencentes  na sua maioria à primeira turma do Curso, fizeram comentários entusiasmados acerca do belo poema de Parmênides. O pensador pre-socrático intuía, na sua narrativa poética, o caminhar da razão humana rumo à descoberta de verdades imorredouras, partindo sempre dos dados da vida cotidiana. Antecipava genialmente Parmênides a estrutura tridimensional do Direito, que Miguel Reale identificou como distribuída entre Fato, Valor e Norma. Somente poderemos dar solução aos conflitos de interesses que azucrinam a vida dos humanos (Fatos) se nos elevarmos, pela reflexão, às Normas (identificadas com a "poderosa" deusa Dikê) e se formos inspirados, ao mesmo tempo, pela amorosa presença de Themis (a deusa do Amor à Justiça).

Juízes que julgam acerca dos comportamentos erráticos dos homens devem confrontá-los com as Normas, mas sem esquecer o sentimento do amor à Justiça, que  constituiria como que o espírito da Lei. Nestes tempos bicudos de tentativas de desmonte da mega-operação Lava-Jato (que virou torrente que parece não se exaurir), lembrar essa dimensão tridimensional do Direito postulada pelo Mestre Miguel Reale, é uma necessidade. Sem o primado da Lei, à luz da vivência do sentimento da Justiça, não poderemos iluminar as "sendas da noite", ou seja, a particularidade dos fatos humanos e dos conflitos de interesses que precisam ser esclarecidos e equacionados à luz da Verdade. Hoje, mais do que nunca, a Filosofia precisa verter a sua luz imorredoura sobre os tortuosos caminhos pelos que o Direito se firma como Norma e como Ideal. Somente sob a batuta de juízes íntegros, dispostos a ir até às últimas consequências no seu amor à Justiça, é como poderemos obter ajuda para encararmos estes tempos difíceis, salvando as Instituições.

Acontece que nem sempre as nossas cortes superiores, notadamente o Supremo Tribunal Federal, parecem afinadas com os altos ideais de amor incondicional à Justiça e de respeito às Normas do Direito positivo. Decisões liminares contrapõem-se, na nossa Suprema Corte, a decisões colegiadas que já tinham assinalado o caminho seguro para o império da Justiça. Tal intuito, certamente, tinha animado aos Juízes da Suprema Corte quando definiram, há quase uma década atrás, de forma colegiada, a espinhosa questão da prisão após a condenação dos réus na segunda instância. Ao ensejo da possibilidade de prisão do ex-presidente Lula, há algumas semanas atrás, a questão foi novamente colocada sobre o tapete, abrindo o precedente de incerteza jurídica que ainda hoje paira sobre as nossas cabeças. E, para piorar as coisas, alguns juízes da Suprema Corte adotaram comportamentos pouco éticos, colocando a própria vaidade e os compromissos com interesses individuais por cima da dedicação que deveriam mostrar às causas que afetam a Vida Republicana. Gilmar Mendes viajando de afogadilho para tocar os seus negócios particulares em Portugal, trouxe para o Supremo uma péssima imagem de alguém que deveria viver, fundamentalmente, para responder às exigências do alto cargo que ocupa. Outro ministro, caracterizado por suas posições individuais discordantes, deu um show de falta de seriedade quando se afastou célere da reunião do Supremo para atender a compromissos sociais no Rio de Janeiro, alegando que "já tinha marcado assento no voo". Como se, no caso da sessão do Supremo Tribunal Federal, se tratasse de uma reuniãozinha qualquer marcada com amigos de ocasião.

Para cúmulo de males, a nossa secular tradição patrimonialista viu-se reforçada, nos últimos quatorze anos de desgovernos petistas, pela prática dos vícios que o clientelismo rasteiro sedimentou no agir político brasileiro, com o foco nos "amigos" e não nos cidadãos para os que deveriam, Lula e os seus colaboradores, governar. A corrupção no sentido aristotélico (quando os que governam fazem-no pensando no seu próprio bem-estar unicamente, se esquecendo do bem de todos) tomou conta do país. Isso motivou as mega-manifestações de 2013 e dos anos seguintes. O país viu a transformação das instituições republicanas no "Mecanismo" tão bem dramatizado pelo filme da Netflix, dirigido por José Padilha com roteiro de Elena Soares. O nosso Estado, que deveria servir a todos os brasileiros, virou, como diria Weber, um "Estado das autoridades" que unicamente cuida do bem-estar da burocracia e dos seus áulicos empresários corruptos, deixando de ser um "Estado do povo".

