sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CORRUPÇÃO E POLÍTICA DA CONVENIÊNCIA - Selvino Antonio Malfatti



No nosso artigo anterior vimos que no Brasil há um descompasso entre as aspirações éticas da sociedade e o comportamento dos políticos. Isto aconteceu justamente com um partido, eleito com promessa de ética na política, também se transvia. O que teria acontecido com este partido ao assumir o poder? Ele que tanta esperança havia despertado na sociedade brasileira? Por que abandonou a ética originária e migrou para outra? Praticamente todos os partidos se envolveram em crimes contra a ética política, mas por que logo este? Os demais partidos são apenas aliados ao Partido do governo. Ele é o timoneiro do barco do Estado e os demais são ajudantes.
Novamente, o problema ético não só persiste como se agravou, pois, mal assume o poder, desvia-se daquilo que se comprometeu e a sociedade aprovou. Por que isto sói acontecer na prática política brasileira? Haverá outro componente não visível à sociedade?
Pensamos que a teoria weberiana sobre sentido da ação humana, conjugada com a teoria das formas de dominação, pode lançar luz sobre a questão. Conforme Weber a ação humana pode ter quatro sentidos:
1° Ação racional tendo presente uma verdade, avaliada sob a luz da razão como um fim em si e escolhida sem qualquer tipo de coação. Neste caso há uma perfeita sintonia entre o ser buscado e a razão.
2º Ação racional tendo presente um valor, avaliado sob a luz da razão como um bem em si e escolhido sem qualquer tipo de coação.
3º Ação sentimental tendo presente uma emoção, avaliada pelo sentimento como uma sacralidade e escolhida de conformidade com a satisfação.
4º Ação tradicional tendo presente um costume, avaliado tradicionalmente como eficaz e escolhido sob a égide repetição.
Quanto às formas de dominação ou nas formas de legitimação do domínio, Weber apresenta três formas puras:
1° A tradicional se refere aos costumes sagrados dos ancestrais. É o “ontem eterno” sacralizado na tradição. Este, na forma mais pura, o aparelho estatal confunde-se com a vontade pessoal do governante. Não se estabelece uma distinção do governante e da pessoa física de quem o governa. É o patrimonialismo pelo qual bem público se confunde com o privado.
2° A carismática baseada no dom pessoal, na unção, no dom da graça conferido a alguém.
3° A legal baseada na força da lei. Há regras pré-estabelecidas e universalmente válidas. É o domínio exercido em virtude da lei.
A sociedade imprime na ação um sentido valorativo, isto é, ético. Evidentemente que em muitas situações este valor tem cunho sentimental ou mesmo tradicional. Isto é secundário. A elite política, por sua vez, ao assumir o poder pensa em termos patrimoniais, isto é, identifica o que é do Estado com seu patrimônio particular. Desse modo entende que pode apossar-se do bem público em proveito próprio, isto é, a corrupção é considerada legítima. A partir de então o agir do governante se pauta pela conveniência como magistralmente ensina Nicolau Maquiavel. Cada governante é um genuíno “Príncipe”.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PAI- Selvino Antonio Malfatti


