sexta-feira, 20 de maio de 2022

MARIA MONTESSORI- A CRIANÇA E O PROFESSOR e CECÍLIA MEIRELES- CRIANÇA E O ADULTO . Selvino Antonio Malfatti.

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Maria Montessori, uma das primeiras mulheres formada em medicina na Itália. Cecília Meireles pioneira na literatura, Brasil.

Pelos fortes traços de aproximação pode-se estabelecer um paralelo entre as duas educadoras: Maria Montessori e Cecília Meireles, uma brasileira, Cecília Meireles e outra italiana, Maria Montessori marcaram presença na educação na Década de Trinta, cada uma a seu modo.

Maria Montessori por ocasião dos setenta anos de sua morte  6 de maio, os educadores do mundo todo se voltam para o método educacional desenvolvido por ela.

Formada em medicina pela universidade de Roma foi uma mulher pioneira como médica na Itália. Consagrou-se como pedagoga científica pelo seu método o qual consiste relacionar o desenvolvimento biológico e mental através do treinamento dos movimentos musculares que são exigidos no cumprimento das tarefas. Isto ela chamou de desenvolvimento integral da criança.

Começou então sua projeção mundial como educadora.  Ela Ministrou cursos em diversos estados norte-americanos, Espanha, Índia, Holanda entre outros.

 

Montessori faleceu na Holanda em 6 de maio de 1952.

Cecília Meireles, por sua vez, (1901-1964) é uma educadora brasileira. Nasceu no estado do Rio de Janeiro. Em vida o torvelinho político envolveu Cecília. Em 1930, estoura a Revolução da Aliança Liberal cujo comando estava a cargo de Getúlio Vargas. Em 1932, deflagra a Revolução Paulista contra Vargas e o constitucionalismo. Nova Constituição de 1934 e o Golpe de Estado de 1937. No período ocorre o tenentismo, a intentona comunista, Ação Integralista e outros.

Cecília faleceu no Rio de Janeiro, em nove de novembro de 1964.

Ambas:

1.     Viveram em regimes ditatoriais: Cecília com Getúlio e Montessori com Mussolini

2. Tiveram grande presença educativa na década de Trinta.

 3. Ambas tiveram relação inicial amigável com os ditadores e depois romperam.

 4. Propuseram uma nova concepção na educação. Cecília uma escola nova e leiga e Montessori uma educação livre e novo método.

 5. Dedicaram-se de modo especial às crianças.

 6. Foram liberais.

 

MARIA MONTESSORI - educação das crianças:

Na essência a proposta de Montessori é de Rousseau. “...o filho ensina a mãe”.  Para ela, diferente da orientação tradicional, a criança deve ter uma orientação para se tornar autônoma e não submissa. Diferente de obediência irrestrita que acata ordens, a autonomia sabe acatar as ordens, mas sabe também ser autônomo. Por isso que a autora propõe que nunca se deve impedir uma criança de fazer o que quer só por ser pequena. Por ser pequena não deve impedi-la de tentar fazer o que tem em mente. No mundo as crianças estão viajando num meio de transporte e os adultos são seus guias.

CECÍLIA MEIRELES e a educação Infantil:

O que os livros de literatura infantil deveriam abrigar em seu bojo? Primeiramente deveriam ser livros agradáveis às crianças, o que elas demonstrassem prazer em ler. Por isso, não se deveria estabelecer a divisão de “literatura infantil”, para crianças, mas literatura das crianças, isto é, o que elas optaram para si. Desse modo, não seria uma literatura “a priori” feita por adultos, mas literatura infantil “a posteriori”, feita pelas crianças.

Outro aspecto a respeito do conteúdo da literatura infantil refere-se ao conteúdo espiritual dos livros. Para Cecília o ponto de partida sempre deve ser a criança para a criança e não o adulto para a criança. Os conteúdos científicos, literários e morais devem merecer o atrativo das crianças, antes dos educadores. Evidentemente o adulto colocaria ao alcance das crianças um universo de obras-primas e as crianças escolheriam o que lhes agradasse. Certamente não se deveria deixar totalmente ao critério das crianças, isto é, leva-las a uma biblioteca e escolhessem o que bem quisessem. O educador escolheria as melhores obras e destas a criança escolheria.

