sexta-feira, 21 de maio de 2021

O SENTIDO DA VIDA. Selvino Antonio Malfatti

 





Se tivesse um familiar no sofrimento extremo, que nada o aliviasse, gritando de dor dia e noite, e implorasse para por fim através da morte, o que faria? Pediria ao médico para atender ao desesperado ou aconselharia suportar? 

Coloquemos frente à frente do debate um arcebispo da Igreja católica e um doutor sociólogo de uma universidade.

O arcebispo – Dom Vicenzo Paglia - se auto- define como “um pequeno crente” e Luigi Manconi, o sociólogo, ele se intitula como um “pouco crente”, Ambos discutem o tema comum: o dom da vida. Mas o pano de fundo são as questões vitais do cidadão contemporâneo – liberdade, igualdade, justiça e fraternidade – na obra conjunta: O Sentido da Vida.

O formato humano que a obra assumiu foi não de ataque mútuo, nem de concordância subserviente, mas cada um tentando entender as razões do outro. Com isso assumiu um caráter cooperativo no sentido de empenhar-se na construção de algo em conjunto, uma aliança entre religião e ciência. Daí surge um sentido de comunidade e com ela um novo sentido da vida. O alicerce que amalgamou foi o respeito e a valorização das diferenças. Não foi apenas a propalação de boas intenções, mas um alicerce da vida civil. Mormente agora que a sociedade se encontra fissurada pela pandemia, ferida esta, de momento, sem perspectiva de cura. O que advirá ninguém ainda sabe, mas todos percebem que cada indivíduo está mudando e consequentemente o todo também mudará.

Diz o arcebispo: “somos dois mendigos no limiar do mistério, a caminho de tentar apreender o sentido da existência. Não temos vida no bolso. Supera-nos e por isso tentamos entender seu sentido”.

Já o sociologia contra argumenta com o princípio da esperança e evoca a formação de uma “consciência antecipadora”, como propõe Ernst Bloch. Inclusive defende um pessimismo da razão no sentido avançar impávido na defesa das liberdades e direitos pessoais. Paglia se contrapõe à tendência individualista de uma sociedades presa aos desejos, pois “a vida de cada um de nós depende da dos outros”, citando Lorenzo Milani.

Após estes momentos de concessões mútuas ambos deixam de lado o dueto e passam a duelar-se. Para Marconi, o arcebispo, a vida é uma dádiva da qual não podemos nos desfazer. Defende que, concordando com Vittorio Possenti, a vida é uma dadiva singular, cuja propriedade fica sempre retida com o doador. “Recebemos a vida como um presente, mas não podemos  para fazer o que queremos com ela."

O sociólogo Luigi Manconi, ex-parlamentar e professor de sociologia dos Fenômenos Políticos, contra- argumenta dizendo que  “Não nego o direito à autodeterminação, mas colocaria a liberdade de decisão no quadro de um amor mútuo que deve presidir ao encontro”. Minha ideia de eutanásia só vem por último. Só depois de se esgotar toda prática de acompanhamento como assistência material e conforto espiritual. Fala não no direito de eutanásia, mas da liberdade negativa, isto é, livrar-se da “dor insuportável”. Não nega que o princípio da autodeterminação: "pode traduzir-se numa espécie de niilismo egótico".

Para ele a eutanásia seria abrir a porta para absolver quem tira a vida de alguém, ou considerar alguém indigno de viver e por isso seria permitido tirar a vida. E qual seria uma vida digna e uma indigna? Nega que a doutrina cristã considera a dor um valor. Para ele, como para Claudel: «Deus não veio explicar o sofrimento; ele veio para enchê-lo com a sua presença ».  

Há temas que ainda ficam em aberto, conforme os autores. Manconi cita a lei do Bioensaio ou as Disposições do Tratamento Antecipado, fruto de uma discussão aberta, livre de ideologia, mas infelizmente pouco conhecida.

Por sua vez, Paglia preocupa-se com o avanço da ideia que legitima o suicídio. Ao comentar o suicídio de um amigo conclui: a dor física aparece mais importante da dor moral que causa ao amigo.

Contudo, permanece a questão de: o que é mais importante? A dor física ou a dor moral? Para quem está estremecendo de dor física precisa livrar-se dela, ela é mais importante, para quem o livra pode ter que carregar o remorso pela vida toda pela dor moral causada.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

A FAMÍLIA. Selvino Antonio Malfatti

 





A ONU instituiu o dia 15 de maio como o Dia Internacional da Família.

Afinal, o que é a família? Radicalmente a família pode ser entendida como o núcleo: pai, mãe e irmãos. Se aplicarmos o método de Aristóteles para definirmos a família chegaremos à seguinte conclusão:

Na Metafísica, Aristóteles define as quatro causas das coisas.

Causa formal — é a forma da coisa (um objeto define sua essência pela sua forma).

Causa material — é a matéria de que uma coisa é feita (a matéria na qual consiste o objeto).

Causa eficiente — é a origem da coisa (aquilo ou aquele que tornou possível o objeto).

Causa final — é a razão de algo existir (a finalidade do objeto).