Qual o pai que ainda não se emociona ao saber que iria ser pai? Abraça e beija a esposa, conta para os amigos, ri sozinho. Enxerga-se com o filho nos braços, de mãos dadas com ele, conversando, brincando...
Relembra quantas madrugadas acordado, altas horas de noite, indo à farmácia para comprar uma chupeta... procurando um médico para o filho, cochilando sentado ao lado do berço, de minuto em minuto pondo a mão na testa, para ver se a febre baixava...
Que alegria! Já estava na idade de ir para o colégio, notas baixas, chamadas, temas uniforme, livros, cadernos, iniciação religiosa. Que loucura! Passou. Fim da infância. Adolescência. Agitação, amigos, festas, brigas, perigo constante, chave do carro, onde guardar? Madrugadas adentro esperando chegar. Só depois, conseguia dormir. Jovem, faculdade, depois emprego, namoro...
Pelas pinceladas a cima se vislumbra a missão de um pai na condução do filho à maturidade da vida. Ele paulatinamente insere este novo ser humano nas diversas dimensões da vida: familiar, escolar, cultural, profissional, religiosa e assim por diante. Na família, com mãe e irmãos. Há toda uma adaptação de idades, gênios, preferências e mesmo de sexo. Não é o mesmo tratar com um irmão ou com uma irmã. Pai ou mãe, amigos ou amigas. Com irmão mais velho ou mais novo. Introvertido ou extrovertido. Cada um é único e como tal deve ser considerado.
O grupo de amigos, quem são? O que gostam e fazem? Onde se divertem e quais as preferências. Através dos amigos o filho vai se expandindo, se desprendendo do grupo familiar para inserir-se na sociedade. É questão vital acertar neste momento. Qualquer erro pode levar ao desastre todo o esforço noutros setores.
As diversas etapas da vida do filho: criança, adolescente, jovem e adulto. Como lidar com cada idade, quais os desafios, problemas, anseios?....E quando começa uma fase ou quando termina outra? Um desastre tratar um jovem como criança ou uma criança como jovem. Além disso, cada sexo tem progressões diferentes.
A inserção cultural é outro problema que todo pai enfrentará com dúvidas. Qual o melhor colégio? Público, privado? Por quê? Além disso, deverá levar em conta a preferência do filho. Um está mais à vontade num colégio público e por isso aproveita mais. Outro em privado e conseqüentemente seu rendimento será melhor.
A questão profissional é crucial. O que é melhor para o filho? O pior é que muitas vezes se pensa que algo é bom, mas não é do agrado do filho e o contrário acontece. Pensa-se que o filho não gosta de algo e é isto que quer.
E a dimensão religiosa? Como fazer? O que fazer? Ou não fazer? São dúvidas realmente existenciais que afetam o ser e o agir de cada pai.
E no aprendizado econômico? Fazer conciliar a honestidade pessoal com a habilidade econômica? É preciso ensinar que se deve agir corretamente, mas fazê-lo perceber as ciladas que o espreita e saber se livrar delas. É a lição bíblica: sede simples como as pombas, mas espertos como as serpentes. Ou em termos laicos, usar a força do leão e a esperteza da raposa.
Ser pai, penso que um pouco é isto. Sinto que a figura do pai está em baixa. Basta ver a propaganda comercial. Não chega nem aos pés de outros eventos afins...Por que? Não sei. Soube recentemente de uma escola que aboliu a Comemoração do Dia dos Pais...alegando que pai é um conceito autoritário, dominador e anacrônico. Será? Ou talvez justamente esteja faltando mais presença do pai, mesmo sem a palmadinha?!!!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

ÉTICA x CORRUPÇÃO- Selvino Antonio Malfatti


O caso brasileiro é um modelo de persistência teimosa de corrupção e ao mesmo tempo esperança na ética:
1º Só para exemplificarmos nos dias atuais, a partir da década de oitenta e subseqüentes, quando foi substituído o segmento militar pela sociedade civil: após quase três décadas de poder militar, a sociedade consegue substituir a classe política militar, acompanhada de várias denúncias de infrações éticas, por outra classe, a civil, que se dizia comprometida com a ética.
2º Tendo como pano de fundo a ética, foi feita uma reforma Constitucional, a qual pensava-se, garantiria um comportamento ético da classe política. Na primeira eleição o eleitorado consagra alguém que se dizia comprometido com os princípios liberais e pureza ética, mas logo em seguida se envolve com corrupção, comércio de votos, caixa-dois e outros desvios e acaba perdendo o mandato.
3º Na eleição subseqüente a sociedade busca alguém identificado com a ética e com as aspirações populares, oriundo não das fileiras liberais, mas da ideologia socialista. Novamente a classe política eleita se delineará como o mais típico divórcio entre a ética da sociedade e a ética do agir político.
Quem avalizou foi um partido nascido no seio da Teologia da Libertação e que deu seus primeiros passos pela mão da Igreja Católica. Propunha uma revolução ética quando chegasse ao poder nacional: agiria estritamente dentro da ética prometida e aprovada pela sociedade. Ao que chamava de governos corruptos contrapunha um governo de honestidade, contra o capital explorador uma justiça do trabalho, contra a presença maléfica estrangeira uma soberania nacional. Contra a democracia burguesa, a democracia participativa, contra o descaso com o funcionalismo, uma justa remuneração, contra o mercado, um Estado regulador, contra as multinacionais, só empresas nacionais. Um governo de honestidade e de justiça promoveria a felicidade dos menos favorecidos com emprego, educação, saúde e habitação. Tal programa, impregnado de conteúdos ético-morais, paulatinamente foi recebendo o “sim” da sociedade brasileira: municípios, estados e finalmente a federação. Originariamente, para manter sua pureza ética, não aceitava coligar-se com nenhum outro, considerando-se o legítimo guardião da ética.
Originariamente, para manter sua pureza ética, não aceitava coligar-se com nenhum partido, considerando-se o legítimo guardião da ética. No entanto, pouco a pouco se aproxima de outros partidos afins e finalmente, para dissipar todos os temores coliga-se com um partido de ideologia liberal, o qual indica o vice-presidente. A sociedade confiou e deu seu consentimento elegendo o candidato. Ao assumir o poder, porém, necessitando da maioria parlamentar, dispensa a proximidade ideológica e coliga-se com qualquer partido que lhe dê apoio. A maioria foi formada de partidos de esquerda moderada e radical, bem como de direita e de centro-direita. Para se conseguir maioria ou apoio parlamentar cada congressista passou a ter um valor pecuniário: uns mais, outros menos e uma significativa parcela inegociável.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

