sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA. Selvino Antonio Malfatti



Sr. Garcia
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Como era vista esquerda e direita no passado?  O de esquerda acha que o de direita o USURPOU; o de direita acha que o da esquerda quer USURPÁ-LO. Em outras palavras, o primeiro acha que o outro o roubou e o segundo acha que primeiro quer roubá-lo.
Quem está com a razão. Cada um apresenta centenas de razões a seu favor!
Sociologicamente e politicamente, desde que se instituiu o regime representativo, ora a direita é hegemônica, ora a esquerda. Não é uma gangorra que sobe e depois desce, mas um pódio que cada um, ora sobe, ora desce, e vice-versa.
De momento, na América Latina e - em parte no ocidente - assistimos o refluxo da esquerda.
No início do século XXI parecia que a esquerda, na América Latina, não terminava mais a orgia de poder. A tonalidade do mapa era um mar cor de rosa que cobria o solo, mas há pouco mudou para azul. O golpe de misericórdia parece ter sido dado no Brasil com a vitória de Bolsonaro. A partir de 1º de janeiro, o maior país da América Latina, será governado por alguém que não esconde dizer e agir como de direita sem adjetivos. “Para os vermelhos”, como dizia na campanha, “lhes resta o cárcere ou o exílio”.
Mas não é só o Brasil. Não faz um ano, Chile vota-se para direita. Na Colômbia Ivan Duque puxou o freio da esquerda. O México deixou um vislumbre de esperança para esquerda com Andrés Manuel López Obrador. A má vontade de interessar-se pela política ao sul da América tem minado a esperança da esquerda. Para piorar a situação o autoritarismo dos países da Venezuela e Nicarágua nada recomenda para a esquerda. O desafio para dar meia-volta para a esquerda parece uma travessia de deserto. Nem mesmo a voz do octogenário ex-presidente uruguaio, José Mujica, convenceu a esquerda que sempre pensa na vitória final. Diz Mujica: “ No hay derrota definitiva ni triunfo definitivo”.
A esquerda de ontem não é mais igual a de hoje. Até então, no passado, o pêndulo oscilava do centro-esquerda da Concertación chilena e a Frente Amplio de Uruguay até o autoritarismo extremado do militar Hugo Chevez na Venezuela tendo apoio do cubano Fidel Castro. No meio campo ficava Nestor e Cristina Kirchner que reformaram o populismo de esquerda da Argentina, Lula do Brasil e Evo Morales da Bolívia, sindicalistas provenientes de movimentos sociais. Desenvolveram políticas tradicionais e externamente agiram pragmaticamente.
A outra esquerda, a de outrora, se aglutinava em organismos regionais de integração, tais como União das Nações Sulamericanas, a Comunidade dos Estados Latinoamericanos e caribenhos e Aliança Bolivariana para os povos de nossa América. Hoje estes organismos encontram-se agonizantes.
Parece que a crise da esquerda na América Latina atualmente está relacionada com o descrédito de Hugo Chaves e Fidel Castro, após suas mortes, e o colapso da Venezuela. Além disso, e na mesma esteira, estão os governos ditatoriais de Nicolas Maduro na Venezuela e Daniel Ortega na Nicarágua. A repressão de outrora do líder sandinista tem sido criticada sem dó nem piedade pela própria esquerda em nível global e a ambiguidade da Venezuela desmerecem totalmente os governos de esquerda na América Latina.
Desde que a esquerda defina-se por governos democráticos representativos, com submissão ás regras destes regimes, certamente voltarão a merecer os votos dos eleitores e poderão governar seguindo suas plataformas, tal como acontece com as esquerdas europeias. E os organismos regionais abandonem a ideia de implantar o comunismo, pois somente os intelectuais ainda creem nele. O povo por sua vez, mais pragmático, somente quer a possibilidade de bem estar.
Quanto à direita....fica para um próximo artigo.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