Esse descaso com o que é de todos, que nos afeta desde o início dos nossos dias como Nação, no ciclo lulopetista se converteu em doença contagiosa que faz periclitar o convívio político. O Brasil vai às escuras, tendo deixado de equacionar os grandes problemas que atravancam a vida política. Não foi feita a reforma política. As reformas no terreno econômico, como a previdenciária, patinam. O Partido que nos governou até recentemente especializou-se, ao longo dos seus trinta anos de história como agremiação partidária, a fugir dos problemas nacionais. Lula não assinou a Carta de 88. Os petistas torpedearam por todos os meios a efetivação das reformas econômicas que, ao ensejo do Plano Real, puseram fim à corrida inflacionária. E hoje, desalojados do poder, conspiram contra qualquer tentativa de conferir estabilidade à nau do Estado, se aliando ao anarquismo irresponsável dos mal chamados "movimentos sociais" e pregando, pela boca do seu máximo líder, ora na cadeia, um confuso e anárquico messianismo que não se sabe aonde pretende nos conduzir.

Ora, como as instituições não caem do céu, competindo a todos nós equacioná-las, é tempo de pensarmos naquilo que deve ser feito para garantir o convívio coletivo. A primeira reforma deveria ser a política, com a redefinição do nosso pacto federativo. Do jeito que a representação foi pensada ao longo dos ciclos autoritários, favorecendo mais os grotões atrasados do que a participação maior dos Estados mais modernizados, não iremos a lugar nenhum. A segunda providência deveria ser no terreno da definição político-partidária, mediante a adoção do voto distrital, a fim de aproximar mais os eleitos dos eleitores e dar a estes, efetivamente, o controle sobre o Congresso. A terceira providência deveria ser, no terreno econômico, com a diminuição efetiva da presença do Estado na economia, mediante as privatizações da centena e meia de empresas estatais improdutivas que garantem gastos mas que atravancam o desenvolvimento.

William Waak no seu artigo intitulado: "Uma Ideia" (O Estado de São Paulo, 12/04/2018) chamava a a atenção para o fato de que a prisão do ex-presidente Lula não era a solução mágica para todos os males que nos afligem. Ela foi, certamente, um evento alvissareiro. Pelo menos, nesse caso, foi feita justiça.  Alguém, como Lula, que se vangloriava de não levar em conta as instituições, teve de sair de cena, por força da lei penal que ainda vige e que castiga severamente aqueles que se prevalecem do poder para desviar recursos públicos.

Mas a solução dos nossos males passa também pelas reformas que ainda não foram feitas, notadamente o reerguimento do Legislativo como poder autenticamente republicano, hoje reduzido a um colegiado que tem vergonha de si mesmo e do qual os brasileiros deblateram. Ora, sem representação que valha, não teremos uma República que mereça o nome. Teremos, sim, um despotismo mais ou menos disfarçado.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

SOCIEDADE HUMANA VERSUS SOCIEDADE UTÓPICA. Selvino Antonio Malfatti




Às vezes pensamos que as vicissitudes acontecem somente conosco. Que outros países tiveram uma história cor de rosa. Continuamente progredindo sem problemas. Pensamos o caso dos Estados Unidos que foram sempre bem sucedidos e sensatos, as instituições nunca sofreram arranhões. Mas não é bem assim. 

O escritor Walt Whitman (1819-1892) escreveu um livro intitulado: Leaves of Grass (Folhas de relva). Nele afirmava em 1870:
“Pois se acontecesse que a América tivesse que se render à queda e à ruína, o será de dentro para fora, e não de fora para dentro: vejo claramente que as forças combinadas do mundo externo não conseguiriam derrubá-la. O que me alarma são esses partidos selvagens e vorazes: sem outra lei senão seu capricho, cada vez mais agressivos e intolerantes com a ideia de união e fraternidade equitativa, a perfeita igualdade dos Estados. Estas ideias sempre foram dominantes da América: cabe a você não concordar e não se misturar em uma com eles, não se submeter cegamente a seus ditadores, mas mantê-los na posição firme de juízes e cavalheiros sobre todos eles.”
E arremata afirmando:

Por si só não se deve condenar as formulações de políticas ativas que levarão a um beco sem saída. Pode ser que determinadas políticas ativas levem a bom resultado, em que pesem as travessuras de partidos e líderes que mais por projeção pessoal do que por convicção, líderes de inteligência dúbia, charlatães e outros espertalhões. Apesar deles, pode ser que haja acertos e por isso não se pode descartar in limine.