GUERRA À CORRUPÇÃO, SEM MEDO E SEM TRÉGUA - Selvino Antonio Malfatti




Iniciou-se já o período de campanha eleitoral. E desta vez temos uma novidade: A FICHA LIMPA. Isto significa que não poderia haver candidato condenado por um colegiado de juízes. É um avanço. Mas por que a corrupção é tão endêmica no Brasil? Vejamos:

1. Há corrupção quando há condições. Diz o ditado que a ocasião faz o ladrão.
2. Embora não haja condições, mas também não há restrições.
3. Embora haja restrições legais, mas são tão brandas que ninguém se importa em ser condenado.
4. Ausência de uma ética. O condenado continua a sentir-se à vontade embora acusado de corrupto.

Penso que a terceira seja a mais significativa. Em alguns países a acusação de corrupção leva ao suicídio. No Brasil à reeleição. O acusado não sente vergonha da esposa, filhos e dos amigos. Até elogios de admiração recebe de alguns pela “esperteza”.
Gostaria de iniciar uma reflexão sobre a ética na política. Para tanto, vamos estabelecer alguns parâmetros.

1º A corrupção não é de nenhum partido, somente ações de pessoas.
2º Nenhum partido terá mais ações corruptas que outro.
3º A análise é puramente ética, sem acusações ou xingamentos.

Como seria um ideal de ética e política? Esboçar um modelo que conjugue ética e política talvez teoricamente não seja tão difícil. Já vários pensadores o fizeram com sucesso, tais como Platão, Aristóteles, Espinoza e outros. Também já foi proposto ignorar simplesmente aspectos éticos na política e neste caso pode ser citado Maquiavel como protótipo. Da mesma forma, há propostas que desconhecem, ou querem desconhecer, a especificidade da política propondo modelos puramente éticos. É o caso do fundamentalismo muçulmano. O problema reside na relação prática entre ética e política.
As aspirações políticas da sociedade e o comportamento ético da classe política podem estar em desacordo. A sociedade, sensível aos apelos éticos, responde positivamente, mas a classe política pode andar na contramão: promete ética na política, mas age de maneira antiética ou tem uma ética diversa daquela que sua sociedade quer.
No caso da sociedade brasileira temos diante de nós um contexto político típico recorrente do descompasso entre a ética da sociedade e a ética da classe política. O problema maior, e por isso difícil de ser sanado, é que o desacordo provém após a consulta popular. Quando a classe política se apresenta ao eleitorado, exibe uma proposta ética. A sociedade dá seu consentimento, mas tão logo a classe política inicia seu o agir político, desvia-se da proposta avalizada pela sociedade e passa a praticar sua própria ética. Então, a sociedade, frustrada, desinteressa-se pela vida pública e retira-se para a sua vida privada. E continua o divórcio entre a ética da sociedade e o agir da classe política.
Este contraste, sociedade e classe política, é recorrente na experiência política universal. Na década de Noventa destacam-se nos governos: Brasil, (Fernando Collor de Mello), Venezuela, (Carlos Andrés Pérez), Peru, (Vladimiro Montesinos e Alberto Fujimori), Argentina, (Carlos Menem), México, (Carlos y Raúl Salinas de Gortari). Na Europa, Itália, (Mani Pulite ou Tangentopoli), Alemanha, (Helmut Lohl), França, (Fraçois Mitterrand), Espanha, (PSOE) entre outros.
No próximo encontro vamos analisar o caso brasileiro em particular.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