UM ROTEIRO PARA O MEC - Prof. Dr. Ricardo Vélez Rodríguez









Amigos, escrevo como docente que, através das vozes de algumas pessoas ligadas à educação e à cultura (dentre as quais se destaca o professor e amigo Olavo de Carvalho), fui indicado para a possível escolha, pelo Senhor Presidente eleito Jair Bolsonaro, como ministro da Educação.
Aceitei a indicação movido unicamente por um motivo: tornar realidade, no terreno do MEC, a proposta de governo externada pelo candidato Jair Bolsonaro, de "Mais Brasil, menos Brasília". Acho que o nosso Presidente eleito ganhou definitivo apoio da sociedade brasileira no pleito eleitoral recente, em decorrência de um fator decisivo: ele foi o único candidato que soube traduzir os anseios da classe média, que externou a insatisfação de todos os brasileiros com os rumos que os governos petistas imprimiram ao país ao ensejar uma tresloucada oposição de raças, credos, nós contra eles, como se não pudêssemos, os habitantes deste país, sedimentar alguns consensos básicos em relação ao nosso futuro. Jair Messias Bolsonaro foi eleito em razão deste fato: traduziu, com coragem e simplicidade, os anseios da maioria dos eleitores. A sua campanha, carente de tempo na mídia e de recursos, ameaçava não decolar. Decolou, e, mais ainda, ganhou as praças e ruas, através de meios singelos de comunicação como o Smartphone e a Internet, coisas que o brasileiro comum utiliza no seu dia a dia desta quadra digital da nossa sociedade tecnológica.
Como professor e intelectual que pensa nos paradoxos estratégicos do Brasil, apostei desde o início no candidato Bolsonaro. Achei a sua proposta de escutar o que as pessoas comuns pensam uma saída real para a insatisfação e a agonia que as sufocavam, nesses tempos difíceis em que se desenhava, ameaçadora, a hegemonia vermelha dos petistas e coligados. Graças a Deus o nosso candidato saiu vencedor, numa campanha agressiva em que foram desfraldadas inúmeras iniciativas de falseamento das propostas e de fake news, e em que pese o fato de que ele próprio tivesse de pagar um preço alto com a facada de que foi vítima em Juiz de Fora, desferida por um complô do crime organizado com os radicais de sempre.
Enxergo, para o MEC, uma tarefa essencial: recolocar o sistema de ensino básico e fundamental a serviço das pessoas e não como opção burocrática sobranceira aos interesses dos cidadãos, para perpetuar uma casta que se enquistou no poder e que pretendia fazer, das Instituições Republicanas, instrumentos para a sua hegemonia política. Ora, essa tarefa de refundação passa por um passo muito simples: enquadrar o MEC no contexto da valorização da educação para a vida e a cidadania a partir dos municípios, que é onde os cidadãos realmente vivem. Acontece que a proliferação de leis e regulamentos sufocou, nas últimas décadas, a vida cidadã, tornando os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de "revolução cultural gramsciana", com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do "nós contra eles" e uma reescrita da história em função dos interesses dos denominados "intelectuais orgânicos", destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo.

Na linha dos pre-candidatos ao cargo de ministro da Educação foram aparecendo, ao longo das últimas semanas, propostas identificadas, uma delas, com a perpetuação da atual burocracia gramsciana que elaborou, no INEP, as complicadas provas do ENEM, entendidas mais como instrumentos de ideologização do que como meios sensatos para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino.
Outra proposta apareceu, afinada com as empresas financeiras que, através dos fundos de pensão internacionais, enxergam a educação brasileira como terreno onde se possam cultivar propostas altamente lucrativas para esses fundos, mas que, na realidade, ao longo das últimas décadas, produziram um efeito pernicioso, qual seja o enriquecimento de alguns donos de instituições de ensino, às custas da baixa qualidade em que foram sendo submergidas as instituições docentes, com a perspectiva sombria de esses fundos baterem asas quando o trabalho de enxugamento da máquina lucrativa tiver decaído. Convenhamos que, em termos de patriotismo, essas saídas geram mais problemas do que soluções.
Aposto, para o MEC, numa política que retome as sadias propostas dos educadores da geração de Anísio Teixeira, que enxergavam o sistema de ensino básico e fundamental como um serviço a ser oferecido pelos municípios, que iriam, aos poucos, formulando as leis que tornariam exequíveis as funções docentes. As instâncias federal e estaduais entrariam simplesmente como variáveis auxiliadoras dos municípios que carecessem de recursos e como coadunadoras das políticas que, efetivadas de baixo para cima, revelariam a feição variada do nosso tecido social no terreno da educação, sem soluções mirabolantes pensadas de cima para baixo, mas com os pés bem fincados na realidade dos conglomerados urbanos onde os cidadãos realmente moram.
Essa proposta de uma educação construída de baixo para cima foi simplesmente ignorada pela política estatizante com que Getúlio Vargas, ao ensejo do Estado Novo, pensou as instituições republicanas, incluída nela a educação, no contexto de uma proposta tecnocrática formulada de cima para baixo, alheando os cidadãos, que passaram a desempenhar o papel de fichas de um tabuleiro de xadrez em que quem mandava era a instância da União, sobreposta aos municípios e aos Estados.