1.    Material. É daquilo que constitui a família. Pode ser o instinto, afeto, a lei. A mais comum parece ser instintiva e afetiva. A instintiva baseia-se na atração sexual. Sexos masculino e feminino buscam-se para complementarem-se.

2.    Final. A natureza busca cumprir seu fim. O fim da família é gerar a continuidade da espécie humana. Isto acontece pela união entre elementos masculinos e femininos, dando origem a outro ser humano. Com isto se atinge a finalidade.

3.    Formal. A forma como se constitui a família varia no tempo e no espaço. Desde os relacionamentos abertos (nem tanto) até os mais reclusos.

4.    Eficiente. O autor constitutivo da família são os autores da família. Aqui também o leque se abre quase ao infinito, dependendo do espaço e tempo. Na história  a família nas da vontade da religião – igreja -, da lei- aspecto legal, da comunidade – casamento. Sempre mais o elemento cultural assume a importância central transferindo a fisiologia para cultura.

Da conjunção destas 4 causas nasce a família com relações afetivas, fisiológicas, culturais e legais.Se apelarmos para o ideal tipo weberiano da família encontramos os elementos: sexo, filhos, relacionamento, gênero. Cada um deles assume culturalmente formas diversas

Em algumas culturas a família abre seu leque para tios, avós, primos. Atualmente não conceito de família não abrange m grupo restrito, mas também não e tão extensa como a família patriarcal que incluía até os escravos.

 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Antonio Paim, a pessoa e o mestre. Selvino Antonio Malfatti

 




I - O Encontro

                No Colóquio sobre Max Weber em Viamão, RS, em 1984, Antonio Paim foi o palestrante principal. Foi nessa ocasião que o conheci. Estavam presentes também, como palestrantes, o professor Ricardo Vélez Rodríguez e os finados embaixador José Guilherme Merquior (1941-1991) e o padre jesuíta português Francisco Videira Pires (†2002), entre outros. Esse Colóquio foi promovido pelo então Instituto Lindolfo Collor, sob os cuidados de Cezar Saldanha, professor de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo (USP). Eu então era professor da Universidade Federal de Santa Maria e participava como co-coordenador do referido Colóquio que era dirigido a jovens militantes de partidos políticos do Rio Grande do Sul.

                Eu já conhecia Paim pelos seus escritos, mormente através do livro História das Ideias Filosóficas no Brasil, de sua autoria. A imagem que fazia de Paim era de uma inteligência brilhante e esperava ouvir uma personalidade firme, desenvolta, com raciocínio rápido e conclusivo. Quando Paim começou a falar, quase tive uma decepção. Era alguém que sugeria, levantava dúvidas, raciocinava sempre sobre hipóteses. Ele abordou a questão das formas de dominação de Max Weber. No entanto, não pude deixar de me sentir instigado pelo seu discurso. A impressão que tive foi de que, num turbilhão de ideias, Paim conseguia agarrar alguma e a jogava para nós.

                Merquior abordou a questão dos valores em Weber, Ricardo Vélez falou sobre o positivismo no Rio Grande do Sul e Videira Pires sobre a política e a religião. Os melhores momentos eram os debates, pois se estabelecia uma interação entre os palestrantes e a plateia. Era nesses momentos que Paim crescia. Ele se tornava então outra pessoa: contava anedotas, ironizava, sorria complacente. Os participantes aprovavam e ele se entusiasmava. Paim não se encaixava na formalidade, ele precisava de espaço livre. Aliás, mais tarde ele mesmo afirmou:  – “Não sou feito para ser monogâmico”.

                Embora, formalmente, a sessão terminasse, os debates continuavam no intervalo, no cafezinho, nas refeições e nas “rodinhas”. Numa delas, ouvi Paim comentar com Cezar Saldanha que o livro O Poder Moderador na República Presidencial, escrito por Borges de Medeiros (1863-1961), ainda não havia sido estudado a fundo por ninguém. Fiquei curioso. Perguntei a Saldanha se ele me conseguiria o livro. Prometeu-me para o dia seguinte. De posse do livro, não mais assisti às palestras e o fiquei lendo. Após a leitura, fui conversar com Paim.

                Na ocasião, ele era professor do Curso de Doutorado em Filosofia da Universidade Gama Filho (UGF) do Rio de Janeiro e eu buscava um tema para pesquisar no meu doutorado. Conversamos e ele me pediu para eu fazer um esboço de projeto. Trabalhei no anteprojeto durante todo dia e, à noite, nos encontramos.

                Recordo-me que Paim sentou-se numa classe, concentrou-se e passou, atentamente, os olhos no texto. Ora sacudia a cabeça para frente e para trás afirmativamente, ora balançava lentamente, da direita para esquerda, em forma de dúvida, ou rapidamente em sinal de desacordo. Após examinar o conteúdo, sugeriu alguns retoques e pediu para eu apresentá-lo na seleção de doutorado da Gama Filho. – “Pode dizer que eu serei seu orientador”. O projeto foi aceito e eu me matriculei no Doutorado, tendo como orientador Antonio Paim.