 

 

 

sexta-feira, 13 de maio de 2022

O racismo, mexendo no alicerce. José Mauricio de Carvalho

 




Karl Jaspers foi genial, desses gênios que conseguem se tornar referência mundial em dois campos diferentes do conhecimento. Ele o foi como médico psiquiatra e como filósofo. E viveu em dias extremamente duros, tempo da emergência da extrema direita na Alemanha, na década de 30 do século passado e da redução do pensamento científico ao materialismo positivista, herdado do século XIX. Isso o levou a enfrentar tanto o cientificismo redutor quanto o pensamento político torpe. E interpreto como torpe toda forma de radicalismo político inimigo da liberdade, do estado de direito e da democracia. Creio que não é preciso muita inteligência para entender isso. Vilém Flusser, o filósofo tcheco que viveu no Brasil mais de três décadas, enxergou na teatralidade nacionalista-racista, que ele assistiu no nazi-fascismo, o êxtase orgiástico das grandes manifestações e a inautenticidade dos sentimentos expressões semelhantes à histeria. Quanto a sua dimensão filosófica, esse nacionalismo-racista dos nazi fascistas, como é o pensamento político da extrema direita, ele escreveu em Ser judeu (2014, p. 222): “é subumanamente cretino. Como articulação existencial, é covarde e nojento.”

Voltando a Jaspers, o filósofo elaborou, na última etapa de sua vida uma filosofia da existência pautada na liberdade responsável. Ali a compreensão de liberdade vinha amparada e limitada, no âmbito político pelas leis do país. No que se referia ao positivismo materialista, a liberdade se sustentava no reconhecimento do espírito e nas suas exigências na construção de uma crítica da ciência. Uma síntese desse programa de vida ele propôs em sua Introdução ao pensamento filosófico (1993, p. 92): “Em 1931, no meu livro Situação espiritual de nosso tempo deixei dito que o marxismo, a psicanálise e o racismo (nazismo), (portanto em termos mais gerais, a sociologia, a psicologia e a antropologia biológica) são – desde o momento em que perdem o caráter científico para se tornarem concepções do mundo – os três grandes adversários espirituais do homem de nossa época. Contra eles só podemos defender-nos recorrendo à filosofia, atividade a que todo homem se entrega mas que se esclarece pelo trabalho dos filósofos, que a explicitam e sistematizam.”

Jaspers não falou sozinho da sociedade que via. Outros pensadores, filósofos e cientistas descreveram a sociedade de então. Em síntese, pode-se dizer: Ortega y Gasset tratou de uma sociedade que funciona como massas, Sartre de uma sociedade desocupada da liberdade existencial, Martin Buber e de uma sociedade que perdeu suas crenças, valores e religiosidade, Flusser de uma sociedade em crise de cultura, Bauman de uma sociedade líquida onde não há solidez nas relações pessoais e institucionais, e tantos outros que descreveram o que viam se passar. O resumo de tudo é o surgimento de uma sociedade de massas, uma sociedade pouco reflexiva, que deixou de admirar os pensadores, perdeu vergonha da ignorância, desgostou-se da democracia e queria um líder carismático que dirigisse a vida: um füher, um duce, um condutor, um mito.

O crescimento das manifestações racistas, homofóbicas, excludentes, antidemocráticas, fundamentalista, etc. não são fenômenos isolados ou fruto de algo estrutural na sociedade brasileiro que agora, do nada, emergiu. É fenômeno amplo e complexo fruto de um movimento amplo do ocidente. O nacionalismo-racista reapareceu no mundo em diferentes países depois que a Guerra Fria acabou e deu origem a conflitos setoriais, favorecendo o reaparecimento dos movimentos radicais da extrema direita. Trata-se de fenômeno contaminante, que vai se espalhando.