"Menos Brasília e mais Brasil", inclusive no MEC. Essa seria a minha proposta, que pretende seguir a caminhada patriótica empreendida pelo nosso Presidente eleito.

Postado por Ricardo Vélez-Rodríguez às 03:32

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Algumas palavras pela razão. José Mauricio de Carvalho – Instituto de Filosofia Luso-Brasileira.












O século XX começou com a percepção de que se mergulhara numa crise. Não simplesmente uma crise econômica que depois viria em 1929 para completar o cenário, mas uma crise mais profunda. A crise do desencanto dos homens que vieram da belle époque com suas crenças na bondade natural do homem e no progresso moral permanente da humanidade, com a confiança ingênua de que a ciência seria usada apenas para fazer o bem, que os cientistas eram os novos sacerdotes da humanidade e que viveríamos uma era de paz e de respeito. Enfim, crendo num idealismo no qual o mundo se revelava numa razão abstrata, ingênua e acrítica.
A História não confirmou essas crenças. Explodiu o mundo em conflitos, explicitaram-se as contradições do homem, aumentou a disputa entre os povos, os interesses revelaram a irracionalidade, alastraram-se os governos totalitários de esquerda e direita, ambos ruins, a sociedade de massas alimentou a despersonalização com suas consequências: o tédio, a falta de sentido na vida, o suicídio, a violência e o vício das drogas, explodiram os conflitos mundiais seguidos pela guerra fria e pelas guerras no continente africano. A ciência não ofereceu ao homem o que prometera. O mundo laico afastou Deus não apenas da organização política, mas do horizonte vital.
As filosofias refletiram esse estado de coisas, o vitalismo defendendo que a vida tem dinâmica própria contra as fantasias da razão inocente, a psicanálise deu cor científica a esse discurso que reduziu o homem aos seus instintos, o existencialismo apontou uma saída individual nesse mundo deslocado. E, em meio a tantas dificuldades e desilusões, se começou a falar da responsabilidade pessoal pelo próprio destino e o da sociedade. Aos poucos cresceu o entendimento de que a vida singular que temos que viver precisa de parâmetros ou referências que a cultura traduz como valores e as religiões apresentam como fé. Referências que orientam as escolhas.
Aqueles pensadores vislumbraram dois caminhos para sair da crise. Caminhos que infelizmente não foram trilhados, motivo pelo qual continuamos mergulhados na crise de cultura que se estende desde então. O primeiro acenava para o rompimento com um racionalismo abstrato, pensando o homem em situação com todas as suas dificuldades e limites daí decorrentes, o que não significava a defesa pura e simples da irracionalidade. O segundo era recuperar as referências que guiaram o homem durante o último milênio, notadamente os valores da sociedade ocidental baseados na dignidade da pessoa humana.
O primeiro caminho significou uma retomada da razão, não mais segundo a bitola estreita do iluminismo do século XVIII, mas com a nova roupagem da verdade. É esse caminho que destaco, num momento em que a disputa política acirrou a irracionalidade e colocou a disputa acima da razão. Nesse clima muitos professam a descrença na razão. Porém a experiência histórica e a inteligência dizem o contrário. A razão continua a ser uma importante referência para o homem conviver. Não mais a inocente razão do iluminismo limitada pela ciência renascentista ou a irracionalidade do romantismo e do vitalismo, mas a razão que cresceu com seus limites, uma razão preocupada consigo mesmo e em se esclarecer. Uma razão que sabe seu valor e seus limites e por isso não é prepotente. Uma razão expõe o mérito da ciência e aponta seus limites. Uma razão que se abre ao transcendente como guia para os passos que dá no mundo material. E, sobretudo, uma razão que seja uma fronteira inviolável da dignidade humana, do respeito aos diferentes o segundo caminho antes mencionado. Esses são os caminhos que a Filosofia precisa trilhar nesse início de milênio, embora a sociedade de massa não se dê conta dessa necessidade. É preciso retomar o exercício da razão como uma das referências imprescindíveis de nossa cultura.
  