II - As Aulas

                A Universidade Gama Filho fica na Piedade, um bairro pobre da Zona Norte do Rio de Janeiro. O acesso mais prático é pelo transporte ferroviário. O trem da Central do Brasil que leva à Universidade passa por vários bairros: Maracanã, Engenho Velho, Engenho de Dentro, Méier, Deodoro e Piedade. O prédio central da Universidade está encravado numa encosta, embora seu campus esteja distribuído em diversos locais.

                Antonio Paim sempre chegava pontualmente às aulas. Vestia esporte. Sério e cordial se dirigia à sala de aula, acompanhado por nós. Éramos cinco naquela turma. Do Rio Grande do Sul, eu; dois de Minas Gerais; uma colega do Pará e outra do Rio de Janeiro. Todos atuavam como professores de universidades.

                Eu estava muito ansioso. Afinal teria aula com um verdadeiro filósofo. Embora tivesse tido bons professores no Curso de Filosofia, cinco deles se tornaram mais tarde bispos da Igreja católica, Paim, para mim, era peculiar porque não só ensinava, mas também escrevia o que ensinava. Além disso, era um filósofo de referência nacional.

                Em todos os encontros, antes de iniciar a aula, distribuía resumo em forma de esquema. Expunha o assunto em forma dialógica, isto é, apresentava as diversas opiniões sobre a questão, os pontos fortes e fracos de cada um, as incongruências, as diversas conexões que o pensamento possuía. Depois perguntava nossa opinião, começando então o debate. Da mesma forma que a exposição da aula, uma a uma das nossas posturas eram analisadas por ele.

III - As Leituras

                Paim tinha o dom de captar o ponto fraco de cada um de nós. Quando isso acontecia, ele marcava um seminário ou apresentação em aula de um autor ou livro e encarregava um de nós para fazer a exposição. Geralmente o encarregado era o que demonstrava o ponto fraco no assunto. Um ex-aluno do professor que, posteriormente, se tornaria um grande discípulo e colega do mestre, Ricardo Vélez Rodríguez, contou-nos que, certa vez, externara certas influências do pensamento tradicionalista da Igreja Católica. Paim não teve dúvidas e incumbiu-o de, na próxima aula, fazer uma apresentação sobre os dois livros de Kant.

                Sabendo que eu vinha da graduação de uma PUC, deu-me por tarefa a leitura e apreciação de Liberdade Acadêmica e Opção Totalitária, de sua autoria. Esse livro versa sobre a escalada totalitária, em surdina, que estava em curso no Departamento de Filosofia da Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O processo o vem à tona, quando o departamento censura um texto de Miguel Reale (1910-2006) que seria incluído numa coletânea de textos como subsídio à disciplina de História do Pensamento. A professora do Departamento de Filosofia da PUC, Anna Maria Moog Rodrigues, pede demissão da universidade por não concordar com a atitude da chefia do departamento. Com a chegada da questão à mídia inicia-se um grande debate, tanto dentro da universidade como fora, na imprensa escrita e falada.

                Paim acompanhou o desenrolar dos acontecimentos, recolhendo artigos, pronunciamentos, manifestações e publicou-os em forma de livro, com comentários críticos. Distinguiu as posições, as origens e as causas do modelo totalitário em curso naquela universidade. Mostrou que a origem estava na filosofia do padre jesuíta Henrique Cláudio de Lima Vaz (1921-2002) que tentara conciliar uma questão gnosiológica, unindo os clássicos, como Aristóteles (384-322) e Santo Tomás de Aquino (1225-1274), com os modernos Immanuel Kant e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) no livro de sua autoria, Ontologia e História. Mais tarde, avança a tese de que a cultura é histórica e, portanto, relativa. O problema não está nessa conclusão em si, mas nas suas perspectivas práticas. A partir disso, Henrique Cláudio de Lima Vaz busca, no hegelianismo e marxismo, as ferramentas que levarão a um pensamento totalitário, através da proposta socialista.

                Ao tornar pública a questão, Paim conseguiu que se reorganizassem os defensores do pluralismo e o processo foi abortado. Após minha exposição, Paim me perguntou: – “O que você achou?” Respondi: “Constrangedor”. Paim retrucou: – “Constrangedor? Isso é pouco. Foi uma imoralidade”!

                Eu não poderia imaginar que, dois anos mais tarde, então como coordenador de curso de pós-graduação passaria por uma experiência semelhante no departamento de Estudos Políticos e Sociais de minha universidade.

IV - O Discípulo

                Antonio Paim e Ricardo Vélez Rodríguez se conheceram na PUC do Rio de Janeiro. O primeiro era professor e o segundo, aluno. Daquele dia em diante, Ricardo sempre foi o discípulo predileto do mestre e fazia-o por merecer. Talvez ninguém como ele tenha assimilado melhor os ensinamentos do professor Paim. Ricardo tinha mais uma qualidade: o dom da palavra, além da escrita. Era irônico, patético, eloquente, sugestivo, profundo, tinha senso comum, tudo dependia do momento. Paim sabia pensar. Ricardo entendia e sabia externar, falar. Ambos se complementavam perfeitamente. 