Todos concordam que as consequências da guerra da secessão foram um período crucial, mas fazendo um balanço o período debitou um balanço íntegro segundo os parâmetros vigentes para tais situações.
Em contraste hoje, fins do século XIX, a América vive um período de rapina e de fofocas. Há crentes passivos, diz o autor, que querem demonstrar o próprio desmoronamento moral, a falência do empreendimento nacional, e há os crentes ativos que embora concordem com isso, mas com a diferença de que veem um vislumbre de esperança em uma liquidação apressada do patrimônio cultural.

Whitman acreditava na existência de um substrato democrático que conseguia controlar as piores lacunas da civilização, sito é, o ideal de manter-se sobre a rota certa ou ter a certeza de voltar e reencontrar o caminho certo, uma via nacional melhor e mais sã embora tudo demonstrasse que a política era irredimível.

Whitman dizia que a democracia é uma grande palavra, cuja história ainda estaria por vir por que antes teria que ser vivida. Acreditava com segurança  num espírito supremo da democracia que manteve controlável as piores lacunas da civilização. Com efeito, pode ser que tenha sido este ideal a manter a rota correta, ou insistência em buscar a estrada certa para voltar a uma vida nacional, melhor e mais saudável.

Onde reside o fundamento de uma saúde duradoura que garantiu até agora a prosperidade de progresso da América? Certamente foi o modelo humano e não a Utopia. O bom senso e não elucubrações irrealizáveis. O possível e não o ideal.



sexta-feira, 11 de maio de 2018

XII COLÓQUIO DE ANTERO DE QUENTAL. Organização pelo Dr. José Maurício de Carvalho













Acontece, entre os dias 07 a 11 de maio de 2018, na cidade de Mariana, o XII Colóquio de Antero de Quental. Contará, nesta edição, com a parceria da Faculdade Dom Luciano Mendes. O objetivo do evento internacional é estudar a historiografia luso-brasileira contemporânea como parte do exame dos temas e autores importantes no Brasil e em Portugal no século XX. Durante o evento, será examinado e debatido assuntos e autores fundamentais na construção da historiografia da filosofia luso-brasileira do século passado, e tem como propósito notar eventuais mudanças na forma como o problema foi abordado e funciona também como avaliação dos estudos relativos à filosofia brasileira. Durante XII Colóquio de Antero de Quental ocorrerá também uma homenagem para o Dr. e Professor António Braz Teixeira que é um profundo conhecedor do pensamento português, e nas últimas décadas, também tem dedicado trabalhos à filosofia brasileira. 

PROGRAMAÇÃO

0 h – Conferência de abertura: Primórdios da Historiografia da Filosofia Brasileira
Dr. António Braz Teixeira
11 h – A visão de José Marinho do pensamento português contemporâneo
Dr. Renato Epifânio – Universidade do Porto – IFLB
Debatedor: Dr. José Esteves Pereira – Universidade Nova de Lisboa
11:30 – Apresentação das Atas do XI Colóquio Tobias Barreto realizado em Lisboa no   ano de 2016.
Dr. Renato Epifânio – Universidade do Porto – IFLB

14 h – Historiografia e Historiosofia. A obra de José Silva Dias (1916-1994)
Dr. José Esteves Pereira – UNL
Debatedor: Dr. José Mauricio de Carvalho – UNIPTAN
15 h – O ensino no Seminário de Mariana no século XIX no período de Dom Viçoso (1844-1875)
Prof. João Paulo Rodrigues Pereira
         Debatedor: Prof. Mauro Sérgio de Carvalho Tomaz
Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira

16 h – A filosofia no Brasil: a perspectiva de Ivan Domingues
         Prof. Bernardo Goytacazes de Araújo
         Debatedor: Dr. Ivan Domingues
17 – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Washington Vita
Dr. Adelmo José da Silva e Prof. Adelmo José da Silva Filho
Debatedor: Dr. Adelmo José da Silva
3ª-feira – 08/05/2018-
9 h – A Missão Francesa e a fundação do Departamento de Filosofia da USP
Dr. Ivan Domingues
Debatedor: Dr. Antônio Joaquim Severino
10 h – Ciência e Filosofia no projeto interdisciplinar da formação humana: a contribuição do pensamento de Hilton Japiassu
Dr. Antônio Joaquim Severino – USP/UNINOVE
Debatedor: Dr. Renato Epifânio – Universidade do Porto – IFLB
11 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Cruz Costa
Dr. Paulo Roberto Margutti Pinto– UFMG/FAJE
Debatedor – Dra. Cláudia Maria Rocha de Oliveira – FAJE