Para esses dias também contribuiu a destruição do humanismo, a desvalorização da razão ou a antirracionalidade, que esse tempo acirrou. Isso porque todos os filósofos que examinaram a cultura e sua crise no século passado já descreviam quase tudo que estamos vendo acontecer nesses nossos dias. O enfrentamento do racismo e todas as formas de antihumanismo deverá ocorrer com ações na justiça, mas somente se tornará efetivo se conseguirmos retomar a tradição judaico-cristã e do humanismo republicano de que todos os homens são irmãos diante de Deus e/ou membros de uma humanidade comum, ainda que singulares em sua história e sentido existencial.

 

sexta-feira, 6 de maio de 2022

EMPRESA E HUMANISMO. Selvino Antonio Malfatti.

 




No Brasil é comum ouvir-se e ver impropérios, acusações e condenações a empresas. O diapazão são as supostas explorações dos empregados pelos empregadores através de suas ermpresas.

Isto iniciou quando o alemão Marx afirmou, opinativamente, sem base científica, que as empresas para sobreviverem aplicam a ”mais valia” sobre os trabalhadores. Estes são roubados nos seus salários e, através disso, os empresários se sustentavam, as empresas se financiavam e o mundo industrial se reproduz. 

A partir daí começou a dissociação entre empresa e sociedade. A empresa, a vilã, como um tumor alojado na sociedade corroendo-a. Precisa urgentemente ser extirpado. 

A mais valia, uma criação ideológica socialista, não foi submetida ao crivo da crítica e passou como uma verdade incontestável e digna de dogma de fé.

Na prática o que aconteceu foi uma ruptura da tradição sobre o conceito de empresa. Para Aristóteles a empresa pertence à atividade da razão prática. Esta conhece por experiência o que é melhor e como realizar esta atividade. A razão teórica pode auxiliar o mundo da experiência, mas esta é soberana sobre como realizar determinadas atividades.

Santo Tomás e Agostinho na idade média enfatizava a ideia de justiça nas relações de trabalho. “O trabalhador é digno de seu salário e de um salário digno”, como consta no Evangelho. Disso resulta que o trabalhador não pode ser explorado pelo seu patrão.

O movimento industrial introduziu a ideia de lucro na atividade produtiva. A ideologia da mais valia apontou o lucro como exploração. Nisso está a falha do silogismo. Lucro e exploração são conceitos distintos, não idênticos. Nem sempre o lucro é proveniente da exploração, isto é, pode haver lucro sem exploração.

O raciocínio de Marx:

Todo salário é o valor do trabalho embutido nele;

A apropriação de qualquer parte do salário é roubo.

Pronto. Instalada a confusão. Empresa, ladra do salário do trabalhador. 

Onde está o sofisma?

Que o salário é todo valor da produção do trabalhador.

O correto seria que o salário é um trato bilateral entre trabalhador e empresa. Ambos devem concordar, senão não há trato.

Por isso, a questão salarial do trabalhador na empresa deve levar em conta:

- Os empregados são auxiliares na produção e não explorados;

- Os lucros são retorno do trabalho do empresário;

- As empresas oferecem bens de consumo imediatos aos trabalhadores;

- Os empresários precisam continuamente reinvestir na empresa para mantê-la vida: manutenção.

A crítica à empresa acima não é em bem assim em outras partes do mundo, mormente na Europa. É o caso do livro de “L' avvenire della memoria”, (Egea, 2022), livro de Antonio Calabrò, cujo título em português: O Futuro da Memória.