ÉTICA E CULTUTURA - Selvino Antonio Malfatti



José Maurício de Carvalho, professor da Universidade Federal de São João Del Rei, escreveu um livro intitulado: ÉTICA. Dividiu-o em duas partes. Na primeira faz a gênese da ética e seu desenvolvimento no ocidente e no Brasil. Constata como Michele Frederico Sciacca que a cultura ocidental é fruto da confluência das culturas grega, judaico-cristã e romana, cada qual contribuindo com valores específicos. O resultado foi a valorização da pessoa humana, o estado de direito e a democracia.
Da Grécia antiga adveio valor a democracia, da judaico-cristã a pessoa humana e dos romanos o estado de direito. Evidentemente, este resultado levou séculos para se combinarem, conforme Carvalho.
Para José Maurício, cada época possui seus valores e estes se concretizam na cultura. Desse modo os valores não podem ser reduzidos ao relativismo e nem serem tomados de modo absoluto. Eles são culturais, isto é, enquanto não houver razão para serem abandonados, são mantidos. Por isso, os valores são enquanto devem ser.
A cultura nasce do homem histórico. Ela é o reflexo da organização hierárquica da atribuição de valores de cada grupo. José Maurício vale-se de Miguel Reale, para o qual alguns valores se cristalizam de tal sorte na cultura que eles passam praticamente a serem permanentes. Entre estes o mais destacado no ocidente é o valor da pessoa humana, seguido pela democracia e estado de direito e atualmente a ecologia.
Na segunda parte, Carvalho aborda questões pontuais da ética, buscando a fundamentação nos grandes pensadores contemporâneos. Como item inicial traz ao debate a questão da escolha. Reconhece que o homem constitui-se pela sua herança genética, influência do ambiente social e suas próprias escolhas. Nenhuma delas pode ser reduzidas a qualquer uma das demais mas, em cada homem elas se realizam de modo peculiar fazendo com que cada um seja único. Carvalho enfatiza a questão da escolha pessoal, pois somente esta é propriamente sua. É que no momento da escolha que entram os valores. As duas, escolhas e valores, constroem a o cerne da personalidade. Mas não é somente este aspecto que tem significação. Deve-se juntar o resultado das ações ou escolhas para o presente o mesmo para o futuro, inclusive após a existência do indivíduo. Por isso, deve-se acrescentar à escolha, a responsabilidade, como aponta Hans Jonas.
Conforme Carvalho, as escolhas éticas emergem do dia a dia na luta contínua do homem para sobreviver. Neste ambiente cria cultura, significando a organização gnosiológica, elaboração artística, seleciona valores. Os valores são experiências bem sucedidas as quais passam a valer para toda sociedade. E eles permanecem enquanto forem válidos. O conjunto desses valores bem sucedidos cristalizou-se em bens culturais, nascidos e mantidos pela sociedade. Por isso, os valores éticos originaram da sociedade como um consenso sobre sua validade. É nisso que a ética se distingue da moral. A sociedade cria determinados modos de pensar, agir e sentir. A reflexão sobre estes costumes fazendo um balanço racional sobre sua pertinência constitui a ética. Por isso, se poderia dizer que enquanto valor efêmero de uma sociedade, os costumes, seria a moral. Em contrapartida, enquanto valor permanente – sem significar absoluto e eterno – é a ética. Se lançássemos mão de uma metáfora, a moral seria a pedra bruta e a ética uma pedra polida.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A FÉ - Selvino Antonio Malfatti