14 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Geraldo Pinheiro Machado
Prof. Paulo Roberto Andrade de Almeida – UFSJ
Debatedor: Dr. Silvio Firmo do Nascimento – UNIPTAN
15 h – Filosofia e Transcendência em Henrique C. de Lima Vaz
Dr. Samuel Fernando Rodrigues Dimas – UCP
Debatedor: Dra. Cláudia Maria Rocha de Oliveira – FAJE
16 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Henrique Claudio de Lima Vaz

        Dra. Cláudia Maria Rocha de Oliveira – FAJE
         Debatedor: Dr. Samuel Dimas– UCP

20:30 h. evento cultural (concerto no órgão restaurado da Igreja Matriz de Mariana com a organista oficial da Sé Mariana Josinéia Godinho – Bacharel em órgão pela Faculdade Santa Marcelina, graduada em Música sacra pela Kirchenmusik (Hamburgo – Alemanha) e mestre em música pela UFMG).
4ª- feira – 09/05/2018 –
Em sala paralela haverá comunicação de alunos do curso de Filosofia
9 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo João Camilo de Oliveira Torres
Dra. Anna Maria Moog Rodriguez – Instituto de Filosofia Luso-Brasileiro
       Debatedor: Prof. Mauro Sergio de Carvalho Tomaz – UFSJ
10 h- Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Silvio Romero
         Dr. Silvio Firmo do Nascimento – UNIPTAN
         Debatedor: Dr. Adelmo José da Silva – UFSJ
11h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Aquiles Cortes Guimarães
Dra Regina Coeli Barbosa Pereira – UFJF
Debatedor: Dra. Rosilene de Oliveira Pereira – UFJF


14 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Roque Spencer Maciel de Barros
Dra. Rosilene de Oliveira Pereira – UFJF
Debatedor: Dr. Ricardo Vélez Rodríguez – UFJF e Faculdade Arthur Thomas –    Londrina
15 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira José Oswaldo de Meira Penna
Dr. Ricardo Velez Rodríguez – UFJF e Faculdade Arthur Thomas – Londrina
Debatedor: Dr. Arsênio Eduardo Corrêa – Instituto de Filosofia Brasileira (SP)

16 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Paulo Margutti
Dr. Adelmo José da Silva – UFSJ
Debatedor: Prof. Paulo Roberto Andrade de Almeida – UFSJ
17 h – Pensamento filosófico sobre a reparação do evento em Bento Rodrigues.
Dr. José Afrânio Vilela – Desembargador TJMG
Debatedor – Dr. Guilherme de Sá Meneghin
5ª-feira – 10/05/2018 – 
9 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Antônio Ferreira Paim
Dr. José Mauricio de Carvalho – UFSJ e UNIPTAN
Debatedor: Dr. José Esteves Pereira – Universidade Nova de Lisboa e IFLB
10 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Miguel Reale
Dr. Arsênio Eduardo Corrêa – Instituto de Filosofia Brasileira (SP)
Debatedor: Dr. Silvio Firmo do Nascimento
11 h – Historiografia e hermenêutica da filosofia brasileira segundo Jorge Jaime
Dr. Roberto Hofmeister Pich – PUCRS
Debatedor: Prof. Ms. Mauro Sergio de Carvalho Tomaz –

Tarde livre em Ouro Preto e/ou Mariana
6ª-feira – 11/05/2018 –
Colóquio António Braz Teixeira: a obra e o pensamento
9 h – António Braz Teixeira: filosofia e poesia da saudade
Dr. Manuel Cândido Pimentel – UCP
Debatedor: Dra. Constança Marcondes Cesar – UFS   
9:30 h– O conceito de Deus na filosofia luso-brasileira na ótica de Braz Teixeira
Dr. Humberto Schubert Coelho – UFJF
Debatedor – Dr. António Braz Teixeira
10 h – Fidelino de Figueiredo e Braz Teixeira: diálogos sobre o Atlântico
Dra. Rita Aparecida Coelho Santos –
Debatedor – José Esteves Pereira – UNL
10:30 h – António Braz Teixeira: Filosofia luso-brasileira no século XVIII
Dr. José Esteves Pereira – UNL
Debatedor – Dr. Manuel Cândido Pimentel – UCP
11 h – António Braz Teixeira: para uma filosofia lusófona
Dr. Renato Epifânio – Universidade do Porto
Debatedor: Dr. António Braz Teixeira – IFLB

14 h – A teoria do mito na Filosofia da Religião Luso-Brasileira de António Braz Teixeira
Dr. Samuel Dimas – UCP
Debatedor: Dr. Manuel Cândido Pimentel -UCP
15 h – Lançamento da Revista Nova Aguia.
Dr. Renato Epifânio – Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono



sexta-feira, 4 de maio de 2018

O QUE NOS UNE E O QUE NOS SEPARA.. Selvino Antonio Malfatti.


