sexta-feira, 4 de setembro de 2026

SANTO AGOSTINHO- ENCONTRO DE DEUS. Selvino Anonio Malfatti

 



 Natural da África, Numídia, nasceu em 354, e faleceu em Hipona, 340. Agostinho, antes de se converter, era pagão e professor de retórica no império romano. Ele mesmo se considerou um pecador, convivia como uma comcubina, de nome desconhecido, de apelido Una, da qual teve o filho Adeodato, conforme testemunha no seu livro Confissões. Sua mãe, Mônica, já convertida ao cristianismo antes, orava dia e noite pela sua conversão. Lecionou gramática e retórica em Tagaste, Cartago, Roma e na corte imperial em Milão. Tinha um enorme prestígio como orador no Império Romano.

Do lado de fora da Catedral de Milão ouvia  os sermões do bispo Santo Ambrósio e pouco a pouco ia introjetando nele a fé cristã até convertê-lo ao cristianismo.

Santo gostinho compôs um Regra de monges que serviu de inspiração para várias comunidades, na atual Itália, em 1244, na região da Toscana. Mais tarde um papa unificou a todas com o nome de agostinianos, ou Ordem Eremita de Santo Agostinho.

Só por curiosidade, o atual papa Leão XIV, é dessa ordem dos agostinianos a mesma também de Lutero, o fundador do protestantismo.

Considerado um dos pilares do cristianismo no período do império romano. A grande obra foi aproveitar a filosofia de Platão para demonstrar a fé cristã. Por isso, a filosofia grega perpassa a fé cristã. Pode-se dizer que Agostinho cristianizou a filosofia pagã grega.

Por ter vivido no período romano do cristianismo devia demonstrar a necessidade da presença do cristianismo no império romano. Como o império tinha suas próprias leis, agostinho injetou nelas a fé cristã.

Além da lei humana do império,  a lei dos homens, Agostinho introduz duas categorias de Leis: a Eterna - feita por Des e rege o universo e a Divina, revelada por Deus, conhecida por Revelação. A lei natural - presente na consciência de cada um -indiretamente é a lei divina. A lei humana, ou as leis positivas, deverão estar em conformidade com as outras leis, não podendo contradizê-las.

Em Agostinho, as leis humanas não são criações arbitrárias dos governantes, mas obedecem a todo um universo teológico. Não são também, meras convenções, pois estão dentro de um plano, o da Providência, por isso são morais. Agostinho, portanto, dá continuidade à linha platônica, formulando sobre princípios perfeitos numa sociedade perfeita.

Agostinho tem como fonte de inspiração Platão. Embora pagão, ele se serve dele como instrumento, recheando-o com o conteúdo cristão. O Bem supremo transmuda-se em Agostinho como o Deus pessoal da Bíblia. Fixa-se mais no interior, do que fora dele mundo das ideias. Como Sócrates, do “conhece a ti mesmo”, segue a norma: “Não saias para fora; volta para dentro de ti mesmo; no homem interior habita a verdade.”

Se tudo que é humano, examinando seu interior, percebe que tudo é mutável. Como pode então o homem descobrir o imutável as verdades eternas? Se dá conta que não podem estar nos sentidos, porque os sentidos enganam. Também não podem ser produzidas pela mente humana, porque a inteligência é limitada e mutável. O homem não cria a verdade; ele a descobre. Quando reconhece uma verdade, percebe que ela o supera e até o julga. Não somos nós que julgamos a verdade; é a verdade que julga nossos pensamentos. Disto conclui que deve existir uma verdade superior ao humano. São as verdades eternas, imutáveis só podendo ser descobertas pela Inteligência eterna e imutável. Esta Inteligência é Deus. 

A existência de Deus ele a encontra pelo método dedutivo. O raciocínio de Agostinho é da seguinte maneira: os sentidos são inferiores à razão; a razão é superior aos sentidos; mas a própria razão humana reconhece algo superior a ela: a verdade eterna; portanto, a cima desta razão existe a Verdade imutável; essa Verdade é Deus. Disso decorre que Deus não é uma hipótese da mente humana, mas a condição do conhecimento. Para chegar a tal conclusão raciocina assim: “a mente humana conhece verdades imutáveis, como princípios lógicos e matemáticos. A mente humana é mutável e finita; portanto, não pode ser a fonte última dessas verdades eternas. Deve existir uma realidade superior à mente, eterna e imutável, que fundamente a verdade. Essa Verdade suprema e eterna é Deus”[1].


·         [1] GILSON, Etienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. Trad. de Cristiane Negreiros Abbud Ayoub. São Paulo: Paulus, 2006.

 

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