A fé opera “milagres”: pode superar doenças, passar por obstáculos instransponíveis, salvar, “vencer” a morte.
Na história, à fé foram atribuídas muitas realizações. Dentre elas a de ser responsável pela formação de nações, como é o caso da Polônia e da Hungria. Esta última comemora sua identidade nacional ligada à figura de Santo Estevão, o primeiro rei e santo da Hungria.
A fé é um desses sentimentos indefiníveis. Instala-se ao natural. Quando se dá conta faz parte da vida. Ela penetra na alma através do leite materno, do ambiente familiar e social. Esta fé não se adquire, nasce-se com ela. É uma fé sem ruptura, pacífica. As decorrências e conseqüências seguem um fluxo normal dentro do meio que se vive. É uma fé de Santo Tomás, de São Francisco.
A outra se origina do conflito. Há um passado que precisa ser sepultado para poder dar espaço a ela. Esta fé nasce da violência consigo mesmo e com o meio. A partir da opção pela fé passa-se a queimar os antigos deuses e adorar o que se queimou no passado. É uma fé de São Paulo, de Santo Agostinho.
Há então duas direções: uma da fé para a razão e outra da razão para a fé. Geralmente quando se chega à fé pelo segundo caminho, ao da razão para a fé, esta não se a perde jamais. O primeiro caminho, o da fé para a razão, é aquele que mais leva a perda da fé. Pelo segundo, a razão sente-se insatisfeita, inquieta, frustrada pelas respostas da razão às questões existenciais. Pela primeira, a razão se sente quase traída pelas soluções propostas pela fé à razão. A razão que busca a fé dificilmente voltará atrás, mas a fé que busca a razão às vezes retrocede e se torna descrente ou ao menos sente mais dificuldade para conciliar razão e fé.
A fé é a transposição da incerteza do fenômeno para a certeza da verdade. A razão é a dúvida da certeza perante o fenômeno. A fé faz a passagem daquilo que é apenas uma hipótese, uma aparência, um indício par para uma certeza. A razão se nega a atravessar o mundo do fenômeno e acatar a certeza. A certeza para a razão nunca existe a não ser a certeza da incerteza. A fé faz a passagem e após ela encontra a razão. A razão não encontra a fé, mas esta encontra a razão. A fé é uma antinomia da razão, mas a razão não o é da fé.
Feita a transposição da razão para a fé, tudo se torna mais fácil. A mente parece iluminar-se e a razão passa a perscrutar com infinita liberdade as magnas questões da ciência. A discussão atual, por exemplo, sobre a origem do universo através do Big Bang foi antevista por Santo Agostinho há quase dois mil anos: a ausência de tempo e espaço antes da criação. Tudo era nada e Deus não fazia nada e não preparava o inferno para os descrentes, como alguns queriam brincar com questões tão sérias. Se a fé precede a razão cronologicamente, a razão, posteriormente, fundamente cientificamente a fé. E enquanto houver fé, haverá sempre esperança de caridade.
A FÉ

sexta-feira, 2 de julho de 2010

PEDRO, CHEFE DA IGREJA - Selvino Antonio Malfatti




No dia 29 do mês de junho os católicos celebram a festa de São Pedro, considerado o líder dos apóstolos e o primeiro papa. Inicialmente chamava-se
Cefas que quer dizer “pedra” em aramaico. A chefia da Igreja se deve ao que Mateus escreveu no seu Evangelho.
- Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus" (Mt. 16: 18-19).
A casa de Pedro fica perto do Lago de Genesaré - também chamado Mar da Galiléia – Atualmente há somente as ruínas das paredes, feitas de pedras. Por cima dela, e preservando-a, foi feita uma moderna construção com igreja, museus e outras atividades. Inicialmente era apenas uma casinha em forma octogonal, mas com o crescimento da importância de Pedro foram feitas mais construções ao seu redor, de modo que, pelos conceitos da época, se tornara pouco a pouco uma mansão.
Quem sai da casa de Pedro e vai ao lago percorre aproximadamente uns 200 metros. Ao se chegar às margens, há uma clareira entre os arbustos e uma pequena entrada com algumas pedras salientes e lajes. Era ali que Pedro deixava seu barco depois da pescaria. Foi nesse local que Jesus apareceu aos apóstolos, após a ressurreição e perguntou a Pedro se ele o amava. E a cada resposta positiva, Jesus lhe dizia:
- Apascenta minhas ovelhas.
Na terceira vez Pedro encheu os olhos de lágrimas. Era a confirmação de seu primado.
O papa João Paulo II, ao visitar o local, também comoveu-se e as lágrimas correram-lhe no rosto e disse aos acompanhantes:
- Este é o local mais bonito da Terra Santa!
Quem olhar à frente, tem um lago sereno, com ondas quase imperceptíveis. Do outro lado elevam-se as colinas de Gola, à esquerda o Rio Jordão entrando no lago e à direita perde-se a vista no horizonte. Parado, escutando o nada. Passa de leve a brisa pela face. E se olha, se escuta, se sente uma coisa boa perpassando pelas veias. E se olha, se escuta, se escuta, se olha.
É emocionante!

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