Somos uma nação. Temos identidade interna e externa. Por isso temos valores que nos identificam e que nos unem. E há valores que nos separam. Mas de um tempo para cá, aumentam os valores que nos dividem.
Sempre fomos um povo pacífico, respeitador, cordial. A diferença de classes ou de status era compensada pelo respeito mútuo e compreensão. Mas de uns tempos para cá esses valores foram jogados na vala do desprezo.

O que aconteceu? Incubou-se nas universidades públicas, nas ciências humanas, um grupo de professores que, em vez adotar o pluralismo na pesquisa, abraçaram o singularismo, privilegiando tão somente um elemento como se, através dele, se pudesse explicar tudo. Brandindo a espada do singularismo passaram a investir contra tudo e contra todo: educação, economia, cultura, religião, família, gênero etc. São exemplos desse singularismo: Marilena Chauí ("odeio a classe média"), Paulo Freire, Nelson Werneck Sodre.
O pluralismo - como de Miguel Reale (Tridimensionalidade do Direito), Guilberto Freye, Rui Barbosa () - foi tudo jogado na lixeira.
Com o singularismo foi acirrada as diferenças de classe. Não por parte da população mas por aquele estrato social incrustado no poder, que faz questão de ofender a classe média, atiçar o ódio entre os pobres, e ofender e humilhar os abastados e empreendedores. Tentar desmoralizar as Forças Armadas e todas as instituições do estado de direito. E o pior, eles se locupletam das demais classes e ao mesmo tempo que ofendem a classe que pertencem – a média.  Incitam o ódio entre as classes e lhes atiram migalhas em retribuição ao voto. Esbulham a classe alta para roubar-lhes as rendas que conseguiram.
Foram milhões e bilhões desviados, roubados e transferidos para suas contas pessoais até mesmo no exterior. Isto passou a nos dividir.

Mas o pior estrago cometido foi o esfacelamento da sociedade. Hoje, digo o tempo, após treze anos somos uma nação dividida, cujo veneno do ódio se espalhou em todos os setores. Os abrolhos começaram a destilar-se a partir da educação mais alta, a superior, penetrou no escalão médio e infiltrou-se na básica. Hoje, entre os educadores públicos, o respeito quase desapareceu. Não há mais recato nem às autoridades e muito menos entre colegas, sem falar nos educandos. Todos se odeiam, se ofendem e se atacam fisicamente e moralmente. Cada lado  estereotipa outro  chamando-se mutuamente de “petralhas”, “coxinhas”, “fascistas”, “canalhas”.

Incentivam a prostituição, a degradação moral das crianças e a depravação sexual social. O aborto – em vez de exceção – se torna regra. A opção de gênero, em vez de privada, quer que seja pública através do incentivo às práticas e experiências degradantes. Isso, inclusive, com crianças.
O uso de termos ofensivos passou do íntimo para público. Ofensas foram içadas às esferas de mídia, redes sociais e em lugares públicos e privados. Uma professora, em palestra na UFRGS,  chama a autoridade suprema do país de “canalha”. Políticos mandam ministros do Supremo Tribunal tomarem no símbolo do cobre. Professores e universitários disseminam  e destilam a cizânia do ódio entre colegas, superiores e alunos. Religião, moral e ética viraram deboche. É uma guerra de “haters”, Voltamos ao estado de natureza, de guerra de todos contra todos. (Bellum omnium in omnes). Não se pode discordar, que milicianos mercenários atacam como abelhas africanas.

Tudo isso foi possível - não causado - pelas redes sociais. Antes delas alguém poderia chamar o outro de "canalha" num ambiente restrito. Com as redes sociais isso tomou proporções inimagináveis. Não é para um grupo ou pessoas particulares que a ofensa é lançada, mas para o mundo. Além disso a pessoa pode ficar anônima se usar um pseudônimo. Não foram as redes que fizeram este ambiente, mas o uso delas num ambiente que se tornou acirrado e polarizado. Chegamos à fronteira da convivência.