Caladró, presidente do Musimpresa, quer evitar o saudosismo do passado ao querer propor uma sociedade melhor. Seria a retrotopia. Uma atitude em que sempre se imagina o passado melhor que o presente e como consequência, propor implantar uma sociedade do passado para o presente. Seria a nostalgia da Sociedade de Rousseau: natural, sem tecnologia, sem indústria. Caladrò, ao invés, quer uma sociedade inovação. Se ele olha para as raízes é para ter autoconsciência. Outra questão que quer evitar é uma sociedade sem a indústria, somente natural. Seria semelhante a uma alimentação humana puramente vegana. A proposta de uma sociedade sem indústria implica ausência do empresário, culpado de toda desgraça deste mundo: dinheiro, lucros, multinacionais, exportações, explorações, pobreza, miséria, degradação ambiental, cataclismos, numa palavra o capitalismo. 

Seus tentáculos avançam para a produção de conteúdos/símbolos, já com poucos rivais sobreviventes. Surge uma experiência coletiva de fabricação inteligente, não confiável à transmissão ao storytelling corporativo, ou capitalismo inclusivo, extensivo ao perímetro socioeconômico tradicional, mas à ciência e criatividade. Não se trata apenas de passar uma mensagem superficial ao público alvo da empresa, mas lançar mão da ciência e criatividade. Para tanto é preciso investir na memória, consultar mapas, arquivos das empresas, museus, folhear revistas corporativas, ouvir apresentações culturais mescladas aos ruídos de uma fábrica.

Uma indústria humanista não pode existir isolada. Ela deve sobressair do meio social onde habita. Ser um componente do meio social e não ser vista como um nicho de exploração humana. Ela é a sociedade e não somente um componente da sociedade, tal como uma escola amada por pais, professores e alunos, Como uma clube, local de encontro de lazer de jovens, adultose crianças. Um igreja que congrega para o espiritual toda a comunidade. Uma universidade, foco de saber da comunidade. 

A fábrica ou empresa, um esforço comunitário para o bem estar material e social da sociedade. 

 


sexta-feira, 29 de abril de 2022

ELEIÇÕES EM FRANÇA. Selvino Antonio Malfatti.

 





 

Poderia alguém perguntar: o que interessa ao Brasil as Eleições em França?

Antes vejamos o resultado:

1º Turno

Em 10 de abril, houve eleições para presidente em França. Principais Candidatos:

1.    O atual presidente, Emmanuel Macron, do partido La République en Marche (LRM),

2.     A candidata Marine Le Pen do partido Rassemblement national (RN) ),

3.    E Jean-Luc Mélenchon, La France Insoumise (LFI),

MACRON - LRM : 20.21% (9 560 545 votos) -Centrista

MARINE LE PEN - RN : 17.14% (8 109 857 votos) - Direita

JEAN-LUC MELENCHON - LFI : 16.07% (7 605 225 votos) - Esquerda

Com isso, Macron e Marine vão ao segundo turno, no dia 24 de abril.

 

1.         Segundo Turno

CANDIDATOS:

1.         Emmanuel MACRON

La République en marche

58,54 %

18 79 641

2.         Marine LE PEN

Rassemblement national

41,46 %

13 297 760

 

A França é um país ocidental, um dos de primeira grandeza, não só pela extensão, mas por tudo o que representa.

1.    Primeiramente no Ocidente. Sempre foi um país central neste universo cultural. Não somente participou da nossa cultura como foi um dos principais protagonistas. A França se pode dizer foi uma das lideranças da cultura ocidental, desde sua formação até o momento.

2.    É um país europeu, da União Europeia, não só membro, como líder de tudo o que acontece na Europa: na cultura, na economia, na arte na filosofia, na ciência e mesmo na religião.

3.    Uma liderança política engajada na paz e na guerra no intuito de defender os valores ocidentais: a fraternidade, a humanidade e a cristandade.

4.    O Brasil sempre esteve próximo culturalmente  da França. Várias missões culturais estiveram presentes em nosso meio cultural, artístico e científico, como a Missão Cultural Francesa do século XIX, os estudos de Botânica de Auguste de Saint-Hilaire, e inúmeras iniciativas dos governos França-Brasil.