Ricardo era natural da Colômbia. Teve uma formação secundária e universitária dentro do meio católico. No Brasil, obteve o título de mestre pela PUC do Rio de Janeiro, com a dissertação que se tornaria livro: Castilhismo: Uma Filosofia da República, e o doutorado na Universidade Gama Filho, cujo resultado da tese se encontra na obra Oliveira Vianna e o papel modernizador do Estado brasileiro, ambos como aluno e com a orientação de Paim.

                Por isso, minha migração para a orientação de Ricardo não mudava em nada. Foi apenas uma continuidade, além de receber, extraoficialmente a orientação de Paim.

IV- Núcleo Congregativo.

O Curso de Mestrado e Doutorado de Pensamento Luso-brasileiro, fundado por Paim e outros colegas, constituía-se num núcleo congregativo do pensamento  culturalista nos moldes de Miguel Reale. Faziam parte como idealizadores e fundadores, primeiramente Antonio Paim, seus colegas portugueses Esteves Pereira, Caeiro, Eduardo Soveral e Braz Teixeira. Logo em seguida surge uma plêiade de novos idealizadores que levam adiante a idéia: Anna Maria Moog Rodrigues, Vicente Barreto, Aquiles Cortes Guimarães, Creusa Capalbo, Luiz Antonio Barreto, Leonardo Prota, Paulo Mercadante e Ricardo Velez Rodriguez entre outros. Do núcleo inicial e segunda geração emerge em todo Brasil novos líderes culturalista.  

Pode-se dizer que a difusão do pensamento filosófico luso-brasileiro encaminhou-se para duas direções: uma, ligada às universidades, manifestando-se principalmente na emergência de cursos de pós-graduação e outra no surgimento de entidades junto ás universidades como os centros de estudos: filosófico e político.

Destaca-se que em 25 universidades passou-se a ensinar filosofia brasileira, conteúdo totalmente desconhecido no Brasil antes da atuação de Paim e seu grupo de estudos.

Faleceu em 30 de abril próximo passado na cidade de São Paulo. Ele nasceu em 7 de abril de 1927, em Jacobina, na Bahia e se dedicou ao estudo da História das Ideias, Política e Filosofia, campos em que se defrontou com inúmeros problemas, sendo autor de obra extensa e variada. Na década de 50 cursou Filosofia na Universidade Lomonosov, em Moscou, e, posteriormente, fez novamente o curso na Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro. Foi professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade Gama Filho, aposentando-se da docência, em 1989. Na PUC-RJ organizou e coordenou o curso de mestrado em Pensamento Brasileiro. Na Universidade Gama Filho, juntamente com o Dr. Eduardo Abranches de Soveral, que veio para o Brasil depois da Revolução dos Cravos, implantou o doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro.




segunda-feira, 3 de maio de 2021

Antônio Paim, mestre e intelectual. José Mauricio de Carvalho

 



Faleceu em 30 de abril próximo passado na cidade de São Paulo, Antônio Ferreira Paim, filósofo e o principal historiador da filosofia brasileira até nossos dias. Ele nasceu em 7 de abril de 1927, em Jacobina, na Bahia e se dedicou ao estudo da História das Ideias, Política e Filosofia, campos em que se defrontou com inúmeros problemas, sendo autor de obra extensa e variada. Na década de 50 cursou Filosofia na Universidade Lomonosov, em Moscou, e, posteriormente, fez novamente o curso na Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro. Foi professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade Gama Filho, aposentando-se da docência, em 1989. Na PUC-RJ organizou e coordenou o curso de mestrado em Pensamento Brasileiro. Na Universidade Gama Filho, juntamente com o Dr. Eduardo Abranches de Soveral, que veio para o Brasil depois da Revolução dos Cravos, implantou o doutorado em Pensamento Luso-Brasileiro, ocasião em que orientou diversas dissertações de mestrado e teses de doutorado. Paim presidiu o Conselho Acadêmico do Instituto de Humanidades e foi membro titular do Instituto Brasileiro de Filosofia e do Instituto de Filosofia Luso-Brasileiro. Ele ainda integrou os quadros da Academia Brasileira de Filosofia, Pen Clube do Brasil, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Academia de Ciências de Lisboa.

Além dos trabalhos como professor universitário de filosofia, desde fins dos anos 50 trabalhou como assessor de diversos órgãos oficiais como BNDS, FINEP, Governo do Estado da Bahia, Ministério da Aeronáutica e Ministério da Agricultura, tendo uma longa lista de serviços ao país, ocasiões em que se destacou por sua inteligência brilhante.

Dedicou atenção especial às questões de ética e política, escrevendo trabalhos importantes não só para o pensamento brasileiro, mas para entender a cultura ocidental, estruturada entorno a diferentes modelos éticos desenvolvidos desde a antiga Grécia. Paim estudou esses modelos e a forma de viver que preconizavam. Além dos trabalhos de criação intelectual promoveu a reedição de importantes textos de intelectuais brasileiros, entre os quais a obra de Oliveira Vianna (1883-1889), incluindo textos que permaneceram inéditos por 40 anos e as Obras Completas de Tobias Barreto, em parceria com Paulo Mercadante. Ele também participou da organização de diversas coleções ligadas ao pensamento brasileiro, entre as quais a Estante do Pensamento Brasileiro, dirigida por Miguel Reale, da Biblioteca do Pensamento Brasileiro, dirigida por Adolpho Crippa; da Coleção Pensamento Político Republicano, dirigida por Carlos Henrique Cardim; e da Coleção Reconquista do Brasil, da Editora Itatiaia.

