sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A BUSCA DE DEUS – Encontrado na natureza. Selvino Antonio Malfatti

 



Contemplo a paisagem. A água desce entre as pedras, as nuvens atravessam o céu e as folhas se inclinam ao vento. Tudo se move. Tomás me pergunta: o que torna possível esse movimento? Cada coisa que muda recebe de outra a possibilidade de mudar. Se sigo essa pergunta até seu fundamento, chego à ideia de um Primeiro Movente que move sem ser movido. Foi a resposta de Tomás.

Volto os olhos para o rio. A chuva alimenta suas águas; o relevo orienta seu curso; a luz do sol participa do ciclo que as renova. Na natureza, encontro causas ligadas a outras causas. Pergunto então a Tomás: de onde procede, em última instância, o poder de causar? E a resposta: a Causa Primeira depende as demais anteriores.

Observo uma árvore. Ela nasceu, cresceu e um dia deixará de existir. O mesmo vale para os seres que povoam o vale. Tudo o que vejo poderia não estar aqui. Mas, se cada ser depende de outro para existir, onde se encontra o fundamento dessa existência? Tomás me cita o Ser Necessário, que não recebe de outro a razão de seu ser.

A luz do amanhecer revela diferenças. Uma flor é bela, um gesto pode ser bom, uma ação pode ser mais justa que outra. Reconheço graus de beleza, bondade e perfeição nas coisas. Como explicar? pertunto a Tomás. 

- O fundamento dos graus de perfeição indica a Perfeição Suprema. 

Por fim, observo a ordem da paisagem: a água segue seu curso, as plantas se voltam para a luz, as sementes germinam em condições próprias. Seres sem inteligência agem regularmente em direção a seus fins. De onde vem essa orientação? O processo ordenado me conduz à ideia de uma Inteligência que ordena a natureza, conclui Tomás.

Estou diante da paisagem.Tomás me pede que o examine com atenção o movimento, as causas, a existência passageira dos seres, seus graus de perfeição e a ordem natural: qual o fundamento último da realidade que se apresenta aos meus olhos? A resposta que ele dá é Deus.


9 comentários:

  1. Perfeito, a natureza que embeleza a vida !

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  2. Recebemos todos os dias as bençãos de Deus, a chuva, o céu perfeito, o sol a iluminar nossas vidas, tudo é presente.

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  3. Tudo que existe vai se transformando, a semente quando cai na terra, vira uma árvore para dar frutos e nos alimentar.
    Tudo que existe é bondade de Deus 🙏

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  4. Com certeza existe uma inteligência muito além do nosso pequeno conhecimento, não temos capacidade de entender tanta harmonia, somos crianças incapazes, rebeldes e sem gratidão destruindo o mundo, que é presente de Deus.

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  5. Sempre pergunto, a resposta Deus é o início e o fim.
    Escolhemos a caminhada, o encontraremos no final.

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  6. Deveríamos ter um tempo para nos encantar e observar a natureza, as flores, os animais , tudo tão perfeito.
    Experimente fechar os olhos e sentir o vento, você não sabe de onde vem, ele lhe toca.
    Assim é Deus na sua vida , sempre presente, mesmo que você não sinta.

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  8. https://selvinomalfatti.blogspot.com/
    Selvino, li seu texto com bastante atenção e achei muito interessante. Como trabalho com teologia, percebi que o senhor conseguiu fazer algo muito bonito: transformar as Cinco Vias de Tomás de Aquino em uma reflexão contemplativa, partindo daquilo que os olhos observam na natureza até chegar à pergunta pelo fundamento último da realidade.

    O que mais me chamou a atenção foi a construção do texto. O senhor começa com o movimento, passa pelas causas, pela contingência dos seres, pelos graus de perfeição e, finalmente, pela ordem e finalidade da natureza. Ou seja, praticamente conduz o leitor pelos cinco caminhos de Tomás até chegar à conclusão: Deus.

    Na minha leitura teológica, eu diria que o texto trabalha muito bem no campo da teologia natural: você não começa pela revelação bíblica para afirmar Deus, mas pela própria realidade criada e pela busca racional de seu fundamento último. Depois, para nós cristãos, aquilo que a razão pode alcançar encontra sua plenitude na revelação de Deus nas Escrituras. Chamamos isso de "Revelação Geral".

    Então, sinceramente, achei muito bonito. É um texto filosófico, mas escrito de uma maneira acessível, contemplativa e, ao mesmo tempo, bastante profunda. Dá para perceber que por trás de uma paisagem aparentemente simples existe uma pergunta muito maior: “Qual é o fundamento último de tudo aquilo que existe?”

    Parabéns! Gostei muito da forma como o senhor conseguiu unir filosofia, contemplação e a questão de Deus.

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  9. Uma ótima reflexão, a teologia, filosofia se encontram e todas as ciências respondem, Deus é o grande arquiteto do universo.

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