5.    Intercâmbios. São inúmeras as possibilidades de intercâmbios com a França, dentro das mais diversas áreas como ciências humanas e exatas. As principais cidades de recepção em França são:

 

1.    Paris. É sempre a mais procurada. No entanto há outras

2.    Marselha: Além de ser a segunda maior cidade francesa oferece inúmeras ofertas de pesquisa e estudos.

3.    Lyon: Lyon possui um tamanho perfeito (nem pequena demais, nem grande), é segura e possui 3 ótimas universidades.

4.    Toulouse: Conhecida como a cidade dos universitários.

5.    Lille Possui excelentes universidades, está muito bem localizada.

Todos os anos são milhares de bolsas de brasileiros em pesquisa na França, nas mais diversas áreas científico-tecnológicas e humanas. Neste ano, por exemplo, a CAPES disponibilizará para estudantes brasileiros na França 1,5 mil bolsas. Serão investidos R$ 178,7 milhões na inciativa de 2020 a 2021. As oportunidades são resultado da parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a França no Programa de Cooperação Brasil-France Ingénieur Technologie (Brafitec). Os investimentos no projeto somarão R$ 178,7 milhões ao longo de três anos.

O boon científico e tecnológico na França fixou-se num período histórico denominado de Belle Époque , logo após a Revolução Industrial, século XVII e XVIII. As principais invenções foram:

• Telégrafo sem fio;

• Telefone;

• Gramofone;

• Fonógrafo;

• Locomotivas a vapor;

• Bondes elétricos;

• Automóvel;

• Cinema;

• Avião.

Sua influência as faz sentir:

1.     Literatura

A França é o país com o maior número de Prémios Nobel de Literatura.

2.    Belas-Artes

Torre Eiffel, ícone da arquitetura americano-francesa. Os pintores clássicos do século XVII francês são: Poussin e Lorrain. No século XVIII predomina o rococó. Em finais do século começa o classicismo de Jacques-Louis David. O romanticismo está dominado pelas figuras de Géricault e Delacroix. A paisagem realista da Escola de Barbizon tem a sua continuação em artistas de um realismo mais testemunhal sobre a realidade social do seu tempo, como Millet e Courbet. Em finais do século XIX Paris, convertida em centro da pintura, vê nascer o impressionismo, precedido pela obra de Édouard Manet.  Entre outros. E segue a lista com:

3.    Pintura

4.    Religião

5.    Arquitetura

6.    Música

7.    Moda

 

Recado das Eleções

As urnas deram um recado claro tanto para Macron como para Le Pen.

Para o primeiro, Macron, seria bom baixar o salto alto. Não está com tanta força assim. Um pouco mais de cinquenta por cento dos votos. E por isso, deixou o resultado com compasso de espera: as próximas eleições legislativas já batendo à porta, para junho deste ano. Nelas poderá se confirmar a vitória de Macron ou não. É bom lembrar que a França tem sistema de governo parlamentarista e por tanto, o executivo depende do legislativo.

Por outro recado, para Le Pen. O montante dos votos nulos, que ela poderia ter aproveitado, não foram para ela, mas desperdiçados. O puxão de orelha é no sentido de que seu programa não agrada aos franceses, e por isso preferiram anular o voto.

 

 

 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

O TOTALITARISMO EMBUTIDO NO “POLITICAMENTE CORRETO”. Selvino Antonio Malfatti

 


 


O  livro de Federico Rampini – “Western Suicide”, alerta para o desafio das democracias liberais. Para ele os ocidentais como formigas levam o próprio veneno para seus ninhos e matam-se mutuamente. Sem ter consciência, estão empenhados na destruição dos próprios valores. A invasão física da Ucrânia dos úlltimos meses, comandadas pela Kemlim, não é superficialmente apenas um movimento político, porém uma consequência de nossa pusilanimidade. Mas, é sobretudo, um movimento geopolítico genérico da nossa indecisão cultural, econômica, institucional e obviamente política. 