O que sobrou para nos unir? Ainda somos uma nação ou um conglomerado de pessoas como num coletivo?
O que nos desune?
Partidos, diferença de classes, status, escolaridade, salários.
Mas o que nos deveria unir:
Pátria, solidariedade social, democracia pluralista, compreensão, valores permanentes, respeito.
Modestamente sugiro desarmar os espíritos e traçar um novo Pacto Social. Para tanto, nada melhor do que ter em mente a paz. Convido a todos:

1ª. Procurar a paz e segui-la.
2ª. Todos defenderem-se mutuamente em vez de se agredirem
3ª. Esforçar-se para ser sociável.
4ª. Perdoar as ofensas passadas e arrepender-se delas.
5ª. Banir a vingança.
6ª. Ninguém deverá devotar, nem demonstrar qualquer sinal desprezo pelo outro ou declarar ódio a seu semelhante.
7ª. Que cada um reconheça o outro como igual, por natureza.

Parece que não há outra alternativa: se não surgir um novo pacto social espontâneo, afundaremos e advirá, sim, mas quando toda esta geração estiver debaixo da terra. 
Ou seremos, como nação, banidos da face da terra.




sexta-feira, 27 de abril de 2018

O Mito, o conceito e sua deturpação.José Mauricio de Carvalho Academia de Letras de São João del-Rei





No decorrer da história da cultura a palavra mito teve significados distintos desde que surgiu entre os antigos gregos. Platão a concebeu como forma deturpada de verdade ou como aquilo que se distancia de uma narrativa verdadeira. Aristóteles elaborou na Poética essa compreensão e a apresentou não somente como falsa narrativa, mas como maneira aproximada ou simbólica de dizer algo. Esta noção de verdade aproximada abriu espaço para uso do termo como narrativa simbólica com valor moral ou religioso e assim passaram a ser nomeadas as narrativas cosmogônicas ou soteriológicas, isto é, que narravam as origens ou fins do universo de uma perspectiva religiosa, como se vê na Bíblia.
Entre os modernos a palavra mito adquiriu um sentido não reconhecido na antiguidade. Um dos responsáveis por essa virada gnosiológica foi o italiano Giambattista Vico que enxergou nas narrativas mitológicas não inverdades ou verdades diminuídas, mas uma outra forma de dizer a verdade. E ele observou que é possível comunicar uma verdade de várias maneiras. Disse ainda que os povos ao narrarem sua origem se valia de caracteres poéticos e simbólicos para expressar aspectos difíceis de serem transmitidos numa linguagem lógica e discursiva. Porém, foi no idealismo alemão que o mito ganhou uma significação mais elaborada ao ser apresentado como uma espécie de religião natural, isto é, forma natural pela qual ocorre a manifestação do Absoluto entre os povos. O grande articulador dessa forma de pensar foi Friedrich von Schelling autor de uma Filosofia da mitologia, onde avalia as narrativas mitológicas como manifestação da divindade na natureza.
O pensamento contemporâneo retomou as considerações do idealismo alemão para destacar na narrativa mítica uma realidade decorrente da compreensão fenomenológica de entender o mundo. Para os fenomenólogos sempre que se pensa se está pensando algo. Daí a expressão consciência de, para traduzir esse entendimento de que se é a consciência subjetiva que pensa o mundo, como ensinou Descartes, ela pensa o mundo representando-a nela ou o medindo segundo suas possibilidades. Por isso, Ernest Cassirer no Ensaio sobre o homem trata essas formas simbólicas ou poéticas de descrever as origens como reveladora da distância existente entre o símbolo e o que ele representa. Assim as narrativas míticas, embora privadas de rigor lógico, não são incoerentes se observadas na ótica dos sentimentos, que são muito fortes entre os primitivos.
A Sociologia moderna trouxe esse entendimento contemporâneo para descrever o surgimento de elementos de formação dos grupos. Esse uso foi deturpado na linguagem comum. Isso ajuda a entender o uso despropositado que passa ser feito do conceito para representar um homem e sua liderança. A extrema direita foi campeã nesse uso deformado do conceito ao veicular a ideia de que Hitler ou Mussolini eram mitos. Isso andou meio esquecido em razão dos destinos da guerra. Aproveitando-se da ignorância geral a direita brasileira está assanhada tentando propor outro mito ou de fazer a sociedade engolir outro mico.



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