sexta-feira, 18 de junho de 2010

BEM VINDOS, AMIGOS! - Selvino Antonio Malfatti



Uma criança sorrindo. Um beijo da mãe. Um abraço do pai. Um enlace da namorada. Um aperto de mão. O que tudo isso evoca em nós? A alegria. E o que nos torna plenos de júbilo? A amizade. A amizade tem o poder de despertar em nós a alegria. Até nos momentos mais tristes podemos sentir alegria se estamos com amigos. A amizade esquece a pobreza, fortalece no sofrimento, perdoa a ingratidão. Mesmo quando nos despedimos de um ente querido, se estivermos rodeados de amigos, podemos sentir a tristeza envolta na alegria. Amizade e alegria são dois sentimentos que se irmanam, se completam. São almas gêmeas que querem estar sempre juntas.
Quando sentirmos a cadência da amizade, a alegria irrompe aos borbotões no coração. Dispara quando ouvimos a voz do amigo. A amizade pode nos elevar aos céus, imaginar uma humanidade irmanada, um mundo se dando as mãos e entoar a sinfonia de Ode à Alegria de Beethoven ou um Va Pensiero de Verdi. A amizade nos desprende desta terra, nos deixa levitando no espaço, voando com o pensamento como se não tivéssemos corpo. A amizade é o mais belo presente que alguém pode receber. Ela vale por toda sabedoria, todos os dons, todas as riquezas. Ela enche de todo coração. A amizade não necessita de mais nada, ela é completa em si, ela dá alegria.

BEM VINDOS, AMIGOS! - Selvino Antonio Malfatti


Uma criança sorrindo. Um beijo da mãe. Um abraço do pai. Um enlace da namorada. Um aperto de mão. O que tudo isso evoca em nós? A alegria. E o que nos torna plenos de júbilo? A amizade. A amizade tem o poder de despertar em nós a alegria. Até nos momentos mais tristes podemos sentir alegria se estamos com amigos. A amizade esquece a pobreza, fortalece no sofrimento, perdoa a ingratidão. Mesmo quando nos despedimos de um ente querido, se estivermos rodeados de amigos, podemos sentir a tristeza envolta na alegria. Amizade e alegria são dois sentimentos que se irmanam, se completam. São almas gêmeas que querem estar sempre juntas.
Quando sentirmos a cadência da amizade, a alegria irrompe aos borbotões no coração. Dispara quando ouvimos a voz do amigo. A amizade pode nos elevar aos céus, imaginar uma humanidade irmanada, um mundo se dando as mãos e entoar a sinfonia de Ode à Alegria de Beethoven ou um Va Pensiero de Verdi. A amizade nos desprende desta terra, nos deixa levitando no espaço, voando com o pensamento como se não tivéssemos corpo. A amizade é o mais belo presente que alguém pode receber. Ela vale por toda sabedoria, todos os dons, todas as riquezas. Ela enche de todo coração. A amizade não necessita de mais nada, ela é completa em si, ela dá alegria.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

NAMORADOS



Atração cega. A razão escurece, embota, embaça. Subjuga e anula como faz o lutador com seu adversário. Reage, quer pensar. Reúne forças para raciocinar. Diz para si: vamos ponderar e pesar os prós e os contras. Afasta o esforço de pensar. É enlaçado, enredado, enrodilhado. O corpo da sucuri empacota o corpo da vítima. Chama por socorro, o eco responde que não quer o socorro. Não quer o que quer. Sente o veneno doce fluindo pelo pelas veias do corpo. É pleno gozo do não gozado. É o gozo do não gozo, mas que o sente, presente, aumenta, avoluma-se, agiganta-se. Está aí, poderosa, bela, escondida, encontrada e novamente escondida. Ajoelha-se impotente, suplica, agradece, quer ficar longe, mas não quer perdê-la. Ela deleita, é néctar porque se saboreia apenas aquilo que se imagina. É bela e sórdida, é sórdida porque é bela.
Começa pequenina, torna-se grande. É apenas uma menina, torna-se uma mulher que faz secar a boca, tremer a pele, arrepiar os pelos. Quer a mulher, mas gosta da menina. Quer a mulher na menina, mas se encanta com a menina e se prostra perante o corpo sedutor da mulher. Refugia-se da perseguição fora de sua alma. O corpo carrega a alma de volta porque não há gozo de corpo sem a conivência da alma. Quer resguardar a alma deixando-a fora do pecado. Mas a alma busca o corpo e ambos se entregam ao êxtase daquilo que não se quer, mas se agarra. Contudo se é possuído por aquilo que ser a posse. O sofrimento é condimento do prazer como sal é para os alimentos. A dor é dolorida, mas a dor da dor refina o gozo da alegria. Tudo estremece quando se mesclam sofrimento e felicidade. O prazer é o suco da uva triturada, esmagada. O vinho levita a alma porque esmigalhou o corpo. Mas não é a alma que goza, ela é insensível.
O sofrimento do corpo é a vibração da dor da alma. Quem tem prazer com o vinho não é a alma, mas o corpo que foi triturado. O sofrimento da alma não dá prazer ao corpo, deprime-o. Mas o sofrimento do corpo purifica a alma e dá prazer ao corpo. O desejo do objeto não possuído faz surgir o vazio na alma. A ausência da presença desejada na alma faz o corpo sofrer. Mas alma mostra ao corpo toda graça, prazer, alegria que aquela presença poderia lhe trazer. O corpo a sente através da alma e se deleita mais do que se o objeto estivesse presente e fosse sentido pelo seu corpo. O sofrimento da alma é transferido para o corpo e passa a sentir a beatitude da ausência do desejado.É A PAIXÃO?