O principal de seu trabalho intelectual concentrou-se no estudo da Filosofia, História e da Cultura brasileiras, campos nos quais preparou um grupo de professores e pesquisadores. O aspecto que o distinguia como intelectual era sua abertura para estudar o pensamento nacional com a mesma dedicação com que examinava os clássicos da filosofia e da política mundiais. Paim não apenas foi um grande estudioso de Kant e do pensamento liberal, mas identificou autores como Tobias Barreto que iniciou um diálogo inovador com o mestre alemão. Barreto olhou o kantismo com os olhos de um brasileiro comprometido com seu país e seus problemas no século XIX.

Num tempo negacionista, onde se duvida da ciência e a inteligência parece ter se despedido de nosso país para habitar terras distantes, onde alguns pensam um amontoado de pessoas que não formam uma nação, Paim pode ser uma inspiração. Quer como liberal, como humanista, como intelectual, como professor foi notável. Em dias tão difíceis perdemos um de nossos intelectuais mais brilhantes. À sua memória, à sua inteligência, ao seu amor pelo Brasil temos o compromisso de dedicar o melhor de nós mesmos.


sexta-feira, 30 de abril de 2021

ITÁLIA HOMENAGEIA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA AO REMEMORAR OS 74 ANOS DO FIM DA 2ª GUERRA MUNDIAL -FEB

 

 



O Mês de abril é significativo para o Brasil e Itália. No Brasil, há milhares de “cantos” italianos lembrados pelos imigrantes. Na Itália há um canto que é grato ao Brasil. São As regiões de Toscana, Emilia-Romagna, Lombardia e Piemonte. Nada mais esclarecedor que acompanhar o texto da FEB sobre a ação militar do Brasil na Itália.

“O dia 25 de abril de 1945 é considerado o "Dia da Liberação" do jugo nazifascista durante a Segunda Guerra Mundial, por isso, nesse dia, celebra-se, na Itália, a Festa della Liberazione, sendo uma das principais datas cívicas italianas. No corrente ano, as comemorações assinalaram homenagens aos 74 anos do fim do maior conflito bélico vivenciado pela humanidade. Por esse motivo, a última semana de abril foi cheia de solenidades na nação amiga.

“A Força Expedicionária Brasileira (FEB) integrou o efetivo das tropas aliadas que combateram as forças nazifascistas em território italiano durante a Segunda Guerra Mundial. A FEB contabilizou o envio de 25.334 militares para a campanha na Itália e participou efetivamente das operações de combate nas regiões da Toscana, Emilia-Romagna, Lombardia e Piemonte, na porção norte do país. As regiões italianas são divisões político-administrativas que equivalem aos estados no Brasil.”

“Nas regiões onde o Brasil combateu, as cerimônias de caráter cívico-militar reverenciaram a efetiva participação da FEB na liberação de inúmeras cidades italianas durante o conflito bélico. Houve solenidades e eventos alusivos às tropas brasileiras nas cidades de Gaggio Montano, Montese, Sassuolo, Vignola, Collecchio, Fornovo di Taro, Tortona e Stafolli.”

Em Gaggio Montano, ocorreu a significativa inauguração do monumento em homenagem ao Primeiro-Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, do 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, Unidade de Cavalaria que integrava o efetivo combatente da FEB.

O Ten Amaro faleceu em 20 de novembro de 1944, nos arredores de Gaggio Montano, na localidade de Montilocco, durante uma ação ofensiva da tropa de Cavalaria contra uma posição defensiva nazista. Naquele momento, as ações das tropas aliadas no entorno de Gaggio Montano objetivavam a sondagem dos efetivos, meios e possibilidades dos efetivos inimigos que dominavam as alturas de Monte Belvedere e Monte Castello, acidentes capitais da notória Linha Gótica. O primeiro ataque aliado de larga escala a essas posições ocorreu em 24 de novembro de 1944, porém a conquista definitiva somente veio a consolidar-se em 21 de fevereiro de 1945.

O 1º Esquadrão de Cavalaria Leve (1º Esqd C L), situado na cidade de Valença, Rio de Janeiro, ostenta a designação histórica "Esquadrão Tenente Amaro", sendo a organização militar de Cavalaria herdeira das tradições do lendário 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE/FEB).

Na cidade de Montese, também ocorreram eventos específicos para reverenciar os heróis brasileiros que tombaram no cumprimento do dever durante a Segunda Guerra Mundial. Foram realizadas homenagens ao Sargento Max Wolf Filho, falecido em combate em 12 de abril de 1945, durante as ações ofensivas para a identificação das posições inimigas no entorno da localidade, e ao aspirante a oficial Francisco Mega, que tombou em 15 de abril de 1945, na consolidação da conquista de Montese, um dia após a ação principal na cidade.