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Presidentes do Brasil: 1989-2018: Selvino Antonio Malfatti



A eleição de domingo, 28, apontou o 38º Presidente do Brasil:





38. Jair Bolsonaro 

37. Michel Temer (2016-)
36. Dilma Rousseff (2011-2016)
35. Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011)
34. Fernando Henrique Cardoso (1995-2003)
33. Itamar Franco (1992-1995)
32. Fernando Collor de Mello (1990-1992)
31. José Sarney (1985-1990)
30. João Figueiredo (1979-1985)
29. Ernesto Geisel (1974-1979)
28. Emílio Garrastazu Médici (1969-1974)
27. Artur da Costa e Silva (1967-1969)
26. Humberto Castelo Branco (1964-1967)
25. Ranieri Mazzilli (1964)
24. João Goulart (1961-1964)
23. Ranieri Mazzilli (1961)
22. Jânio Quadros (1961)
21. Juscelino Kubitschek (1956-1961)
20. Nereu Ramos (1955-1956)
19. Carlos Luz (1955)
18. Café Filho (1954-1955)
17. Getúlio Vargas (1951-1954)
16. Eurico Gaspar Dutra (1946-1951)
15. José Linhares (1945-1946)
14. Getúlio Vargas (1930-1945)
13. Washington Luís (1926-1930)
12. Artur Bernardes (1922-1926)
11. Epitácio Pessoa (1919-1922)
10. Delfim Moreira (1918-1919)
9. Venceslau Braz (1914-1918)
8. Hermes da Fonseca (1910-1914)
7. Nilo Peçanha (1909-1910)
6. Affonso Penna (1906-1909)
5. Rodrigues Alves (1902-1906)
4. Campos Sales (1898-1902)
3.  Prudente de Morais (1894-1898)
2. Floriano Peixoto (1891-1894)
1. Deodoro da Fonseca (1889-1891)


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O desafio de preservar o humanismo ocidental. José Mauricio de Carvalho - Membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileiro





Na medida em que se consolida a sociedade de massas e a generalização da tecnologia os estudos de humanidades que poderiam equilibrar o impacto da segunda e salvar a primeira da despersonalização são deixados de lado. Infelizmente poucos enxergam essa necessidade, embora tenham que se ver com consequências que não desejam. A despersonalização, própria dos tempos de massa, levam a uma vida inautêntica mostraram diferentes filósofos no último século (Jaspers, Heidegger, Ortega y Gasset, Delfim Santos, etc.) e também ao que o psiquiatra Viktor Frankl denominou neurose noogênica, e outros representantes da psiquiatria existencial chamaram de neurose social. Frankl resumia essa dificuldade na experiência do vazio existencial, do tédio e da percepção de falta de sentido na vida. Por sua vez, uma sociedade tecnológica mas que se despreocupa da tradição humanista perde as referências de moral social e de valores fundamentais de convivência que depois queixa de necessitar. Essa perda não é fruto de um governo, mas um movimento cultural amplo.
A tradição de reconhecer o valor da pessoa humana se consolidou durante a Idade Média com a revisão da herança do mundo clássico grego romano e a inserção nesse conteúdo da ciência moderna em formação naqueles dias. Essa tradição exigiu um aprofundamento da moral judaico-cristã meditada pela filosofia ocidental por séculos. Essas reflexões são a base da moral social e da vida cidadã.  
A ideia de pessoa humana penetra diversos campos de cultura ocidental. Miguel Reale, por exemplo, fez dessa ideia o núcleo de seus estudos jurídicos propondo o personalismo axiológico o eixo nuclear de seu tridimensionalismo jurídico. Essa filosofia do direito contempla a ideia de pessoa como o valor central e reconhece a importância da historicidade na construção dessa ideia. Afirma (Reale, Introdução à filosofia, Saraiva,1989, p. 160): “no centro de nossa concepção axiológica situa-se a ideia de pessoa como ente que é e deve ser, tendo consciência dessa dignidade”. Esse pensamento se completa com a aproximação entre valor e história, o que para Reale inviabiliza tanto um humanismo a-histórico, como um que se explique exclusivamente pela história. Foi essa observação que nos levou a sistematizar o desafio de tratar o sentido da vida associado à noção de valor estabelecido historicamente, questão posta como tema central do livro O homem e a filosofia, que teve recentemente uma terceira edição (Porto Alegre: MKS, 2018). Então, de posse dessas referências deixadas pela filosofia contemporânea, descrevemos a ideia de pessoa a partir de cinco aspectos: aprimoramento ético, propriedade, liberdade, responsabilidade e solidariedade, aspectos desenvolvidos ao longo da história. Esses valores foram trabalhados nessa tradição humanista: os dois primeiros no Decálogo de Moisés; a solidariedade é o assunto principal do lindo sermão da montanha de Jesus de Nazaré; a liberdade é um valor discutido pelos filósofos desde Agostinho e que encontra em Kant solução na síntese que ele elaborou com o nome de imperativo categórico. Kant ensinou, com esse imperativo, a respeitar a humanidade em si e no outro o que significa que a liberdade é a conquista de alguém que não se torna escravo de seus instintos. Outros valores foram aproximados recentemente da ideia de pessoa, o trabalho e o cuidado com a natureza.
O que foi dito acima mostra uma vida autêntica ou personalizada passa pela recuperação de valores que tecem nossa sociedade, nos colocam frente a necessidade de assumir, de forma profunda, o ensino das humanidades em nossas escolas e universidades, sem o qual todo o cabedal de valores, características da pessoa humana e da vida social como se desenvolveu no ocidente fica sem compreensão e força de sustentação. E, naturalmente, estabelece o desafio adicional de meditar filosoficamente e aprofundar essa herança humanista do ocidente.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES COMO CORREÇÃO DO PRIMEIRO. Selvino Antonio Malfatti