sábado, 5 de junho de 2010

CORPUS CHRISTI EM VALE VÊNETO





Feriado de Quinta. Para alguns apenas um feriado, para outros, principalmente os católicos, a comemoração da instituição da Eucaristia, Corpus Christi. Este foi o 3 de junho deste ano.
Resolvi fazer alguma coisa diferente. Fui visitar uma localidade, próxima 40 quilômetros de Santa Maria, cujo templo é dedicado a Corpus Christi. Fica na localidade de colonização italiana, Vale Vento, no município de São João do Polêsine. Alguns dizem que é a única da América Latina dedicada a Corpus Christi. Com este nome até pode ser, mas se nos dermos conta que “Corpus Christi” é o mesmo que “Santíssimo Sacramento”, já em Porto Alegre, no bairro Bom Fim há uma com este último nome.
Olhando-se à distância, a torre da Igreja matriz tem uma forma de cálice erguido e em cima uma hóstia. No interior há alguma obra de arte, com as pinturas de temas bíblicos, do italiano de Ângelo Lazzarini.
A igreja começou a ser construída no final do século XIX, 1886. Foi dedicada a Corpus Christi por causa de uma doação da Condessa da Inglaterra, Giorgia Maria Augusta, de três mil liras, três sinos, tabernáculo, castiçais e outros objetos sacros.
A visita valeu, principalmente pelas belas paisagens que contornam a localidade. Quem está na praça da matriz e olha ao redor tem a impressão que está na cratera de um vulcão extinto. O vale onde se encontra o lugarejo é como se estivesse dentro de uma boca aberta.
Os motivos de decoração para o Dia de Corpus Christi foram símbolos do sentido eucarístico, tais como o cordeiro, a uva, pão ou trigo, hóstia, cálice, peixe.
Hoje vou presentear meus visitantes com algumas fotos da paisagem e dos temas da comemoração.

sábado, 29 de maio de 2010

A EUCARISTIA E A SALA DA SANTA CEIA


Cai a tarde nos arredores de Jerusalém, no ano 33 da era cristã. O calor do dia rapidamente dá lugar ao frio da noite. É o período de preparativos a festa dos Ázimos. Jerusalém está rodeada de peregrinos que acorrem para a festa. Próximo aos muros e dentro de grutas os visitantes acendem fogueiras para se aquecerem e prepararem-se para o acontecimento maior dos judeus: Pessach
Jesus com seus discípulos está chegando à cidade, próximo ao Monte Sião, fora dos muros, no extremo sul da Cidade Velha. Eles perguntam ao Mestre onde irão celebrar a Páscoa. Respondeu-lhes que havia uma sala cedida por um morador de Sião. Pedro e João devem ir lá e prepará-la. A sala fica no andar superior, certamente de propriedade de um abastado seguidor de Jesus, que lhe ofereceu o local para que ele e seus discípulos celebrassem a Páscoa.
Este local ficou na História como a Sala da Santa Ceia. Ao entrar nela sente-se uma leveza inefável. As colunas que dividem a sala ao meio são imponentes e graciosas, em curvas suaves até alcançarem o teto. É alta, espaçosa e iluminada, mas não demasiadamente clara para distrair-se. Um ambiente ideal para um grande acontecimento: a instituição da Eucaristia, a Ação de Graças.
Ali ocorre o último encontro de Jesus com os discípulos antes da morte. A autenticidade pode ser comprovada pelo desenho da época, embotado e meio apagado, de um pelicano, símbolo da eucaristia, no canto de saída da sala. Assim como o pelicano arranca suas próprias carnes para alimentar os filhotes, Jesus entrega sua própria carne para salvação dos homens. Os árabes, que nas invasões ali estiveram, e destruíam tudo que pudesse lembrar cristianismo, não deram importância ao desenho e o deixaram, pensando que se tratava da mitologia romana.
Provavelmente o significado do acontecido naquela Sala, os apóstolos tenham entendido somente mais tarde. Jesus e apóstolos estavam em dimensões opostas. Jesus falava numa perspectiva supra terrena e os discípulos entendiam tudo ao pé da letra, no plano físico. Ele queria fazer daquele momento o encontro supremo com seus discípulos. Até agora havia ensinado e dado o exemplo, agora queria doar-se. Aparenta serenidade, mas está angustiado. Os apóstolos não entendem. Fala que alguém irá traí-lo. Eles lhe perguntam quem é. Como todos estavam ceando, ninguém se deu ao trabalho de ver quem punha a colher no prato junto com ele e descobrir o traidor. Não deram a menor importância quando Judas se retira, com o próprio consentimento do mestre:
- O que tens de fazer, faça-o logo, disse-lhe.
Lava os pés dos apóstolos e eles reclamam. Institui a Eucaristia e ninguém se admira. Da parte dos apóstolos nada de anormal acontece; Jesus, porém, antevê-se no Getsêmani, logo ali, defronte às muralhas da cidade, de cujas portas sairá o piquete de soldados que irá prendê-lo...O que mais terá acontecido naquela noite na Sala da Ceia? Desconhecem-se os pormenores, mas o essencial Lucas e Marcos deixaram escritos.
A Festa que é celebrada no dia 3 junho, aconteceu pela primeira vez nesta Sala que se vê na foto. Não enleva?

