sexta-feira, 17 de julho de 2026

I- A BUSCA DE DEUS. Selvino Antonio Malfatti

 

 


Através de uma reflexão sobre si mesmo o ser humano se depara com uma tensão essencial: é possível um ser limitado, finito, situado num cosmos não delimitável abranger de modo inteligível uma realidade paradoxalmente oposta a si, de modo absoluto, infinito e transcendente? O finito pode entender o infinito? Pode um fragmento do universo pensar o universo todo e além disso se perguntar pelo seu fundamento?

Uma pergunta: a justificativa é busca de Deus? Faz parte do ser humano a busca de algo além de si que seja superior?  Examinemos o complexo de quem se preocupa. Verifica-se que é um humano, uma pessoa. É UM humano, dentre 8 bilhões só atuais, sem falar de todos os humanos até agora existidos em todos os tempos e lugares desde a emergência. Este humano habita um satélite, orbitando uma estrela de tamanho médio, coabitando entre galáxias, cada uma com incontáveis estrelas em distâncias calculadas em anos-luz. Tentemos localizar este humano neste habitat. O que é? Nada mais que um pó. Este existente pode ter noção de Deus, pensa? Pode pensar? O que pode pensar de Deus?  O que pode pensar? No máximo é que Deus é maior que o universo. Infinitamente maior.

A grandeza física não é nada comparada à potência espiritual. Nenhuma estrela e nem mesmo toda galáxia sabe algo.

E nem faz nada por si, a não ser exclusivamente o que for determinado pelas leis inerentes a ela. Nem mesmo sabe que existe, se conhece. É algo determinado, sem poder se autodeterminar.

Dentro do planeta existem seres hierarquizados no seu próprio ser. Um vegetal distancia-se hierarquicamente de um animal. Serve-o na própria alimentação para sua subsistência. Por usa vez o vegetal distancia-se dos seres inanimados. Serve-lhe de subsistência.

O ser humano quando examinado em si é um zero a esquerda. O que resta dele após sua morte? Um monte de podridão que pouco a pouco se decompõe até se tornar pó, nada.

Ainda assim, a eles, aos vegetais, animais e inanimados e ao próprio universo alça-se, e a ambos o servem de subsistência. Não bastam estas hierarquias. Comparadas ao que são ao homem são nulas. O homem as conhece, sabe o que são, de onde vieram e qual será seu fim. E mais que isso o próprio homem conhece-se, sabe de onde veio, mas não sabe qual o seu destino.

Diante do caos do fim procura nas estrelas, nos seres terrenos e em si mesmo qual seu fim. Ao examinar a si mesmo encontra uma resposta irrefutável. Algo diferente dos astros, dos seres vivos e do próprio homem: Deus.  Como um ser pó consegue conceber a existência de Deus? Este Ser no entanto, existe. Conhecem-no primeiramente os que se valem do senso comum. Estes abrangem a todos. Mas há os que não se valem do senso comum, mas da ciência e da reflexão. Estes últimos, vale a pena examiná-los. Quais as descobertas e o que concluíram?

A primeira conclusão é que o ser humano é um paradoxo: parece mentira, mas não é. Parece verdade, mas só parte. O ponto de partida a tal conjetura é de que este ser não e igual a ninguém, só a si mesmo: racional. Ao longo da História ocidental a plêiade é infindável. Da mesma forma se pode concluir do oriente. Os que tomaram como ponto de partida a racionalidade humana são conhecidos como filósofos. E os que utilizaram a racionalidade e se dedicaram experimentação são os cientistas.

Examinaremos no próximo artigo.

 

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