A forma como é exercido um mandato político varia de uma
pessoa para outra dependendo de várias circunstâncias. A mais marcante, no
entanto, é o caráter da pessoa ou a pessoalidade própria de cada uma.
Como numa equipe de futebol em que uns são atacantes, outros meio-de-campo, outros pontas e ainda há os da defesa. Na política ocorre algo análogo. Uns se
destacam por realizar, outros por ter idéias, outras por mandar ou comandar Ha os cobativos, os apaziguadores...Mas há uns poucos que possuem um carisma especial: a vigilância ou a defesa. Estes estão
sempre atentos ao que aconteceu, acontece ou poderá acontecer. Estes estão de
prontidão sempre, como o quero-quero nos pampas gaúchos. Uma dessas figuras, de
vigilantes, de defensores, de vigias na política certamente é o senador gaúcho Pedro Simon.
Toda sua trajetória política foi “em defesa de...” Ele não realizou grandes
obras, mas impediu que as ruins acontecessem, o que já é muito.
Natural do Rio Grade do Sul cujo estado sempre contribuiu
com destacados estadistas tanto no Império como na República. No primeiro
período podemos citar Gaspar Silveira Martins, já no segundo a participação do
Rio Grade do Sul é mais acentuada tanto pelo número de governantes, como pelo
tempo de ocupação de cargos e até mesmo pelas realizações dos governos. Bastaria
mencionar Pinheiro Machado, Getúlio Vargas, João Goulart, Paulo Brossard e
evidentemente Pedro Simon.
Pedro Simon
Ele foi senador da República por 32 anos. Natural
de uma colônia de imigrantes italianos, Caxias do Sul, nasceu no ano da revolução de um conterrâneo, Getúlio Vargas. O ingresso na política através das eleições, dá-se em 1959, como vereador em Caxias do Sul. Em seguida, 1962, elege-se
deputado estadual permanecendo neste cargo por quatro mandatos. Em 1978 é
eleito senador. Exerce a função de ministro, 1985, passando a governador do
Estado em 1987, quando, em 1990, inicia os sucessivos cargos de senador,
exercendo esta função ao todo por 4 mandatos. Neste pleito de 2014 não consegue
reeleger-se e deixará o senado em 2015, encerrando sua carreira política como
representante.
Talvez o período de maior participação de Simon como
parlamentar e defensor do estado de direito tenha sido na vigência do AI-5, em
1968 e ano seguinte. O Congresso e as Assembleias estaduais foram fechados com
exceção da Assembléia riograndense. O estado gaúcho tornou-se o único estado
com tribuna. Havia também apenas dois partidos permitidos: MDB e ARENA. O MDB
abrigava todos os que faziam oposição: liberais-democratas, socialistas,
comunistas, guerrilheiros etc. A ARENA congregava os que davam sustentação ao
governo, deste a extrema direita até democratas sinceros que queriam um estado
de direito. Num Congresso do partido MDB, no Rio Grande do Sul, que teve a
participação marcante de Simon foi decidido que lançariam a campanha pelas
“Diretas Já”, o fim da tortura, a liberdade de imprensa e a Assembleia Nacional
Constituinte. Se o objetivo primeiro, das Diretas, não foi alcançado, contudo foi
possível o lançamento da candidatura de Tancredo Neves que venceu o candidato
da ARENA e possibilitou a Abertura Política pondo fim ao regime militar. Durante
seus mandatos de senador, Pedro Simon sempre esteve presente na defesa da ética,
nas decisões referentes à economia, na defesa dos direitos humanos e promovendo
os interesses de seu estado.
Atualmente Simon está ressentido com os rumos que seu partido
tomou após a morte de Tancredo Neves. Antes, quando MDB, pautava-se pela ética,
não fazia o jogo mercantil, não pactuava com corrupção. Agora o PMDB, pensa,
gostou do poder, se incrustou nele e não quer largar mais.
Abaixo alguns cargos exercidos por Simon, sempre na busca
do respeito à pessoa humana e na defesa do estado de direito.
Funções
Políticas
A) Executivas
- Governador do Rio Grande do Sul
(1987-1990)
- Ministro da Agricultura (1885-1886)
B)
Legislativas
-
Vereador por Caxias do Sul (1960-1962)
-
Deputado Estadual pelo Rio Grande do Sul (1962-1978)
-
Senador da República do Brasil (1979-1982, 1991-1999, 1999-2007,
2007 – em exercício - 2015 )
C) Comissões
e lideranças
- Líder da Bancada do PTB, Caxias do Sul
(1960)
- Líder da Bancada do PTB, MDB e PMDB
Rio Grande do Sul (1962)
- Líder do governo Itamar Franco, no Senado (1992-1994)
- Membro da Comissão Educação, Assuntos
Econômicos, Assuntos
Sociais e Constituição, Justiça e Cidadania (1992-1994)
- Presidente da Subcomissão do Senado de
Análise das Causas da Impunidade (1993) entre outros.