No principal monumento referente à liberação de Montese, a cerimônia cívica assinalou emblemática homenagem à FEB com o canto da Canção do Expedicionário por crianças de escolas municipais. Em Sassuolo, Vignola, Collecchio e Tortona, houve cortejos e deposições de flores nos monumentos que homenageiam as tropas brasileiras que combateram pela liberação dessas cidades durante a guerra.

Em Staffoli, além da tradicional cerimônia cívico-militar, também foi realizada uma missa no entorno da pequena Capela de pedra construída por soldados da FEB em dezembro de 1944. A obra rústica, edificada com meios de fortuna no local do então acampamento brasileiro, foi dedicada à Nossa Senhora de Lourdes e representa a expressão religiosa que confortava os pracinhas naquele período de desafios e adversidades. Anualmente, as Prefeituras de Castelfranco di Sotto, Fucecchio e Santa Croce sull’Arno colaboram para a consecução do evento.

Em Fornovo di Taro, onde, em 28 e 29 de abril de 1945, ocorreu a rendição de tropas nazifascistas à FEB, a atual gestão administrativa municipal promoveu a encenação do momento histórico. Nesse mesmo período, há 74 anos, cerca de 15.000 militares do XIV Exército alemão depuseram suas armas perante o Comando da FEB. Esse efetivo integrava a 148ª Divisão de Infantaria alemã, da 90ª Divisão Blindada alemã (Divisão Panzer Grenadier) e da 1ª Divisão de Infantaria italiana (Divisão Bersaglieri Itália).

Idealizada e promovida pela Prefeitura de Fornovo di Taro, a encenação foi realizada por grupos de voluntários italianos e historiadores das regiões da Toscana e Emilia-Romagna. Além da homenagem às tropas brasileiras, o evento também buscou evidenciar os 74 anos do fim dos conflitos bélicos da Segunda Guerra Mundial em território italiano.”

"O episódio de abril de 1945 em Fornovo di Taro, vivenciado vitoriosamente pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária brasileira, constitui inegável marco de transcendente significação para a historiografia militar nacional. Será sempre motivo de justo orgulho para o Exército Brasileiro e, ao mesmo tempo, um poderoso estímulo e uma perene fonte de confiança nas possibilidades de nossos quadros e soldados" (do livro "A FEB pelo seu Comandante", de autoria do Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes).”

sábado, 24 de abril de 2021

HANS KÜNG - O CRÍTICO CONTEMPORÂNEO DA INFALIBILIDADE PAPAL. Selvino Antonio Malfatti.

 



Há certos conteúdos filosóficos, sociológicos e antropológicos que numa determinada época assume importância hegemônica em relação aos demais. Na antiguidade podem ser citados os debates teológicos como gnosticismo, pelagianismo, milenarismo. Na Idade Média os albigenses e mais atual as novas religiões decorrentes do protestantismo despontaram no debate.

Uma dessas questões da idade contemporânea é A INFALIBILIDADE PAPAL, trazida ao debate por Hans Kung. Com efeito, foi instituído pelo Concílio Vaticano I (1869-70) convocado por Pio IX. No documento Pastor Aeternus ficou definido que quando o papa se pronuncia em questões de fé não pode errar. O documento admite que haver opiniões divergentes quanto a questões seculares, mas em princípios de moral e fé é infalível. Questões políticas e científicas fogem desta regra.

No entanto, nada menos que a infalibilidade papal é debatida por HANS KÜNG, teólogo, contemporâneo e colega de Ratzinger, papa renunciante com o nome de Bento XVI na atualidade. 

O ano de 1968 é o epicentro do clima antiautoritário europeu. No entanto não é esta a origem da contestação à infalibilidade papal da parte de Kung. Ao contrário, remonta ao século XVI no debate entre católicos e protestantes sobre a questão da justificação: pela fé ou pelas obras. E este é precisamente a tese de doutoramento do década de Cinquenta. O autor chega à uma conclusão inesperada, isto é,

 

Hans KUNG morreu aos 93 ANOS, em casa, em Tübingen, Alemanha. Nasceu em 19 de março de 1928 e ordenado padre em Roma em 1954. Sua atividade pastoral foi de curta duração passando então a dedicar-se à pesquisa teológica. Seu tema predileto era a relação entre Ciência-Fé.

Após um período de notoriedade que se estende até 1970, começa a retração com a publicação da obra: Infallible? An Inquiry (Infalibilidade? Uma pergunta).

Como consequência em 1979 foi revogada a licença de ensinar teologia em nome da Igreja católica. Em 1996 aposenta-se. Em 2005 encontra-se com Bento XVI para discutir teologia.

Küng defendeu o fim da obrigatoriedade do celibato, maior participação laica feminina que, conforme ele seria um retorno à teologia primitiva da Igreja.

Em 2015, sofrendo de Mal de Parkinson, admitiu a possibilidade de ser submetido a um suicídio assistido.

A exclusão de Küng de professor do Instituto de teologia criou um mal estar. O mundo acadêmico da intelectualidade católica alemã dividiu-se em pró e contra o intelectual.

