Natural da África, Numídia, nasceu em 354, e faleceu em Hipona, 340. Agostinho, antes de se converter, era pagão e professor de retórica no império romano. Ele mesmo se considerou um pecador, convivia como uma comcubina, de nome desconhecido, de apelido Una, da qual teve o filho Adeodato, conforme testemunha no seu livro Confissões. Sua mãe, Mônica, já convertida ao cristianismo antes, orava dia e noite pela sua conversão. Lecionou gramática e retórica em Tagaste, Cartago, Roma e na corte imperial em Milão. Tinha um enorme prestígio como orador no Império Romano.
Do lado de fora da Catedral de Milão ouvia os sermões do bispo São Crisóstomo e pouco a pouco ia introjetando a fé cristã até se converter ao cristianismo.
Santo gostinho compôs um Regra de monges que serviu de inspiração para várias comunidades, na atual Itália, em 1244, na região da Toscana. Mais tarde um papa unificou a todas com o nome de agostinianos, ou Ordem Eremita de Santo Agostinho.
Só por
curiosidade, o atual papa Leão XIV, é dessa ordem dos agostinianos a mesma
também de Lutero, o fundador do protestantismo.
Considerado um dos pilares do cristianismo no período do império romano. A grande obra foi aproveitar a filosofia de Platão para demonstrar a fé cristã. Por isso, a filosofia grega perpassa a fé cristã. Pode-se dizer que Agostinho cristianizou a filosofia pagã grega.
Por ter vivido no período romano do cristianismo devia demonstrar a necessidade da presença do cristianismo no império romano. Como o império tinha suas próprias leis, agostinho injetou nelas a fé cristã.
Além da lei humana do império, a lei dos homens, Agostinho introduz duas categorias de Leis: a Eterna - feita por Des e rege o universo e a Divina, revelada por Deus, conhecida por Revelação. A lei natural - presente na consciência de cada um -indiretamente é a lei divina. A lei humana, ou as leis positivas, deverão estar em conformidade com as outras leis, não podendo contradizê-las.
Em Agostinho, as leis humanas não são criações
arbitrárias dos governantes, mas obedecem a todo um universo teológico. Não são
também, meras convenções, pois estão dentro de um plano, o da Providência, por
isso são morais. Agostinho, portanto, dá continuidade à linha platônica,
formulando sobre princípios perfeitos numa sociedade perfeita.
Agostinho tem como fonte de inspiração Platão.
Embora pagão, ele se serve dele como instrumento, recheando-o com o conteúdo
cristão. O Bem supremo transmuda-se em Agostinho como o Deus pessoal da Bíblia.
Fixa-se mais no interior, do que fora dele mundo das ideias. Como Sócrates, do
“conhece a ti mesmo”, segue a norma: “Não saias para fora; volta para dentro de
ti mesmo; no homem interior habita a verdade.”
Se tudo que é humano, examinando seu interior, percebe que tudo é mutável. Como pode então o homem descobrir o imutável as verdades eternas? Se dá conta que não podem estar nos sentidos, porque os sentidos enganam. Também não podem ser produzidas pela mente humana, porque a inteligência é limitada e mutável. O homem não cria a verdade; ele a descobre. Quando reconhece uma verdade, percebe que ela o supera e até o julga. Não somos nós que julgamos a verdade; é a verdade que julga nossos pensamentos. Disto conclui que deve existir uma verdade superior ao humano. São as verdades eternas, imutáveis só podendo ser descobertas pela Inteligência eterna e imutável. Esta Inteligência é Deus.
A existência de Deus ele a encontra pelo método dedutivo. O raciocínio de Agostinho é da seguinte maneira: os sentidos são inferiores à razão; a razão é superior aos sentidos; mas a própria razão humana reconhece algo superior a ela: a verdade eterna; portanto, a cima desta razão existe a Verdade imutável; essa Verdade é Deus. Disso decorre que Deus não é uma hipótese da mente humana, mas a condição do conhecimento. Para chegar a tal conclusão raciocina assim: “a mente humana conhece verdades imutáveis, como princípios lógicos e matemáticos. A mente humana é mutável e finita; portanto, não pode ser a fonte última dessas verdades eternas. Deve existir uma realidade superior à mente, eterna e imutável, que fundamente a verdade. Essa Verdade suprema e eterna é Deus”[1].
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[1] GILSON, Etienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho.
Trad. de Cristiane Negreiros Abbud Ayoub. São Paulo: Paulus, 2006.