A ideia de perfeição supõe um estado de
ausências de imperfeições no qual tudo é harmônico em seu grau máximo. A filosofia se abstém da matéria alcançando o belo e o verdadeiro absoluto, na
forma pura. O conhecimento humano é limitado e por isso se vale do finito para captar
o infinito. Vale-se de metáforas e analogias para expressar o que tem na mente.
O perfeito dispensa o tempo e o espaço alinhando-se na transcendência,
Quem tentou chegar à Perfeição foi Platão. Os filósofos anteriores a Platão olharam o cosmos e se intrigaram devido à sua perfeição, por casa de sua inteligibilidade. Neste ponto entra Platão que levantou a hipótese de que algo inteligível devia ser perfeito. Até mesmo o fato de indeterminação intrigava por que seria contraditório imperfeito e inteligível. Por isso deveria haver um mundo perfeito cuja sombra seria o nosso mundo. Esta é a conhecida teoria do Mundo das Ideias, obra de Platão.
O autor
elaborou a síntese de dois filósofos anteriores cujos ideias eram paradoxais: o
ser e o devir: Parmênides de Heráclito ao interpretarem o universo. As mudanças coexistindo com a estabilidade.
Há estações e estas são sazonais. Há diferenças de grandezas, mas há proporções
harmônicas, movimentos ao mesmo tempo inteligíveis. O universo era caos, mas
logos. Como isso pode ser inteligível? Certamente por que o que é também deve
ser não ser, ou um reflexo do que é ou sombra do ser. Há um mundo perfeito, o
ser, as Ideias e há este mundo sensível que não passa de uma sombra.
No sentido bíblico ou cristão-judaico de um Deus pessoal, criador e providente, não se encontra em Platão. O sentido platônico de Deus é do Bem, inteligível. Santo Agostinho, iluminado pelo cristianismo, retomará essa busca, identificando em Deus a Verdade suprema que ilumina a inteligência humana.
Ou, mais sinteticamente: “De Platão a Agostinho, a busca do Bem e da Verdade transforma-se na busca de Deus.”Este broto teísta
racional percorre o pensamento ocidental fora dos moldes bíblicos. O fundamento
do pensamento platônico é que a realidade sensível não possui consistência que
a torne possível de explicar. O que os sentidos percebem fogem da consistência,
pois são corruptíveis de se degradam. Com isso o que se consegue captar dos
seres é nada mais que uma realidade fugaz, sem subsistência. Que
hoje é belo, amanhã não é mais, o que é justo transforma-se em injusto. O mundo
mutável é impossível para o conhecimento verdadeiro. Por isso, necessariamente
deve existir outro mundo, o verdadeiro, o mundo das ideias verdadeiras que
abriga a verdade e o Bem. Embora Platão não empregue o termo Deus a conclusão a
que chegou, embora com outro nome, coincide com a ideia de Deus. Um Deus inteligivel racionalmente, modelo de perfeição, cujas sombras se estendem no munso sensível.
No nosso
mundo aparece o bem como sombra do Bem Supremo que ilumina este mundo como o
sol mostrando os objetos físicos que são sombras de bem. O bem, por isso, não
existe em outro, mas em si. É, portanto, um Ser, mas que neste mundo só existe
em aparência que nos leva a conhecer a verdade.
Se o ser
humano conhece o bem verdadeiro é por que é apto através de algo da mesma
substância que é a alma cuja sombra antes habitava o Mundo das Ideias, agora
unida ao corpo instrumento da alma.
Platão nasceu em Atenas em 428 ou 427 a. C e
morreu em 348 ou 347 a. C. Foi discípulo de Sócrates por oito anos.
Em filosofia pretendeu solucionar a questão da
universalidade dos conceitos pela existência real, embora imaterial. Concebeu
um mundo de Essências, às quais projetavam suas sombras sobre este mundo. A
razão humana, que conhecera aquele mundo, reconhece as sombras daquelas
essências, Ideias, e por isso pode conhecer as normas morais e a essência das
coisas.
Sua concepção de norma moral está intimamente
ligada à Lei Perfeita do Mundo das Ideias. E o tema central que anima a
meditação moral é a ideia de Justiça, transferida, por ele, para o plano do
Mundo das Ideias. A Justiça do Mundo das ideias identifica-se com o Bem
Absoluto. E a Felicidade, por sua vez, se identifica com o Bem.[1]
Na visão de Platão há uma permuta entre as
essências e as sombras. Primeiramente, o homem deve dirigir-se ao mundo das
ideias, apreender de lá o ideal e depois transportá-lo para este mundo.
[1] PLATÃO.
Diálogos.V.II, Fédon, Sofista Político. Trad. De Jorge Paleikat e Cruz Costa.
Porto Alegre, Globo, l955, p. 270-296.
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