A crítica à infalibilidade papal remonta ao contexto da Reforma Protestante. O maior teólogo protestante do século XVI foi o calvinista foi Karl Barth. Para Kung existem diferenças entre a posição de Barth e a católica,mas não em questões de fé. Tudo é semelhante como a terminologia, as categorias, as formas de pensamento, mas são simplesmente diferentes. Usando uma metáfora é como se a mesma coisa fosse dito em línguas diferentes. Era preciso que as teologias das várias confissões cristãs fossem traduzidas para uma língua comum. Esta seria a conclusão sobre a questão da justificação.

A infalibilidade é apenas uma etapa de um percurso mais geral como a reforma da Igreja, a reflexão sobre as estruturas visíveis e espirituais. Temas como a Reforma da Igreja e o cristão. A década de Setenta envolveu Kung no conflito com Roma nos grandes temas teológicos como Cristologia (Ser Cristão), Deus (Deus Existe?), Escatologia (Vida Eterna), sempre numa perspectivas com as demais confissões religiosas.

Kung não se limita somente às religiões cristãs, mas estende a mão a todas as religiões que pretendem a paz a dignidade humana, bem como as disciplinas científicas (Teologia do Caminho). 

Após tantas polêmicas o reencontro de Kung com a Igreja de Roma, foi selado através do encontro com o antigo colega Ratzinger, ainda papa em 2005, ratificado através da carta de Francisco por ocasião do octogésimo aniversário, na qual o chama de “Lieber Mitbruder”, caro irmão.

 

 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

SAINT-HILAIRE NO BRASIL – Rio Grande do Sul. Selvino Antonio Malfatti.

 





Há exatamente 200 anos que o pesquisador Saint-Hilaire - Augustin François César Prouvençal de SAINT-HILAIRE.-  percorreu o Rio Grande do Sul. E casualmente foi no mês de abril. Na segunda viagem atravessou transversalmente o Rio Grande no sentido São Borja – Porto Alegre, passando pelas principais cidades de São Borja, São Nicolau, São Luís Gonzaga, Santo Ângelo, Santiago e Santa Maria. Hospedou-se, no caminho, nas fazendas por onde passava. Deixou, com muita perspicácia, as observações colhidas.

“O estudioso pertenceu aos primeiros grupos de cientistas, vindos da Europa, para realizarem suas pesquisas e explorações no Brasil Colônia, durante os anos de 1816 e 1822”.(https://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_de_Saint-Hilaireal)

Neste tempo a corte portuguesa estava instalada na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente todos os seus diários de viagem, estão vertidos para o português.  Grande número de leitores e dedicam-se a pesquisar seus escritos, principalmente sociologia, etnografia e geografia do Brasil. (Wikipedia)

Seu estilo é direto, leve como genuíno francês. Descritivo tanto na paisagem humana como a toponímia, mas também emitindo juízos de valor. Não se perde com interpretações longas e enfadonhas. Os conceitos emitidos sobre a população refletem o pensamento da época. Quando faz uma avaliação comparativa entre negro e índio, inclina-se mais para o negro, pois fisicamente, conforme ele, tem uma compleição física melhor que o índio. O negro, embora minimamente, tem alguma visão de futuro, pois consegue guardar dinheiro. O índio não tem nada, só quer viver o presente.

Acha que o problema da degradação moral da sociedade da época está principalmente a família, devido à promiscuidade das índias no seio das famílias. Diz Saint- Hilaire sobre as índias:

“Vivendo somente no meio de velhos, entregam-se ao primeiro que se apresenta, seja negro, seja branco, e a mais das vezes não exigem retribuição alguma. Diariamente veem-se brancos fazerem caprichos por paixão pelas índias, mas em geral elas são infiéis. E notável que os velhos brancos mostram-se mais apaixonados que os jovens. Isso é devido à insensibilidade moral das índias, às quais os velhos não repugnam como acontece entre as brancas e mesmo no meio das negras. De resto as ligações das mulheres guaranis são sempre funestas. É sabido quanto são perigosas as moléstias venéreas transmitidas pelas índias aos homens de nossa raça, e quase todas as mulheres das a aldeias são portadoras de vírus venéreo”.

A avaliação que Hilaire faz do negro é outra. Vejamos abaixo:

 Os negros, raça tão distante da nossa também, são, entretanto superiores aos índios. Seu juízo não é tão bem formado quanto o nosso. Eles conservam qualquer coisa de infantil em seus modos, linguagem e ideias, mas não são estranhos à concepção do futuro. Tem-se visto muitos adquirirem algum dinheiro.  Mesmo quando escravizados eles não são incapazes de afeição e generosidade. A negra do administrador falou-me, de modo tocante, de seu amor filial. "Meus filhos, disse-me, não precisam mais de mim, mas não há um dia em que eu não sinta saudades de minha mãe, por isso chorando. Meu patrão diz a algumas vezes que deixará esta região e seguirá para o lugar onde ela está. Tenho mandado rezar diversas missas a Nossa Senhora da Aparecida para que ele realize essas boas intenções".