Alguém já se deu ao trabalho de pensar de onde vêm algumas expressões novas, como: “feminismo, movimento gay, estatísticas inventadas, história reescrita, as mentiras...” Conforme o autor do artigo temos que ter cuidado com o que falamos, escrevemos, fazemos subentender com as palavras que usamos ou não, como o modo de formular as frases etc. Temos medo de usar as palavras erradas, se não for ofensiva, causadora de melindres, considerada racista, machista ou homofobia. Parece que as pessoas já não podem ter espontaneidade no falar, escrever, ou expressar-se de um modo geral. Parece que não se pode mais dizer a verdade diretamente. Sempre se devem usar subterfúgios, dubiedades ou esconder-se nos subentendidos. Já não se pode dizer: que uma pessoa é anã, é um homem de verdade, brilha como uma mulher de valor. Tudo isso pode ser distorcido e levado para o preconceito...

O politicamente correto é a “doença do século 22”. É a doença da ideologia. Aplicando o método analítico ou histórico descobriremos sua natureza: MARXISMO CULTURAL. Seu estudioso , William S. Lind (1947), um paleoconservador, oposto dos neoconservadores.  Lind é Diretor do “Centre for Cultural Conservatism for the Free Congress Foundation”.  Nascido em 1947, em Ohio (USA), enfatiza a tradição, o governo limitado e a sociedade civil, juntamente com a cultura religiosa, regional, nacional e ocidental. Em seu trabalho delineia as fronteiras do discurso politicamente correto.

O politicamente correto é a transposição do marxismo econômico para o cultural. E, da mesma forma que o marxismo econômico cai numa economia totalitária, assim também o marxismo cultural se torna uma cultura totalitária. Uma dos exemplos concretos mais claros é o que acontece nos campi das universidades.

Nas universidades, mormente nas ciências humanas, o autor constata que grupos feministas, ativistas pró-homossexuais, racistas agridem professores que ousam ultrapassar os limites impostos por estes grupos e os levam aos tribunais. E os próprios membros destes tribunais já não se vêm tão seguros e imunes da ação dos defensores do que consideram politicamente correto. Por isso é nos campi universitários que a ideologia do politicamente correto encontra seu húmus fértil.

É a mesma conclusão a que chega Giannattasio em O Livro Proibido livro com o de Federico Rampini. A  patrulha do politicamente correto acarreta a destruição da universidade.  A intolerância reproduz levas e levas de formandos nos moldes da Revolução dos Bichos e 1984, de Orwell. 

Diz Giannattasio: "Mas saiba que este sentimento de solidão é comum dentre as pessoas que amam a verdade e o conhecimento. Nos dias de hoje , a verdade e a lógica foram substituídas pelas opiniões "politicamente corretas", que de corretas não tem nada." (GIANNATASIO, Gabriel. O Livro Proibido: Totalitarismo, Intolerância e Pensamento Único na Universidade . Editora E.D.A., Educação, Direito e Alta Cultura, 2022, p. 117)

Na ideologia do politicamente correto a ideia é soberana sobre a realidade. A ideia cria a realidade. Se algo estiver errado, é a realidade e esta deve ser corrigida. A realidade deve se adaptar à ideia. Um exemplo: “seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. É uma afirmação dogmática que não admite critica ou contestação. Imagina, pensam eles "Como pensar sem classes dominantes? Como pensar que entre a elite intelectual ou econômica possa surgir pensamentos inovadores?" E o pior: sem se dar conta ou não, parte destes que professam a ideologia do "politicamente correto" pertencem predominaqntemente às classes dominantes.

Tudo deve estar de acordo com esta afirmação da dicotomia entre dominantes e dominados. Fora daí não há vida. Qualquer desvio deste pensar deve ser condenado e afastado. Todos devem aceitar e as pessoas obrigadas a viver uma mentira. Qualquer discordância deve ser devidamente corrigida pelo estado. É o caráter totalitário do Estado ou de seu Partido na defesa do politicamente correto

É o que conclui Lind e Giannattasio. 

 


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