Em 7 de outubro de 2018 ocorreram eleições no Brasil para presidente, governador, senador, deputados federais e deputados estaduais. Já no dia 28 de outubro ocorrerá o segundo turno para os executivos federal e estadual nos quais os candidatos não obtiveram a maioria absoluta. Vejamos o resultado do primeiro turno para presidente, por região e o total: 



Por que foi instituído um segundo turno no Brasil?
Um dos critérios básicos para uma democracia é o governo da maioria. 
Sendo assim, deve-se conseguir maioria para que um determinado candidato possa governar.
Um dos regimes para governar é a democracia. Modernamente entende-se por este conceito – governo do povo - como governo da maioria. No entanto, já os próprios gregos sabiam que “governo do povo”, tem várias outras acepções. Pode ser entendido como uma monarquia, - governo de UM, como, aristocracia – governo de MINORIA e democracia - como governo de TODOS. E suas frormas corrompidas: Tirania, Oligarquia e Demagogia.
É por isso que governos ditatoriais, totalitários, ditaduras também se autodenominam de demoracias ou populares. No entanto, o conceito moderno entende por democracia um governo de maioria, respaldado pelo estado de direito com todas as suas implicações. Sendo assim, deve-se conseguir maioria para que um determinado candidato possa governar democraticamente.
No Brasil, como as eleições presidenciais no primeiro turno não apontaram nenhum candidato com maioria – 50% mais um - segue-se que, ou se governa com a minoria ou se usará um estratagema para se obter a maioria. O Segundo Turno é a ferramenta usada para lançar mão de uma segunda eleição entre os dois mais votados para se obter a maioria. 

Vejamos concretamente o que aconteceu com os três primeiros candidatos para a presidência:
Candidato %

Bolsonaro: 46,03
Haddad:     29,28
Ciro:           12,47

Se Bolsonaro fosse considerado vencedor, teríamos 46,03% do eleitorado governando, isto é, uma minoria.  Se fossem escolhdos os outros dois,  Haddad e Ciro, somando-se os votos deles e os demais candidatos continuaríamos com minoria . Então, para evitar isto se convoca um segundo turno. Com dois candidatos, um chega à maioria.

Evidentemente que isto pode provocar conseqüências não esperadas e indesejadas. Uma delas é que a bipolarização do pleito acirre os ânimos com sérios riscos de agressões não só verbais como físicas entre os candidatos, que por sua vez, se estenderia à sociedade o mesmo efeito. 

Diante disso, o pensador e político francês, Alexis Tocqueville – do período da Revolução francesa – faz uma reflexão sobre a questão da maioria. Para ele, a cima da maioria deve estar a ética, isto é a justiça. Esta é a maioria do gênero humano e não de uma determinada comunidade ou de um determinado momento histórico. Era necessário um legislativo que representasse a maioria e não escravo de suas paixões. Um executivo com força própria e um judiciário independente. A maioria não pode ser a justificativa para qualquer tipo de injustiça, contra índios, escravos, presos ou minoria de qualquer espécie. 
Portanto, numa democracia, finda a eleição, maioria e minoria, devem estar submetidas aos princípios legais éticos.

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