domingo, 23 de maio de 2010

FESTA DE 15 ANOS


FESTA DE 15 ANOS: luzes faiscantes, sons frenéticos, abraços, beijos, cumprimentos, sorrisos. Festa de 15 anos, de Laura, filha de meus amigos José Luongo e de D.Iara. Foi no salão La Sagra, do Clube Dores de Santa Maria, dia 22. Para quê dizer que a decoração estava deslumbrante? Os convivas felizes e alegres? Os pais radiantes? E a aniversariante, com o perdão da metáfora, divina?
Medito sobre o acontecimento.
Há convidados dos pais e convidados da aniversariante. Os primeiros numa faixa etária entre cinqüenta e sessenta. Os segundos de dez a quinze. Os primeiros contemplam a vida e se vêem realizados. Sentem-se compensados e vibram com sua obra. Os segundos admiram-se,refletidos no espelho da vida, e comprazem-se com seu próprio reflexo. Os pais e seus convidados revêem sua trajetória: infância, juventude, estudos, profissão. Reconhecem erros, mas venceram. A obra está aí, está pronta. Agora é festejar o sucesso.
Os amigos da aniversariante também sonham com os estudos, profissão, seu próprio lar. Mas preferem não pensar nas dificuldades.
- Deixemos isto para depois, pensam. Agora vamos festejar.
Aquele dia é festa para as duas gerações, mas cada uma por motivos diferentes: os primeiros porque chegaram e os segundos por que começavam. Os primeiros se rodearam de amigos que trilharam lado a lado o caminho. Os segundos dão-se as mãos para se fortalecerem mutuamente e partirem. O pai da aniversariante sintetizouo sentido da comemoração:
- Minha filha, tenha sempre presente na retina de teus olhos estes amigos que aqui estão.
- Parabéns, Laura.
- Parabéns, pais.

sábado, 15 de maio de 2010

SANTA MARIA - MINHA CIDADE



Santa Maria. Enfim parei e estou contigo de novo!
Em minha formação e atuação profissional tive que morar em várias cidades gaúchas, brasileiras e até no exterior. Entre todas, porém, não houve nenhuma que me identifiquei mais como MINHA CIDADE, Santa Maria. É prazeroso estar nela. Passear na Praça Saldanha Marinho contemplando a centenária Três Marias do coreto, o chafariz, o teatro. Depois enveredar para a Niderauer ( achava lindo o nome 24 Horas) e descer até o Floriano. Descendo tem a ex-reitoria e o Colégio Marista, todo cheio de juventude. Voltar e ir até o calçadão: belas floreiras, encontro de gerações, aposentados curtindo o melhor da vida, comércio intenso, burburinho de puro povo, estudantes, crianças, namorados, o Calçadão, arfa, dormita, sorri, entristece. Ele é vida. Se desço pela Rio Branco, em seguida, de fronte uma da outra, duas catedrais, agora apaziguadas das guerras religiosas entre católicos e protestantes. Prá quê tanto ódio se Deus é o mesmo, Jesus é o mesmo e a humanidade é a mesma?! Uns entram nos templos, outros se benzem e outros nem enxergam de tão apressadas. A Avenida é bonita. Há árvores, estátuas comemorativas, cores, muita luz. Chega-se à antiga Estação Ferroviária. Como juntava gente antigamente. Era uma central ferroviária. E agora? Prosaico trânsito de trens de carga. Não precisaria ser uma central ferroviária como a Estação Cadorna de Milão, podia ser uma Santa Maria Novella de Florença! Podia, claro que podia!
No coração de Santa Maria: o Centro Universitário Franciscano, instituição cinqüentenária, pelo qual os santamarienses têm um carinho especial. “Lá fora”, como se diz, numa paisagem bucólica, a Universidade Federal de Santa Maria, orgulho maior da Cidade. Na outra ponta, a Universidade Luterana, nova, mas já destaque. A Faculdade Palotina, a Faculdade de Direito, a Faculdade Santa Clara e outras que surgiram depois e ainda surgirão constituem o conjunto de tua vocação cultural. Há, ainda, quartéis, Base aérea, Justiça, representações dos ministérios, hospitais, templos e santuários.
E se levantar o olhar no contorno, vejo o Morro do Cechella, a serra do Perau, O Cerrito e depois, os campos que se abrem para o pampa. Realmente, Santa Maria és bela. Tens senões, ah, isso tem! Mas qual a mãe que não tem?

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