Lavouras e criação de animais domésticos não são muito habituais.  Galinhas, porcos, cabritos, ovelhas, carneiros, marrecos entre outros embora não citados por Saint-Hilaire faziam-se presentes. Há uma parca referência agrícola sobre o trigo. O fazendeiro onde se hospedou, contou a Saint-Hilaire :Joaquim José contou-me que 16 alqueires de trigo lhe haviam rendido cem. O mesmo terreno pode produzir duas vezes por ano e durante seis anos, ou mais sem necessidade de adubação nem de alqueíve.” (Viagem...p. 324)

"O arroz, o milho, o trigo e os feijões dão bem naregião; o algodão produz: de modo regular e a raiz da mandioca apodrece na terra, sendo por isso a colheita obrigatória."(p.334)

A predominância absoluta é o gado. Aliás, ainda hoje há fazendas não têm pomares, nem hortas nas adjacências, e praticamente nada de animais para a subsistência. Isto se reflete na sua cultura. Se prestarmos atenção nos cantos o que aparece são as “gauchadas”, bravuras em laçar animais, presteza em castrar ou abater gado. Nunca se fala em criar algum animal doméstico e muito menos em trabalhos de lavouras. Também está ausente a ideia de progresso, contenta-se com seu rancho à beira-chão, coberto de capim, mas que cabe um amor de china. Também pouco transparece a ideia de família. Ter uma prenda basta. Tudo o que poderia compor uma família ou grupo capitalista está ausente: propriedade, dinheiro, plantações. O único bem é o gado e com ele posteriormente as charqueadas. Esta foi a contribuição empresarial gaúcha.

AS VIAGENS DE SAINTA-HILAIRE:

Roteiro no Brasil:

1.       Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, Cabo Frio, Macaé, Campos dos Goytacazes.

Volta de São Paulo: Rio Piraí, São João Marcos.

2.       Espírito Santo

Itapemirim, Vila da Vitória (atual Vitória), Rio Doce

3.       Minas Gerais

3.1. Primeira passagem:

Barbacena, Vila Rica (atual Ouro Preto), Jequitinhonha, Minas Novas, Rio São Francisco, Sabará, São João del Rei.

2.2. Segunda passagem:

São João del Rei, Vila Rica (atual Ouro Preto), Serra da Canastra, Araxá, Paracatu.

2.3. Terceira passagem (vindo de Goiás rumo a São Paulo)

Aldeia de Rio das Pedras, Engenho de Furnas, Aldeia de Santana (atual Indianópolis), Tijuco, Farinha Podre (atual Uberaba), Rio Grande.

2.4. Quarta Passagem:

Barbacena, São João del Rei, Vila Rica (atual Ouro Preto), Baependi, Serra da Mantiqueira, Pouso Alto, Passa Quatro.

4.       Goyaz (Goiás)

Santa Luzia (atual Luziânia), Corumbá (atual Corumbá de Goiás), Meia Ponte (atual Pirenópolis), Serra dos Pireneus, Córrego Jaraguá (atual Jaraguá), Ouro Fino, Ferreiro, Goiás (município), Serra Dourada, Caldas Novas, Rio Paranaíba.[

 

5.       São Paulo

5.1. Primeira passagem:

Rio das Pedras, Pouso Alto (atual Ituverava), Ribeirão Corrente, Franca, Fazenda Batatais (em Batatais), Fazenda de Lages, Rio Pardo, Casa Branca, Mogi-Guaçu, Rio Mojiguaçu, Mogi-Mirim, Engenho de Pirapitingui, São Carlos (Campinas), Jundiaí, Pico do Jaraguá, São Paulo, Itu, Porto Feliz, Sorocaba, Itapetininga, Itapeva.

 

5.2. Segunda passagem:[19]

 

Cachoeira (atual Cachoeira Paulista), Lorena, Guaratinguetá, Capela de Nossa Senhora Aparecida, Pindamonhangaba, Taubaté, Jacareí, Arraial da Escada (atual Guararema), Mogi das Cruzes, São Paulo, Bananal.

 

6.       Paraná (pertencia a então província de São Paulo)

Fazenda de Jaguariaíba, Fazenda Caxambú, Fazenda Fortaleza, Castro, Campo Largo, Curitiba, Paranaguá, Guaratuba.[17]

 

7.       Santa Catarina

São Francisco (atual São Francisco do Sul), Ilha de Santa Catarina, Desterro (atual Florianópolis), Laguna.

 

8.       São Pedro do Rio Grande do Sul (Rio Grande do Sul)

8.1. Primeira Passagem:

Torres, Tramandaí, Fazenda Boavista, Porto Alegre, Viamão, Rio Grande, arroio Chuí.

 

8.2. Segunda passagem:

Rio Butuí, São Borja, São Luís (atual São Luiz Gonzaga), Santo Ângelo, Santa Maria, Rio Jacuí e Porto Algre.

 

Bibliografia:

 VIAGEM AO RIO GRANDE DO SUL :1820 – 1821, Augusto de Saint-Hilaire VIAGEM AO RIO GRANDE DO SUL ( 1820 • 1821) SEGUNDA EDIÇÃO Tradução de Leonam de Azcredo Pena CONHIPANHIA EDITORA NACIONAL São PAULO - RIO - RECIFE – Porto Alegre 1939 p. 311 e 324





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